Uma Estátua Assustadora
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Uma Estátua Assustadora
INTRODUÇÃO
Sem dúvida alguma, Daniel 2 é o capítulo profético mais conhecido de toda a Bíblia. A combinação perfeita de uma narrativa de trama e intriga palaciana com uma profecia simples e indiscutivelmente comprovada pela história faz deste capítulo uma porta de entrada para o maravilhoso mundo do estudo das profecias bíblicas para muitas pessoas.
A despeito de nossa familiaridade com essa história e com a intepretação profética do sonho do rei Nabucodonosor, sempre há algo a mais a ser considerado.
A profecia de Daniel 2 apresenta uma visão panorâmica da história desde a época do Império Babilônico até o fim dos tempos. Mas esse sonho profético tão importante não foi dado a Daniel nem a algum outro profeta. Em vez disso, foi dado a um rei pagão. Às vezes, Deus age de maneira estranha! Ele não apenas interage com as cenas grandiosas da história mundial e as dirige, mas também Se preocupa com os desafios e experiências pessoais de Seus filhos.
I – AS DEPORTAÇÕES BABILÔNICAS
Para entender a experiência de Daniel e seus amigos, precisamos ter em mente que o exílio foi uma deportação em massa de uma população de sua terra natal, com o objetivo de destruir sua identidade e facilitar o controle pelo poder dominante. Esse tipo de deportação tinha geralmente como alvo as classes mais altas, os nobres, os líderes e os pensadores. Somente os pobres eram autorizados a permanecer na terra natal, a qual muitas vezes era devastada pela guerra. Tal estratégia política e militar era amplamente praticada no mundo antigo pelos assírios e pelos babilônios. Em 722 a.C. os assírios destruíram o norte de Israel e deportaram grande parte da sua população para outras partes do império. Judá não prestou atenção ao que aconteceu aos seus irmãos e encontrou o mesmo destino nas mãos dos babilônios.
A Bíblia registra três importantes incursões e deportações babilônicas contra Judá. A primeira aconteceu em 605 a.C., quando Nabucodonosor, depois de derrotar os egípcios em Carquemis, marchou contra Judá. Ele levou alguns cativos para Babilônia, entre os quais estavam Daniel e seus três amigos. Em 597 a.C., devido às manobras políticas de Jeoaquim, que insistiu numa aliança política com o Egito, Nabucodonosor invadiu Judá pela segunda vez e deportou outra parte da população. Entre os deportados estavam o profeta Ezequiel e o rei Joaquim, filho de Jeoaquim, que havia morrido pouco antes da invasão. Nabucodonosor estabeleceu Zedequias (tio de Joaquim) sobre o trono, esperando assegurar sua lealdade a Babilônia. Mas, apesar das contínuas advertências de Jeremias, o novo rei persistiu em buscar ajuda egípcia para resistir ao domínio babilônico. Finalmente, Nabucodonosor perdeu a paciência e em 586 a.C. marchou contra Judá; dessa vez os babilônicos destruíram Jerusalém e o templo e deportaram outra parte da população para Babilônia. Uma viagem de 1500 Km, mais ou menos 3 meses de viagem.
Deus tem um plano para todos nós, não é por acaso que você está aqui participando deste seminário, Deus tem um plano para você.
Semana passada falei que o livro de Daniel é dividido em duas seções: uma histórica e a outra profética, e que na seção histórica tem uma profecia, pois bem essa é a profecia da parte histórica, ainda vamos estudar mais 3 visões, totalizando assim 4 visões.
Daniel 2 apresenta os sonhos de maneira muito diferente daquela que a psicanálise e a psicologia moderna nos fizeram entender. Vemos os sonhos como fruto de nossa mente, de sentimentos e lembranças muitas vezes empurrados para baixo do “tapete” do nosso inconsciente, mas na Babilônia de 2.600 anos atrás entendia que os sonhos eram dados pelos deuses, eram uma forma de comunicação entre o mundo sobrenatural e o mundo dos humanos. Suas mensagens eram ainda mais relevantes quando eram oferecidas às pessoas de grande destaque na sociedade, pois poderiam prever desastres, conspiração e até a morte do rei.
Deus deu o sonho a Nabucodonosor não muito tempo depois que ele ascendeu ao trono de Babilônia. Nessa época, o rei lutava para consolidar seu poder. Era um momento crítico para o novo rei. Ele precisava garantir que nenhum rival ficasse em seu caminho e que os reis vassalos continuassem sob controle. Afinal de contas, era mais provável que as rebeliões e revoltas acontecessem durante essas transições de poder.
Sob tais circunstâncias, não é de admirar que o rei tenha ficado perturbado por causa do sonho.
