O LIVRO DO PROFETA DANIEL

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O LIVRO DO PROFETA DANIEL
INTRODUÇÃO
No início do século 20, havia uma sensação de otimismo no Ocidente. Por meio da ciência e tecnologia, a humanidade estava avançando em direção a um período áureo em que a guerra, a peste, a pobreza e a fome finalmente acabariam. Pelo menos essa era a esperança.
Porém, o século 20 provou que tal esperança era equivocada e ingênua. E pelo que temos visto no século 21 as coisas estão indo de mal a pior.
Essa realidade não deve nos surpreender, Jesus disse: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares” (Mt 24:7).
Em meio às calamidades, temos o livro de Daniel, uma obra relevante para nós que vivemos no ayt qatz, “tempo do fim” (Dn 12:9). Daniel apresenta evidências poderosas e confirmadoras da fé, em relação à nossa crença em Deus, à morte de Jesus Cristo na cruz, e à promessa de Seu retorno e tudo o que isso implica.
Nossa igreja nasceu das páginas do livro de Daniel. Ellen White declara que:
À medida que começamos, devemos manter os seguintes pontos em mente como um modelo para nos orientar em nosso estudo.
Primeiramente, é preciso sempre lembrar que, assim como em toda a Bíblia, Cristo é o centro do livro de Daniel.
Em segundo lugar, Daniel está organizado de uma forma que revela beleza literária e nos ajuda a compreender seu foco principal.
Terceiro, precisamos perceber a diferença entre profecias clássicas e apocalípticas. Isso nos ajudará a distinguir entre as profecias de Daniel e as de outros livros como Isaías, Amós e Jeremias.
Quarto, ao estudarmos as profecias de tempo de Daniel, devemos entender que os esboços proféticos de Daniel se estendem por longos períodos e são medidos de acordo com o princípio do dia/ano.
Quinto, devemos enfatizar que o livro de Daniel não apenas comunica informações proféticas, mas é profundamente relevante para nossa vida pessoal e o desenvolvimento da comunhão com Deus.
I – A IMPORTÂNCIA DO LIVRO
Embora tenha sido escrito há mais de 2.500 anos, o livro de Daniel continua sendo relevante para o povo de Deus no século 21. Observaremos três áreas em que Daniel pode ser importante para nós. O livro mostra que:
1. Deus continua sendo soberano em nossa vida. Mesmo quando as coisas dão errado, o Senhor atua por entre os caprichos humanos para beneficiar Seus filhos. A experiência de Daniel em Babilônia se parece com a de José no Egito e a de Ester na Pérsia. Esses três jovens estavam cativos em países estrangeiros e sob o poder esmagador de nações pagãs. Ainda que eles parecessem fracos e abandonados por Deus, o Senhor os fortaleceu e os usou de forma poderosa. Ao enfrentar provações, sofrimentos e oposição podemos lembrar do que o Criador fez por Daniel, José e Ester. O Senhor continua sendo nosso Deus, e Ele não nos abandona mesmo em meio às nossas provações e tentações.
2. Deus dirige o curso da História. Às vezes nos sentimos aflitos por este mundo confuso e sem propósito, repleto de pecado e violência. Mas a mensagem de Daniel é que Deus está no controle. Em cada capítulo do livro, a mensagem é enfatizada: o Senhor dirige o curso da História. Ellen G. White declarou: “Nos registros da história humana, o crescimento das nações e a ascensão e queda de impérios aparecem como dependendo da vontade e das façanhas do ser humano. O desenvolver dos acontecimentos parece, em grande parte, determinado por seu poder, capricho ou sua ambição. Na Palavra de Deus, porém, a cortina é afastada, e podemos ver por detrás e acima, e em toda a marcha e contramarcha das paixões, do poder e dos interesses humanos a força de um Ser misericordioso, que executa, de forma silenciosa e paciente, as determinações de Sua própria vontade” (Ed, 173).
3. Deus apresenta um exemplo para Seu povo do tempo do fim. Daniel e seus amigos servem como exemplos para nossa vida em uma sociedade que defende uma visão de mundo muitas vezes em desacordo com a da Bíblia. Quando pressionados a transigir com sua fé e fazer concessões para com o sistema babilônico em áreas que negariam seu compromisso com o Senhor, eles permaneceram fiéis à Palavra de Deus. Sua experiência de fidelidade e compromisso absoluto com o Senhor nos encoraja ao enfrentarmos oposição e até mesmo perseguição por causa do evangelho. Ao mesmo tempo, Daniel mostra que é possível oferecer uma contribuição ao estado e à sociedade e permanecer comprometido com o Senhor.
O livro de Daniel basicamente, pode ser categorizado por sua natureza linguística, literária e cronológica. Daniel é um livro bilíngue, escrito em hebraico e aramaico.
