Da Contaminação a Purificação
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CAPITULO 8
1° Parte – Da Contaminação a Purificação
Um Carneiro e um Bode
Hino: Pra quem nada tem – Ana Beatriz
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INTRODUÇÃO
Vamos lembrar o que estudamos? Tivemos a primeira profecia do livro de Daniel no capítulo 2, como aprendemos essa é uma profecia base, onde a cabeça de ouro representa Babilônia, braços e peito de prata são os Medo e Persas, o quadril de bronze representa a Grécia, as pernas de ferro Roma imperial e papal e por fim os pés em parte de barro e ferro representa a Europa, o nosso mundo na atualidade.
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Já em Daniel 7 temos a segunda visão do profeta onde ele vê os mesmos reinos, mas com símbolos diferentes, neste capítulo já nos é dado muito mais detalhes sobre esses reinos, e especialmente o último Roma em suas duas fases, imperial e papal é dado muitos detalhes, inclusive ao mencionar o chifre pequeno que fala blasfêmia e faz guerra contra o povo de Deus.
Então assim como os símbolos de Daniel 2 e 7 fazem um paralelo dos mesmos reinos, Daniel 7 e 8 tem também seus paralelos, enquanto Daniel 7 mostra o tribunal celestial e o Filho do Homem recebendo o reino, Daniel 8 apresenta a purificação do santuário celestial. Portanto, como os paralelos entre esses dois capítulos indicam, a purificação do santuário celestial retratada em Daniel 8 corresponde à cena do juízo de Daniel 7.
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I – UM CARNEIRO E UM BODE
Uma coisa muito importante que precisamos ter em nossa mente ao estudar o livro de Daniel é que a palavra de Deus é uma verdade que se amplia, como diz Salomão em Provérbios 4:18: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.”
O capitulo 8 também apresenta uma visão da ascensão e queda dos impérios mundiais, embora com um simbolismo diferente. Esse simbolismo está diretamente relacionado ao santuário de Deus. A visão relatada em Daniel 8 foi concedida ao profeta em 548-547 a.C., mais ou menos dois anos após a visão de Daniel 7, essas visões apresentam alguns esclarecimentos significativos sobre o juízo referido em Daniel 7. Diferentemente das visões de Daniel 2 e 7, a visão de Daniel 8 deixa de fora Babilônia e começa com a Média-Pérsia, pois naquele momento o Império Babilônico estava em declínio, e os persas estavam prestes a substituí-lo como a próxima potência mundial. A linguagem e os símbolos mudam em Daniel 8 porque essa visão focaliza de maneira precisa a purificação do santuário celestial em conexão com o Dia da Expiação celestial. Portanto, a contribuição distintiva de Daniel 8 está em seu foco nos aspectos do santuário celestial.
Carneiros e bodes eram usados como ofertas sacrificais no serviço do santuário. Contudo, somente no Dia da Expiação os dois são mencionados juntos. Por isso, esses dois animais foram escolhidos intencionalmente para lembrar o Dia da Expiação, que é o foco principal da visão.
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Enquanto a visão se desenrolava, Daniel viu um carneiro dando cabeçadas em três direções diferentes: para o ocidente, para o norte e para o sul (Dn 8:4). Esse movimento tríplice indica a expansão desse poder. Aqui aponta literalmente para as três maiores conquistas dessa potência mundial. Lídia (547 a.C.), Babilônia (539 a. C.) e Egito (526 a.C.). O fato do carneiro ter um chifre maior que o outro é a mesma razão que o urso se levanta de um lado, isso mostra que os persas seriam mais poderosos que os medos, e realmente foi assim, Ciro que governou depois de Dario foi muito mais poderoso que ele.
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A Bíblia é sua própria interprete, ela se explica, e conforme explicado pelo anjo, o carneiro com dois chifres representa o Império Medo-Persa.
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Note aqui também, o paralelismo entre o bode do capítulo 8 e o leopardo do capítulo 7. Ambos surgiram após a Média-Pérsia. O leopardo tinha, nas costas, quatro asas de pássaro (7:6), enquanto o bode "voava" pela face da terra sem tocar o chão (8:5). Além disso, o leopardo tinha quatro cabeças (7:6), enquanto no bode surgiram quatro chifres depois que o grande chifre foi quebrado (8:8).
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Esse bode representa o Império Grego, sob o comando de Alexandre, o Grande (Dn 8:21). Os gregos travaram três grandes batalhas contra o império Medo-Persa, a primeira foi a batalha de Grânico no ano 334 a.C., depois em Isco no ano 333 a. C. e enfim Alexandre o Grande venceu Dario III na batalha de Gaugamela no ano 331 a.C.
