O PRINCIPAL PECADOR
Em Defesa da Sã Doutrina • Sermon • Submitted • Presented
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LEITURA DO TEXTO
LEITURA DO TEXTO
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé.
Que a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, estejam com você.
Quando eu estava de viagem, rumo à Macedônia, pedi a você que ainda permanecesse em Éfeso para admoestar certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim. Essas coisas mais promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé. O objetivo desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia. Algumas pessoas se desviaram destas coisas e se perderam em discussões inúteis, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, porém, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais falam com tanta ousadia.
Sabemos que a lei é boa, se alguém se utiliza dela de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para os transgressores e rebeldes, para os ímpios e pecadores, para os iníquos e profanos, para os que matam o pai ou a mãe, para os homicidas, para os que praticam a imoralidade, para os que se entregam a práticas homossexuais, para os sequestradores, para os mentirosos, para os que fazem juramento falso e para tudo o que se opõe à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado.
Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me fortaleceu e me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, no passado, era blasfemo, perseguidor e insolente. Mas alcancei misericórdia, pois fiz isso na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, que sou o principal pecador, Cristo Jesus pudesse mostrar a sua completa longanimidade, e eu servisse de modelo para todos os que hão de crer nele para a vida eterna. Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória para todo o sempre. Amém!
Esta é a admoestação que faço a você, meu filho Timóteo, segundo as profecias que anteriormente foram feitas a respeito de você: que, firmado nelas, você combata o bom combate, mantendo a fé e a boa consciência, porque alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. Entre esses estão Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás para serem castigados, a fim de que aprendam a não blasfemar.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Diante de uma acusação (ainda que falsa) contra uma mulher adúltera, o Senhor Jesus disse em João 8.7 “Como eles insistiam na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: — Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela.”. Alguém aqui nessa manhã está sem pecado? Não cometeu erros conscientes essa semana? Não pensou ou falou besteira? Alguém aqui, mesmo que pensando ter sido extremamente vigilante ao logo de cada dia desta semana que passou, teria a capacidade de afirmar que não pecou inconscientemente? Durante o sono? Num relance de segundos? Algo que talvez não pode ser identificado facilmente por uma pessoa limitada, mas facilmente identificado por um Deus santo, puro e onisciente (tudo conhece)?
A verdade é uma só: todos nós aqui somos pecadores. Todos aqui, se dependêssemos de nossa obediência perfeita, seríamos condenados ao inferno e isso seria justo. Mas graças a Deus que somos salvos unicamente pela graça de Deus, através da obra perfeita consumada por Cristo Jesus na Cruz do Calvário. A Sã Doutrina é a Doutrina Bíblica do Evangelho, e o Evangelho fala sobre um Deus santo criador, um homem antes perfeito, mas que se tornou pecador separado da glória desse Deus santo criador, Cristo Jesus como o rei que se sacrificou pelos pecados desse homem e isso porque Deus amou o homem ao ponto de enviar seu Filho Unigênito (Filho Amado) e, mediante a morte e ressurreição de Jesus, todos os homens e mulheres desta terra ouvem um apelo para que se arrependam (deixem os pecados conscientes e inconscientes) e confiem em Cristo para serem salvos. Esse Evangelho salva pecadores. Esse Evangelho é a Doutrina que não pode ser maculada. Paulo enviou Timóteo para Éfeso a fim de que ele pudesse combater lá o “bom combate” e o “bom combate” é a defesa dessa Sã Doutrina, a Doutrina do Evangelho de Graça de Deus em Cristo Jesus.
Nesta série vamos aprender sobre o valor do ensino correto da Palavra de Deus e suas boas consequências para a vida da Igreja. Todos nós, mesmo pecadores, somos infinitamente mais amados e aceitos por Deus Pai através de Jesus Cristo; logo, salvos por esta graça, podemos andar em boas obras e permanecermos fieis até que Cristo venha nos buscar e consumar a nossa salvação.
