O céu canta Aleluia!
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Ap.19.1-9
Ap.19.1-9
O Céu canta Aleluia!
Você já percebeu como nós, seres humanos, adoramos celebrar?
Um gol do time faz o estádio inteiro tremer. Um artista famoso entra no palco e milhares gritam sem parar. Um parente passa num concurso e a famiília toda festeja essa conquista.
Todos esses momentos têm algo em comum: uma explosão coletiva de alegria, porque as pessoas acreditam que ali está alguém digno de ser celebrado. Mas… todas essas celebrações são passageiras.
O time perde na rodada seguinte, o cantor envelhece e sai de cena, e o concursado entra em sua normalidade.
No entanto, em Apocalipse 19, João nos mostra uma cena totalmente diferente: o céu inteiro se une, como o som de muitas águas e trovões, para declarar: “Aleluia! Pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso.” Essa não é uma celebração passageira, mas eterna. Não é sobre a vitória de um homem, sobre a glória de um artista, mas sobre o reinado do Deus vivo.
E a pergunta que fica é: se no céu a adoração será intensa e gloriosa, por que aqui na terra tantas vezes temos dificuldade de viver essa mesma alegria em adorar ao Rei dos reis, Senhor da Glória?
É pensando nisso que chegamos à visão do Apocalipse — uma cortina que se abre para revelar Jesus Cristo ao seu povo. Num tempo hostil, marcado pelo medo e pela perseguição, João que estava preso na Ilha de Patmos, recebe e transmite à igreja uma mensagem poderosa: a vitória já está garantida.
- E aqui está um ponto chave na interpretação do livro: Apocalipse não é uma linha do tempo cronológica, como algo reto no tempo, mas uma obra estruturada em ciclos. Cada ciclo é uma visão paralela que apresenta, um novo ângulo, a mesma realidade: Cristo venceu, Deus reina, e o Seu povo será vitorioso.
É como se fossem diferentes câmeras filmando a mesma cena, só que de perspectivas variadas. Mas por quê isso é assim? O objetivo é sempre o mesmo: renovar a esperança da igreja em meio às lutas de agora. O Apocalipse, portanto, mostra em sete ciclos principais a vitória e o triunfo do Reino de Deus. Cada um reforça a mesma mensagem de esperança, mas com cores e ênfases diferentes. Cenas diferentes da mesma realidade.
- Assim, a igreja perseguida pode descansar: não importa o que aconteça agora, o fim já está escrito, e a vitória é do Cordeiro e do seu povo. Aleluia!!!
- Baseado na estrutura desse trecho que acabamos de ler hoje, onde é o único lugar em todo o NT em que aparece quatro vezes a palavra Aleluia dando o tema central da adoração celeste, meu tema também será: O Céu canta Aleluia! Nosso texto começa com o:
I. Aleluia: A celebração da Justiça. Nos versículos 1 e 2.
I. Aleluia: A celebração da Justiça. Nos versículos 1 e 2.
O texto começa com “Depois destas coisas” isso se referindo, principalmente, à visão da Queda da grande Babilônia, no capítulo 18. Dentro desse mesmo contexto em que a tal babilônia cai em ruínas, surge nos céus uma resposta a este fato.
“ouvi no céu uma como grande voz…”
Toda a assembleia ou reunião dos santos se unem e louvam a Deus na consumação da história, no julgamento da Babilônia e pela salvação que Ele realizou para o seu povo com grande poder.
E a partir de então, se rompe em um poderoso som, descrito como de “numerosa multidão”.
João fica impactado com tal manifestação - Um imenso e sonoro “ALELUIA” é acompanhado pela declaração sobre o que pertence ao nosso Deus. Salvação, glória e poder.
Salvação, glória e poder pertencem a Deus porque somente Ele pode salvar, governar e transformar a história!
Sua glória, expressa aqui na qualidade de sua majestade, em governar com perfeição absoluta. E por fim, seu poder ilimitado agindo enfim para mudar o quadro da história que se apresentou por meio de lutas, opressões e muitas mortes.
Essas três palavras representam que a salvação não depende de impérios, a glória não pertence a reis ou presidentes humanos, e o poder não está nas mãos dos homens poderosos dessa terra, mas nas mãos de Deus unicamente.
O fato é que chegou a hora do julgamento, do acerto de contas do Senhor com seus inimigos. Vindo em seguida de um harmonioso ALELUIA! A resposta vibrante de Celebração.
Essa é uma palavra muito usada pelo povo de Deus desde o Antigo Testamento. Era como um grito de júbilo, uma interjeição de louvor espontâneo a Deus. No Apocalipse, esse mesmo convite à adoração enche os céus diante da queda da Babilônia.
O Senhor executou sua justiça contra aquele sistema que parecia invencível, mas que agora é totalmente derrubado pelo poder do seu braço.
E qual é o resultado disso? O povo de Deus explode em adoração! Porque quando a justiça de Deus se manifesta, a esperança do Seu povo se renova.
