Oséias 1.1-10 - Tragédia e restauração
Livro de Oséias • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 5 viewsNotes
Transcript
Texto
Texto
Oséias 1.1–10 “1 Palavra do Senhor que foi dirigida a Oseias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel. 2 Quando, pela primeira vez, o Senhor falou por meio de Oseias, o Senhor lhe disse: — Vá e case com uma prostituta, e tenha com ela filhos de uma prostituta. Porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor. 3 Então Oseias foi e casou com Gômer, filha de Diblaim, que ficou grávida e lhe deu um filho. 4 E o Senhor disse a Oseias: — Ponha nele o nome de Jezreel, porque daqui a pouco castigarei a casa de Jeú por causa do sangue derramado em Jezreel. Vou acabar com o reino da casa de Israel. 5 Naquele dia, quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel. 6 Gômer ficou grávida outra vez e deu à luz uma filha. Então o Senhor disse a Oseias: — Ponha nela o nome de Lo-Ruamá, porque não voltarei a ter compaixão da casa de Israel, para lhe perdoar. 7 Porém da casa de Judá eu terei compaixão e os salvarei pelo Senhor, seu Deus. Porque não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros. 8 Depois de ter desmamado Lo-Ruamá, Gômer ficou grávida mais uma vez e deu à luz um filho. 9 E o Senhor disse: — Ponha nele o nome de Lo-Ami, porque vocês não são o meu povo, nem eu serei o seu Deus. 10 Todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não se pode medir, nem contar. E acontecerá que, no lugar em que lhes foi dito: “Vocês não são o meu povo”, ali mesmo se dirá a eles: “Vocês são filhos do Deus vivo.”11 Os filhos de Judá e os filhos de Israel serão reunidos, e constituirão sobre si uma só cabeça. Eles se levantarão da terra, porque grande será o dia de Jezreel.
2.1 Chamem seus irmãos de Ami, e suas irmãs de Ruamá.”
Resumo e chave do livro
Resumo e chave do livro
O livro de Oséias revela o amor fiel de Deus confrontando a infidelidade de Israel. Mesmo diante da rebeldia, idolatria e injustiça do povo, Deus não o abandona, mas insiste em restaurá-lo.
A mensagem é ilustrada pela própria vida do profeta: seu casamento com Gômer, uma esposa infiel, simboliza a relação entre Deus e Israel. Assim, Oséias não apenas anuncia, mas vive o drama do amor traído e restaurador.
O contexto histórico inclui prosperidade econômica, seguida de corrupção moral, instabilidade política e, por fim, a destruição pelo império assírio. Israel confiou em riquezas, alianças políticas e ídolos, abandonando Deus.
Diante disso, Oséias proclama juízo inevitável, mas também esperança: o amor de Deus é firme, disciplinador e restaurador. Apesar do pecado, Deus promete curar, perdoar e restaurar seu povo.
Síntese: Deus julga o pecado, mas seu amor persevera — chamando sempre ao arrependimento e oferecendo restauração.
Desenvolvimento
Desenvolvimento
Tragédia e restauração
Tragédia e restauração
Esse profeta que anuncia o juízo de Deus e abre as portas da esperança não foi um teólogo de gabinete, alienado da realidade sombria do seu povo. Ele pregou aos ouvidos e aos olhos. Ele não apenas falou da tragédia que estava desabando sobre o Reino do Norte, mas também experimentou essa tragédia na própria pele. Ele não apenas falou ao povo rebelde acerca do amor de Deus, mas também demonstrou esse amor.
“O profeta do Senhor é sempre a sua mensagem. Proclama a mensagem verbalmente, mas também a vive na carne” Dionísio Pape.
O profeta e seus filhos eram literalmente a mensagem de Deus àquele povo superficial que tratava a palavra de Deus levianamente.
Nenhum, com exceção de Isaías, entendeu tão claramente o amor e a graça de Deus como este mensageiro do Senhor.
Deus levantou Oseias num tempo de apostasia religiosa. Contemporâneo de Isaías, Amós e Miqueias,
O livro de Oseias começa assim: “Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Oseias...