Vamos organizar a exposição do texto bíblico em 5 pontos. 1) A necessidade de proximidade, intimidade e amor na partilha da autoridade, 2) A necessidade de se confrontar em amor, 3) A necessidade de se compreender o aspecto “legal” da Sã Doutrina do Evangelho, 4) A necessidade de se lembrar da graça e da misericórdia de Deus em Cristo Jesus e 5) A necessidade de se praticar a disciplina bíblica eclesiástica, para a proteção do evangelho e para a saúde espiritual da Igreja.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
1) A NECESSIDADE DE PROXIMIDADE, INTIMIDADE E AMOR NA PARTILHA DA AUTORIDADE.
1) A NECESSIDADE DE PROXIMIDADE, INTIMIDADE E AMOR NA PARTILHA DA AUTORIDADE.
1Timóteo 1.1–3 “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé. Que a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, estejam com você. Quando eu estava de viagem, rumo à Macedônia, pedi a você que ainda permanecesse em Éfeso para admoestar certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina,”
Gordon Fee (2011, 36–37) considera o tratamento de Paulo a Timóteo como outro aspecto da saudação que se concentra na autoridade. Ele observa como a autoidentificação de Paulo em 1 Tm 1:1 enfatiza a autoridade apostólica de Paulo, embora a carta fosse ostensivamente uma carta pessoal a Timóteo. Segundo Fee, Paulo esperava plenamente que esta carta fosse lida para a igreja em Éfeso, então suas referências ao seu próprio apostolado pelo “mandamento de Deus” e ao seu parceiro de ministério como seu “verdadeiro filho na fé” serviram para enfatizar a autoridade de Paulo e sua extensão dessa autoridade a Timóteo em virtude de seu relacionamento próximo.
William Hendriksen (1957/2002, 53–54) comenta sobre a interação aqui entre autoridade e amor. Ele vê a frase como Paulo assumindo o crédito por seu papel instrumental na vida espiritual de Timóteo. A expressão “filho verdadeiro” reflete que Timóteo “não era um mero crente nominal”. Ele entende a expressão inteira como significando “filho verdadeiro na esfera da fé”.
Paulo sempre é intencional em suas saudações. Como eu creio que essa carta certamente foi escrita para ser lida nas igrejas de Éfeso, ele quer comunicar verdades espirituais já na saudação. Interessante que ele omite a ação de graças, mas ela vai aparecer mais abaixo, nos versículos 12-16. Além dos comentários de Fee e Hendriksen sobre a ênfase paulina no aspecto da autoridade, vale destacar que Paulo adjetiva a Deus Pai como “nosso Salvador”, e Cristo Jesus como “nossa esperança”.
A salvação começa em Deus Pai, em sua vontade de resgatar a humanidade das trevas do pecado e enviar Seu Filho para consumar a obra de salvação ao viver uma vida terrena perfeita, morrer sem pecado numa cruz e ressuscitar dos mortos pelo seu próprio poder e subir aos céus para clamar pela descida do Espírito Santo, a pessoa da Santíssima Trindade que habita nos salvos, concede a resposta adequada ao evangelho que é arrependimento e fé, sela cada um para a redenção do corpo (a glorificação) e trabalha diuturnamente pela santificação dos crentes.
Paulo ainda cita a misericórdia no meio da sua tradicional saudação “graça e paz”, criando assim uma fórmula tripartite. Quando lemos o contexto da carta, logo em sua expressão de ações de graças do versículo 12 em diante a gente percebe o porquê de Paulo fazer essa citação adicional. A misericórdia precisa permear o coração de pastores e membros da igreja. Sem a misericórdia, apenas ferimos, nos vingamos, julgamos, ofendemos e acabamos por desonrar ainda mais o nosso Deus. É com misericórdia que se confronta o pecado; é com misericórdia que se lida com o irmão mais imaturo na fé; é com misericórdia que lidamos com os que estão se desviando da Sã Doutrina e da boa consciência cristã.
