Estarás Comigo
Notes
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Introdução
Introdução
Meus irmãos, hoje é um dos dias para os quais nos preparamos ao longo de todo este período da Quaresma — dias em que fomos chamados a desacelerar, a refletir e a olhar com mais profundidade para a obra de Cristo na cruz. E hoje, embora seja um feriado, frequentemente associado ao descanso, não é para nós um dia comum, nem apenas mais um dia no calendário. Estamos diante do centro da nossa fé: a cruz. O momento em que o Filho de Deus, Jesus Cristo, foi entregue, humilhado e crucificado.
E talvez, justamente por estarmos tão familiarizados com essa narrativa, por a termos ouvido tantas vezes, corramos o risco de perder o peso e o verdadeiro significado daquilo que a cruz representa. Por isso, hoje somos chamados a olhar novamente para a cruz — não de forma superficial, mas com seriedade, com reverência e com um coração verdadeiramente quebrantado.
É na cruz que tudo muda. É na cruz que o nosso pecado foi tratado. É na cruz que a justiça de Deus foi plenamente satisfeita. É na cruz que nós, que éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele. E é por meio dessa cruz, que agora somos chamados filhos de Deus e um dia "estaremos com ele"!
Ao longo destes domingos da Quaresma, temos caminhado pelos ensinamentos de Jesus e, de forma especial, considerado algumas das suas declarações mais solenes, quando dizia: “Em verdade vos digo…”. No entanto, hoje não nos detemos apenas nas palavras de Cristo, mas voltamos os nossos olhos para aquilo que Ele fez. Na cruz, cada palavra dá lugar a um ato — um ato de entrega, um ato de amor e um ato de justiça.
Foi ali, naquele cenário marcado pela dor e pela morte, que o Evangelho se revelou com a maior clareza possível.
Foi naquele cenário que o maior ato de injustiça se tornou também o maior ato de graça.
E foi naquele cenário também, que vemos dois homens sendo crucificados ao lado de Jesus, dois condenados.
Com respostas completamente diferentes:
De um lado, Um que não crê e zomba
Do outro, um que crê e recebe o Reino
Mas antes de entrarmos a fundo nessa história eu gostaria de ler com você o Evangelho de Lucas no Capítulo 23, versículo 32 ao 43.
A Linguagem que iremos ler é a NAA, e você pode acompanhar pela sua Bíblia ou pela projeção.
O texto diz assim:
“³² E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com Jesus.
³³ Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à sua direita, outro à sua esquerda.
³⁴ Mas Jesus dizia:
— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes.
³⁵ O povo estava ali e observava tudo. Também as autoridades zombavam e diziam:
— Salvou os outros. Que salve a si mesmo, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
³⁶ Igualmente os soldados zombavam dele e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:
³⁷ — Se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo.
³⁸ Acima de Jesus estava a seguinte inscrição: "Este é o Rei dos Judeus".
# Os dois malfeitores
³⁹ Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo:
— Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.
⁴⁰ Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo:
— Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença?
⁴¹ A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum.
⁴² E acrescentou:
— Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.
⁴³ Jesus lhe respondeu:
— Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.”
Essa é a palavra de Deus.
ORAÇÃO
Contexto
Contexto
Bom, irmãos, os versículos que nós lemos nos levam diretamente ao momento da crucificação de Cristo.
Mas, para relembrarmos o que aconteceu até aqui, na noite em que Jesus foi traído, vemos uma sequência de acontecimentos que nos conduzem até esse momento.
No exato momento em que Jesus é preso, todos os discípulos fogem com medo...
Então Jesus é levado primeiro a Anás, e depois ao sumo sacerdote Caifás, onde é interrogado...
Logo na sequência, vemos Pedro negar a Jesus por 3 vezes, e quando se deu conta de que Jesus já havia dito que ele faria isso, a Bíblia nos diz que “ele chorou amargamente”.
Os guardas que estavam responsáveis por Jesus zombavam e o espancavam...