Primeiro ponto importante aqui meus irmãos, a legitimidade do profeta. “Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Oseias…” Oseias não se constituiu profeta nem foi apontado por homem algum. Ele é profeta de Deus. Ele não criou a mensagem; a mensagem lhe foi dada. Ele não era a fonte da mensagem, apenas o seu instrumento. Sua autoridade vinha de Deus. portanto. Quando Oseias falava, era o próprio Deus falando ao povo.
2o ponto - a filiação do profeta. “[…] filho de Beeri…” a menção do nome do pai de Oseias não desempenha outro papel no texto, senão o de distinguir nosso Oseias de outros de nome idêntico ou semelhante - Deus salva, ou salvação, e é equivalente a Josué e Jesus. O nome do profeta já trazia em si um chamado ao arrependimento e uma semente de esperança..
3º lugar, a extensão do ministério do profeta. Oséias profetizou por longo período em Israel, desde o auge de prosperidade no reinado de Jeroboão II até a queda do reino. Apesar da riqueza e estabilidade, havia grande injustiça social e decadência espiritual. Enquanto o povo se corrompia, a Assíria crescia como ameaça e, em pouco tempo, destruiria Israel. Nesse contexto crítico, Oséias foi chamado a anunciar arrependimento a uma geração à beira do juízo.
O casamento do profeta é determinado (1.2,3a)
O casamento do profeta é determinado (1.2,3a)
Poucos textos da Bíblia são mais polêmicos do que o casamento do profeta Oseias. Vamos adotar a literalidade do casamento de Profeta com uma prostituta e entender a vivência da dor do castigo de Israel - Povo de Deus - nas mãos do próprio Deus
Oseias veio a compreender o verdadeiro significado do pecado de Israel: adultério espiritual e até prostituição. O pecado do adultério tem sido definido como “busca de satisfação em relações ilícitas”. A prostituição é ainda pior. É o pecado de “prostituir bens ou aquilo que possui um valor inestimável e então colocar valor ou lucro sobre o que é inestimável.
Gômer já era uma mulher prostituta antes do profeta se casar com ela. Embora isso seja doloroso e nos traga algumas dificuldades e nos cause certo constrangimento, é exatamente isso que o texto afirma. Oseias amava Gômer não com base em suas virtudes, mas apesar de seus pecados.
É importante ressaltar que Oseias está representando o amor incompreensível de Deus a um povo infiel. Quando Deus chamou Abrão para formar por meio dele uma grande nação, tirou-o do meio de um povo idólatra. Israel continuou ao longo dos anos sendo infiel a Deus, quebrando sua aliança e indo após outros deuses.
A prostituição, nesse contexto, não se limita apenas a atos imorais no sentido físico, mas também descreve a infidelidade espiritual. Ela envolve tanto a corrupção do corpo quanto a traição no relacionamento com Deus. O povo de Israel, portanto, era culpado em ambas as dimensões: moral e espiritual.
Quando Deus falou por intermédio de Oseias, a primeira mensagem não foi dirigida ao povo, mas ao próprio profeta. O profeta é o primeiro público-alvo da própria mensagem recebida de Deus: “Quando pela primeira vez falou o SENHOR por intermédio de Oseias, então lhe disse…” (1.2).
É importante destacar, ainda, que Oseias não desobedece, não questiona nem protela a ordem de Deus. O Senhor lhe disse: “Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição…” (1.2). A resposta de Oseias é imediata: “Foi-se, pois, e tomou a Gômer…” (1.3). Nada se diz a respeito dos sentimentos de Oseias nem sobre o processo pelo qual ele cumpriu a ordem. A palavra eficaz de Iavé estava em ação. A desobediência seria inconcebível.
Os filhos do profeta são anunciados (1.3–9)
Os filhos do profeta são anunciados (1.3–9)
Se o casamento de Oseias com Gômer retratava o amor de Deus a um povo ingrato e infiel, os filhos de Oseias representavam o juízo de Deus a esse povo. O casal teve três filhos: Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. São nomes carregados de simbolismo.