O livro é dividido entre sua parte histórica (capítulos 1-6) e sua parte profética (capítulos 7-12), sendo que a parte histórica possui uma profecia (Dn 2) e a parte profética um episódio histórico (Dn 10).
II – PROFECIAS APOCALÍPTICAS EM DANIEL
As visões de Daniel são de natureza diferente da maioria das mensagens proféticas do Antigo Testamento. As profecias de Daniel pertencem à categoria de profecias apocalípticas, enquanto a maioria das outras profecias pertencem à categoria de profecias clássicas.
As profecias apocalípticas apresentam algumas características peculiares que as diferenciam das chamadas profecias clássicas:
Visões e sonhos. Nas profecias apocalípticas, Deus usa principalmente sonhos e visões para transmitir Sua mensagem ao profeta. Na profecia clássica, o profeta recebe “a Palavra do Senhor”, que pode incluir visões.
Simbolismo composto. Enquanto na profecia clássica há uma quantidade limitada de simbolismo, principalmente envolvendo símbolos verdadeiros, na profecia apocalíptica Deus mostra símbolos e imagens além do mundo da realidade humana, como animais híbridos ou monstros com asas e chifres.
Soberania e incondicionalidade divinas. Enquanto o cumprimento das profecias clássicas depende da resposta humana no contexto da aliança de Deus com Israel, as profecias apocalípticas são incondicionais. Nelas, o Senhor revela a ascensão e a queda dos impérios desde os dias de Daniel até o fim. Essas profecias se baseiam na presciência e soberania de Deus, e se cumprirão independentemente das escolhas humanas.
Conhecer os gêneros das profecias clássicas e apocalípticas nos beneficia, por três razões: 1. Esses gêneros mostram que Deus usa diferentes abordagens para comunicar a verdade profética (Hb 1:1). 2. Esse conhecimento nos ajuda a apreciar mais a beleza e a complexidade da Bíblia. 3. Aprendemos também a interpretar as profecias de acordo com o testemunho bíblico e a explicar corretamente.
Robert Johann Koldewey, foi um arqueólogo e arquiteto alemão famoso pelas suas escavações intensivas na antiga cidade de Babilónia, situada no que é hoje o Iraque.
Vários tabletes cuneiformes foram achados, dando evidencias da existência de personagens descritos no livro de Daniel.
III – A SOBERANIA DE DEUS
À primeira vista, o livro de Daniel começa com um sombrio tom de derrota. Judá havia se rendido a Nabucodonosor e os utensílios do templo tinham sido levados de Jerusalém para a terra de Sinar. No entanto, as frases iniciais do livro de Daniel deixam claro que a derrota de Jerusalém não foi creditada ao poder superior do rei babilônico; em vez disso, ocorreu porque o SENHOR permitiu: VAMOS LER DANIEL 1:2.
Muito antes, Deus havia anunciado que, se o Seu povo O esquecesse e quebrasse a aliança, Ele os enviaria como cativos para uma terra estrangeira. Portanto, Daniel sabia que, por trás e além do poder militar de Babilônia, o Deus do Céu estava comandando a marcha da História.
Babilônia é mais do que uma mera localidade geográfica. Babilônia representa uma conflagração de poderes que se opõe a Deus.
IV – FÉ SOB PRESSÃO
Quando chegaram a Babilônia, aqueles quatro jovens tiveram que enfrentar um perigoso desafio à sua fé e às suas convicções: eles foram selecionados para receber treinamento especial para servir ao rei. Os antigos reis costumavam recrutar alguns de seus melhores cativos para servir no palácio real e, assim, transferir sua lealdade ao rei e aos deuses do império que os haviam capturado. Todo o processo pretendia efetuar algum tipo de conversão e doutrinação que resultasse em uma mudança de visão de mundo. Portanto, Daniel e seus companheiros se encontravam em circunstâncias desafiadoras.
A cidade de Babilônia se mantinha como uma expressão monumental da realização humana. A beleza arquitetônica dos templos babilônicos, os jardins suspensos e o rio Eufrates, serpenteando pela cidade, transmitiam uma imagem de poder e glória insuperáveis. Assim, Daniel e seus amigos receberam uma oportunidade de promoção e a chance de desfrutar dos benefícios e prosperidade desse sistema. Eles poderiam deixar de ser cativos hebreus e se tornarem oficiais reais. Transigiriam eles em seus princípios para trilhar o caminho fácil para a glória?
O primeiro estágio da educação babilônica envolvia o aprendizado das duas principais línguas comuns aos babilônios: o aramaico, que estava se tornando uma língua internacional na época, e o acadiano, que era a linguagem literária usada para comunicar as tradições religiosas e culturais do império. Nessa primeira etapa, os alunos estudavam textos com relatos de histórias às quais os jovens nativos da Babilônia conheciam desde a infância, como as lendas de Gilgamesh, Sargon e Naram-Sîn.
