AGUARDANDO O TEMPO CERTO

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão ensina que, embora possamos ter boas intenções e planos fundamentados na vontade de Deus, isso não significa que devam ser realizados imediatamente ou necessariamente se cumprirão, pois o tempo e a decisão final pertencem a Deus. A partir do exemplo do apóstolo Paulo em Romanos 15.22-29, mostra-se que planos podem ser impedidos por outras responsabilidades, desejados sem garantia de realização, adiados por causas maiores e ainda assim cuidadosamente planejados, sempre subordinados à vontade divina. A mensagem central é que o cristão deve alinhar seus planos à Bíblia, mas também cultivar humildade, paciência e discernimento para aceitar quando Deus impede, adia ou até não permite sua realização, reconhecendo que o tempo certo é o tempo de Deus.

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AGUARDANDO O TEMPO CERTO

Introdução:
Quando temos boas intenções e bons planos, que são bíblicos, que são a vontade de Deus, a nossa vontade é de rapidamente colocá-los em prática. Pensamos que, por serem a vontade de Deus, eles devem e irão acontecer logo. Buscamos realizá-los logo porque entendemos ser a vontade de Deus. Mas precisamos entender que isso não significa a certeza da realização, nem significa que o nosso tempo é o tempo certo de Deus. Podemos fazer bons planos, mas precisamos entender o tempo certo para serem realizados ou não. Ter boas intenções e bons planos bíblicos não quer dizer ação imediata. Boas intenções e planos, mesmo sendo bíblicos, precisam se submeter ao tempo e à vontade de Deus.
Lição: Nossas boas intenções e planos podem aguardar o tempo certo para serem realizados.
Texto: Romanos 15.22-29.
Quero destacar quatro verdades sobre as boas intenções e planos:
As boas intenções e planos podem ser impedidos (22).
Paulo está chegando ao final da sua carta. Sua conclusão vai do capítulo 15, versículo 14, até o capítulo 16, versículo 27. Nesse trecho, vemos o fechamento da carta, pedidos de oração e saudações finais. Ele já apresentou o que é o Evangelho (Romanos 1-8), revelou os planos futuros de Deus para Israel (Romanos 9-11) e trouxe exortações práticas gerais (Romanos 12-13) e específicas (Romanos 14.1-15.13). Agora, antes de concluir a carta, ele apresenta sua missão aos gentios e os seus planos futuros de pregar o evangelho na Espanha (Romanos 15.14-33).
Paulo tem uma intenção e um plano específico: visitar os irmãos de Roma e pregar o evangelho na Espanha. A intenção dele, em Romanos 15.14-29, é buscar a ajuda dos irmãos de Roma para que eles o enviem até a Espanha.
Por isso, ele começa apresentando sua autoridade e a graça que recebeu de Deus para ser apóstolo entre os gentios (Romanos 15.14-21). Essa graça não foi em vão, pois ele pregou o evangelho desde Jerusalém e por todos os lugares até o Ilírico.
Em Romanos 15.22-29, Paulo apresenta o seu plano futuro. Sem campo para trabalho, ele tem a intenção e o plano de pregar o evangelho na Espanha e precisa da ajuda deles. Aqui, ele pede indiretamente a ajuda deles. Isso significa que eles custeariam as despesas da sua viagem.
A intenção e o plano de Paulo são ótimos: pregar o evangelho em um lugar isolado, a Espanha, e, de passagem, visitar os irmãos em Roma. Mas isso não significa que serão realizados; eles podem ser impedidos. E foi justamente isso que aconteceu com Paulo.
Verso 22: “Essa foi a razão por que também, muitas vezes, me senti impedido de visitar-vos.” A razão que o impediu de visitá-los foi estar focado em cumprir o seu trabalho missionário no Mediterrâneo oriental (vv. 17-19). Foram as necessidades do ministério nessas regiões que o impediram de ir até Roma. Isso explica Romanos 1.13.
Provavelmente, Paulo já tinha a intenção de pregar o evangelho na Espanha e, na viagem para lá, passar por Roma. Porém, ele não queria ir sem concluir o seu campo missionário. O que impediu Paulo de realizar a sua boa intenção e plano foi a necessidade de finalizar esse campo. Paulo tinha um campo de trabalho, e só iria para a Espanha quando o concluísse. Isso nos ensina que nem sempre é o Diabo que nos impede de realizar nossas boas intenções e planos.
As boas intenções e planos podem ser desejados (23-24).
Paulo expressa aqui o seu desejo de ir a Roma e à Espanha. No verso 22, ele justificou o porquê de ainda não ter ido: ele precisava terminar o seu trabalho missionário nos campos do Mediterrâneo oriental. “Mas, agora”, versículo 23, “não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos”. Ou seja, não tendo mais campo para trabalhar. Ele deixa claro aqui que está “desejando há muito visitar-vos”. Há muito tempo ele deseja visitá-los.