Aqui no relato de Lucas diz que:
“Eles colocaram uma venda sobre os olhos de Jesus e diziam: Profetize! Quem foi que bateu em você?”
E muitas outras coisas diziam, blasfemando.
Então Jesus é colocado diante do Sinédrio, perante os mestres, anciãos e autoridades...
Aqueles que foram responsáveis por sua prisão e que desejavam a sua morte.
Eles buscavam uma acusação que justificasse condená-lo à morte...
Como não conseguiram arrancar nada de Jesus, levaram-no até Pilatos, e as próprias palavras de Pilatos para esses homens foram:
“Não vejo neste homem crime algum.”
O relato de João ainda nos traz mais detalhes, porque diz:
“Julguem-no segundo a sua própria lei.”
E a resposta deles foi:
“Não nos é lícito matar ninguém.”
A realidade é que, se eles mesmos o julgassem, teriam que apedrejá-lo — e isso traria consequências.
Por isso, transferem a responsabilidade para Roma.
Mas Pilatos, descobrindo que Jesus era galileu, também tenta se eximir e o envia a Herodes, pois era a região sob sua responsabilidade.
Herodes se alegra, porque queria conhecer Jesus...
Ele esperava ver algum sinal, como se fosse um espetáculo...
Mas nem mesmo Herodes quis condená-lo, e o envia de volta a Pilatos.
A cena que se segue é bem conhecida por nós:
Pilatos apresenta Jesus à multidão com a intenção de soltá-lo, mas a multidão pede que Barrabás seja solto, e que Jesus seja crucificado.
E há dois aspectos importantes aqui:
O primeiro é que os líderes estavam apressando o julgamento para não se contaminarem cerimonialmente e poderem celebrar a Páscoa.
Por isso, vemos a quantidade de irregularidades nesses julgamentos de Jesus.
E o segundo é que existia uma tradição de que, na Páscoa, o governador soltava um preso.
Então Pilatos tenta libertar Jesus, mas a pressão da multidão faz com que ele ceda ao pedido deles.
Então Jesus segue o caminho rumo à cruz, carregando o peso daquele momento, cercado por uma grande multidão.
Caminho este que ficaria conhecido como a via dolorosa.
E, no meio de toda aquela cena, o texto destaca um grupo específico:
mulheres que lamentavam, que batiam no peito, reagindo ao que estavam vendo.
E esse detalhe não é irrelevante, porque esse gesto de bater no peito era conhecido naquele contexto como uma expressão pública de dor, de lamento, de tristeza profunda.
Elas estavam, de fato, sensibilizadas com o que estava acontecendo no caminho.
Elas enxergavam a injustiça daquela cena e então reagiam com lágrimas.
Mas é interessante perceber que Jesus não responde ao choro delas da forma que talvez nós esperaríamos.
Ele não recebe esse lamento como suficiente, nem permite que aquele momento permaneça apenas no campo da emoção.
O texto nos mostra que Ele se volta para essas mulheres e diz:
“Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos.”
Aquelas mulheres estavam chorando por aquilo que viam, pelo sofrimento evidente diante delas.
Jesus redireciona completamente o foco daquele choro.
Porque, enquanto elas choravam por um sofrimento visível, Jesus revela que há um juízo que ainda virá…
uma consequência muito mais séria, não sobre Ele, mas sobre aqueles que rejeitam aquilo que está acontecendo ali.
E por isso Ele amplia ainda mais essa advertência, descrevendo dias em que a dor será tão grande que aquilo que antes era visto como sofrimento, como o fato de não ter filhos, será considerado alívio.
Jesus aponta para um tempo de calamidade, de juízo, de desespero.
E então Ele encerra com uma afirmação que carrega ainda mais peso:
“Porque, se fazem isto ao madeiro verde, que acontecerá ao seco?”
Ou seja, se aquilo estava acontecendo com Ele, inocente, justo, sem culpa,
o que acontecerá com aqueles que, de fato, estão debaixo de juízo?