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Como a profecia indica, quando o bode se engrandeceu sobremaneira, “o seu grande chifre foi quebrado” (Dn 8:8) e deu lugar a quatro chifres, que se estendiam aos quatro quadrantes da bússola. Isso se cumpriu por ocasião da morte de Alexandre em Babilônia, em junho de 323 a.C., com a idade de trinta e três anos, tendo seu reino sido dividido entre seus quatro generais.
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Depois de descrever quatro chifres se espalhando aos quatro ventos do Céu, o texto bíblico declara que, de um deles, surgiu um chifre pequeno. A questão aqui é se esse chifre/poder veio de um dos quatro chifres, que representam os quatro generais de Alexandre, ou de um dos quatro ventos. A estrutura gramatical do texto na língua original indica que esse chifre vem de um dos quatro ventos do Céu. E visto que esse poder surge após o Império Grego e suas quatro ramificações, um entendimento comum é que esse chifre seja Roma, pagã e depois papal.
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De acordo com o texto bíblico, o chifre pequeno primeiramente realizou um movimento horizontal “e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa” (Dn 8:9). Essas três direções correspondem às três principais áreas de domínio de Roma pagã.
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II – ANALISANDO OS CHIFRES
À medida que o chifre pequeno se torna o principal protagonista da visão, sua expansão vertical recebe atenção detalhada. Nesse sentido, o chifre corresponde precisamente ao chifre pequeno de Daniel 7, como mostra a seguinte comparação.
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Por fim, visto que o chifre pequeno de Daniel 7 representa o papado, a expansão vertical do chifre pequeno em Daniel 8 deve representar o mesmo poder.
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A e B – Os termos “exército” e “estrelas” não se refere a um ataque literal aos corpos celestes, mas uma perseguição ao povo de Deus, cuja “pátria está nos Céus” (Fp 3:20). Israel é chamado de hostes/exércitos do Senhor (Êx 12:41). Daniel descreveu o povo fiel de Deus resplandecendo como as estrelas (Dn 12:3).
Embora milhares de cristãos tenham sido mortos por imperadores pagãos, o foco agora está nas ações verticais do chifre pequeno. Portanto, o cumprimento supremo dessa profecia deve estar ligado à Roma papal e à sua perseguição através dos séculos.
C – Além disso, Daniel 8:11 fala sobre um “Príncipe”, mencionado em outras porções de Daniel como “Messias, o Príncipe” (Dn 9:25), “Miguel, vosso Príncipe” (Dn 10:21) e “Miguel, o grande Príncipe” (Dn 12:1). Ninguém, a não ser Jesus Cristo, poderia ser o referente dessa expressão. Jesus Cristo é o Príncipe do “exército” mencionado acima e o nosso Sumo Sacerdote no Céu. Portanto, o papado e o sistema religioso que ele representa ofuscam e tentam substituir a função sacerdotal de Jesus.
D – Em Daniel 8:11, o “sacrifício diário” aparece em conexão com o santuário terrestre a fim de designar os aspectos diversos e contínuos dos serviços rituais – incluindo os sacrifícios e a intercessão. É mediante esses serviços que os pecadores são perdoados, e o problema dos pecados é resolvido no tabernáculo. Esse sistema terrestre representa o ministério de intercessão de Cristo no santuário celestial. Portanto, como a profecia prediz, o papado troca a intercessão de Cristo pela intercessão dos sacerdotes. Por meio dessa adoração falsificada, o chifre pequeno tira o ministério de intercessão de Cristo e simbolicamente derruba o lugar de Seu santuário.
E – “Deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou” (Dn 8:12). Jesus declarou que Ele é a verdade (Jo 14:6) e que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17:17). Em contrapartida, o papado proibiu a tradução da Bíblia para o idioma do povo, colocou a interpretação das Escrituras sob a autoridade da igreja e a tradição ao lado da Bíblia como regra de fé.
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III – OFERTAS AO SENHOR
Oferta pelo povo ou sacrifício contínuo – Era oferecido continuamente e representava de forma especial o sacrifício de Jesus na cruz. Esse sacrifício não era providenciado por qualquer pessoa, mas era oferecido em favor do povo como um todo. Não era um sacrifício que o pecador oferece a Deus, mas sim um sacrifício que Deus oferece em favor do seu povo. Isso beneficiava especialmente os pobres, que não possuíam animais para o sacrifício, e os israelitas que porventura estivesse distante do santuário, como no caso de Daniel que fazia suas orações com rosto voltado para o santuário.