Ainda podemos perceber que Paulo não tinha o costume de partilhar sua autoridade com quem ele não tinha a confiança o bastante. A expressão “verdadeiro filho na fé” demonstra o nível de proximidade, intimidade e amor que ele nutria por Timóteo e isso era uma condição sine qua non para compartilhar com ele a autoridade de liderar a Igreja de Cristo Jesus. Como dizem por aí aos montes e eu concordo: o Reino de Deus é um Reino de amigos. Um pastor não pode confiar a liderança a qualquer irmão na fé; é preciso proximidade não só pessoal, mas teológica e doutrinária; intimidade no sentido de ambos estabelecerem uma boa amizade e um amor que é fruto de uma confiança conquistada pelo outro e concedida pelo pastor no caminho. Assim se constrói uma liderança bíblica saudável e que promoverá o bem do evangelho na comunidade da fé.
2) A NECESSIDADE DE SE CONFRONTAR EM AMOR.
2) A NECESSIDADE DE SE CONFRONTAR EM AMOR.
1Timóteo 1.3–7 “Quando eu estava de viagem, rumo à Macedônia, pedi a você que ainda permanecesse em Éfeso para admoestar certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim. Essas coisas mais promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé. O objetivo desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia. Algumas pessoas se desviaram destas coisas e se perderam em discussões inúteis, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, porém, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais falam com tanta ousadia.”
Antes de tratarmos do que preocupava Paulo, vamos tratar do que moveu Paulo a pedir a Timóteo que continuasse em Éfeso para “confrontar certas pessoas”:
1Timóteo 1.5 “O objetivo desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia.”
Paulo nos ensina como devemos lidar com as pessoas na igreja, até aquelas que cometem desvios doutrinários. Vendo o evangelicalismo de hoje, com as brigas recentes na internet em função de música ou de evento missionário, ou mesmo debates outros sobre teologia na arena pública das redes sociais, percebo que há muito zelo para se defender a Sã Doutrina (ortodoxia), mas não há a motivação ou o sentimento adequado para fazer isso (ortopatia).
Temos que confrontar o pecado e o falso ensino dentro da igreja, mas nós somos chamados a amar até os hereges!
O que você sente quando vê o pecado do outro? O que você sente quando alguém claramente se desvia da Sã Doutrina e começa a transmitir ensino de demônios? Sem o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia, não é possível defender o Evangelho.
Agora, vamos falar do que possivelmente foi o objeto da tratativa de Paulo e Timóteo (mais diretamente) na Igreja de Éfeso.
Witherington (2006, 342) considera provável que o mesmo grupo de oponentes esteja por trás da retórica de Paulo em 1–2 Timóteo. Ele descreve o método de Sumney para identificar os oponentes de Paulo e o aplica a 1–2 Timóteo (342–47). Em seu perfil dos oponentes, ele tira duas conclusões principais das referências em 1 Tim 1:3-7: (1) eles estavam interessados em interpretações especulativas e conhecimento religioso esotérico, e (2) eles eram fascinados pela lei mosaica.
A primeira conclusão deriva da referência a mitos e genealogias em 1 Timóteo 1:4. O NT usa regularmente mythois como um rótulo polêmico para ensinamentos vistos como imorais ou perigosos (ver Towner 1994, 45).
Assim como surgiram falsos profetas no meio do povo, também haverá falsos mestres entre vocês. Eles introduzirão heresias destruidoras, chegando a renegar o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, o caminho da verdade será difamado. Movidos por avareza, eles explorarão vocês com palavras fictícias. Mas, para eles, a condenação decretada há muito tempo não tarda, e a destruição deles não caiu no esquecimento.
E ainda neste capítulo de 2Pedro. 2Pedro 2.12-22
Esses, porém, como animais irracionais, seres guiados pelo instinto e que nascem para serem capturados e mortos, falando mal daquilo que não entendem, na sua destruição também hão de ser destruídos, recebendo injustiça como pagamento pela injustiça que praticam. Encontram prazer na satisfação de seus desejos libertinos em pleno dia. Como manchas e defeitos, encontram satisfação nas suas próprias mentiras, enquanto se banqueteiam com vocês. Eles têm os olhos cheios de adultério e são insaciáveis no pecado. Enganam almas inconstantes e têm o coração exercitado na avareza, essa gente maldita. Tendo abandonado o reto caminho, desviaram-se e seguiram pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o pagamento pela injustiça. Mas ele foi repreendido pela sua transgressão: um animal de carga mudo, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta.
