A queda da Babilônia
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A queda da Babilônia
INTRODUÇÃO
Há um estreito paralelismo entre os capítulos 4 e 5 de Daniel. Ambos os capítulos retratam de maneira vívida a soberania de Deus sobre os reinos do mundo. Em Daniel 4, o Senhor retirou o poder de Nabucodonosor por um determinado período de tempo. Em Daniel 5, o Altíssimo remove o poder de Belsazar e encerra o ciclo do reino babilônico.
Embora o texto do capítulo 5 de Daniel inicie uma nova história, o seu conteúdo deve ser entendido à luz do relato e da experiência de Nabucodonosor no capítulo anterior.
Daniel 4:37 encerra o louvor de Nabucodonosor com a afirmação de que Deus “pode humilhar os que andam na soberba”. O capítulo seguinte nos mostra como isso aconteceu na última noite da história do Império Neobabilônico.
I – AS DEPORTAÇÕES BABILÔNICAS
Para entender a experiência de Daniel e seus amigos, precisamos ter em mente que o exílio foi uma deportação em massa de uma população de sua terra natal, com o objetivo de destruir sua identidade e facilitar o controle pelo poder dominante.
Esse tipo de deportação tinha geralmente como alvo as classes mais altas, os nobres, os líderes e os pensadores. Somente os pobres eram autorizados a permanecer na terra natal, a qual muitas vezes era devastada pela guerra. Tal estratégia política e militar era amplamente praticada no mundo antigo pelos assírios e pelos babilônios. Em 722 a.C. os assírios destruíram o norte de Israel e deportaram grande parte da sua população para outras partes do império. Judá não prestou atenção ao que aconteceu ao seu irmão e encontrou o mesmo destino nas mãos dos babilônios.
A Bíblia registra três deportações babilônicas contra Judá. A primeira aconteceu em 605 a.C., ele levou alguns cativos para Babilônia, entre os quais estavam Daniel e seus três amigos. Em 597 a.C., devido às manobras políticas de Jeoaquim, que insistiu numa aliança política com o Egito, Nabucodonosor invadiu Judá pela segunda vez e deportou outra parte da população. Entre os deportados estavam o profeta Ezequiel e o rei Joaquim. Nabucodonosor estabeleceu Zedequias (tio de Joaquim) com rei de Judá. Mas, apesar das contínuas advertências de Jeremias, o novo rei persistiu em buscar ajuda egípcia para resistir ao domínio babilônico. Finalmente, Nabucodonosor perdeu a paciência e em 586 a.C. marchou contra Judá; dessa vez os babilônicos destruíram Jerusalém e o templo e deportaram outra parte da população para Babilônia.
II – ARROGÂNCIA
A derradeira noite de Babilônia foi marcada por uma grande celebração. Os historiadores Xenofonte e Heródoto indicam que os babilônios estavam celebrando um festival habitual. A Bíblia não menciona as razões para a festa, mas estudiosos têm especulado que poderia ter sido o Festival Akitu de Ano Novo (primavera). Independentemente do motivo para a festa, com os medos e os persas prontos para atacar Babilônia (Dn 5:29-31), perguntamo-nos por que Belsazar estava festejando? O mais provável é que ele se sentisse seguro dentro da cidade, cercada por uma muralha com cerca de 7,5 metros de largura e 12 metros de altura. Dentro da cidade havia água abundante e suprimentos de comida para resistir a muitos anos de cerco (Alguns menciona 20 anos). Então, Belsazar não abrigava nenhum temor de uma invasão tão iminente. A festa também, transmitia uma sensação de normalidade aos habitantes da cidade, apesar dos inimigos que se reuniam em volta dos muros.
O blasfemo ato de Belsazar em contaminar os utensílios do templo, constituiu um ataque direto ao próprio Deus. Ao tomar os utensílios sagrados do templo de Jerusalém para ser usados como taças de bebida naquela celebração profana, o rei babilônico demonstrou que não apenas se recusava a honrar o Deus dos hebreus, mas que exercia um desprezo intencional contra Ele.
Tais objetos, embora no exílio, permaneceram santos, Nabucodonosor aparentemente entendeu a importância dos objetos do templo do Senhor quando os colocou no templo de seu deus. Ao contrário de seu antecessor, Belsazar não demonstrou nenhum respeito pelos utensílios do templo. Ao profaná-los em sua promíscua celebração, ele desafiou o próprio Deus.
Oferecendo louvores aos “deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e pedra” (Dn 5:4), 6 elementos, número da adoração babilônica, quase oferecendo uma paródia do sonho da estátua de Nabucodonosor, demonstrando um possível conhecimento da história do sonho e um total desprezo por sua interpretação.
III – A QUEDA
Nessa hora, o rei de Babilônia e o sistema que ele representava encheram o cálice de sua iniquidade. Naquele momento, o tribunal celestial pronunciou a sentença. Uma mão sobrenatural escreveu na parede do palácio a solene mensagem: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM.
Essa é a mesma mão que escreveram os dez mandamentos e que escreveu os pecados das pessoas no chão enquanto uma população em fúria desejava matar uma pecadora. Mesmo bêbado Belsazar entendeu a realidade de um eminente juízo.
