A FONTE DE TODO BEM

EXORTAÇÕES PRÁTICAS PARA UMA VIDA CRISTÃ SAUDÁVEL  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão baseado na Epístola de Tiago 1.16–18 ensina que, em meio às provações, os cristãos tendem a duvidar da bondade de Deus por não compreenderem corretamente o seu caráter imutável; porém, Tiago corrige essa visão ao mostrar que as provações não são tentações vindas de Deus, mas instrumentos usados por Ele para o crescimento espiritual, enquanto o mal procede do desejo pecaminoso humano. Assim, ele exorta os crentes a não se deixarem enganar e afirma que toda boa dádiva vem de Deus, o Pai imutável, cuja bondade é demonstrada de forma suprema no novo nascimento, realizado pela sua vontade por meio da palavra da verdade, tornando os crentes primícias da sua nova criação; portanto, mesmo nas dificuldades, deve-se confiar que tudo o que acontece está sob o cuidado de Deus e coopera para o bem, pois Ele nunca deixa de ser bom.

Notes
Transcript

A FONTE DE TODO BEM

Introdução:
No meio das provações, temos a tendência de nos abalar, nos entristecer, questionar Deus e, o pior de tudo, duvidar da bondade de Deus. Diretamente, não; mas, indiretamente, afirmamos, por nossas ações, que Deus não está conosco, questionamos a sua bondade para conosco, duvidamos do seu amor por nós etc.
Isso acontece por causa da má compreensão do caráter imutável de Deus. Uma má visão do caráter imutável de Deus nos leva a questionar as ações de Deus e a duvidar da sua bondade. Essa má visão não percebe a bondade de Deus em todas as coisas boas que acontecem na vida do crente (exemplo: as provações).
E a verdade bíblica apresentada por Tiago é que tudo quanto é bom em nossas vidas vem de Deus.
Lição: Tudo quanto é bom em nossas vidas vem de Deus.
Texto: Tiago 1.16-18.
Em Tiago 1.2–18, Tiago trata sobre as provações, pois a comunidade cristã está passando por problemas econômicos e internos e, provavelmente, por perseguições. Todos esses problemas e males eram provações permitidas por Deus, visando levá-los à maturidade espiritual. Porém, alguns estavam vendo essas provações como tentações de Deus; além disso, estavam se queixando, resmungando e questionando a bondade de Deus. A ideia era que Deus mudava. Ou seja, na visão deles, Deus era bom, mas havia mudado e não estava mais sendo bom com eles.
Tiago começa, em Tiago 1.2–4, levando-os a ter uma visão diferente das provações. Eles precisavam vê-las com alegria, ou seja, recebê-las com alegria, porque elas os levariam à maturidade espiritual. O que Tiago estava lhes ensinando é que Deus estava permitindo as provações para o crescimento espiritual deles. O que estava acontecendo era que não estavam tendo sabedoria para lidar com as provações. Por causa da falta de sabedoria, eles estavam vendo Deus como um tentador e como alguém mutável. Diante disso, Tiago lhes mostra, em Tiago 1.5–8, que, na falta de sabedoria, o que se deve fazer é pedi-la a Deus, que a dará bondosamente; porém, esse pedido deve ser feito com fé.
Na sequência, em Tiago 1.9–11, Tiago foca em um dos problemas da comunidade, que era o problema econômico. Os irmãos de condição humilde (pobres) não estavam sabendo lidar com essa provação. A opressão e a humilhação dos ricos, bem como as dificuldades econômicas, estavam conduzindo os irmãos pobres a verem Deus com maus olhos. Eles estavam vendo apenas a condição terrena deles, e esse era o real problema. Tiago lhes ensina — e eles precisavam entender — que a realidade espiritual era totalmente diferente da terrena. Eles, com Cristo, eram espiritualmente ricos, e os ricos, sem Cristo, eram espiritualmente pobres.