Esses tais são fontes sem água, névoas levadas pela tempestade, para os quais está reservada a mais profunda escuridão. Porque, falando com arrogância palavras sem conteúdo, enganam com desejos libertinos de natureza carnal aqueles que de fato estavam se afastando dos que vivem no erro. Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor. Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, o seu último estado se tornou pior do que o primeiro. Pois teria sido melhor que eles nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, voltar atrás e se afastar do santo mandamento que lhes havia sido dado. Com eles aconteceu o que diz certo provérbio muito verdadeiro: “O cão volta ao seu próprio vômito.” E: “A porca lavada volta a rolar na lama.”
Geralmente o falso ensino do falso mestre vem acompanhado de uma vida libertina. Se o ensino da Sã Doutrina promove a santidade na Igreja, o ensino herético ou o falso ensino promove a corrupção moral e espiritual da Igreja de Cristo.
Falsos mestres gostam de especular sobre a Palavra de Deus e distorcem a verdade de maneira consciente e maligna. É como diz o apóstolo Pedro: “se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, o seu último estado se tornou pior do que o primeiro. Pois teria sido melhor que eles nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, voltar atrás e se afastar do santo mandamento que lhes havia sido dado. Com eles aconteceu o que diz certo provérbio muito verdadeiro: “O cão volta ao seu próprio vômito.” E: “A porca lavada volta a rolar na lama.”
E muito provavelmente, as heresias na Igreja de Éfeso (mesmo caso em Colossos e nas igrejas da Dispersão as quais Pedro dirigiu suas cartas) foram ensinadas por líderes. É por isso que a Igreja precisa dispor de mecanismos para poder agir contra a má liderança, porque uma má autoridade tem o poder de destruir uma igreja local.
Vocês não devem supor, irmãos, que heresias podem ser produzidas por meio de quaisquer pequenas almas. Ninguém, exceto grandes homens, foi autor de heresias.
Agostinho de Hipona
Este ponto eu quero concluir dizendo que é sempre perigoso quando um crente em Jesus perde muito tempo com certos debates, mesmo teológicos. Algumas discussões são apenas exibição de pseudo sabedoria. A maturidade cristã nos leva a não nos expor desnecessariamente, ainda mais quando ocupamos o ofício de liderança na igreja. A postura pública de um líder importa muito, mas também o membro da igreja precisa saber se portar na internet e na vida.
3) A NECESSIDADE DE SE COMPREENDER O ASPECTO “LEGAL” DA SÃ DOUTRINA DO EVANGELHO
3) A NECESSIDADE DE SE COMPREENDER O ASPECTO “LEGAL” DA SÃ DOUTRINA DO EVANGELHO
1Timóteo 1.8–11 “Sabemos que a lei é boa, se alguém se utiliza dela de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para os transgressores e rebeldes, para os ímpios e pecadores, para os iníquos e profanos, para os que matam o pai ou a mãe, para os homicidas, para os que praticam a imoralidade, para os que se entregam a práticas homossexuais, para os sequestradores, para os mentirosos, para os que fazem juramento falso e para tudo o que se opõe à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado.”
Como dissemos, parte dessa heresia presente na Igreja de Éfeso tinha a ver com a questão do judaísmo infiltrado no meio cristão. Está escrito na carta de Jesus em Apocalipse 2.2“Conheço as obras que você realiza, tanto o seu esforço como a sua perseverança. Sei que você não pode suportar os maus e que pôs à prova os que se declaram apóstolos e não são, e descobriu que são mentirosos.”. Ainda nos dias de João, no final do século 1, os hereges rondaram a Igreja de Éfeso — o que nos mostra que o que Paulo e Timóteo enfrentaram em Éfeso teve uma insistência na igreja décadas depois.
