NÃO MATE
O SERMÃO DO MONTE • Sermon • Submitted • Presented
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LEITURA DO TEXTO
LEITURA DO TEXTO
— Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: “Não mate.” E ainda: “Quem matar estará sujeito a julgamento.” Eu, porém, lhes digo que todo aquele que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem insultar o seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem o chamar de tolo estará sujeito ao inferno de fogo. Portanto, se você estiver trazendo a sua oferta ao altar e lá se lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe diante do altar a sua oferta e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; e então volte e faça a sua oferta.
— Entre em acordo sem demora com o seu adversário, enquanto você está com ele a caminho, para que o adversário não entregue você ao juiz, o juiz entregue você ao oficial de justiça, e você seja jogado na prisão. Em verdade lhe digo que você não sairá dali enquanto não pagar o último centavo.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Você não pode colher figo da macieira, assim como não pode colher banana da figueira. Todo fruto é mero resultado da produção de uma raiz. A semente é plantada, cria uma raiz; se a semente é de figo, a raiz vai estabelecer uma figueira, mas se a semente é de maçã, não espere colher uva. Jesus está falando da Lei de Moisés e mostrando que ele não é contra nada do que está escrito na Torah, nem mesmo esse que é o sexto mandamento. Vamos ler os Dez Mandamentos:
Então Deus falou todas estas palavras:
— Eu sou o Senhor, seu Deus, que o tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
— Não tenha outros deuses diante de mim.
— Não faça para você imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não adore essas coisas, nem preste culto a elas, porque eu, o Senhor, seu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
— Não tome o nome do Senhor, seu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
— Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. Durante seis dias você pode trabalhar e fazer toda a sua obra, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.
— Honre o seu pai e a sua mãe, para que você tenha uma longa vida na terra que o Senhor, seu Deus, lhe dá.
— Não mate.
— Não cometa adultério.
— Não furte.
— Não dê falso testemunho contra o seu próximo.
— Não cobice a casa do seu próximo. Não cobice a mulher do seu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo.
Jesus cumpriu toda a Lei de Moisés, incluindo este Decálogo. E agora, em sua interpretação correta da Lei, ele vai tratar não apenas da letra fria da Lei (a superfície), mas o espírito da Lei (profundidade). Para Jesus, o assassinato físico é um fruto, mas a ira vingativa e o ódio desprezível ou abjeto são a raiz deste pecado grave que ofende a santidade de Deus.
Deus está irado com assassinos, e isso inclui gente que insiste em manter no coração raiva de seu irmão.
Vamos expor agora os versículos e compreender um pouco mais esse ensino tão confrontador do glorioso Pregador do Sermão do Monte, Jesus de Nazaré, maior que todo e qualquer escriba e fariseu de seu tempo e todo sábio, teólogo, pastor, líder religioso ou pessoa com algum reconhecimento de caráter e moral em toda a história da humanidade.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
Mateus 5.21–22 “— Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: “Não mate.” E ainda: “Quem matar estará sujeito a julgamento.” Eu, porém, lhes digo que todo aquele que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem insultar o seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem o chamar de tolo estará sujeito ao inferno de fogo.”
Temos três pontos a tratar aqui.
1- Nossa tradução NAA é mais fiel ao texto original do que outras traduções. Algumas trazem o texto incluindo a expressão “sem motivo” (quem se irar contra seu irmão sem motivo será sujeito a julgamento).
2- Jesus possuía um estilo de pregação muitas vezes direto e confrontador. Veja o que ele disse em Lucas 14.26
— Se alguém vem a mim e não me ama mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua mulher, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
O verbo aqui para “não me ama” é uma palavra grega traduzida por “odiar”. O que ele quis dizer às multidões aqui é que o amor e a lealdade devem ser dados a ele acima de tudo e de todos. Se você quer seguir Jesus, terá que ser mais submisso a Ele do que aos seus próprios pais. O amor que Jesus quer receber dos seus discípulos é o amor supremo, é uma estima acompanhada de devoção e obediência absoluta. Ele quer ser em seu coração mais do que o seu pai e sua mãe podem ser; ele quer ser o seu Deus.
Mateus 10.37 “— Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não é digno de mim;”
Porém, ele defendeu claramente o quinto mandamento que é honrar pai e mãe. Ele cita a Lei num argumento Marcos 7.10.
O que estou querendo dizer é que Jesus relaciona ira ao assassinato. Toda ira que tem fundamento o próprio ego, ou seja, tem como raiz o orgulho, é por Jesus um tipo de assassinato; logo, uma quebra do sexto mandamento.
3- D.A. Carson: “Se a ira é proibida, o desprezo também é. Raca é um insulto em aramaico. A palavra significa “vazio” e talvez pudesse ser traduzida por “seu cabeça-oca!” ou algo semelhante. Isto é, ninguém pode dizer para outra pessoa: “Seu idiota!”.