O ponto é mostrar que aquele choro, por si só, não alcança a realidade mais profunda de tudo o que está acontecendo.
Porque a cruz não é apenas uma cena de sofrimento a ser observada,
é uma realidade espiritual que exige resposta.
Versículo 32 e 33
Versículo 32 e 33
"³² E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com Jesus.
³³ Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à sua direita, outro à sua esquerda."
Lucas 23:32-33
O versículo 32 nos diz que os outros dois condenados eram malfeitores.
A ideia literal aqui em Lucas é: “aqueles que praticam o mal”.
Mas, se olharmos nos outros evangelhos, Mateus e Marcos os descrevem como ladrões, ou até mesmo assaltantes — homens envolvidos em violência e rebelião.
E, de fato, a morte de cruz era destinada a esse tipo de criminoso:
rebeldes
assassinos
criminosos que representavam ameaça à ordem social
A cruz não era apenas um instrumento de morte, era um símbolo de vergonha, de rejeição e de maldição.
Para entendermos o peso disso, um cidadão romano não poderia ser crucificado, tamanha era a humilhação associada a esse tipo de morte.
E foi exatamente esse lugar que Cristo assumiu.
Como nos diz a Palavra em Gálatas 3:13:
“Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.”
Meus irmãos, Jesus não apenas sofreu…
Ele tomou sobre si a maldição.
E o texto nos revela ainda mais:
ao chegarem ao lugar chamado Calvário, ou Caveira,
Jesus é crucificado exatamente no meio dos malfeitores.
E isso não é um detalhe aleatório…
Aqui vemos o cumprimento da profecia anunciada em Isaías 53:12:
“...e foi contado com os transgressores.”
Ele está sendo crucificado entre dois malfeitores,
como se fosse um transgressor ainda maior que eles.
A profecia está se cumprindo diante dos olhos deles.
Mas eles não conseguiam compreender…
Para o povo judeu, a ideia de um Messias crucificado era absurda, incompreensível.
Eles esperavam um rei conquistador,
alguém que derrotaria os inimigos de Israel
e estabeleceria o seu reino.
Eles esperavam uma coroação…
(ENFASE)
Mas o que os olhos deles não conseguiam enxergar
é que, ali, Cristo estava inaugurando o seu Reino.
A coroa não era de ouro,
O trono não era um trono visível,
A vitória não viria pela espada,
Porque o Reino de Deus não é estabelecido como os reinos deste mundo…
Ele é estabelecido pela graça,
pelo sofrimento,
e pela entrega do próprio Rei desse reino.
E por isso a cruz era loucura para eles.
()
E o próprio início dessa profecia já apontava para isso, em Isaías 53:1:
“Quem creu em nossa pregação?”
E no versículo 3:
“...era desprezado, e dele não fizemos caso.”
Se não for o Espírito Santo operando em nosso coração, nós também o desprezaríamos.
Versículo 34
Versículo 34
Jesus roga ao Pai: “...perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
Que oração é essa?
Como é que ele pode orar pelos que o açoitaram, espancaram e que o estavam matando?
Simplesmente, um ato de misericórdia...
Ele pediu ao Pai para perdoar aqueles mais miseráveis pecadores por sua blasfêmia, porque, segundo o próprio Jesus, eles não sabiam o que estavam fazendo.
Não no sentido de serem inocentes,
mas no sentido de não compreenderem plenamente quem Ele era
e o que aquele momento realmente significava.
E é maravilhoso como Deus escreveu esta história, porque lá no versículo 12 de Isaías 53, o profeta diz:
“...Contudo, levou sobre si, o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”
Não apenas em Isaías mas o Salmos 22 é simplesmente o cumprimento dessa promessa.
Tudo apontava para Cristo,
Os profetas apontavam para Ele,
As Escrituras apontavam para Cristo
Tudo convergia para esse momento.
Em 1 Corintios 2:8, Paulo vai dizer que:
“Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.”
