Que cada um viva a sua verdade

O Evangelho segundo Satanás  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Que cada um viva a sua verdade

João 8.31–47 NAA
31 Então Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: — Se vocês permanecerem na minha palavra, são verdadeiramente meus discípulos, 32 conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. 33 Eles responderam: — Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres? 34 Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhes digo que todo o que comete pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, fica para sempre. 36 Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres. 37 Bem sei que vocês são descendência de Abraão; no entanto, estão querendo me matar, porque a minha palavra não está em vocês. 38 Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vocês, porém, fazem o que ouviram do pai de vocês. 39 Então lhe disseram: — Nosso pai é Abraão. Mas Jesus respondeu: — Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras que ele fez. 40 Mas agora vocês estão querendo me matar, a mim que lhes falei a verdade que ouvi de Deus; Abraão não fez isso. 41 Vocês fazem as obras do pai de vocês. Eles responderam: — Nós não somos filhos ilegítimos. Temos um pai, que é Deus. 42 Jesus disse: — Se Deus fosse, de fato, o pai de vocês, certamente me amariam, porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. 43 Por que vocês não compreendem a minha linguagem? É porque vocês são incapazes de ouvir a minha palavra. 44 Vocês são do diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele. Ele foi assassino desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. 45 Mas, porque eu digo a verdade, vocês não creem em mim. 46 Quem de vocês me convence de pecado? Se digo a verdade, por que não creem em mim? 47 Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, vocês não me ouvem, porque não são de Deus.

Evangelho segundo satanás

Gênesis 3.1 NAA
1 Mas a serpente, mais astuta que todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: — É verdade que Deus disse: “Não comam do fruto de nenhuma árvore do jardim”?
A serpente não disse “Deus mentiu para vocês.” Não disse “ignorem o que Deus disse.” Foi muito mais sutil. Ela simplesmente perguntou: “É assim que Deus disse?”
Será que Deus realmente disse isso? Será que você ouviu direito?
Será que existe mesmo uma verdade externa a você à qual você deva se submeter?
Será que você não seria mais você mesmo se escolhesse por si?
Essa é a boa notícia de Satanás: Deus não quer que você se submeta a uma verdade opressiva, você pode viver sua verdade, sua liberdade.
A música do Calcinha preta:
"Sou assim, não vou mudar / Essa é minha verdade, o meu jeito de amar / Pense o que quiser de mim, pense o que você quiser / Se me quiser vai ser assim, não do jeito que você quer"
No Golden Globes de 2018, recebendo o prêmio de carreira, Oprah disse:
"What I know for sure is that speaking your truth is the most powerful tool we all have." ("Falar a sua verdade é a ferramenta mais poderosa que temos.")
Aniita: No Domingão com Huck, questionada sobre seus procedimentos estéticos, Anitta respondeu:
"Eu faço porque quero e pronto... As pessoas querem motivo pra falar."
A reportagem do portal que cobriu o caso resumiu o tom cultural da resposta:
"A sinceridade de Anitta fortalece a relação com seus fãs, promovendo uma mensagem de autenticidade e liberdade pessoal que inspira seguidores a valorizarem suas próprias escolhas."
A ideia central é que não existe uma verdade acima de mim à qual eu precise me submeter.
Que a minha experiência, o meu sentimento, o meu eu interior é a última palavra sobre quem eu sou, sobre o que é certo, sobre o que vale.
Ninguém tem o direito de me dizer o contrário. Nem os meus pais. Nem a igreja. Nem a tradição. Nem — e aqui está o ponto mais profundo — nem Deus.
Perceba como a pergunta da serpente permanece: “Deus realmente disse?” “Você realmente acredita que existe uma verdade externa a você à qual precisa se submeter?”
Só que agora essa pergunta não é mais um sussurro suspeito de uma criatura esquisita. É o sistema operacional da nossa cultura. É o ar que respiramos.
É obvio que existe algo de real nessa forma de pensar, como já falamos Satanás nos convence de coisas boas!
Há um desejo real que essa frase toca. O desejo de não ser manipulado. De não ter a sua experiência deslegitimada por quem tem mais poder que você.
De não ser obrigado a engolir narrativas impostas de cima para baixo.
Há um cansaço real de instituições — igrejas, partidos, governos, jornais — que ao longo da história usaram “a verdade” como instrumento de poder e controle. Esse cansaço tem razão de ser.
Satanás é astuto. Mas o antídoto para a mentira não pode ser a abolição da verdade.