Tiago, então, apresenta o ponto-chave deste trecho (Tiago 1.2–18) em Tiago 1.12: a firmeza nas provações nos torna bem-aventurados. Suportar as provações resulta em aprovação, e isso indica que receberemos a coroa da vida; ou seja, indica que temos a vida eterna. O que nos torna felizes não é ter bens materiais, saúde ou paz terrena, mas continuar firmes na fé diante das provações. Para Tiago, não importa o que estamos passando, contanto que passemos firmes na fé.
Por causa da falta de sabedoria (Tiago 1.5), alguns, nas provações, estavam dizendo que eram tentados por Deus. Na visão deles, Deus deixou de ser bom com eles e passou a tentá-los. Tiago corrige essa visão errônea em Tiago 1.13–15, onde ensina que ninguém, ao ser tentado, deve dizer que é tentado por Deus. Por causa dessas visões errôneas, em Tiago 1.16–18, Tiago os exorta a não se deixarem enganar, apresenta Deus como a fonte de todo bem e exemplifica isso como o maior de todos os bens: o novo nascimento espiritual. Com isso, ele deixa claro que as provações vêm de Deus e são um bem de Deus para nossas vidas. O problema é o nosso desejo pecaminoso que usa as provações para nos tentar. Dito isso, quero expor os pontos de destaque deste trecho:
Exortação a não ser enganado (16).
Não vos enganeis, meus amados irmãos.”
“Meus amados irmãos” é uma forma de chamar a atenção dos seus ouvintes. Tiago chama a atenção deles e os exorta a não se deixarem enganar. Vemos muito esse tipo de exortação na Bíblia (1Coríntios 6.9; 15.33; Gálatas 6.7).
O causador do engano aqui pode ser a própria mente ou o coração da pessoa, que a levaria a pensar que Deus não é totalmente bom, que Ele tenta e que Ele é mutável.
Pode ser que não sejamos enganados por nossa mente ou coração a ver Deus como não sendo totalmente bom, ou como sendo tentador, ou como um ser mutável; mas pode ser que, durante as provações, sejamos enganados por nossa mente ou coração a não ver Deus conosco, ou a não ver o amor de Deus por nós, ou até mesmo a não ver a fidelidade de Deus para conosco. Um grande exemplo desse engano é o povo de Israel no deserto.
Apresentação da fonte de todo bem (17).
Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”
Toda boa dádiva e todo dom perfeitosão sinônimos; o paralelismo pode ser uma forma estilística de efeito ou uma citação de uma forma poética desconhecida. Em todo caso, a ideia aqui é que tudo quanto é bom vem de Deus, porque “lá do alto” se refere aos céus, ou seja, vindo de Deus.
Isso fica mais claro quando ele diz: “descendo do Pai das luzes”. “Luzes”, aqui, pode estar se referindo aos corpos celestes, como sol, lua e estrelas. “Pai das luzes” pode, talvez, indicar Deus como Criador das estrelas. Isso pode ser uma forma de Tiago mostrar a bondade de Deus na criação. Isso também pode indicar que Deus é imutável, diferentemente dos corpos celestes, que eram mutáveis, pois antigos astrônomos os descreviam como irregulares. Para se referir a esses corpos celestes irregulares, eles usavam a expressão “sombras que se movem”.
Tiago deixa clara a imutabilidade de Deus ao afirmar: “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” É como se ele dissesse: “em quem não há mudança como há na sombra”. A imutabilidade é uma das perfeições (atributos) de Deus (e.g., Números 23.19; 1Samuel 15.29; Isaías 46.10; Malaquias 3.6; Hebreus 13.8).
Essa apresentação de Tiago nos leva à seguinte certeza: tudo quanto é bom em nossas vidas vem de Deus, inclusive a salvação (v. 18); e, se Deus decidiu ser bondoso conosco para nos salvar e abençoar e se Ele não muda, então podemos ter certeza que Ele nunca deixará de ser bom conosco.
Exemplificação da bondade de Deus (18).
Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