Naquele momento,
a cruz não estava sendo apenas um lugar de sofrimento
mas também o lugar onde a misericórdia de Deus estava sendo revelada de forma plena.
Enquanto eles o condenavam, Ele oferecia perdão.
(PAUSA)
E meus irmãos, no Salmos 22:17-18, diz assim:
“...os meus inimigos estão olhando para mim e me encarando.
Repartem entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançam sortes.”
E se nós repararmos no final do versículo 34 e no início do versículo 35, Lucas diz:
“Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes. O povo estava ali e observava tudo.”
enquanto Cristo entregava a sua vida,
aqueles homens tratavam tudo aquilo com completa indiferença.
O texto nos mostra que não era apenas indiferença, mas também desprezo.
Porque, enquanto o povo observava,
as autoridades e os soldados zombavam dEle.
Versículos 35, 36, 37 e 38
Versículos 35, 36, 37 e 38
Diziam:
“— Salvou os outros. Que salve a si mesmo, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
— Se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo.”
Perceba meus irmãos, que em todas essas falas, há um mesmo padrão, uma mesma exigência:
“Prove quem você é… salvando a si mesmo.”
Eles simplesmente não compreendiam que, se Jesus salvasse a si mesmo,
Ele não poderia salvar ninguém.
Diferente do que eles pensavam,
A cruz não era sinal um de fraqueza em Jesus,
era exatamente o cumprimento do plano de Deus.
Até mesmo neste momento trouxeram uma bebida avinagrada,
Como se fosse um vinho estragado,
para encenar como se estivessem servindo um rei.
E é exatamente isso que estava escrito na inscrição acima dEle:
“ Este é o Rei dos Judeus”
Naquele tempo, era costume que os criminosos crucificados tivessem uma inscrição pregada na cruz,
indicando o motivo da sua condenação.
Mas, no caso de Jesus, isso foi diferente.
Pilatos, pressionado pelos líderes judeus,
e ainda convencido da inocência de Cristo,
usa aquela inscrição também como uma forma de resposta a eles.
E no relato de João, vemos esse embate, quando ele declara:
“— O que escrevi, escrevi.”
E, como se não bastasse, ele escreve isso em três línguas:
hebraico, latim e grego.
Aquilo que foi colocado ali como acusação, como provocação,
se tornou uma proclamação.
O Rei estava diante deles, mas eles não conseguiam reconhecer.
Versículo 39, 40 e 41
Versículo 39, 40 e 41
E, meus irmãos, agora Lucas tira o foco da multidão
e coloca sobre esses dois malfeitores ao lado de Jesus.
Esses dois homens representam duas respostas completamente diferentes diante de Cristo.
De um lado, alguém que permanece endurecido…
do outro, alguém que começa a reconhecer quem Jesus é.
E o interessante é que, em Mateus e Marcos, vemos que ambos inicialmente insultavam Jesus…
Mas no relato de Lucas, em determinado momento, um deles muda completamente sua postura.
Acompanhe comigo os versículos do 39 ao 41:
"³⁹ Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo:
— Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.
⁴⁰ Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo:
— Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença?
⁴¹ A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum.”
Fica evidente que o primeiro malfeitor permanece na mesma lógica da multidão:
Ele não nega que Jesus possa ser o Cristo, mas exige uma prova.
Ele quer que Cristo o livre das consequências, mas não um Cristo a quem ele deva se submeter.
Mesmo estando diante da morte, ele não demonstra temor de Deus
Ele até reconhece a possibilidade, mas não se rende à verdade.
Aqui está a representação de alguém que você prega...
A pessoa ouve,
entende,
diz até que reconhece quem Cristo é…
Mas não se submete,
Não se arrepende dos seus pecados,
Não se rende a Cristo,
Não muda de vida.
É alguém que quer os benefícios,
mas não quer o senhorio de Cristo.
E do outro lado, temos um malfeitor que até começou zombando de Cristo,
Sabe quando uma pessoa começa a rir de algo que você ta fazendo,
mas no meio do caminho ela se dá conta que o que você está fazendo tá certo e para de rir...