A cena é aterradora. Os dedos enigmáticos escreviam sob a luz trêmula na parede. “Então quando o rei viu aquela cena ficou pálido, muito assustado. Suas pernas ficaram bambas, tremiam sem parar, e os joelhos batiam um no outro.” (v. 6). A arrogância desaparecera. Em seu lugar surgiram todos os sintomas do terror e do medo. A mesma mão que escrevera na pedra proibindo a idolatria, agora escrevia na “parede caiada” o julgamento dos idólatras. Essa era a última noite na história de Belsazar.
A turma de conselheiros de Belsazar não foram mais eficientes agora do que o foram na época de Nabucodonosor.
Foi somente por sugestão da rainha-mãe que o rei pediu que Daniel fosse levado à sua presença. Alguns eruditos identificam essa mulher com Nitocris, filha de Nabucodonosor, esposa de Nabonido e mãe de Belsazar. Mas Jaques Doukan afirma que: possivelmente essa mulher é a avó de Belsazar, viúva do rei Nabucodonosor, que havia presenciado diversos episódios do relacionamento do antigo rei com Daniel e sua experiência de conversão.
Alguém pode se perguntar por que Daniel foi ignorado até aquele momento. A esse respeito, devemos ter em mente que Daniel havia servido até o terceiro ano de Belsazar (Dn 8:1, 27). Portanto, o idoso profeta (70 a 88 anos) não era estranho ao rei. Sobretudo, com base na atitude e no comportamento de Belsazar, parece que esse rei pode ter afastado Daniel por motivos políticos (religiosos).
Aqui tem um jogo de palavras – Mene, Mene, Tequel e Parsim. Cada uma dessas palavras representa medidas de peso utilizadas em transações comerciais: mene – mina (600 gr.); tequel – shekel (10 gr.) e parsim – meia mina (300 gr.), que, além de trazer a raiz do verbo “dividir” (prs, perisat – dividido), faz um trocadilho sonoro com a palavra “persas”, a nacionalidade dos soldados dos exércitos que precisamente naquele momento estavam conquistando Babilônia. A cada uma das quatro palavras escritas o profeta acrescentou uma interpretação feita também pelo uso de quatro palavras. O número quatro representava um ciclo completo: quatro reinos da estátua de Daniel 2 e quatro reis que governaram Babilônia após Nabucodonosor: Amel-Marduk, Neriglissar, Labashi-Marduk e Nabonido (pai de Belsazar, que dividiu o governo em corregência com seu filho). Daniel leu as palavras como substantivos, mas as explicou como verbos passivos: mene – contado; tequel – pesado; e peres (forma singular de parsim) – dividido. A certeza da intepretação e da ação condenatória do juízo divino foi expressa pelo uso do tempo passado, que descreve ações como já concluídas.
Isso aconteceu em cumprimento da profecia.
Registros históricos feitos por Heródoto, Xenofonte, juntamente com informações presentes na “Crônica de Nabonido”, nos permite vislumbrar detalhes de como a queda de Babilônia ocorreu: Os exércitos persas fizeram um canal com o objetivo de diminuir o fluxo do rio Eufrates, que cruzava a cidade, e dessa forma conseguiram entrar no espaço amuralhado de Babilônia, subjugando a cidade sem nenhuma batalha, no dia 12 de outubro de 539, 23 anos após a morte de Nabucodonosor.
Belsazar foi morto e a poderosa Babilônia caiu diante dos medos e dos persas, em outubro de 539 a.C.
A queda da Babilônia histórica, simboliza a derrota final da Babilônia espiritual. Em Apocalipse, a queda da Babilônia no fim dos tempos está ligada à sexta praga, que resulta no secamento do rio Eufrates para preparar o caminho para os reis do Oriente (Ap 16:12). No fim, a cidade vitoriosa (Babilônia) é derrotada, e a cidade derrotada (Jerusalém) é estabelecida para sempre.
CONCLUSÃO
A história da queda de Babilônia é usada em Apocalipse 17 para descrever profeticamente a destruição final do sistema de poder com base na união entre os poderes políticos e religiosos, em atuação no tempo do fim. O poder desse sistema babilônico é sustentado pelos povos, as águas sobre as quais Babilônia está assentada (Ap 17:15), representando toda a sociedade humana que alimenta esse sistema e é usada como massa de manobra para alcançar seus objetivos nefastos.
Estamos vivendo numa sociedade inserida nesse sistema, que está anestesiada pela busca do prazer e do sucesso e, como Belsazar em seu banquete, vive completamente alheia às ações do cenário espiritual atual e ignoram a proximidade da segunda vinda de Jesus. Mesmo para aqueles que têm consciência dessa realidade, Jesus faz uma advertência em Lucas 21:34: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço”. Podemos não nos entregar ao “festim de Belsazar” na prática de nossa vida diária, mas “as consequências” do estilo de vida atual, os objetivos, prioridades e os valores que formam a base para a medida de sucesso presentes na visão de mundo de nossa sociedade hoje, podem dominar nossa vida e definir nossa personalidade. Devemos estar atentos a esse sutil domínio de Babilônia sobre nós.
APELO
Há sempre uma última noite para tudo e todos. A última festa, a última dança, o último filme, o último cigarro, o último drinque, a última refeição, o último prazer. A natureza humana, contudo, sob a narcótica ação do pecado, facilmente se esquece disso, como Belsazar se esqueceu do que testemunhara na vida do avô. Ore hoje por discernimento espiritual e permaneça em estado de alerta.