Não podemos afirmar, com base no texto, que os três filhos eram todos de Oseias. O texto parece nos sugerir que apenas o primeiro era filho de Oseias, ao passo que Desfavorecida e Não-Meu-Povo eram filhos de prostituição. Esses nomes constituem a personificação da palavra de Deus a Israel e a nós: cada um deles é um símbolo vivo e um presságio. Os três presságios constituem um crescendo. Não se vê nenhuma brecha nas nuvens, e as trevas vão ficando mais densas a cada nova criança que nasce.
Quais são os presságios anunciados por intermédio dos filhos do profeta?
Em primeiro lugar, Jezreel, o juízo de Deus aos reis e ao povo de Israel (1.3–5).
Foi-se, pois, e tomou a Gômer, filha de Diblaim, e ela concebeu e lhe deu um filho. Disse-lhe o SENHOR: Põe-lhe o nome de Jezreel; porque daqui a pouco castigarei, pelo sangue de Jezreel, a casa de Jeú, e farei cessar o reino da casa de Israel. Naquele dia quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel.
O nome do primogênito de Oseias era assustador. Jezreel significa Iavé semeia. Era o nome do campo de batalha onde Jeú exterminou a família de Acabe (2Rs 9.10). Jezreel foi um campo de sangue, um lugar de chacina, onde Jeú executou o juízo de Deus sobre os membros da casa de Acabe. Derek Kidner diz que um profeta colocar em seu filho um nome desses seria o mesmo que um político chamar seu filho de Canudos, Farrapos ou Hiroshima.
O problema de Jeú é que ele foi além do que Deus o mandou fazer (2Rs 9–10). Ele errou quanto à forma, quanto à motivação e quanto à essência. Por ter cumprido o propósito de Deus de vingar-se da casa de Acabe, Deus lhe prometeu quatro gerações no trono, mas agora chegara a hora de Deus castigar a casa de Jeú pelo sangue de Jezreel.
As trapaças de carnificina e hipocrisia, o fanatismo, o egoísmo e a sede de sangue tornaram “o sangue de Jezreel” uma nódoa acusadora. Jeú e seus descendentes foram longe demais: seu zelo pela matança ultrapassou todos os limites; sua ambição superou qualquer senso de comissão divina; seu governo, embora impedisse o culto a Baal, patrocinado por Acabe e Jezabel, pouco fez para levar o povo de volta à adoração de Deus. Nessa mesma linha de pensamento, A. R. Crabtree escreve:
O profeta Eliseu tinha orientado a revolta de Jeú contra Acabe (2Rs 9.7), por causa do sangue derramado por Jezabel, mas isto não significou que ele apoiou a brutalidade de Jeú no derramamento de sangue inocente. O profeta Oseias condena severamente o sanguinário Jeú, e declara que o Senhor quebrará o arco de Israel no vale de Jezreel, no mesmo lugar onde Jeú foi além da sua incumbência, recebida do profeta, e derramou muito sangue inocente.
Deus colocaria um fim não apenas na dinastia de Jeú, mas também no Reino do Norte. A casa de Jeú caiu com a morte do rei Zacarias (2Rs 15.8–12), e depois de trinta anos de golpes e contragolpes, o reino foi despedaçado pela Assíria para nunca mais se recuperar. Deus quebrou o arco de Israel e o entregou nas mãos da Assíria, no vale de Jezreel. Aquele mesmo lugar que fora o vale da vitória de Gideão (Jz 6.33–7.23) agora se transforma num massacre selvagem, quando o próprio Deus deixa seu povo impotente diante da invasão avassaladora da Assíria.
Em segundo lugar, Desfavorecida, o perdão de Deus é retido (Os1.6,7).
Tornou ela a conceber e deu à luz uma filha. Disse o SENHOR a Oseias: Põe-lhe o nome Desfavorecida; porque eu não mais tornarei a favorecer a casa de Israel, para lhe perdoar. Porém da casa de Judá me compadecerei e os salvarei pelo SENHOR seu Deus, pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros.