Paulo não fundou nem conhecia aquela igreja pessoalmente, mas desejava muito conhecê-la. Esse desejo de Paulo já havia sido declarado por ele no início da carta (Romanos 1.10-12).
Ele vê a oportunidade de isso acontecer na sua viagem à Espanha (v. 24): “penso em fazê-lo quando estiver em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco da vossa companhia.” Naquela época, a Espanha cobria o território que hoje corresponde à atual Espanha e Portugal. Ela fazia parte do Império Romano. Para alguns geógrafos, como Estrabão, ela era os confins da terra.
Passagens como Salmo 22.27; 48.10; 65.5, 8; 67.7; 98.3; Isaías 52.10 descrevem os confins da terra convertendo-se, temendo e louvando ao Senhor, esperando n’Ele e recebendo a Sua salvação. Paulo tinha tudo isso em mente quando desejou pregar o evangelho na Espanha. Em Isaías 49.1-7, o Servo do Senhor, que é Jesus, tem a missão de salvar Israel e também os gentios até à extremidade da terra (os confins da terra). Como servo de Cristo, Paulo assume a missão de levar a salvação aos gentios (Atos 13.47). O desejo de Paulo de pregar o evangelho na Espanha está fundamentado nisso. Nós também somos servos de Cristo e também devemos assumir essa missão.
Isso nos lembra a ordem do Senhor Jesus Cristo aos discípulos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8)
A intenção e o plano de Paulo tinham fundamento bíblico.
Esse era o plano de Paulo, e ele desejava muito cumpri-lo. Nesse desejo de visitar os irmãos em Roma e pregar o evangelho na Espanha, Paulo une o útil ao agradável: ele planeja ir à Espanha passando por Roma. Não era comum que pessoas honradas fizessem pedidos diretos; ele o faz indiretamente. Indiretamente, ele pede a ajuda deles em sua viagem à Espanha; e, nessa passagem, ele espera desfrutar um pouco da companhia deles.
Paulo não sabe, com certeza, se vai - até porque sabe que depende da vontade de Deus (Romanos 1.10) -, mas deseja muito ir. Desejar cumprir boas intenções e planos não é errado; errado é querer cumpri-los a todo custo.
As boas intenções e planos podem ser adiados (25-27).
Paulo justificou o porque ainda não foi (v. 22) e planejou sua ida (vv. 23-24). Agora, nos versículos 25 a 27, ele apresenta um adiamento temporário dessa ida: “Mas, agora, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, e mesmo lhes são devedores; porque, se os gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais.”
No verso 25, temos a razão do adiamento: Paulo está de viagem para Jerusalém, a serviço dos santos.
No verso 26, temos a razão da viagem: Paulo ia levar uma oferta das igrejas da Macedônia e Acaia aos irmãos pobres de Jerusalém.
No verso 27, temos a razão da oferta: Os cristãos gentios se sentem devedores aos cristãos judeus.
Os cristãos de Jerusalém estavam passando necessidade; e os cristãos da Macedônia e Acaia decidiram, de livre e espontânea vontade, ajudá-los. Eles tinham prazer em fazer isso, pois sentiam-se devedores aos irmãos de Jerusalém pela bênção espiritual da salvação que receberam. Essa “coleta em benefício dos pobres dentre os santos” foi foco central da sua terceira viagem missionária; e cada carta escrita por ele na viagem menciona isso (1Coríntios 16.1-3; 2Coríntios 8-9). Lucas registra algumas coisas dessa viagem (Atos 19.21; 20.16, 22; 24.17).
“Coleta” aqui significa comunhão, contribuição, participação. A oferta deles era uma demonstração de comunhão com os irmãos pobres nos momentos difíceis da vida.
Paulo vê essa viagem para levar essa contribuição como serviço aos santos.
Os planos de Paulo são bons: visitar os irmãos em Roma e evangelizar a Espanha; mas Paulo entende que eles podem ser adiados. Eles podem ser adiados por uma causa maior e, naquele momento, era a necessidade dos santos. Esse era o melhor plano a ser realizado naquele momento. Isso nos ensina que bons planos podem ser adiados por uma causa maior. Precisamos ser sensíveis à necessidade do momento e discernir qual delas podemos suprir ou adiar.
As boas intenções e planos podem ser planejados (28-29).
Vimos um pouco disso nos versículos 23 e 24. Agora, nos versículos 28 e 29, veremos isso mais claramente: “Tendo, pois, concluído isto e havendo-lhes consignado este fruto, passando por vós, irei à Espanha. E bem sei que, ao visitar-vos, irei na plenitude da bênção de Cristo.” Aqui está claro o planejamento: ele iria concluir a viagem para Jerusalém e entregaria, com segurança, a oferta (“fruto”). Ou seja, quando fosse para Jerusalém e entregasse, com segurança, a oferta dos irmãos gentios, então iria para a Espanha, passando por Roma. Paulo tinha um plano, tinha uma boa intenção, mas só iria colocá-lo em prática quando concluísse a sua viagem para Jerusalém, quando entregasse a contribuição dos irmãos gentios nas mãos dos irmãos pobres de Jerusalém.