Para exemplificar a bondade de Deus, Tiago apresenta a maior bondade de Deus para conosco: o novo nascimento. O novo nascimento é apresentado como ocorrendo pela vontade de Deus, por meio da palavra da verdade e com o propósito de ser o início da nova criação.
A ideia do verbo “querer” é de uma ação contínua, deixando claro que todo nascimento espiritual, em todo tempo, acontece pela vontade de Deus. Essa vontade de Deus no novo nascimento é muito bem declarada em João 1.12–13. Isso nos ensina uma grande verdade bíblica: nossa salvação não foi por nossa própria vontade, mas somente pela vontade de Deus.
O verbo “gerar” é o mesmo que aparece no versículo 15 (“gera”) e significa fazer existir, fazer nascer, gerar, dar à luz. O contraste aqui é claro: enquanto o pecado gera a morte, Deus gera a nova vida; enquanto a vontade da carne dá à luz a morte eterna, a vontade de Deus dá à luz a vida eterna. Esse novo nascimento é realizado por meio da palavra da verdade. A palavra da verdade aqui é um sinônimo da palavra de Deus (1Pedro 1.23) e do evangelho (1Coríntios 4.15).
Tiago, então, mostra o propósito desse novo nascimento: “para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.” “Primícias” se refere à primeira parte de uma safra, aos primeiros frutos, como, por exemplo, a oferta das primícias que Israel dava a Deus (Deuteronômio 26.2, 10). No Novo Testamento, pode ter o sentido de primeiros convertidos (Romanos 16.5; 1Coríntios 16.15). Aqui, o sentido é de primeiros frutos.
O substantivo “criatura” se refere à criação divina e, pelo contexto, à nova criação de Deus. Tiago pode estar dizendo o seguinte: “Por causa da sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos da sua nova criação.” Aqueles que nasceram de Deus são os primeiros frutos da nova criação.
Irmãos, Deus foi bondoso conosco ao nos salvar; somos os primeiros frutos da nova criação. Essa é a maior prova da bondade de Deus para conosco, e ela não se apartará de nós nunca, porque Deus não muda. Preste bem atenção nisso: se Deus decidiu ser bondoso conosco, Ele nunca deixará de ser.
Então, irmãos, não importa qual seja a provação; lembrem-se de que nela há a bondade de Deus para conosco; e, se há nela algo de tentador, isso não vem de Deus, mas sim do nosso desejo pecaminoso ou do Diabo.
Conclusão:
Tiago deseja nos ensinar que as provações não são resultado de um destino arbitrário, mas, na verdade, são a obra fiel de um Pai amoroso. Tudo o que acontece em nossa vida tem a mão de Deus para o nosso bem. Tudo o que acontece em nossa vida acontece justamente porque Deus nos ama. Deus não deseja o nosso mal; Ele decidiu, na eternidade, nos fazer o bem; tudo o que acontece em nossa vida, seja o que for, é para o nosso bem. E a maravilha disso tudo: Ele nunca deixará de nos fazer o bem. Não nos deixemos enganar: tudo quanto é bom em nossas vidas vem de Deus.
16 Meus amados irmãos, não deixeis ser enganados. 17 Toda boa dádiva e todo dom completo são do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança como há na sombra. 18 Por causa da sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para nós sermos como que as primícias da sua nova criação.
ENGANAR:

Em cl. Gk. planaō no ato. significa desviar, esp. pelo comportamento ou palavras de alguém; no meio. e passado., desviar-se, ser desencaminhado. Pode se referir ao julgamento de uma pessoa ou a ações no reino da moral. [...] 4. O perigo para os cristãos é enganarem a si mesmos (

2. O uso estoico de mḗ planásthe. A advertência mḗ planásthe em

PRIMÍCIAS:

2. aparchē tem um sentido semelhante em

Este substantivo tem sua origem na lei do Antigo Testamento, onde é um termo técnico para a primeira porção de uma colheita ou rebanho de animais a ser oferecido a Deus (por exemplo,

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