As pessoas que têm ações e atitudes desse tipo são sujeitas a julgamento, ao Sinédrio, à Geena. O Sinédrio era a suprema corte judaica. Geena é a transliteração grega de duas palavras semíticas que significam “vale do Hinom”, uma ravina no sul de Jerusalém onde era jogado e queimado o lixo e que, consequentemente, passou a ser um eufemismo para “o fogo do inferno”.
Não se trata de uma gradação de locais de julgamento. Na teocracia do Antigo Testamento, o próprio Deus dava respaldo ao sistema jurídico do Estado. O julgamento, embora civil, também era divino. Aqui, Jesus percorre o sistema judicial até a punição máxima para deixar claro que o julgamento a ser temido é de fato divino, pois se baseia na avaliação que Deus faz do coração e pode levar ao fogo do inferno.
Então, Jesus está dizendo o seguinte: quando a Lei de Moisés diz que não devemos assassinar pessoas, isso deve incluir a ira difamatória do ser humano. Jesus, por sua própria autoridade, insiste em que o julgamento que se pensava estar reservado apenas para alguém que comete um assassinato na realidade paira sobre os irascíveis, os maldosos e os espezinhadores. Portanto, existe alguém que permaneça sem condenação?
E A IRA DE JESUS NO TEMPLO?
É verdade. Jesus de fato ficou muito contrariado com o comércio praticado nas dependências do templo.
Estando próxima a Páscoa dos judeus, Jesus foi para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do templo, com as ovelhas e os bois. Derramou o dinheiro dos cambistas pelo chão, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas:
— Tirem estas coisas daqui! Não façam da casa de meu Pai uma casa de negócio!
Os seus discípulos se lembraram que está escrito: “O zelo da tua casa me consumirá.”
Então os judeus lhe perguntaram:
— Que sinal você nos mostra para fazer essas coisas?
Jesus lhes respondeu:
— Destruam este santuário, e em três dias eu o levantarei.
Os judeus responderam:
— Este santuário foi edificado em quarenta e seis anos, e você quer levantá-lo em três dias?
Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, os discípulos dele se lembraram que ele tinha dito isso e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
Em Marcos 3, Jesus fica irado contra aqueles que, por razões legalistas e hipócritas, tentavam encontrar algo errado nas curas que ele realizou no sábado.
De novo, Jesus entrou na sinagoga. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o acusarem. Jesus disse ao homem da mão ressequida:
— Venha aqui para o meio!
Então lhes perguntou:
— É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?
Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus, olhando em volta, indignado e entristecido com a dureza de coração daquelas pessoas, disse ao homem:
— Estenda a mão.
O homem estendeu a mão, e ela lhe foi restaurada. Os fariseus saíram dali e, com os herodianos, logo começaram a conspirar contra Jesus, procurando ver como o matariam.
E em outro momento, ao se dirigir aos escribas e fariseus, Jesus disse em Mateus 23.17 “Seus tolos e cegos! Qual é mais importante: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?”. Será que Jesus é culpado de grave incoerência?
Definitivamente existe um lugar para arder de raiva contra o pecado e a injustiça. Nosso problema é que nós ardemos de indignação e ira não contra o pecado e a injustiça, mas contra o que nos ofende pessoalmente. Em nenhum dos casos em que Jesus se irou vemos seu ego envolvido na questão.
1Pedro 2.23 “Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente,”
E ainda na cruz, com seus lábios ressecados e seu rosto desfigurado, suas palavras foram bondosas em Lucas 23.34 “Mas Jesus dizia: — Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes.”
Quando o pecado foi contra Ele, Ele não agiu debaixo do domínio da ira. Quando a injustiça lhe atingiu o ego, ele manifestou a bem-aventurança da misericórdia.
O pecado e a injustiça no mundo e na igreja de Deus deveria nos despertar ira santa, enquanto vigiamos o nosso próprio coração de não ardermos em ria para defendermos a nós mesmos mediante as injustiças e o pecados que outros praticam contra nós. Sofra a injustiça que fere o seu ego, mas fique irado com a glória de Deus é aviltada pelo pecado dos homens!
Mateus 5.23–24 “Portanto, se você estiver trazendo a sua oferta ao altar e lá se lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe diante do altar a sua oferta e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; e então volte e faça a sua oferta.”
Para reforçar seu argumento de que a ira originada nas relações pessoais deve ser evitada, Jesus vai usar dois exemplos e o primeiro é o da pessoa que vai cumprir seus deveres religiosos.
Jesus insiste que é muito mais importante essa pessoa se reconciliar com seu irmão do que se privar do seu dever religioso, porque isso vai torná-lo um hipócrita uma vez que ele quer adorar a Deus enquanto seu irmão tem algo contra ele.
D.A. Carson: é mais importante ser absolvido da ofensa diante de todos os homens do que chegar no horário certo ao culto de domingo de manhã. Esqueça o culto de adoração e se reconcilie com seu irmão; só depois adore a Deus. Os homens gostam de substituir integridade, pureza e amor por cerimônias, mas Jesus não aceita nada disso.
