Do Palácio ao Pasto

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Do Palácio ao Pasto
INTRODUÇÃO
O orgulho tem sido considerado o pecado original. Ele foi manifestado primeiramente em Lúcifer, um anjo perfeito. Talvez, algo muito arriscado em relação ao orgulho seja o fato de que ele nos leva a esquecer o quanto somos dependentes de Deus para todas as coisas. E uma vez que nos esquecemos disso, estamos em terreno perigoso.
Todos os dons que temos, tudo o que realizamos com esses dons vêm somente de Deus. Portanto, como ousamos ser orgulhosos ou arrogantes quando, na realidade, a humildade deveria dominar tudo o que fazemos?
Daniel 4 registra um testemunho pessoal de Nabucodonosor. À medida que a narrativa se desenvolve, o rei reconhece que o orgulho foi a causa da sua queda do trono e passa a relatar como Deus agiu a fim de trazê-lo à humildade. Porém esse processo levou muito tempo, mesmo com o aparecimento do quarto homem na fornalha ardente, como vimos no estudo de semana passada, o rei não mudou o rumo de sua vida. Somente depois que Deus lhe tirou o reino e o enviou para viver com os animais do campo, o rei reconheceu sua verdadeira condição.
No auge das suas realizações (cerca de trinta anos depois dos eventos relatados em Daniel 3), o rei sonhou com uma árvore gigantesca que oferecia abrigo e sustento a todas as criaturas da terra.
O capítulo 4 de Daniel se destaca em todo o livro por apresentar um texto que não foi escrito originalmente pelo profeta. Aqui temos o rei Nabucodonosor se dirigindo aos leitores do livro em uma epístola, possivelmente um documento real que tenha sido amplamente divulgado pelo império na época e que foi posteriormente anexado ao livro pelo organizador do texto para encerrar o ciclo das histórias de Nabucodonosor, apresentando uma perspectiva positiva do rei a ser contrastada com a história de Belsazar no capítulo seguinte.
II – OUTRO SONHO
Os magos, feiticeiros, astrólogos e caldeus foram chamados para dar a interpretação do sonho, mas essa interpretação não pode ser oferecida pelos seus sábios, por impotência da parte deles ou por medo, ao perceberem que o sonho trazia uma espécie de “mau agouro” contra o rei.
O missiologista e especialista em antigo testamento Christopher Wright declara: “Nabucodonosor provavelmente nunca tivesse assentado um tijolo durante a sua vida. Ele não havia construído Babilônia. Ela havia sido edificada pelo suor dos milhares de escravos oprimidos, imigrantes e outras camadas pobres da nação, o tipo das numerosas multidões cuja mão de obra havia construído cada uma das célebres civilizações da decaída raça humana na história” (Christopher J. H. Wright, Hearing the Message of Daniel [Ouvindo a mensagem de Daniel], p. 101).
Apesar do conselho para se arrepender e buscar o perdão do Senhor, o orgulho implacável de Nabucodonosor fez com que o decreto celestial fosse executado (Dn 4:28-33). Enquanto o rei andava em seu palácio e louvava a si mesmo pelo que havia realizado, ele foi afligido por uma condição mental que forçou sua expulsão do palácio real. Nabucodonosor pode ter sofrido de uma condição mental patológica chamada licantropia ou zoantropia clínica. Essa condição leva o paciente a agir como um animal. Nos tempos modernos, essa doença tem sido chamada de “disforia de espécie”, a sensação de que o corpo da pessoa é da espécie errada e, por isso, existe o desejo de ser um animal. Isso não tem nada haver com os Therians, que são pessoas que se identificam, em um nível pessoal, psicológico ou espiritual com animais, esses, em muitos casos, são apenas Influenciadores de redes sociais como o TikTok.