No segundo estágio, os estudantes eram apresentados a muitos outros textos, os quais tinham como objetivo aprimorar suas habilidades literárias e ajudá-los a desenvolver uma cosmovisão babilônica.
Além disso, o rei determinou que os rapazes comessem da comida de sua mesa. Comer da comida do rei tinha profundas implicações na Antiguidade. Significava completa lealdade ao rei e refletia dependência dele. E, como a comida era geralmente oferecida ao deus ou aos deuses do império, comer também tinha um profundo sentido religioso. Evidentemente, isso significava aceitar o sistema de adoração do rei e participar dele.
Quando analisamos a interação entre Daniel e o oficial babilônio, alguns pontos importantes se destacam. Primeiro, Daniel parecia entender bem a difícil posição do oficial. Por isso, ele propôs um teste. Dez dias para o consumo das refeições alternativas deviam ser suficientes para demonstrar os benefícios da dieta e, assim, acabar com os medos do oficial. Segundo, a certeza de Daniel de que o resultado seria muito positivo em tão pouco tempo originava-se de sua confiança absoluta em Deus. Terceiro, a escolha de uma dieta à base de vegetais e água aponta para a comida que Deus havia concedido à humanidade na criação (Gn 1:29), um fato que pode também ter influenciado a escolha de Daniel. Afinal, qual dieta poderia ser melhor do que a que Deus nos deu originalmente?
Há quatro razões prováveis pelas quais os quatro não quiseram comer da mesa do rei. Primeiramente, as refeições da mesa do rei poderiam conter carnes imundas (Lv 11). Em segundo lugar, a comida era oferecida primeiramente à imagem do deus [babilônio] e depois enviada ao rei para seu consumo. Terceiro, o abate não havia acontecido conforme as normas levíticas.
Como parte desse processo, os cativos hebreus tiveram seus nomes alterados. Um novo nome sinalizava uma mudança de propriedade e uma mudança de destino. Portanto, ao renomear os cativos, os babilônios pretendiam exercer autoridade sobre eles e forçá-los a assimilar os valores e a cultura da Babilônia. Seus nomes originais, que apontavam para o Deus de Israel, foram substituídos por nomes que honravam as divindades estrangeiras.
Parece que os quatro cativos hebreus não se opuseram aos nomes babilônicos que lhes foram dados. Muito provavelmente, não havia nada que pudessem fazer quanto a isso, além de usar seus nomes hebraicos entre si.
Nabucodonosor pode ter pensado que esse sucesso estivesse relacionado com a dieta do palácio e ao programa de treinamento ao qual os quatro alunos haviam sido submetidos. No entanto, Daniel e seus companheiros sabiam que seu desempenho superior não foi devido ao sistema babilônico. Tudo tinha vindo de Deus. Que exemplo poderoso do que o Senhor pode fazer por aqueles que confiam Nele!
CONCLUSÃO
O capítulo conclui indicando que “Daniel continuou até ao primeiro ano do rei Ciro” (Dn 1:21). A menção a Ciro nesse verso é significativa: Embora o capítulo comece com a derrota e o exílio, ele conclui com um vislumbre de esperança e uma volta ao lar. Este é o nosso Deus: nos momentos mais difíceis da nossa vida, Ele sempre abre uma janela de esperança para que vejamos a glória e a alegria que estão além do sofrimento e da dor.
Não devemos temer o poder opressor da mídia, dos governos e de outras instituições que ameaçam destruir nossa identidade como filhos de Deus. Quando colocamos nossa confiança em Deus, podemos ter a certeza de que Ele pode nos sustentar em momentos difíceis e nos preservar contra todas as adversidades. O segredo é fazermos escolhas certas quando confrontados com desafios à nossa fé.
Observando Daniel 1, aprendemos algumas lições muito importantes sobre Deus:
(1) Ele está no controle da História. Embora a vida possa ser marcada por circunstâncias difíceis e inexplicáveis, o Deus a quem servimos tem todas as coisas sob controle e pode transformar o mal em bem.
(2) O Senhor concede sabedoria para que possamos nos orientar no ambiente hostil de nossa cultura e sociedade. Daniel não recebeu sua sabedoria apenas por meio de diligência e autodisciplina. Essa sabedoria foi concedida por Deus em reconhecimento da fé e confiança que ele demonstrava.
(3) Deus honra os que confiam Nele mediante a convicção interior e o estilo de vida.
APELO
Em Daniel 12:13 diz que o profeta descansou tendo a certeza da sua salvação, ele receberia sua herança, ele foi para a babilônia com 18 anos, passou 70 anos ali e morreu, está enterrado na babilônia, hoje o Iraque, mas quando Jesus voltar Daniel ressuscitará para receber sua herança, a vida eterna, ele irá se encontrar com pessoas como você, que está conhecendo a Deus através das páginas do livro de Daniel.
Você deseja ficar firme ao lado de Deus assim como Daniel e seus amigos?
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