A filha de Gômer chamou-se Lo-Ruama, cujo significado é não-compaixão. O hebraico lo é o termo para a negativa categórica, sem contestação. Não haveria compaixão alguma.
O texto não diz que Lo Ruamá (Desfavorecida) é filha de Oseias. O lhe do versículo 3 está ausente nos versículos Os1.6 e Os1.8. Tudo aponta para que essa filha seja fruto da infidelidade conjugal de Gômer. O nome da filha era um presságio à nação. A infidelidade espiritual de Israel chegou ao limite máximo. A prostituição espiritual do povo indo atrás de outros deuses havia provocado a ira de Deus, e o Senhor então resolveu reter o seu perdão.
A profecia de Oseias foi cumprida na destruição de Israel por Sargão II (2Rs 17). Ao mesmo tempo em que puniu a Israel, Deus prometeu compadecer-se do Reino do Sul e salvá-lo por intermédio de seu braço forte. Isso aconteceu na tentativa de invasão da Assíria em Jerusalém, no reinado de Ezequias. Deus dispersou o inimigo e livrou seu povo, mas o reino do Norte não teve o mesmo destino (Is 37.1–38).
Sabem meus irmãos o efeito do nome Desfavorecida é assustador e trágico: este presságio atinge mais profundamente do que o primeiro filho Jezreel, pois embora seja bastante perturbador perder uma guerra .. perder um reino, ainda é mais desesperador perder a misericórdia e a compaixão de Deus. Havia chegado o fim para o povo de Israel. O seu julgamento era inevitável.
Meus irmãos esses nomes, esses sinais são gritos de advertência, não sentenças finais que fossem irrevogáveis. A gente pode entender isso melhor olhando para a profecia de Jonas e de Jeremias. Jonas anunciou que Nínive seria subvertida dentro de quarenta dias, mas diante do arrependimento do povo, Deus suspendeu o juízo e concedeu sua misericórdia. Deus fala por intermédio do profeta Jeremias: “No momento em que eu falar acerca de uma nação, ou de um reino, para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (Jr 18.7,8).
Em terceiro lugar, Não-Meu-Povo, a aliança de Deus é rompida (1.8,9). “Depois de haver desmamado a Desfavorecida, concebeu e deu à luz um filho. Disse o SENHOR a Oseias: Põe-lhe o nome de Não-Meu-Povo, porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso Deus”. O terceiro filho de Gômer é Lo-Ami, literalmente “Não-Meu-Povo”. O juízo viria e seria sem compaixão, porque Israel não era mais povo de Deus.
À semelhança da Desfavorecida, Lo-Ami parece não ser filho de Oseias. Deve ter sido fruto da infidelidade de Gômer ou um filho de prostituição (1.2). Oseias recebe ordem de Deus para dar-lhe o nome de Não-Meu-Povo. E pelo mesmo motivo .. da insistência da infidelidade de Israel, Deus lhe dá carta de divórcio e rompe sua aliança com ele. Israel não é mais povo de Deus, nem Deus é mais o Deus de Israel. Era o fim da linha. Era a tragédia consumada.
Israel podia ser nominalmente do Senhor, mas na realidade era filho do seu tempo e de seu mundo pagão. Da mesma forma, Iavé podia ser nominalmente o seu Deus; mas, considerando que ele não aceita ser partilhado, e como haviam outros deuses no meio do povo isso nega categoricamente esse relacionamento.
Ou seja a ameaça aqui é intensificada. Pela primeira vez na sequência de sinais, o Senhor fala ao povo. De 1.2 até 1.9a, ele falou a Oseias acerca de Israel, agora ele fala a Israel na segunda pessoa do plural,
Nova Almeida Atualizada Capítulo 1
Ponha nele o nome de Lo-Ami, porque vocês não são o meu povo, nem eu serei o seu Deus.
anunciando a situação difícil em que eles se colocaram e declarando o veredicto.