Uma mentira que virou cultura

A frase: Viva sua verdade virou central em nossa cultura hoje. Praticamente todos acreditam nela.
Filósofos como Foucaut se tornaram fundamentais para que essa ideia fosse o lema atual:
“A verdade é algo deste mundo. Só se produz por multiplas formas de restrição, aí incluidos os efeitos habituais do poder.”
A parti daí, muitos afirmam que todas as alegações de verdade são exercícios de poder.
Quem diz "isso é verdade" está, na realidade, impondo sua vontade sobre outros. A verdade não é descoberta — é fabricada. E quem a fabrica, domina.
A ciência? Poder. A religião? Poder. A tradição? Poder. A família? Poder. A Bíblia? Poder.
Cada instituição que proclama "isso é verdade" está, na leitura foucaultiana, simplesmente tentando te controlar. E a resposta libertadora a esse controle é simples: recuse. Resista. Rompa.
Se não há nenhuma verdade objetiva esperando para ser descoberta — apenas narrativas concorrentes disputando dominância — então a tarefa da vida não é mais encontrar a verdade, mas construir a sua.
É por isso que hoje a linguagem da autenticidade domina tudo. É por isso que "seja você mesmo" virou o conselho universal — de discurso de formatura a bula de remédio emocional.
Nossa cultura hoje ensina, desde que você é criança.
Os filmes da Disney, As músicas no rádio, Os coaches ensinam isso. Os psicólogos da internet ensinam isso.
A mensagem é uniforme: o verdadeiro você está dentro de você, e qualquer verdade que venha de fora é opressão disfarçada.

A promessa de Satanás entrega o oposto

A ideia de que cada um deve viver sua própria verdade prometeu muita coisa. Prometeu liberdade. Prometeu autenticidade.
Prometeu uma vida sem as correntes impostas por autoridades externas.
Mas o que ela entregou, na prática, é exatamente o oposto do que prometeu.

Isolamento e Solidão

Viva a sua verdade, ironicamente entregou foi a solidão mais profunda já vista na história humana.
Nós somos a geração mais conectada da história. E somos a geração mais sozinha da história.
Nós somos a geração mais livre de imposições externas da história. E somos a geração mais ansiosa e depressiva da história. Como isso aconteceu?
Organização Mundial da Saúde, em 2023, declarou a solidão uma epidemia global de saúde pública
Uma pesquisa do instituto Gallup em 142 países revelou que uma em cada quatro pessoas sente solidão severa.
E há um dado que nos deve parar: os menos solitários são os mais velhos, com mais de 65 anos.
Os mais sozinhos são os jovens, entre 19 e 29 anos — 27% com solidão severa, 30% com solidão moderada.
A geração que cresceu com mais liberdade de expressão individual, mais redes sociais, mais possibilidades de "viver sua verdade" — é a mais solitária de todas.
O psicólogo social Jonathan Haidt, no livro A Geração Ansiosa, documenta que a primeira geração que entrou na puberdade com acesso a smartphones apresenta maiores índices de ansiedade, depressão, automutilação e suicídio.
SABE POR QUÊ?
Porque, quando você faz da sua verdade o centro, você não pode se entregar a ninguém.
Você não pode se submeter a ninguém. Você não pode se comprometer com nada que limite você.
E amor — amor de verdade — é justamente isso: é dizer para alguém “vou mudar por você. Vou abrir mão de coisas por você. Vou me limitar por você.”
Amor é uma perda voluntária de autonomia. É submeter-se livremente ao bem do outro.
Se o seu princípio fundamental é “eu vivo a minha verdade” — então você está condenado a relações superficiais.
Amizades que duram enquanto convier.
Casamentos que duram enquanto houver benefício.
Famílias fragmentadas porque cada um “precisa viver sua verdade.”
Comunidades de fé se diluindo porque exigir qualquer coisa de alguém virou “violência.”
Estamos sozinhos, não porque não temos apps de relacionamento suficientes.
Estamos sozinhos porque construímos uma cultura que nos ensinou que qualquer limitação da nossa autonomia é opressão. E sem abrir mão da autonomia, não há comunhão possível.