No sonho, Deus mostrou uma imagem familiar ao rei. Grandes estátuas eram bem conhecidas no mundo antigo, mas geralmente representavam deuses. Além disso, o uso de metais para representar as diferentes épocas históricas também já era conhecido pelo menos um século antes de Nabucodonosor, como vemos nos escritos de Hesíodo (700 a.C.). Assim, parece que o Senhor usou algumas imagens com as quais o rei já estava familiarizado para transmitir uma mensagem totalmente desconhecida para ele. Nesse sentido, devemos destacar que um aspecto do sonho deve ter sido completamente novo para Nabucodonosor, pois não pôde ser comprovado em nenhum outro lugar além da Bíblia. Isto é, a rocha que destruiu a estátua e se tornou em uma grande montanha que encheu toda a Terra.
O sonho de Nabucodonosor o afligiu demais durante a noite. Ele se recordava de ter um sono agitado e inquieto, devido ao sonho que o perturbou, mas estranhamente ele esquece o sonho logo que o dia amanheceu! Uma mensagem dada pelos deuses de extrema importância foi esquecida pelo rei! Qual era o conteúdo da mensagem? Ela envolvia o futuro do reino? Denunciava um complô no palácio contra seu reinado? Parece que essa foi a conclusão de Nabucodonosor: uma conspiração poderia estar em andamento debaixo de seus olhos e ele não havia percebido. Os deuses o avisaram, mas ele havia esquecido o conteúdo da revelação...
Os sábios da babilônia, eram 4 tipos – magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus.
Os sábios babilônios acreditavam que os deuses poderiam revelar a interpretação dos sonhos, mas, no caso desse sonho, não havia nada que os especialistas pudessem fazer porque o rei havia se esquecido do sonho. Se o conteúdo do sonho lhes fosse transmitido, eles encontrariam uma interpretação que agradasse ao rei.
Entretanto, naquela situação sem precedentes, quando os especialistas foram incapazes de dizer ao rei do que o sonho se tratava, eles foram forçados a admitir que ninguém havia que pudesse “revelar diante do rei” o sonho e a sua interpretação.
Mas se os sábios babilônicos pudessem relatar ao rei qual era o sonho, ele saberia que podia confiar na interpretação deles. Então, frustrado com a incapacidade dos especialistas babilônicos de lhe contarem qual era seu sonho, o rei ordenou que todos fossem mortos.
Naturalmente, nenhum ser humano podia oferecer ao rei o que ele pedia. Mas como ele ainda acreditava que o poder de seus deuses estava presente nos seus sábios, ele desconfiou que eles mesmos estivessem envolvidos na conspiração. Suas palavras dirigidas a eles em fúria: “Bem percebo que quereis ganhar tempo... até que se mude a situação” (Dn 2:8-9) parecem indicar essa interpretação feita pelo rei.
Frustrado, o rei ordenou que os sábios de Babilônia fossem mortos. Tal atrocidade não era desconhecida no mundo antigo. Fontes históricas atestam que, por causa de uma conspiração, Dario I mandou executar todos os magos, e Xerxes ordenou que fossem mortos os engenheiros que tinham construído uma ponte que acabou desmoronando. Quando Nabucodonosor publicou seu decreto, Daniel e seus companheiros haviam acabado de concluir o treinamento e tinham sido admitidos no círculo de especialistas do rei. Por isso, o decreto de morte se aplicava também a eles. Na realidade, o idioma original sugere que o assassinato teria começado imediatamente, e Daniel e seus amigos seriam executados em seguida. Mas Daniel abordou Arioque, o homem encarregado de efetuar as execuções e pediu tempo para decifrar o mistério. Curiosamente, embora o rei tivesse acusado os magos de tentar “ganhar tempo”, ele prontamente atendeu ao pedido de Daniel. Aquele jovem hebreu certamente concordava com a afirmação dos magos de que nenhum ser humano podia resolver aquele mistério, mas o servo do Senhor também conhecia o Deus que podia revelar tanto o conteúdo quanto a interpretação do sonho.
O decreto de morte a todos os sábios criou a situação necessária para que Daniel conseguisse uma entrevista com o rei.
A profecia expressa pelo sonho de Nabucodonosor apresenta um esboço profético geral e funciona como o parâmetro para abordar as profecias mais detalhadas de Daniel 7, 8 e 11. Além disso, Daniel 2 não é uma profecia condicional, mas uma profecia apocalíptica: uma predição definitiva do que Deus anteviu e realizaria no futuro.
1. A cabeça de ouro representa Babilônia (626-539 a.C.). De fato, nenhum outro metal poderia representar melhor o poder e a riqueza do Império Babilônico do que o ouro. A Bíblia a chama de “a cidade dourada” (Is 14:4) e “um copo de ouro na mão do SENHOR” (Jr 51:7; compare com Ap 18:16). Heródoto, antigo historiador, relatou que uma abundância de ouro embelezava a cidade.