A restauração é proclamada (1.10,11; 2.1)
A restauração é proclamada (1.10,11; 2.1)
Então de modo repentino, Oseias passa da tragédia para a promessa. No meio do julgamento, o Senhor se lembrou da misericórdia. Da escuridão do desespero brota um rebento (Poda da arvore) ...… de luz da esperança. Na ira, Deus se lembra da sua misericórdia e faz promessas de restauração ao seu povo. Os três oráculos desastrosos são totalmente alterados. O nome de cada filho é transformado, passando de sinal de juízo para sinal de graça.
Oseias reúne palavras de muito conforto aos seus presságios de desespero. Nos versículos de 1.10 a 2.1, o profeta promete cinco grandes bênçãos a Israel:
1) crescimento nacional (1.10a);
2) conversão nacional (1.10b);
3) reunião nacional (1.11a);
4) direção nacional (1.11b);
5) restauração nacional (2.1).
Interessante olharmos esses pontos e vermos que não há dissolução total do laço do pacto. Assim como Oseias foi buscar sua esposa e a trouxe de volta, assim Iavé cortejará, chamará, insistirá e trará de volta o seu povo aos laços do pacto de vida e amor.
Em primeiro lugar, a restauração é iniciativa de Deus, e não do povo (1.10). “Todavia o número dos filhos de Israel será como a areia do mar…” É Deus quem toma a iniciativa de restaurar o seu povo. É Deus quem muda a sua sorte. Tudo provém de Deus. É ele quem dá o arrependimento para a vida e quem predispõe seu próprio povo a voltar ao seu primeiro amor -
IRMÃOS é Deus Pai quem ama sua esposa (1.7; 2.23; 9.15; 11.1–4) e quem se ligou a ela (2.19,20).
Deus Pai que havia provido para ela um ancestral patriarcal, a saber, Jacó (12.3,4,12); tinha-a libertado do Egito (11.1; 12.9,13; 13.4). Ele fez um pacto com ela no Sinai (6.7; 8.1). Proveu todas as necessidades de sua noiva (2.8; 10.1; 11.3,4; 12.10; 13.5,6). Ele a cortejou quando ela se afastou dele (2.14; 11.8). Ele insistiu com ela para retornar e ser-lhe fiel (6.1–3; 14.1,2). Ele prometeu uma restauração e um futuro glorioso (1.10,11; 2.16,20,23; 13.14).
Em segundo lugar, a restauração é maior do que a queda (1.10). “[…] o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que se não pode medir nem contar…” Em vez de Deus destruir seu povo, vai multiplicá-lo. Em vez de varrê-lo do mapa, vai ampliar seus horizontes. Em vez de limitá-lo, vai expandi-lo. Se a gente olhar nesse verso que dis da “areia do mar, que se não pode medir nem contar” leva-nos de volta a Abraão para nos fazer lembrar que a antiga promessa ainda continua em pé, e que Deus permanece fiel a ela. Deus vai formar um novo Israel, procedente não apenas daqueles que têm o sangue de Abraão nas veias, mas a fé de Abraão no coração. Deus vai chamar de entre as nações um povo escolhido e peculiar.
Em terceiro lugar, a restauração implica a reunião dos que foram separados (1.11). “Os filhos de Judá e os filhos de Israel se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra; porque grande será o dia de Jezreel.” A divisão do reino nunca foi propósito de Deus. O rompimento com a dinastia de Davi estava na contramão da vontade de Deus. A ferida causada pelo homem seria curada por Deus. A brecha aberta pelo homem seria tapada por Deus. A divisão provocada pelo homem seria reconciliada por Deus. Israel deveria novamente ser um só povo, um só reino. Essa reunificação seria obra divina, e não iniciativa humana.