E Paulo tem convicção de que, ao concluir tudo isso, irá visitar os irmãos em Roma cheio da graça de Cristo: “E bem sei que, ao visitar-vos, irei na plenitude da bênção de Cristo.” Provavelmente, Paulo está falando da plenitude da graça que Cristo lhe deu, que promoverá o crescimento daqueles irmãos. Ele tinha certeza de que a bênção de Cristo em sua vida o conduziria até Roma e edificaria aqueles irmãos.
Não é errado desejar um bom plano; não é errado planejá-lo; não é errado ter convicção de que Deus o abençoará; mas é errado quando não aceitamos o seu impedimento, o seu adiamento ou, até mesmo, o seu não cumprimento. O errado é ir contra a vontade de Deus.
Não sabemos se Paulo chegou à Espanha; sabemos que chegou a Roma (Atos 28.16-31). Paulo tinha boas intenções e bons planos, mas ele sabia que eles tinham que aguardar o tempo certo para serem realizados. E ele sabe muito bem que o tempo certo para a realização, ou não, vem da vontade de Deus (Romanos 1.10; cf. Atos 20.16).
Não podemos pensar que, por ser boa a intenção ou bom o plano, Deus tem que realizar ou vai realizar. A palavra final não é a nossa, é a de Deus. Abra Lamentações 3.37 (NVI: “Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado?”).
Precisamos reconhecer que somos apenas instrumentos nas mãos de Deus e que é Ele quem tem a palavra final. Você tem bons planos ou boas intenções? Você pode desejá-los e até planejá-los, mas saiba de uma coisa: eles podem ser impedidos, ou adiados ou não realizados, porque a palavra final pertence a Deus.
Seus planos e intenções têm fundamento bíblico? Se não, não são bons. As boas intenções e os bons planos devem ser fundamentados na Bíblia, devem ser para realizar a vontade de Deus e devem ser para a glória d’Ele. Nossas intenções e planos terrenos não têm fundamento bíblico; são apenas para satisfazer nossa vontade e para nossa própria glória.
Conclusão:
Quando planejamos coisas boas, coisas bíblicas, coisas que são a vontade de Deus, temos em mente que elas têm que ser realizadas de qualquer jeito, rapidamente, a todo custo, por serem bíblicas e por serem a vontade de Deus. Não é assim que a banda toca. Pense comigo: é a vontade de Deus que preguemos o evangelho no Afeganistão? Sim! Mas isso está ao nosso alcance? Não! Então, podemos ter a boa intenção de ir evangelizar lá, mas essa pode não ser a vontade de Deus para a nossa vida. Veja um exemplo bíblico disso: Atos 16.6-7.
Não adianta insistirmos, não adianta tentarmos, não adianta pedirmos, não adianta buscarmos, não adianta orarmos; se não for o plano de Deus, não acontecerá. O nosso bom plano deve estar alinhado ao plano de Deus. Podemos ter o melhor plano, podemos ter a melhor das intenções, podemos desejá-los intensamente, podemos planejá-los constantemente; se não for a vontade de Deus, não acontecerá.
Para não ficarmos tristes ou desanimados por não ver acontecer nossa boa intenção ou nosso bom plano, precisamos analisar a circunstância, a situação e o momento. Se há algo impedindo ou adiando nosso plano, precisamos nos conformar com isso. É a mão de Deus dizendo que não é a hora ou que não vai acontecer.
Nós podemos desejar os planos e planejá-los, mas sempre devemos ter em mente: a palavra final é a de Deus. Tenhamos boas intenções e bons planos que sejam bíblicos e que estejam de acordo com a vontade de Deus, mas tenhamos em mente que eles podem, e devem, aguardar o tempo certo - o tempo de Deus - para serem realizados ou não.
22 Por essa razão, também fui impedido, muitas vezes, de ir até vós. 23 Mas, agora, não tendo mais campo de trabalho nessas regiões e tendo, há muitos anos, o desejo de ir até vós, 24 espero fazer isso quando for para a Espanha, pois, de passagem, visitarei a vós e espero ser enviado por vós para lá, quando primeiro houver desfrutado um pouco da vossa companhia.
25 Mas, agora, estou de viagem para Jerusalém a serviço dos santos, 26 porque a Macedônia e a Acaia decidiram fazer uma contribuição para os pobres entre os santos que vivem em Jerusalém. 27 E eles decidiram isso porque lhes são devedores, pois, se os gentios são participantes das coisas espirituais dos judeus, devem também servi-los em coisas materiais.
28 Assim, tendo feito isso e entregado a eles, com segurança, esse fruto, irei por vós à Espanha. 29 E sei que, indo a vós, irei na plenitude da bênção de Cristo.
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