Prova de Fogo

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Prova de Fogo
INTRODUÇÃO
Você se lembra do sonho sobre a grande estátua e da interpretação divina de que Babilônia seria apenas a cabeça de ouro?
O capítulo dois do livro termina com Nabucodonosor reconhecendo que o Deus de Daniel é o “Senhor dos reis, e o revelador de mistérios” (Dn 2:47). No terceiro capítulo, o ambiente é outro. Segundo alguns estudiosos, haviam transcorrido de cinco a seis anos e outros pensam que dezoito anos haviam se passado. O que fica claro é que a impressão anterior de Deus havia se desvanecido da consciência do rei. Permanecera apenas a perturbadora memória da natureza temporária de seu reino.
Você deve estar lembrado que Nabucodonosor havia tido duas oportunidades de se familiarizar com o verdadeiro Deus. Primeiramente, ele tinha provado os jovens hebreus e os havia achado dez vezes mais sábios do que os sábios de Babilônia. Em seguida, depois que todos os outros especialistas falharam, Daniel relatou a ele o sonho e sua interpretação. Por fim, o rei havia reconhecido a superioridade do Deus de Daniel.
A interpretação divina do sonho assegurava que Babilônia era apenas a cabeça de ouro, sucedida por outros reinos, simbolizados por outros metais inferiores. A imagem erguida na planície de Dura, contudo, era toda de ouro, da cabeça aos pés, indicando a rebelião de Nabucodonosor contra o decreto do Altíssimo. O rei estava determinado a fazer seu império durar para sempre.
Aqui vemos como é a natureza humana, que facilmente se esquece das impressões feitas por Deus! A aceitação da verdade divina hoje não garante que amanhã não voltemos às antigas atitudes.
I – ADORAÇÃO
Agora, uma coisa muito importante, o livro de Daniel apresenta todas as histórias ocorrendo sobre um pano de fundo espiritual que envolve a questão central do grande conflito entre Deus e Satanás: a questão é: ADORAÇÃO – Quem deve ser adorado?
A adoração é a questão mais crucial em jogo nessa narrativa. Provavelmente, Nabucodonosor não estivesse exigindo adoração exclusiva. Os três jovens hebreus poderiam continuar adorando o Deus deles, Yahweh. Se tivessem se prostrado perante a imagem, teriam sido poupados de qualquer problema.
Nabucodonosor havia realizado muitas coisas como governante de Babilônia, ao fazer uma imagem (hebraico: tselem), o rei ironicamente imitou o ato de Deus de criar a humanidade segundo à Sua própria imagem (tselem; Gn 1:26, 27). Consumido pela arrogância, o rei construiu uma imagem, um objeto de adoração.
As medidas da imagem (60x6 côvados) evocam o sistema sexagesimal da Babilônia. As proporções da imagem (10:1) indicam que ela não seguia as proporções normais de uma figura humana (5:1 ou 6:1). Não sabemos ao certo qual era o formato da imagem, mas, pelas dimensões descritas, ela tinha aproximadamente 30 metros de altura por 3 de largura. Provavelmente poderia ser uma espécie de obelisco com uma cabeça humana no alto, ou algo parecido. Então, a menos que a estátua tivesse um grande pedestal, ela se pareceria mais com um gigantesco pilar.
A estátua de ouro na planície de Dura, dava àquela área a impressão de um vasto santuário. Como se não bastasse, a fornalha próxima podia muito bem lembrar um altar. A música babilônica devia ser parte da liturgia. Sete tipos de instrumentos musicais foram listados, como que para transmitir a perfeição e eficácia do protocolo de adoração.
Hoje, somos bombardeados por apelos para que adotemos novos estilos de vida, novas ideologias, abandonemos nosso compromisso com a autoridade de Deus expressa em Sua Palavra e rendamos nossa lealdade aos sucessores contemporâneos do Império Babilônico. A sedução do mundo às vezes parece esmagadora, mas devemos nos lembrar de que nossa lealdade suprema pertence ao Deus Criador.
A estátua construída mostrava o poder do rei e avaliava a lealdade de seus súditos. Ela era um monumento político-religioso.
Foi proclamado um decreto por meio do qual devia ser oferecida adoração ao império, simbolizado na imagem que havia sido “levantada”.
II – TUDO NOVAMENTE
Embora a ideia de enfrentar ameaça de morte por causa da questão da adoração possa parecer algo de uma época pré-científica e supersticiosa, as Escrituras revelam que no fim dos tempos, algo semelhante ocorrerá, mas em escala mundial. Portanto, a partir do estudo dessa história, obtemos ideias sobre os problemas que, de acordo com as Escrituras, os fiéis de Deus enfrentarão.