O processo de humilhação do rei durou sete tempos; a palavra original muito provavelmente signifique “anos” e aqui deve ser entendida como sete anos literais. Portanto, ao contrário dos períodos de tempo mencionados nas seções apocalípticas de Daniel, os sete anos não devem ser interpretados de acordo com o princípio do dia/ano. Haviam se passado doze meses desde o momento do sonho do rei até o episódio em que ele se exaltou e teve início o seu período de juízo, que durou sete anos. Então, ao final dos sete anos, o rei foi restabelecido ao trono. Por isso, não há indicação de que o período de tempo mencionado em Daniel 4 deva ser interpretado de nenhuma outra forma que não seja literal.
Nabucodonosor aprendeu a lição que Deus lhe havia designado. Depois de sete anos entre os animais, o rei teve uma mudança radical de atitude: “Eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu” (Dn 4:34). Esse olhar para cima sinaliza a mudança na mentalidade de Nabucodonosor. Antes, do topo do orgulho, o rei olhava para baixo em sinal de desprezo. Então, quando olhou para cima, de onde vem todo poder e sabedoria, três coisas importantes aconteceram: (1) ele foi curado de sua doença mental (2) ele reconheceu Deus como o Soberano do Universo; e (3) ele foi restabelecido ao trono (Dn 4:34-36).
II – A CONVERSÃO
Uma questão que aparece com frequência em relação a esse relato é a seguinte: o rei se converteu verdadeiramente ou não? Embora alguns comentaristas acreditem que não haja evidências suficientes para confirmar uma conversão genuína, há bastante indicações que apontam nessa direção. Quando olhamos para o ponto central da confissão do rei em Daniel 4:34, 35, quatro elementos se destacam:
1 – Ele reconheceu a soberania de Deus. O SENHOR “age como Lhe agrada com os exércitos dos Céus e com os habitantes da Terra. Ninguém é capaz de resistir à Sua mão ou dizer-Lhe: ‘O que fizeste?’’’ (Dn 4:35). Há indícios do infinito e eterno nas palavras de Nabucodonosor: “O Seu reino dura de geração em geração” (Dn 4:34).
2 – Ele reconheceu a fragilidade da natureza humana: “Todos os moradores da Terra são por Ele reputados em nada” (Dn 4:35). O rei passou a reconhecer o poder divino além do nível meramente teórico. Admitiu que até mesmo o maior entre os homens (aos seus próprios olhos e, sem dúvida, aos olhos de seus súditos, ele era o maior) não é nada diante do grandioso Senhor. Tal reconhecimento é sempre uma marca do coração subjugado; a fragilidade humana e sua dependência de Deus é evidente. O ser humano não é autossuficiente. Nossa verdadeira alegria só pode ser completada quando houver um reconhecimento da verdadeira dependência do Criador.
3 – Ele reconheceu a fidelidade e a justiça de Deus, “porque todas as Suas obras são verdadeiras, e os Seus caminhos, justos” (Dn 4:37). Deus tratou Nabucodonosor de maneira severa, mas ele reconheceu quão justos e verdadeiros foram os juízos divinos. Eles foram adequados aos seus pecados.
4 – Finalmente, ele reconheceu que Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede Sua graça (Pv 3:34; Tg 4:6). A vida dele foi um retrato da aplicação que Pedro fez do seguinte princípio: ‘Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte’” (1Pe 5:6; Sinclair B. Ferguson e Lloyd J. Ogilvie, The Preacher’s Commentary Series [A Série de Comentários do Pregador], v. 21, Nashville, TN: Thomas Nelson, 1988, p. 96, 97).