Assim, essa Babilônia é retratada na história com o codinome para Roma a princípio, um império perseguidor, corrupto e idólatra de sua época. Mas que sua simbologia representa um todo sistema humano que se opõe a Deus: seja de forma política, econômica, cultural ou religiosa. Mas que em apocalipse é descrita com o aspecto eterno de um mundo sem Deus, arrogante e sedutor, que persegue os santos e promove injustiça.
Portanto, meus irmãos, hoje, Babilônia pode ser vista em qualquer estrutura que exalte o homem acima de Deus, seduzindo corações com poder, prazer e orgulho. Isso é Babilônia! Isso é a grande meretriz. Por isso o Senhor se vingou do sangue dos seus servos.
Aquela que parecia triunfante, caiu. O sistema que parecia invencível, ruiu diante da justiça de Deus. Esse é o motivo imediato da adoração: o Senhor venceu a Babilônia. O Aleluia é a resposta à sua queda, porque isso prova que só o Cordeiro é o verdadeiro Senhor da história. O Verdadeiro Vencedor!
Se por um lado o céu canta Aleluia porque o mal foi derrotado e a Babilônia caiu, por outro, a adoração não para aí. Não é apenas a queda do inimigo que enche os céus de louvor, mas, acima de tudo, a certeza de que Deus está no trono. O mal não reina mais, porque o verdadeiro Rei reina para sempre. Por isso, a multidão celestial agora volta seus olhos não para a ruína da Babilônia, mas para a glória do Senhor soberano, e proclama: ‘Aleluia! Pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso!’.
II. Aleluia pelo Reinado Eterno de Deus (vv.3-6a)
II. Aleluia pelo Reinado Eterno de Deus (vv.3-6a)
Depois de celebrar a justiça de Deus e a queda da Babilônia, a multidão celestial volta-se para a maior de todas as razões para cantar: o reinado do Senhor. O texto descreve o som da adoração como “voz de numerosa multidão, como a voz de muitas águas e como a voz de fortes trovões” — um coro que nenhuma força humana poderia calar.
O cântico de Aleluia em Apocalipse 19 ecoa uma verdade já celebrada em toda a Escritura: o Senhor reina com majestade e seu trono é eterno (Sl 93.1–2). Não há força que possa abalar sua soberania, nem mesmo os maiores impérios da história. Até Nabucodonosor, símbolo da altivez da Babilônia, precisou reconhecer que o domínio do Altíssimo é eterno e que diante dele todas as nações são como nada (Dn 4.34–35). E em Apocalipse 11.15 ouvimos a proclamação definitiva: ‘O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo’. A dignidade daquele que reina é tão grandiosa que até os inimigos do seu povo terão de se curvar diante de sua autoridade, pois nenhum poder humano, por mais soberbo, pode se manter de pé diante do Rei dos reis.
Aqui está o coração do louvor: “Aleluia! Pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso.” O trono não está vazio, meus irmãos, nem ocupado por reis humanos, mas pelo Deus que governa soberanamente toda a história.
É como um maestro regendo uma orquestra: quem ouve de fora, no meio dos ensaios, pode pensar que há só ruído e confusão. Mas o maestro sabe a partitura e conduz cada instrumento até o momento certo, até que tudo se harmonize. Assim também é o reinado de Deus: mesmo que hoje vejamos desencontros, Ele conduz a história para sua perfeita melodia final.
Quando olhamos para o caos do mundo, para as incertezas políticas, econômicas e sociais, é fácil pensar que o mal domina. Mas Apocalipse nos lembra: acima de todo governo humano, está o governo de Deus. Ele reina, mesmo quando não entendemos todos os seus caminhos.
Se a justiça de Deus já nos enche de esperança, se a queda da Babilônia nos mostra que o mal não tem a última palavra, e se o reinado de Deus nos assegura que Ele está no trono, há ainda um motivo maior de celebração: nós também fazemos parte dessa vitória. O céu não canta apenas sobre o que Deus fez contra o mal, mas também sobre o que Ele fez a favor do Seu povo. O Aleluia agora aponta para o clímax da história: o casamento do Cordeiro com a sua noiva. A grande festa do céu!
III. Aleluia pelas Bodas do Cordeiro (vv.6b-9)
III. Aleluia pelas Bodas do Cordeiro (vv.6b-9)
A imagem das Bodas do Cordeiro em Apocalipse 19 não surge do nada; ela é o clímax de uma longa história de amor que Deus tem contado ao longo de toda a Escritura.
Em Oséias, Ele prometeu desposar o Seu povo para sempre em justiça, amor e fidelidade (Os 2.19–20). Isaías anunciou que Deus se alegraria com o Seu povo como o noivo se alegra da noiva (Is 62.5).
João Batista reconheceu Jesus como o Noivo que havia chegado (Jo 3.29).