Apocalipse 13:11-18 usa os elementos de Daniel 3 para ilustrar um teste universal sobre a questão da lealdade no clímax da história. Novamente “Igreja e Estado” se unirão para forçar o culto idólatra: a adoração da besta e de sua imagem.
Na planície de Dura, todos se ajoelharam. Todos menos três hebreus, que permaneceram de pé. Vivemos na época do comportamento globalizado e da conformidade universal. Costuma-se fazer o que todos fazem e pensar como todos pensam. Esse é o poderoso instrumento de Babilônia, tanto antiga quanto moderna. Aproxima-se o tempo quando o Senhor espera que novamente Seus seguidores desafiem as forças do engano que estarão unidas em desafio a Deus.
De acordo com o calendário profético, estamos vivendo nos últimos dias da História da Terra. Apocalipse 13 anuncia que os habitantes da Terra serão chamados a adorar a imagem da besta. Essa entidade fará com que “todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos” recebam “certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte” (Ap 13:16).
O Apocalipse declara que seis categorias de pessoas oferecem sua lealdade à imagem da besta: “os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos”. O número da besta, que é 666, também enfatiza o número seis. Isso mostra que a estátua erguida por Nabucodonosor é justamente uma ilustração do que a Babilônia escatológica fará nos últimos dias.
“Os tempos de provação que estão diante do povo de Deus reclamam uma fé que não vacile. Seus filhos devem tornar manifesto que Ele é o único objeto do seu culto, e que nenhuma consideração, nem mesmo o risco da própria vida, pode induzi-los a fazer a mínima concessão a um culto falso. Para o coração leal, as leis de homens pecaminosos e finitos se tornam insignificantes ao lado da Palavra do eterno Deus. A verdade será obedecida, embora o resultado seja prisão, exílio ou morte” (PR, 512 e 513).
III – FIEL A TODA PROVA
Seguindo as instruções dadas pelo rei, todas as pessoas, ao som dos instrumentos musicais, curvaram-se e adoraram a estátua de ouro. Somente os três (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego) ousaram desobedecer ao rei.
Imediatamente, alguns babilônios levaram a questão ao monarca. Eles envenenaram a situação, dizendo ao monarca: “Esses hebreus estão praticamente debochando de você, não dando a mínima para sua estátua, para os seus deuses e para suas ordens”. Os acusadores buscaram enfurecê-lo, dizendo que: (1) tinha sido o próprio rei que havia colocado aqueles três jovens para administrar a província de Babilônia; (2) que os homens judeus não serviam aos deuses do rei; e que (3) eles não adoravam a imagem de ouro que Nabucodonosor havia estabelecido.
Para os três hebreus, a adoração da estátua imposta pelo rei era uma flagrante contrafação da adoração no templo em Jerusalém, que eles tinham vivenciado em seus primeiros anos. Embora eles ocupassem cargos no império e fossem leais ao rei, sua fidelidade a Deus estabelecia um limite à sua lealdade humana. Eles certamente estavam dispostos a continuar servindo ao rei como administradores fiéis; no entanto, não podiam participar da cerimônia.
Um ponto que merece destaque é a evidente ausência de Daniel. Comentaristas cristãos e o Talmude têm apresentado várias hipóteses para o motivo da sua ausência: (1) Daniel estaria viajando a negócios; (2) ele tinha permissão do rei para se ausentar; (3) ele estava com a moral tão alta com Nabucodonosor que ninguém ousava reclamar dele; (4) sua presença pode não ter sido exigida; (5) pode ser que estivesse doente; (6) Daniel não fazia mais parte do governo; (7) ele estava presente e se prostrou rapidamente diante da imagem, mas o Senhor não permitiu que seu nome fosse mencionado aqui por causa da sua fidelidade futura; (8) Deus manteve Daniel distante para que o povo não dissesse que havia sido “libertado por seus méritos”; (9) Daniel evitou a cena para não cumprir a seguinte profecia: “As imagens de escultura de seus deuses queimarás” (Dt 7:25); (10) Nabucodonosor “permitiu Daniel se ausentar, para que o povo não dissesse que ele queimou o seu deus no fogo” (Este resumo foi extraído de Peter A. Steveson, Daniel, Greenville, SC: Bob Jones University Press, 2008, p. 56).
Embora algumas opções pareçam mais razoáveis do que outras, a verdade é que não sabemos onde Daniel estava naquela ocasião. Mas com base no caráter de Daniel retratado nas Escrituras, temos certeza de que ele não se prostrou diante da estátua ou não estava presente na cerimônia.