III – TESTEMUNHANDO
Uma grande evidência da conversão de Nabucodonosor é o fato de que o próprio rei é o autor do capítulo 4 de Daniel. A maior parte desse capítulo parece ser uma transcrição de uma carta que o rei distribuiu a seu vasto reino. Nessa carta, o rei falou sobre seu orgulho e insanidade e reconheceu humildemente a intervenção de Deus em sua vida. Os monarcas antigos raramente escreviam qualquer coisa depreciativa a respeito de si mesmos. Praticamente todos os antigos documentos reais que conhecemos glorificam o rei. Um documento como esse, portanto, no qual o rei admitia seu orgulho e seu comportamento bestial, indica uma genuína conversão. Além disso, ao escrever uma carta contando sua experiência e humildemente confessando a soberania do Senhor, o rei estava agindo como um missionário. Ele não podia mais guardar para si o que tinha vivenciado e aprendido com o verdadeiro Deus. O que vimos então, na oração e no louvor do rei (Dn 4:34-37), revela a realidade de Sua experiência.
Ele passou a ter um conjunto diferente de valores e reconheceu as limitações do poder humano. Em oração exaltou o poder do Deus de Daniel e admitiu que “todos os moradores da Terra são por Ele reputados em nada” (Dn 4:35). Ou seja, o homem não tem nada do que se vangloriar. Portanto, esse último vislumbre de Nabucodonosor no livro de Daniel mostra um rei humilde e grato, cantando louvores a Deus e nos advertindo contra o orgulho.
CONCLUSÃO
Evidentemente, o Senhor continua a mudar corações hoje. Não importa quanto possam ser orgulhosos ou pecaminosos, no Altíssimo há misericórdia e poder para transformar pecadores rebeldes em filhos do Deus do Céu.
“O outrora orgulhoso rei tinha se tornado um humilde filho de Deus; o governante tirânico e opressor havia se tornado um rei sábio e compassivo. Aquele que tinha desafiado o Deus do Céu e Dele blasfemado reconhecia então o poder do Altíssimo e fervorosamente procurou promover o temor de Jeová e a felicidade dos seus súditos. Sob a repreensão Daquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, Nabucodonosor tinha afinal aprendido a lição que todos os reis precisam aprender, de que a verdadeira grandeza consiste na verdadeira bondade.” (PR, 521)
“O propósito de Deus de que o maior reino do mundo mostrasse Seu louvor estava então cumprido. Essa proclamação pública, em que Nabucodonosor reconheceu a misericórdia, bondade e autoridade de Deus, foi o último ato de sua vida registrado na história sacra” (PR, 521).
Ambos foram bons amigos e a boa influência de Daniel foi decisiva para a conversão do rei.
Nabucodonosor havia presenciado diversas manifestações do poder de Deus na vida de pessoas à sua volta, havia recebido mensagens da Escritura e interpretações proféticas por intermédio de Daniel, mas só experimentou a verdadeira conversão quando ele mesmo se apropriou da mensagem de Deus para si como realidade pessoal. A palavra de Deus só tem valor e poder de transformação quando é recebida como autoridade e mensagem divina para nós. Somente assim pode acontecer o milagre da transformação da visão de mundo, de acordo com o evangelho e com as prioridades do reino de Deus. Isso é conversão! E o resultado imediato disso é uma vida dedicada ao próximo, porque as pessoas que, de fato, conhecem a Deus e Seu amor de forma experimental, passam a distribuir o mesmo amor a todos aqueles que os cercam.
Nabucodonosor conhecia a Deus como uma informação ou como um elemento cultural da religião dos seus cativos hebreus. Esse conhecimento “intelectual” só alimentou seus surtos de arrogância e grandeza, e mesmo quando tinha lampejos de convicção da soberania do Deus de Israel, ele manifestava sua devoção nos mesmos termos opressores e perseguidores com os quais ele impunha a sua religião babilônica sobre os outros. Tudo é radicalmente transformado quando a Palavra de Deus é recebida por Nabucodonosor e se torna sua experiência pessoal: ele agora conclama todos os povos à paz (Dn 4:1), exaltando a soberania divina sobre todos os soberbos reis da Terra (Dn 4:37).
APELO
Você deseja reconhecer Deus em sua vida e ser totalmente dependente dEle?
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