Esse apego a lei de Moisés era muito perigoso naquele tempo, ainda mais porque a fé cristã, que era e é baseada no Evangelho de Cristo Jesus, na graça salvadora de Deus, estava sendo ainda estabelecida no meio do povo que cria na pregação apostólica. Então Paulo reposiciona a Lei de Moisés dentro do plano de Deus maior que é o Evangelho. O Evangelho foi dado por Jesus e os Apóstolos para a Igreja a fim de que ela não mais vivesse como quem ainda precisasse do cabresto da lei, mas agora cada um responde com arrependimento e fé à graça que foi manifesta na cruz e na ressurreição de Cristo.
Paulo então cita uma série de pecados que são realidades de quem não tem a fé que o Espírito Santo por meio do Evangelho. Você pode perceber que existe uma diversidade de pecados e um arremate afirmando: “tudo o que se opõe à Sã Doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito” (1Tm 1.10-11).
A Sã Doutrina pode ser compreendida como o ensino fiel do evangelho que resulta em uma vida santa. Os salvos foram salvos sem a necessidade de praticar boas obras para receberem o perdão de Deus, mas, uma vez que recebem pela graça o perdão, são agora preenchidos com a vida de Cristo através da presença do Espírito Santo para que possam andar em crescente prática das boas obras (caráter santo e ações de amor).
Quem rejeita o evangelho, é porque decidiu abraçar a transgressão, a rebeldia, a impiedade, a iniquidade, o assassinato do pai ou da mãe, o homicídio, a imoralidade nos relacionamentos (incluindo a imoralidade sexual), um desdobramento mais perverso da imoralidade sexual que é a homossexualidade, o sequestro, a mentira, o falso juramento etc.
Por que deveríamos crer que pessoas que vivem na prática do adultério, fornicação, homossexualismo, fraude, e todo tipo de intemperança são nascidas de novo?
John F. MacArthur
4) A NECESSIDADE DE SE LEMBRAR DA GRAÇA E DA MISERICÓRDIA DE DEUS EM CRISTO JESUS.
4) A NECESSIDADE DE SE LEMBRAR DA GRAÇA E DA MISERICÓRDIA DE DEUS EM CRISTO JESUS.
1Timóteo 1.12–17 “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me fortaleceu e me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, no passado, era blasfemo, perseguidor e insolente. Mas alcancei misericórdia, pois fiz isso na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, que sou o principal pecador, Cristo Jesus pudesse mostrar a sua completa longanimidade, e eu servisse de modelo para todos os que hão de crer nele para a vida eterna. Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória para todo o sempre. Amém!”
Earle (1981, 354) observa que o segmento de ação de graças da carta geralmente é encontrado imediatamente após a saudação. Em 1 Timóteo, Paulo interrompeu essa sequência com uma explicação do porquê havia deixado Timóteo em Éfeso. Earle comenta sobre a autodescrição de Paulo em três partes como blasfemador, perseguidor e homem violento como outro exemplo da predileção de Paulo por “trilogias”. Ele considera que a declaração de Paulo de que agiu por ignorância reflete a sinceridade do apóstolo de que ele pensava estar fazendo a coisa certa diante de Deus, mesmo em sua vida pré-cristã.
Guthrie (1990, 76–80) explica que Paulo está usando sua experiência pessoal “como evidência do poder transformador de Deus”. Ele interpreta a ação de graças de Paulo como um “súbito arroubo” de seu espanto com o evangelho e o poder capacitador de Deus.
Paulo saiu de perseguidor da Igreja a parte da Igreja perseguida. Sua declaração em 2Coríntios 4 tem muito a nos iluminar o entendimento de como o seu coração lidava com a realidade do evangelho da graça de Deus em sua vida:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que a excelência do poder provém de Deus, não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; ficamos perplexos, porém não desanimados; somos perseguidos, porém não abandonados; somos derrubados, porém não destruídos. Levamos sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida dele se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
Mounce (2000, 45–48) identifica 1 Timóteo 1:12–17 como uma subseção integral de 1 Timóteo 1:3–20. A seção serve ao ponto maior da discussão ao apresentar a salvação como um dom que provém da graça e misericórdia divinas, e não uma conquista através da adesão a tradições baseadas na lei bíblica. Ele observa três temas na passagem: “(1) a verdadeira natureza do evangelho; (2) encorajamento a Timóteo; e (3) a autoridade de Paulo.” Como o tema do evangelho conecta a passagem à discussão geral sobre o falso ensino, não é uma digressão. Mounce pensa que este ponto não é imediatamente aparente a todos os intérpretes porque o tema do evangelho está envolto na linguagem da experiência pessoal de Paulo.