Mateus 5.25–26 “— Entre em acordo sem demora com o seu adversário, enquanto você está com ele a caminho, para que o adversário não entregue você ao juiz, o juiz entregue você ao oficial de justiça, e você seja jogado na prisão. Em verdade lhe digo que você não sairá dali enquanto não pagar o último centavo.”
O segundo exemplo novamente usa uma metáfora jurídica. Na época de Jesus, assim como em séculos mais recentes, quem não pagasse suas dívidas podia ir para uma prisão para devedores até pagar a quantia devida. Enquanto estivesse preso, certamente não recebia nenhum dinheiro e, portanto, dificilmente conseguiria quitar a dívida e recuperar a liberdade. Porém, seus amigos e entes queridos, ansiosos por tirá-lo de lá, podia fazer imenso e sacrificial esforço para conseguir o dinheiro.
Seria levar a metáfora longe demais deduzir que Jesus está ensinando que o tribunal celeste condenará os culpados à “prisão” (inferno?) somente até que tenham quitado suas dívidas. As dívidas em questão são ofensas pessoais. Como, então, serão pagas? E como outras pessoas podem pagar essas dívidas pelo preso? O que Jesus está ressaltando, na verdade, é a urgência da reconciliação pessoal. O juízo está as portas, e a justiça será feita; portanto, afaste-se de toda maldade e ofensa contra os outros, pois até aquele “que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento (5.22). Desse modo, vemos que, nesses dois casos, é a animosidade pessoal que é condenada.
APLICAÇÕES E CONCLUSÃO
APLICAÇÕES E CONCLUSÃO
1) Examine a raiz do seu coração, não apenas o fruto das suas ações
1) Examine a raiz do seu coração, não apenas o fruto das suas ações
Jesus não está satisfeito com uma justiça externa. Ele não pergunta apenas: “você matou alguém?”, mas “o que existe no seu coração?”
Há pessoas na igreja que jamais levantariam a mão contra alguém, mas vivem alimentando ressentimento, amargura, desprezo e palavras que ferem. Aos olhos de Cristo, a raiz já está contaminada.
Aplicação pastoral:
Pergunte a si mesmo nesta noite:
há alguém contra quem meu coração está endurecido?
Existe algum nome que, ao ser mencionado, desperta em mim ira, desprezo ou desejo de vingança?
O pecado começa no interior antes de aparecer no exterior. O fruto do homicídio nasce na raiz do orgulho ferido.
O coração que guarda rancor está cultivando sementes de morte.
2) Priorize a reconciliação acima da religiosidade
2) Priorize a reconciliação acima da religiosidade
Jesus diz que, antes de entregar a oferta no altar, o discípulo deve buscar reconciliação.
Isso é profundamente confrontador para a igreja.
É possível cantar, ofertar, servir, pregar, liderar ministérios e ainda assim manter relacionamentos quebrados.
Jesus está dizendo que adoração sem reconciliação é hipocrisia espiritual.
Aplicação pastoral:
Talvez sua maior necessidade hoje não seja ouvir outro sermão, mas enviar uma mensagem, fazer uma ligação, pedir perdão ou conceder perdão.
Às vezes dizemos: “vou esperar a outra pessoa vir”.
Mas Jesus coloca sobre nós a responsabilidade de tomar a iniciativa.
Não adie a paz que Deus está mandando você buscar hoje.
3) Entregue seu ego ferido à justiça de Deus
3) Entregue seu ego ferido à justiça de Deus
Uma das partes mais fortes do seu sermão é mostrar que Jesus se indignava com o pecado, mas não reagia para defender o próprio ego.
Quando foi ofendido, ele perdoou.
Quando foi injustiçado, ele se entregou ao Pai.
Isso confronta profundamente nossa vida diária.
Muitas vezes nossa ira não é zelo pela santidade de Deus, mas defesa do nosso orgulho.
Ficamos irados porque fomos desrespeitados, contrariados ou não reconhecidos.
Aplicação pastoral:
Nem toda ofensa precisa de revide.
Nem toda injustiça contra você precisa de vingança.
Entregue sua causa ao Senhor.
O cristão não é chamado a proteger o próprio ego, mas a refletir o caráter de Cristo.
CHAMADA FINAL (conexão com o evangelho)
CHAMADA FINAL (conexão com o evangelho)
E para concluir, lembre a igreja:
Quem dentre nós pode dizer que nunca pecou em ira, desprezo ou amargura?
Todos somos culpados diante dessa palavra.
Mas aquele que nunca alimentou pecado no coração, Jesus Cristo, foi à cruz pelos iracundos, pelos orgulhosos e pelos que falharam em amar.
Na cruz, Cristo pagou a dívida que nós jamais conseguiríamos quitar.
Por isso, arrependa-se, reconcilie-se e corra para a graça.