É exatamente a atitude desse segundo malfeitor.
Em algum momento, ele teve sua postura completamente transformada.
Algo muda!
E é uma mudança não vem dele, vem da obra de Deus no coração.
Porque quando o Espírito de Deus opera no nosso coração,
Ele produz algo que não existia antes: TEMOR.
Perceba o que ele diz no final do 40:
“Você nem ao menos teme a Deus… estando sob igual sentença?”
Mesmo diante da morte, ele reconhece que há algo maior do que aquela cruz,
há um juízo vindouro de Deus.
E isso nos leva a uma segunda evidência:
O reconhecimento do pecado, porque ele diz:
“A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nssos atos merecem.”
Ele justifica o porque está ali,
Ele não se compara,
Ele não tenta aliviar a sua culpa,
Ele confessa.
Ele reconhece que a posição em que ele está, é justa!
Ele entende algo que muitos não entendem:
Deus é justo e o seu juízo é perfeito.
E isso é a marca de um coração transformado:
Alguém que reconhece que não tem nada a oferecer,
Alguém que abandona qualquer tentativa de mérito
e se coloca completamente dependente da misericórdia.
Ele não apenas reconhece seu pecado, ele reconhece quem Cristo é:
No final do 41 ele diz: “mas este não fez mal nenhum”
Aqui, ele não está apenas dizendo que Jesus era inocente diante dos homens…
ele está reconhecendo que há algo diferente em Cristo.
Enquanto ele confessa a sua culpa…
ele afirma a justiça de Jesus.
Esse homem se dirige a Cristo como o seu Salvador, e humildemente pede:
“— Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino”
um homem, à beira da morte…
sem obras…
sem tempo para provar nada,
sem nada para oferecer,
ainda assim crê.
porque ele reconhece que Jesus é Rei…
que há um Reino…
e que Cristo tem autoridade para recebê-lo nele.
Isso não é um pedido qualquer, é um clamor por misericórdia.
Ele não exige uma prova como o outro mafeitor,
Ele não negocia dizendo que pode oferecer algo em troca,
Ele não apresenta mérito nenhum,
ele apenas pede para ser lembrado.
Essa é a essência da salvação:
um pecador, como eu e você,
sem nada a oferecer, como eu e você,
confiando inteiramente na graça de Cristo.
Versiculo 43
Versiculo 43
E então a gente chega no versículo onde encontramos o “Amén” de Jesus, o versículo 43.
E todas as vezes em que Jesus diz esse “em verdade lhe digo”, ele quer que a gente preste atenção máxima no que Ele está dizendo.
E Jesus diz assim:
“— Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.”
O que é que Jesus quer que a gente tenha atenção aqui?
Não é que essa questão não seja importante…
mas o foco principal aqui não é simplesmente para onde vamos depois que morremos…
Jesus não fala:
"estarás no paraíso"
Ele fala:
“você estará comigo.”
Essa palavra “paraíso” aponta para a presença de Deus
O lugar onde Deus é o centro de tudo.
E isso deve nos confrontar:
O que eu tenho feito na minha vida?
Será que tenho vivido com base nas minhas forças e méritos para ir pro céu?
Porque se o nosso desejo for apenas ir para o céu porque lá é um lugar melhor…
então a gente ainda não entendeu completamente o evangelho.
Será que nós dizemos que cremos em Cristo apenas por medo do inferno…
ou porque de fato o amamos e queremos estar com Ele?
Será que nós realmente odiamos o pecado…
ou só estamos tentando, com as nossas próprias forças, evitar o que é errado?
"Ah, agora vai problematizar querer ir pro céu?" Não...
Nós devemos desejar o céu, mas porque Cristo estará lá.
E quando essa realidade é verdadeira no nosso coração,
isso transforma a nossa vida por completo.
Não mais porque estamos tentando merecer, mas porque fomos alcançados pela graça.
