Um Mar Tempestuoso
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Um Mar Tempestuoso
INTRODUÇÃO
Estamos em 550/549 a.C., no primeiro ano do reinado de Belsazar como corregente com seu pai, o rei Nabonido, considerado oficialmente o último rei da Babilônia. Nabonido mostrou-se indiferente à administração do reino, partiu para a Arábia e deixou seu filho primogênito, Belsazar, como rei efetivo em seu lugar. O ano da ascensão de Belsazar ao trono é marcado também por outro importante fato histórico: Ciro, o rei dos Persas, derrota o rei dos Medos, Astíages, dando início à sua política expansionista e lançando as bases do império mundial seguinte. É interessante notar que aqui vemos o início do fim do Império Neobabilônico ao mesmo tempo em que ocorre uma transferência de poder do rei pai para seu filho.
Os quatro ventos da terra personificam os quatro cantos da terra. (Za 6:5, 6). A profecia de Daniel se refere ao mundo inteiro. Mas comumente esse texto é interpretado referindo-se a movimentos diplomáticos ou bélicos entre as nações.
I – VISÕES PARALELAS
A visão de Daniel 7, é semelhante ao sonho de Daniel 2. Porém, Daniel 7 amplia o que foi revelado em Daniel 2. Os poderes mundiais, apresentados no sonho de Nabucodonosor como se deteriorando na manutenção das normas morais, são apresentados a Daniel como estando a aumentar em crueldade e violência.
1 – Primeiramente, a visão ocorreu à noite e retrata o mar agitado pelos quatro ventos. Escuridão e água lembram a criação, mas, nesse episódio, a criação parece estar de alguma forma distorcida ou sob ataque.
2 – Segundo lugar, os animais da visão são impuros e híbridos, o que representa uma violação da ordem criada.
3 – Terceiro lugar, eles são descritos como se estivessem exercendo domínio; portanto, parece que o domínio que Deus havia conferido a Adão no jardim foi usurpado por esses poderes.
4 – Quarto lugar, com a vinda do Filho do Homem, o domínio de Deus é devolvido àqueles a quem ele pertence legitimamente. O que Adão havia perdido no jardim, o Filho do Homem recupera no julgamento celestial.
II – QUATRO ANIMAIS
Cada animal revelado a Daniel correspondia a uma parte da estátua mostrada a Nabucodonosor. Além disso, com exceção do quarto animal, Daniel descreveu os animais como se eles se parecessem com algumas criaturas conhecidas. Portanto, não eram símbolos arbitrários, visto que cada um apresentava algumas características ou apontava para algum aspecto do reino que representava.
Durante séculos, inúmeros estudiosos da Bíblia, tanto judeus como cristãos, têm concordado a respeito da sequência exata das nações que foram simbolizadas por estes animais. Esta interpretação não é exclusivamente adventista.
Leão: Um leão é a representação mais adequada de Babilônia. Leões alados decoravam as paredes do palácio e outras obras de arte babilônicas. De fato, a arte babilônica muitas vezes pinta leões alados, como vemos, por exemplo, em tijolos vitrificados de muros preservados em vários museus. Um grande número de leões alados decorou a estrada principal para Babilônia. De modo interessante as Escrituras representam o próprio Nabucodonosor pela dupla imagem de leão e de águia (Jr 49:19, 22).
A metáfora do leão alado casa a força do leão (Pv 30:30) com a velocidade da águia (II Sm 1:23). Ele se torna quase invencível.
Assim como o arrancar das asas nos recorda de cortar os galhos da grande árvore do capítulo 4. O animal é então, levantado da terra e posto sobre dois pés como um homem. Em uma alusão a recuperação e conversão de Nabucodonosor, ele recebe o coração de um homem. A posição vertical simboliza o rei, agora possível de ser movido por Deus. Esse processo simboliza também a decadência do Império Babilônico sob seus reis posteriores.
Urso: O urso representa o Império Medo-Persa. O fato de ser levantado sobre um lado indica a superioridade dos persas sobre os medos. Os persas eram vassalos do reino dos Medos, mas no ano 550 a.C. Ciro se tornou o rei da pérsia, ele era filho do rei Cambyses I e neto por parte de mãe de rei medo Antinges. As três costelas entre os dentes representam as três principais conquistas do Império Medo-Persa: Lídia, Babilônia e Egito. Seu desequilíbrio ("levantou-se sobre um dos seus lados") demonstra a desigualdade existente entre os poderes das duas nações que formaram esse império, o Persas eram mais fortes que os Medos.