2. O peito e os braços de prata representam a Média-Pérsia (539-331 a.C.). Como a prata é menos valiosa que o ouro, o Império Medo-Persa nunca alcançou o esplendor do Império Babilônico. Além disso, a prata era também um símbolo apropriado para os persas porque eles a usavam em seu sistema de tributação.
3. O ventre e os quadris de bronze simbolizam a Grécia (331-168 a.C.). Ezequiel 27:13 descreve os gregos negociando objetos de bronze. Os soldados gregos eram conhecidos por sua armadura de bronze. Seus capacetes, escudos e machados de batalha eram feitos desse metal. Heródoto afirmou que Psamético I, do Egito, viu nos invasores gregos o cumprimento de um oráculo que prenunciava “homens de bronze vindos do mar”.
4. As pernas de ferro representam apropriadamente Roma (168 a.C.-476 d.C.). Como Daniel explicou, o ferro representava o poder esmagador do Império Romano, que durou mais do que qualquer um dos reinos anteriores. O ferro era um metal perfeito para representar o império.
5. Os pés em parte de ferro e em parte de barro representam uma Europa dividida (476 d.C. até Segunda vinda de Cristo). A mistura do ferro com o barro apresenta uma imagem adequada do que ocorreu após a desintegração do Império Romano. Embora muitas tentativas tenham sido feitas para unificar a Europa, desde alianças matrimoniais entre as casas reais até a atual União Europeia, a divisão e a desunião prevaleceram e, de acordo com a profecia, permanecerão assim até que Deus estabeleça o reino eterno.
É instrutivo ver que a estátua de Daniel 2 era feita de ouro e prata, metais relacionados ao poder econômico. Ela também era feita de bronze e ferro, usados para ferramentas e armas, e de barro, usado no mundo antigo para fins literários e domésticos. Assim, a estátua apresenta uma descrição vívida da humanidade e de suas realizações. Os metais diminuíam em valor e aumentavam em força de cima para baixo (exceto os pés), o que pode indicar a degradação de cada império que se seguiu.
O império romano, simbolizado pelas pernas, é o poder que recebe sempre a maior atenção e a maior quantidade de informações – ele é forte como o ferro, seria divido em dois a princípio, ocidental e oriental (duas pernas) e posteriormente seria fragmentado em diversas nações, a princípio dez reinos europeus (possível alusão aos dez dedos dos pés da estátua).
Devemos lembrar que, mesmo após a sua queda, Roma continuaria presente até o fim da história, sob uma nova roupagem desenvolvida na segunda parte do livro de Daniel.
Livro – A história do declínio e queda do império romano
Roma não perdeu seu domínio para outra nação, ela não foi conquistada por um novo poder, mas foi minada em suas bases pelas tribos bárbaras.
O foco do sonho está no que acontecerá nos “últimos dias” (Dn 2:28). Por mais poderosos e ricos que tenham sido, os reinos de metal (e barro) eles passaram. Mas o reino representado pela pedra durará para sempre. Essa rocha simboliza Deus e o Messias (Dt 32:4; 1Sm 2:2; Sl 18:31; 118:22; 1Pe 2:4, 7).
E essa “pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a Terra” (Dn 2:35). Isso aponta para a Sião celestial, o santuário celestial, de onde Cristo virá para estabelecer Seu reino eterno. Esse reino encontrará seu cumprimento final na Jerusalém que descerá do Céu (Ap 21:1-22:5).
“A olho nu, a história humana possa parecer uma caótica interação entre forças contrárias [...], Daniel nos assegurou que, por trás de tudo isso, está Deus, observando de cima e agindo no meio delas para realizar o que Ele entende ser o melhor” William H. Shea
APELO
No decorrer da interpretação do sonho feita por Daniel, vemos uma progressiva transformação da natureza do barro da estátua de barro de lodo (Dn 2:41,43), que é moldável para barro seco que é firme e pode ser “esmiuçado” pela pedra, mostrando assim um progressivo endurecimento da humanidade diante dos apelos divinos.
Essa é a uma grande lição para cada leitor do livro de Daniel: não basta apenas pertencer a uma igreja ou denominação. O Reino de Deus se manifesta antes de tudo dentro de cada um de nós (Lc 17:20-21) transformando nossa compreensão da vida e do mundo de acordo com os valores de Jesus. Nesses dias de dureza e insensibilidade espiritual, devemos cuidar para que nosso coração seja responsivo à voz de Deus e que o Evangelho em nós seja aquilo que ele sempre foi: a Boa Notícia!
Assim como Deus entrou no inconsciente de Nabucodonosor e revelou Sua vontade, Ele tem o poder de entrar em nosso inconsciente e plantar no âmago da nossa vida o Evangelho como verdadeiro valor, muito mais do que credo ou doutrinas, você aceita a ação de Deus em sua vida?