Porque é impossível alguém dizer que Cristo é o seu Salvador,
e viver como se Ele não fosse Senhor da sua vida.
E isso fica muito claro quando a gente para pra pensar…
há uma música dos Os Arrais que diz:
“Não fale que o conhece se o esquece em cada esquina…”
Porque no fim… é exatamente isso.
Se Cristo é o Senhor das nossas vidas,
isso precisa aparecer...
Isso precisa refletir em todas as áreas da nossa vida:
- no nosso trabalho…
- na nossa casa…
- nas nossas decisões…
- nas nossas amizades
EM TUDO...
Mas não como uma tentativa de conquistar algo, e sim como resposta àquilo que já recebemos.
Diante da cruz, meus irmãos…
nós somos colocados diante de dois caminhos.
De um lado, alguém que endurece o coração,
não se abre ao arrependimento.
do outro, alguém que se arrepende e se rende.
E hoje, nós não estamos diante de uma escolha neutra…
nós estamos diante de Cristo.
E a pergunta não é apenas o que você vai fazer…
mas como o seu coração responde a Ele.
Será que você continua resistindo…
vivendo do seu jeito…
sem temor a Deus…
ou será que hoje…
você reconhece o seu pecado…
abandona qualquer tentativa de se justificar…
e se lança completamente na graça de Cristo?
Porque foi isso que aquele homem fez…
e foi o suficiente.
Não havia mais tempo,
mas havia arrependimento e fé.
E Cristo foi suficiente.
E hoje não é diferente…
Cristo continua sendo suficiente.
E o chamado é o mesmo:
arrependa-se e creia.
Conclusão
Conclusão
E para nós finalizarmos eu gostaria de ler com você os versículos 44 até o 49.
“⁴⁴ Já era quase meio-dia, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde.
⁴⁵ E o véu do santuário se rasgou pelo meio.
⁴⁶ Então Jesus clamou em alta voz:
— Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!
E, dito isto, expirou.
⁴⁷ O centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo:
— Verdadeiramente este homem era justo.
⁴⁸ E todas as multidões reunidas para aquele espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se, batendo no peito.
⁴⁹ Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galileia ficaram de longe, contemplando estas coisas.”
Meus irmãos…
hoje é o dia em que relembramos a morte de Cristo.
E nós olhamos para a cruz com reverência, com peso,
mas também com esperança.
Porque foi através dessa morte, que o véu foi rasgado.
Deus estava abrindo o caminho.
aquilo que antes separava
agora já não separa mais.
O acesso foi completamente aberto.
Antes eramos distantes, mas agora somos chamados de filhos.
Porque o castigo que estava sobre nós, foi colocado sobre Cristo.
“Verdadeiramente, Ele era justo”, como bem disse o centurião!
E justamente por isso, Ele era o único que podia morrer no nosso lugar.
Deus não se agradou no sofrimento em si,
mas no propósito da redenção,
porque Ele nos amou…
e, através do sangue de Cristo, hoje temos acesso ao Pai.
Naquele dia houve trevas,
porque a ira que era nossa,
caiu sobre Cristo.
“Aquele que não conheceu pecado…foi feito pecado por nós…”
“foi ferido pelas nossas transgressões…moído pelas nossas iniquidades…”
Foi por amor a mim e a você!
Diante disso, que não sejamos como aquele malfeitor,
nem como aquela multidão…
que em um momento rejeita,
e no outro apenas lamenta.
Porque remorso não é arrependimento.
Aquela multidão percebeu o que aconteceu, mas já era tarde demais...
Não houve arrependimento verdadeiro.
E a Bíblia nos mostra que haverá um dia…
em que muitos também lamentarão…
haverá choro e ranger de dentes…
não porque não souberam,
mas porque não se renderam.
Mas que eu e você,
não sejamos como aquele que rejeitou…
e nem como aqueles que apenas lamentaram…
mas como aquele homem…
que, mesmo no último momento…
se arrependeu,
e pela graça ouviu:
“Hoje você estará comigo.”