Oferta pelo pecado – Quando um israelita cometesse um pecado deveria levar um animal até o santuário. Havia um animal para cada tipo de pecado, o animal mais comum era o Cordeiro. O pecador impunha a mão sobre a cabeça do animal confessava o seu pecado e em seguida matava o pequeno animalzinho inocente, o sacerdote tomava o sangue da oferta e o levava para dentro do primeiro compartimento do santuário chamado lugar santo, em alguns casos o sangue da oferta era aspergido na cortina que separava o compartimento Santo do Santíssimo, o sacerdote ainda colocava esse sangue sobre o chifre do altar do incenso. Essa era a principal forma de transferência de pecado para dentro do santuário, através do sangue através ou da carne da oferta que o sacerdote comia antes de entrar no santuário, assim o santuário recebi os pecados diário de cada pecador, e dessa forma era contaminado e precisava passar por uma purificação.
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O sumo representa Jesus, o cordeiro representa Jesus, o candelabro representa Jesus a Luz do mundo, a mesa de pães representa Jesus o pão da Vida, o altar representa Jesus a quem devemos dirigir nossas orações e a arca da aliança representa Jesus que é Deus.
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No mês de tisherei que equivale a setembro e outubro ocorria o dia da expiação.
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Durante todo o ano o santuário era contaminado através dos pecados que eram simbolicamente transferidos para ele através do sangue dos sacrifícios. Assim o pecado era perdoado, o pecador considerado limpo, mas seus registros ficaram gravados no santuário e o contaminavam por isso se fazia necessário uma purificação.
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A questão é: como Roma “tira” o sacerdócio do Príncipe? Mais uma vez o texto hebraico oferece detalhes importantes: a palavra traduzida como “tirado” (rum) também é usada no livro de Levítico para descrever atividades relacionadas aos sacrifícios oferecidos no santuário (Lv 2:9; 4:8, 10, 19; 6:10, 15), podendo indicar aqui que a ação realizada pelo chifre romano contra o Príncipe consistiu em retirar Seu sacerdócio pela implantação de outro sistema sacerdotal em seu lugar. Ao estudarmos a história do cristianismo ocidental, podemos constatar que todo o ritual litúrgico romano, o conceito da missa realizada pelos padres como uma repetição semanal do sacrifício de Jesus, o papa como um sacerdote que tem um cargo vitalício, os líderes religiosos vistos como sacerdotes intermediários entre os homens e Deus (tendo inclusive o poder de perdoar pecados!), a intercessão dos santos em favor dos pecadores penitentes e a própria instituição da Igreja como mediadora entre a humanidade e Deus, contribuíram para anular, na teologia e na prática, a centralidade do sacerdócio de Jesus e Sua função como único Mediador entre Deus e o homem, fazendo com que mesmo a ideia da existência de um santuário no Céu ficasse completamente esquecida pelos cristãos, apesar de ser recorrentemente explícita na Bíblia (Êx 25:8, 9; Hb 8:1, 2; Ap 11:19).
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CONCLUSÃO
A Bíblia é clara ao afirmar a total singularidade de Jesus como nosso Sacerdote e não permite a existência de qualquer outro poder intermediário entre Deus e a humanidade. Qualquer um que se apresentar dessa forma, independentemente da fé que professe, comete o sacrilégio da “transgressão assoladora” (Dn 8:13). Somente Jesus é Deus e Homem ao mesmo tempo em sua natureza (1Tm 2:5), somente Ele pode unir as duas partes separadas pelo pecado em uma única natureza indivisível para sempre! A liberdade cristã existe no fato de termos a certeza de que nenhum ser humano, por mais carismático e espiritual que aparente ser, nenhuma instituição, religião ou denominação, tem a autoridade para se oferecer como um meio para nos aproximarmos de Deus. Qualquer ser humano com sua fé depositada no Filho de Deus pode ter a certeza de ter livre acesso a Deus pelo pleno exercício intercessor do sacerdócio de Jesus.
APELO
Em nossas lutas diárias contra o pecado e o sofrimento não estamos sozinhos. Temos um Sumo Sacerdote no santuário celestial realizando um ministério especial em nosso favor. Podemos desfrutar da manifestação da graça de Deus e compartilhar nossa confiança com os que nos rodeiam. A mensagem do santuário não apenas nos mostra que somos perdoados, mas também aponta para a erradicação final do pecado.
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Leia Daniel 8:1-14 várias vezes, até conseguir visualizar esta sequência de eventos: carneiro, bode, chifre pequeno, santuário purificado. Isto precisa ficar bem claro.
Esse será o tema do nosso próximo estudo.