Depois do cativeiro assírio e do cativeiro babilônico, não se fala mais em dois reinos. Aqueles que voltam do cativeiro formam o povo de Israel, embora nem todos tenham voltado desses exílios. E assim, essa profecia tem pleno cumprimento no futuro. Conforme Romanos 11.25–26 “25 Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem este mistério, para que não fiquem pensando que são sábios: veio um endurecimento em parte a Israel, até que tenha entrado a plenitude dos gentios. 26 E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: “O Libertador virá de Sião e afastará de Jacó as impiedades.” , Embora Deus tenha um plano para a restauração espiritual do Israel étnico, duas vezes o Novo Testamento toma essa profecia e a confronta com uma multidão ainda maior, inclusive agora samaritanos e gentios, a quem Deus estava dizendo com motivos ainda melhores: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada à que não era amada (1Pe 2.10; Rm 4.9–25; Gl 3.7,8).
A profecia, de fato, depois de se referir à era pós-exílica, chega até o presente e chama a nós, os crentes, de “Israel de Deus”, sendo judeus ou gentios. Assim o Novo Testamento esclarece que a sua consumação foi a alegria que levou Jesus à cruz, “[…] para morrer […] não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (João 11.51–52 “51 Ora, Caifás não disse isto por conta própria, mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação. 52 E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos.” ).
Em quarto lugar, a restauração implica o triunfo da misericórdia sobre a ira (1.11; 2.1). “Os filhos de Judá e os filhos de Israel se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra; porque grande será o dia de Jezreel. Chamai a vosso irmão: Meu-Povo, e a vossa irmã: Favor.” Jezreel não será mais lugar de massacre e juízo, mas de reunião e restauração. A Desfavorecida será chamada Favor, e o Não-Meu-Povo será chamado Meu-Povo. Deus reverte a situação. Cancela o juízo e concede misericórdia. Suspende o castigo e derrama graça.
Restauração prometida em quatro etapas:
A primeira etapa é a volta do exílio (11.10,11). A volta foi vista como reunificação e restauração dos dois reinos.
A segunda etapa acontece no nascimento de Jesus como o Messias, como cumprimento das promessas feitas a Abraão (Lc 1.55), a Davi (Lc 1.32,33) e ao povo por intermédio dos profetas (Mt 1.23; 2.6).
A terceira etapa é a formação da igreja (Rm 9.25,26; 1Pe 2.10).
A última etapa é a volta de Jesus Cristo, quando se dará a plena manifestação do amor soberano e do julgamento perfeito de Deus.
Aplicações
Aplicações
Quando lemos a promessa de Deus em Oséias sobre sermos chamados “filhos do Deus vivo”, precisamos tomar cuidado para não limitar o que Deus está fazendo. As promessas do Antigo Testamento não são estáticas nem superficiais — elas se desenvolvem ao longo da história, como uma flor que vai desabrochando até atingir sua plena beleza. Tentar encaixá-las apenas em um cumprimento imediato ou local pode empobrecer aquilo que Deus está revelando de forma progressiva.
Diante disso, há um chamado muito claro para nós, especialmente em tempos difíceis. Quando tudo parece instável, quando há confusão espiritual e pressão ao nosso redor, duas coisas se tornam urgentes. Primeiro, é necessário alertar com seriedade sobre o perigo do afastamento de Deus e chamar ao arrependimento pessoal. Não dá para tratar o pecado com leveza em tempos críticos.
Mas, ao mesmo tempo, há um segundo aspecto igualmente importante: cuidar dos que já são de Deus, mas estão cansados, confusos ou desanimados. Nem todos estão em rebeldia — muitos estão lutando para permanecer firmes. Esses precisam de encorajamento, direção e esperança.
Por isso, o alerta de Jesus continua atual: cuidado para não ser enganado. Nem tudo que parece certo realmente é. Em meio ao caos, permanecer fiel nas pequenas responsabilidades do dia a dia já é, por si só, uma grande bênção.
E há algo que sustenta tudo isso: a esperança no próprio Cristo. A história não está fora de controle. Há um fim glorioso preparado. Cristo voltará, e todas as coisas serão colocadas em ordem. Aquilo que hoje parece confuso e sem solução será plenamente resolvido.
Então, viva com urgência, mas também com esperança. Arrependa-se com sinceridade, permaneça com fidelidade e caminhe com confiança — porque você não pertence a um deus qualquer, mas ao Deus vivo, que te chamou para ser filho.
SDG