E Paulo, em Efésios, revelou que Cristo amou a Igreja a ponto de entregar a própria vida, a fim de apresentá-la pura e gloriosa (Ef 5.25–27).
Essa imagem nos lembra de que não somos apenas servos, mas um povo em aliança com Deus, amado de forma eterna como uma noiva comprometida. Por isso, somos chamados a viver em santidade e expectativa, porque o Cordeiro preparou para nós um futuro de festa e plenitude. Nossa adoração hoje é a antecipação da voz do Noivo que um dia nos receberá em sua glória.
Mas em contraste com essa celebração, o capítulo 18 descreve o lamento dos povos diante do juízo divino, pois se embriagaram da infidelidade contra o Criador. Mas em Apocalipse 19.7–8 contemplamos o oposto: uma multidão jubilosa, representando a Igreja purificada e adornada, recebida pelo Cordeiro em uma festa de casamento eterna. Depois de lutas, perseguições e lágrimas, o povo de Deus é apresentado como uma noiva gloriosa.
Esse Aleluia declara que a história não termina em derrota, mas em celebração. A vida cristã, com suas batalhas e dores, não é em vão. Tudo caminha para esse grande encontro com Cristo. Nossa adoração na terra não é apenas um ensaio da eternidade; ela já é uma participação antecipada na realidade inaugurada pela cruz e pela ressurreição. Sobre a esperança cristã, John Stott afirma:
“A esperança cristã não é um otimismo ingênuo, mas a expectativa confiante de um futuro garantido pela ressurreição e pela promessa do retorno de Cristo.” (The Cross of Christ, cap. 10)
O versículo 8 nos revela que à noiva foi concedido vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro.
O texto explica que esse linho são “os atos de justiça dos santos”.
Ou seja, a santidade do povo de Deus não é apenas um adorno exterior, mas a evidência concreta da obra de Cristo em nós.
As vestes não são fruto do mérito humano, mas dom concedido pelo Noivo, nosso Senhor, que purifica e adorna a sua Igreja.
João Calvino comenta acerca disso dizendo: “Cristo não apenas nos comprou para si, mas também nos purifica diariamente, a fim de nos apresentar a si mesmo como uma noiva casta e santa.” (Institutas, III.25.10) Tais vestes representam, portanto, que agora vivemos em verdadeira justiça e santidade.
Agora pense no dia de um casamento: ninguém comparece a uma cerimônia dessas de qualquer jeito. A noiva se prepara com todo zelo, e os convidados se vestem com roupas adequadas, porque sabem da grandeza daquele momento. Se diante de um casamento terreno já existe tanta expectativa e cuidado, quanto mais diante das Bodas do Cordeiro! O Senhor mesmo nos concede as vestes, e cabe a nós vivermos de modo digno daquele dia, em gratidão e fidelidade.
Portanto, ao olhar para as Bodas do Cordeiro, somos convidados a viver hoje em santidade e esperança, lembrando que nossa vida já é marcada pelo amor fiel de Cristo e orientada para o grande dia em que Ele nos receberá como sua noiva amada.
No vv.9 O anjo diz a João: sobre a felicidade daqueles que são chamados à boda do Cordeiro, ou seja, “aqueles que foram chamados pela graça do evangelho”, e que no tempo e no espaço chamados pela palavra do Evangelho, enfim, foram em Jesus, glorificados e habilitados a se sentar com ele - que significa o selo de uma comunhão eterna. Neste dia será o momento em que Jesus voltará a beber do fruto da uva novamente junto com seu povo.
O texto então, meus irmãos, nos mostrou que o céu canta Aleluia por três grandes motivos:
Pela justiça de Deus – porque Ele julga com verdade e que nenhum sistema humano se mantém diante dEle.
Pelo reinado de Deus – porque o trono nunca esteve vazio.
Pelas bodas do Cordeiro – porque o futuro do povo de Deus é glorioso.
O que Apocalipse nos ensina é que o mal não terá a palavra final. A Babilônia pode parecer vitoriosa por um tempo, mas no fim o Senhor é quem reina. E por isso o cântico de Aleluia é tão forte: é o grito de fé e certeza de que Deus está no controle da história e a vitória já pertence ao Cordeiro.
A pergunta que fica para nós é: se o céu já canta Aleluia, será que a nossa vida aqui na terra também tem sido um Aleluia? Quando enfrentamos injustiça, conseguimos confiar na justiça de Deus? Quando o mal parece triunfar, conseguimos crer que Babilônia cairá? Quando o caos nos assusta, conseguimos descansar no reinado de Deus? Quando a vida pesa, conseguimos nos lembrar da esperança das bodas do Cordeiro?
O convite de Apocalipse é que a igreja, ainda no meio da luta, viva já em tom de Aleluia. Porque o fim da história não será silêncio, mas louvor eterno ao Rei da Glória.
“O céu já canta Aleluia. Que a nossa vida, aqui e agora, se torne parte desse mesmo coro.”