Heródoto que viveu no 5° século antes de Cristo, fala de uma união política destes três poderes para tentar conter as forças de Ciro, porém eles foram derrotados e a Medo-Pérsias que se tornou a potência que comandava o mundo todo.
Leopardo: O leopardo veloz representa o Império Grego estabelecido por Alexandre, o Grande. As quatro asas tornavam esse animal ainda mais veloz, uma representação adequada de Alexandre, que em poucos anos dominou todo o mundo conhecido.
O terceiro reino é o único que o domínio lhe é especificamente oferecido, ele recebe o domínio, é permitido ao leopardo dominar. Ainda que todos os demais animais recebem o poder de dominar, mas no caso do leopardo esse domínio é completo. O domínio do leopardo envolve muito mais do que uma mera conquista geográfica. Ele se estende também no nível cultural. E, de fato, o pensamento grego se infiltrou em todo lugar e constitui a espinha dorsal do
pensamento ocidental hoje.
O animal terrível e espantoso: Enquanto as entidades anteriores apenas se assemelhavam aos animais mencionados, esta era uma entidade em si mesma. Isto é, os primeiros animais foram descritos como “semelhantes” ao leão ou ao urso, mas esse não foi retratado como semelhante a nada. Esse animal com vários chifres também parecia muito mais cruel e voraz do que os anteriores. Assim, ele é uma representação adequada de Roma pagã, que conquistou, governou e pisoteou o mundo com pés de ferro.
Precisamos notar também que a ênfase de Daniel 2 como 7, é dada ao quarto reino. Em ambos os capítulos, o quarto reino, embora representado por símbolos diferentes, apresenta várias semelhanças. A primeira, naturalmente, é que aparecem como o quarto poder na sucessão em cada visão. Ambos vêm depois da Grécia. Ambos são descritos como "fortes". Daniel 2:40; 7:7. Em ambas as descrições aparece a palavra ferro. Verifique Daniel 2:40; 7:7 e 1.9. De ambos foi dito que fariam outros reinos em pedaços. Leia Daniel 2:40; 7:19 e 23. Ambos os poderes foram divididos em "reis" ou reinos. Daniel 2:41 e 44; 7:24. Claramente os dois capítulos descrevem o mesmo poder.
III – O CHIFRE PEQUENO
Isaac Newton foi um matemático, físico, astrônomo, teólogo e autor inglês que é amplamente reconhecido como um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e como uma figura-chave na Revolução Científica.
Agora, devemos considerar o chifre pequeno e o poder que ele representa. Conforme retratado na visão, o quarto animal tinha dez chifres, dos quais três foram arrancados para dar lugar a um chifre pequeno. Esse chifre tinha olhos humanos e “falava com insolência” (Dn 7:8). É evidente que o chifre pequeno emerge da entidade representada pelo animal terrível, que é Roma pagã. De certa maneira, o chifre prolonga ou perpetua algumas características de Roma pagã. Ele é apenas um estágio posterior do mesmo poder.
CONCLUSÃO
O que me impressiona é que todos esses milhares de anos da História humana vieram e se foram, exatamente como foi predito. Fico consolado ao saber que Deus governa acima de todo o tumulto, a agitação e, às vezes, o caos total. Me enche de emoção saber que a Bíblia é totalmente confiável, a confiabilidade das Escrituras é algo que fica totalmente explicito neste capítulo, você pode se achegar ao texto sagrado com confiança, aqui na Bíblia podemos encontrar a verdade.
Ainda noto neste capítulo que apesar de tanta injustiça, perseguição e provação, o povo de Deus pode olhar para o futuro com esperança. Um olhar para essa descrição profética da história mostra que a história humana culminará no juízo celestial e no estabelecimento do reino eterno do Filho do Homem.
APELO
Você tem aguardado com ansiedade o estabelecimento do reino eterno de Deus? Deseja fazer parte do povo que vai morar com Jesus no Céu?