Pois bem, Nabucodonosor ficou irritadíssimo. Mandou trazer os hebreus. Mas esses não se deixaram intimidar. Curioso é que não há nada de fanático ou arrogante na atitude deles. Eles haviam ido até onde era possível ir a boa consciência. Foram até a planície. Mas, no momento certo, a consciência bradou: “Nem mais um passo além.” Eles reconhecem a autoridade do rei, mas a lealdade final deles pertencia ao Rei dos reis. Nabucodonosor deve ter dito: “Rapazes, parece que vocês não entenderam bem a situação. Vamos começar tudo de novo. Desta vez é pra valer.” O tema do livro aparece novamente aqui: “E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (v. 15). Como você responderia a essa pergunta?
Mas apesar de sua fúria contra eles, o rei ofereceu aos três homens uma segunda chance.
Impressiona-me a serenidade da resposta: “Quanto a isto não necessitamos de te responder” (v. 16). A decisão de lealdade já havia sido tomada muito antes. A resposta é polida e firme: “Não precisamos mais perder tempo.” Note, se você esperar o momento da crise para pensar no que vai fazer, aí, provavelmente, já terá perdido a batalha.
Os três hebreus estavam preparados para as consequências finais. Eles não tinham nenhum plano alternativo. Deus não os libertou imediatamente, mas resolveu andar com eles no fogo: “Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? […] Eu, porém, vejo quatro” (v. 24, 25). Esse é um chamado veemente à não conformidade com a maioria.
Para a glória de Deus, o testemunho desses homens tem brilhado como uma joia rara, servindo de estímulo aos fiéis que viriam depois. A vitória deles é uma prefiguração da vitória dos que se mantêm leais a Deus contra as seduções de Babilônia.
Tendo jogado os fiéis hebreus na fornalha, Nabucodonosor ficou perplexo ao perceber a presença de uma quarta pessoa em meio ao fogo.
Nós sabemos quem era Aquele quarto personagem. Ele havia aparecido a Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra, lutado com Jacó ao lado do vau de Jaboque e Se revelado a Moisés em uma sarça ardente. Era Jesus Cristo em uma forma pré-encarnada vindo mostrar que Deus permanece com Seu povo em suas provações.
Embora amemos histórias como essa, ela nos faz indagar sobre outros que não foram miraculosamente livrados da perseguição por causa de sua fé. Aqueles homens certamente conheciam a experiência de Isaías e Zacarias, que haviam sido mortos por reis impiedosos. Em toda a História sagrada, até hoje, cristãos fiéis suportaram sofrimentos terríveis cujo fim, pelo menos aqui na Terra, não foi um livramento miraculoso, mas uma morte dolorosa. O relato de Daniel foi um caso em que os fiéis foram livrados de forma extraordinária, mas, como sabemos, essas coisas geralmente não acontecem.
“Há ocasiões em que o povo fiel de Deus é chamado a suportar o sofrimento, e às vezes até o martírio. É em resposta a essa aparente injustiça, e à aparente negação da fidelidade de Deus para com o Seu povo ou da Sua soberania, que surge a promessa da ressurreição [...] e do juízo (Dn 12:1-4). A morte não é barreira para a fidelidade de Deus ou Sua soberania” (E. C. Lucas, “Daniel”, em T. Desmond Alexander e Brian S. Rosner, eds., New Dictionary of Biblical Theology, Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000, p. 235).
CONCLUSÃO
Três homens não se curvaram, não se dobraram nem se deixaram intimidar. Eles também não se queimaram!
Os três jovens manifestaram a verdadeira fé. Ela é medida pela qualidade de nosso relacionamento com o Senhor e uma confiança absoluta Nele. A fé autêntica não busca dobrar a vontade de Deus para que ela se conforme ao nosso desejo; antes, a fé rende nossa vontade à de Deus.
Mostramos verdadeira fé quando pedimos ao Senhor o que desejamos, mas confiamos que Ele fará o melhor para nós, mesmo que no momento não entendamos o que está acontecendo nem o porquê.
APELO
Eles não se aproveitaram das circunstâncias para racionalizar seu compromisso com o Deus verdadeiro. Eles poderiam simplesmente ter evitar um confronto com o rei: “Vamos nos prostrar diante dessa imagem, mas em nosso coração, permaneceremos fiéis a Deus. Quem se importará com isso?” Mas eles não agiram assim.
As experiências anteriores dos exilados hebreus, tanto na questão da comida do rei (Dn 1) quanto na interpretação do sonho de Nabucodonosor (Dn 2) de alguma forma os preparou para enfrentar a prova do fogo. Quais provas e experiências vividas por você anteriormente o prepararam para desafios maiores que surgiram depois?
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