O evangelho que Jesus proclamava era um chamado ao discipulado, um chamado a segui-Lo em obediência submissa, e não um mero apelo a que se fizesse uma decisão ou uma oração. A mensagem de Jesus libertava as pessoas de sua escravidão do pecado, ao mesmo tempo em que confrontava e condenava a hipocrisia.
John F. MacArthur
Quando Paulo afirma pistos ho logos (fiel é esta palavra) o teólogo Towner (2006, 143–45) nos traz uma importante observação: ele conclui que essa fórmula é uma técnica pela qual Paulo, em um só movimento, rearticula seu evangelho (e aspectos correspondentes do ensino), afirma sua autenticidade e autoridade apostólica, e aliena o ensino oposto”.
5) A NECESSIDADE DE SE PRATICAR A DISCIPLINA BÍBLICA.
5) A NECESSIDADE DE SE PRATICAR A DISCIPLINA BÍBLICA.
1Timóteo 1.18–20 “Esta é a admoestação que faço a você, meu filho Timóteo, segundo as profecias que anteriormente foram feitas a respeito de você: que, firmado nelas, você combata o bom combate, mantendo a fé e a boa consciência, porque alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. Entre esses estão Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás para serem castigados, a fim de que aprendam a não blasfemar.”
O raciocínio por trás do idioma “entregue a Satanás” parece ser a visão compartilhada pelos escritores do NT de que todos faziam parte do reino de Deus ou do mundo que estava sob o controle de Satanás (ver 1 João 5:19; Colossenses 1:13; 2 Coríntios 4:4; Efésios 2:2). A frase indica que alguém foi expulso da comunidade da igreja e lançado no “reino controlado por Satanás” (Knight 1992, 111). Embora a referência a Satanás neste idioma provavelmente não seja literal, o uso do idioma ainda se encaixa no quadro maior do NT de Deus usando Satanás para Seus próprios propósitos (compare 1 Coríntios 5:5; 2 Coríntios 12:7). A separação da comunidade enfatiza a gravidade do comportamento que desagrada a Deus, prefigurando uma separação de Deus através da separação de Seu povo. Me permitam citar comentários de alguns teólogos do último século e deste século.
Black e McClung (2004, 47–48) mencionam duas possíveis interpretações para esta afirmação: (1) expulsão da “proteção espiritual da igreja” ou (2) uma oração por “aflição física” para discipliná-los e, eventualmente, levar à “restauração espiritual”. Seja qual for o significado literal da frase, eles concluem que Paulo disciplinou “redentivamente e não apenas punitivamente”.
Fee (2011, 58–59) aponta que Himeneu e Alexandre eram muito provavelmente líderes na igreja, possivelmente presbíteros (compare 2Timóteo 2.17–18 “Além disso, a linguagem deles corrói como câncer. Entre esses estão Himeneu e Fileto, que se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já aconteceu, e estão pervertendo alguns em sua fé.”). Quando a declaração sobre entregá-los a Satanás é lida à luz de 1Coríntios 5.5 “que esse tal seja entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor.” e da referência à “destruição da carne”, a disciplina pode envolver “a expectativa de punição física”. No entanto, ele conclui que é mais provável que a frase se refira a eles sendo colocados para fora da igreja sem expectativa de dano físico.
Knight (1992, 110–12) menciona as opções para identificar Himeneu e Alexandre e fornece uma síntese do que sua “blasfêmia” pode ter implicado: oposição ao ensino de Paulo e ideias equivocadas sobre a ressurreição. A linguagem de Paulo ao entregá-los a Satanás indica que eles foram entregues a algo que já haviam escolhido para si mesmos (compare Efésios 4.19 “Tendo-se tornado insensíveis, eles se entregaram à libertinagem para, de forma desenfreada, cometer todo tipo de impureza.” ). A falta de arrependimento é necessária antes de dar o passo de separar alguém da “comunhão do povo de Deus”.
Lock (1924, 19–20) vê Jó 2.6 “Então o Senhor disse a Satanás: — Você pode fazer com ele o que quiser; mas poupe-lhe a vida.” como pano de fundo da frase “entregue a Satanás”. O propósito do sofrimento de Jó era “testar a sinceridade de sua religião”. Ele acredita que algum tipo de sofrimento corporal provavelmente fazia parte do castigo.
Seja qual for a melhor posição, podemos concluir o seguinte sobre a disciplina bíblica:
1- É sempre para fins de restauração, nunca de punição.
2- É com lágrimas nos olhos e com orações para que a pessoa disciplinada possa se arrepender e ser reconciliada com a Igreja de Cristo.
3- É para proteger o evangelho e alertar os demais membros da igreja sobre a gravidade do pecado não arrependido.
4- É um ato de amor e não de vingança ou perseguição.
5- Satanás está debaixo da autoridade de Deus. Entregar alguém a ele não significa abandono, mas restringir a atuação desta pessoa na vida da igreja com o objetivo de que ela desista da vida de pecado e volte à membresia para viver de fato a vida cristã.
6- A pessoa não deve ser recomendada a deixar de frequentar os cultos, mas não pode tomar a Ceia do Senhor nem participar de serviços que são restritos aos membros do corpo local de Cristo.
7- Quando há arrependimento, a disciplina cessa.
E por fim, sobre a blasfêmia:
Blasphēmeō, “Blasfemar”. O objetivo declarado de Paulo ao entregar Himeneu e Alexandre a Satanás era “para que aprendessem a não blasfemar” (1 Tm 1:20). Ele também se referiu a si mesmo como “anteriormente um blasfemador” (1Timóteo 1.13 “a mim, que, no passado, era blasfemo, perseguidor e insolente. Mas alcancei misericórdia, pois fiz isso na ignorância, na incredulidade.”). A palavra grega blasphēmeō pode ser usada para descrever tanto a fala irreverente dirigida contra Deus quanto o escárnio e a calúnia gerais destinados a zombar, injuriar e ferir os sentimentos de alguém ou danificar sua reputação (compare João 10:36; Tg 2:7 e 1Pe 4:4).
APLICAÇÕES E CONCLUSÃO
APLICAÇÕES E CONCLUSÃO
1- Você deseja liderar, ensinar e pregar na igreja? Como tem sido a sua relação com o pastoreio da igreja? Você já tomou ciência da necessidade de ambos partilharem de visões teológicas bastante aproximadas? E você está disposto ou disposta a assumir essa posição de “filho na fé”, ou seja, ser um discípulo ou discipulador(a) ENSINÁVEL?
2- O que te move ao lidar com os pecados alheios? Senso de “justiça” (mais para vingança e ódio)? Ou misericórdia e amor?
3- Você tem abraçado ou rejeitado o evangelho no dia-a-dia? Sua vida praticada revela o quê? Fidelidade ou crescimento na prática do pecado?
4- Como você se enxerga? Como o testemunho do apóstolo Paulo? Você se vê como o principal pecador ou se considera uma pessoa muito boa e por isso mesmo vítima de muitas injustiças?
5- Você está pronto para confrontar em amor um irmão ou irmã que insiste na prática do pecado e não deseja se arrepender? Você deseja combater o bom combate ou não se importa que sua igreja possua uma cultura de prática contínua do pecado sem arrependimento?
1Timóteo 1.15 “Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.”
Devemos sempre ter em mente que o propósito principal de nossa obra não é fazer com que as pessoas se unam à igreja, ou abandonem seus maus hábitos, ou que façam qualquer outra coisa senão isso, aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, aquele que carregou seus pecados em Seu próprio corpo no madeiro, e aquele por meio de quem elas podem ter o perdão total e imediato.
R. A. Torrey
Vamos orar.