Um mundo em guerra

Quando cada um tem sua própria verdade — e não há verdade alguma acima de nós — como resolvemos nossos conflitos? Como decidimos o que é justo? Como dialogamos? Como vivemos juntos?
A resposta é: Não conseguimos.
Em um mundo onde cada um vive a sua verdade, temos uma guerra sem fim!
Juízes 21.25 NAA
25 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo.
Nos últimos anos, nós brasileiros vivemos uma polarização política que vai muito além de diferenças de opinião.
Cada campo político construiu não apenas seus valores e prioridades — construiu sua própria realidade.
Suas próprias fontes. Seus próprios fatos.
O que um lado chama de corrupção, o outro chama de perseguição. O que um chama de fake news, o outro chama de censura.
Cada grupo tem seus influenciadores, suas lives, seus especialistas — e cada grupo vive, literalmente, em sua própria bolha de verdade.
Nisso nós vimos a nossa própria linguagem ser sequestrada:
A frase “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” — que é de Jesus, em João 8 — virou slogan político.
Apareceu em camisetas, em manifestações, em fundos de tela no Whatsapp, em capas de canais do YouTube, em discursos em Brasília.
Grupos inteiros adotaram essa frase bíblica como bandeira para anunciar “a verdade” sobre o que estava acontecendo no país.
O problema é que, na enorme maioria desses contextos, o que estava sendo chamado de “verdade” não era a verdade do texto.
Era a narrativa do grupo. A opinião da bolha. A versão do partido. Era, exatamente, a minha verdade — vestida com roupa bíblica.
E antes que alguém pense que estou falando só de um lado, é preciso dizer: o outro lado faz o mesmo. A esquerda cristã também sequestra a linguagem bíblica — justiça, misericórdia, cuidado com o oprimido — para validar uma pauta particular, para vestir de evangelho uma posição ideológica.
Os dois lados fazem a mesma coisa: pegam a linguagem da Verdade bíblica e a instrumentalizam para validar a própria verdade.
O EVANGELHO DE SATANÁS ESTÁ SENDO SEGUIDO POR MUITOS DENTRO DA IGREJA
Quando eu pego a Bíblia e a uso para validar o que eu já acredito — em vez de deixar que ela me confronte — eu estou fazendo exatamente o que a serpente me ensinou a fazer.
Uma vez um pastor me disse que se a notícia era contra o político dele, ele nem lia.
O Dicionário Oxford elegeu "pós-verdade" palavra do ano de 2016, definindo-a como: "relacionado a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal."
O filósofo Lee McIntyre (Boston University), autor do livro Post-Truth, descreve que o fenômeno da pós-verdade se articula com vários outros: negacionismo científico, hiperpolarização política, vieses cognitivos, bolhas on-line.
Raciocínio motivado — por que não conseguimos mais conversar
Há um conceito da psicologia política chamado "raciocínio motivado" (motivated reasoning): tendemos a dar mais valor a fatos e informações que reforçam nossas opiniões e menos valor àqueles que as contrariam. E um ambiente polarizado reforça isso num ciclo. É o que está por trás das bolhas políticas brasileiras.
O problema não é apenas que temos opiniões diferentes, mas que a moralidade se tornou puramente emocional. Quando a "minha verdade" é baseada em sentimentos, qualquer discordância é sentida como um ataque pessoal e opressão, o que torna o diálogo impossível
O resultado dessa cultura, dentro e fora da igreja, é que nós não conseguimos mais conversar.
Não porque sejamos pessoas ruins. Não porque falte boa vontade.
É porque, sem uma verdade comum que esteja acima de nós, não há base para o diálogo.
Quando vivo a minha verdade, o outro deixa de ser alguém com quem argumento — vira alguém a ser derrotado, silenciado, cancelado.
Famílias rachadas pela política. Igrejas rachadas pela política. Amizades de décadas destruídas pela política. Irmãos que não se cumprimentam mais porque um é “de um lado” e o outro é “do outro lado.”
A serpente prometeu que, se ignorássemos a verdade externa, ficaríamos livres. Mas olhe o que ela entregou: um mundo em guerra, onde ninguém consegue mais ouvir ninguém.
Onde a solidão explode. Onde casamentos colapsam. Onde democracias se quebram. Onde igrejas se rasgam.
Onde cada um está preso dentro da própria cabeça, gritando por reconhecimento, incapaz de se submeter a qualquer coisa que não seja ele mesmo.
Isso não é liberdade. É a prisão mais sofisticada já inventada. E a pior parte é: muita gente dentro dessa prisão acha que já está livre.
A verdade é que não existe “sua verdade” e “minha verdade”. Existe apenas a verdade.
No fim das contas, a verdade não pode ser evitada.

Jesus e a Verdade

João 8.30 NAA
30 Quando Jesus disse isto, muitos creram nele.
Jesus está falando para Judeus que acabaram de ser convencidos de que ele diz a verdade. Eles disseram: Sim, é verdade o que ele está falando.
João 8.31–32 NAA
31 Então Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: — Se vocês permanecerem na minha palavra, são verdadeiramente meus discípulos, 32 conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.
Note o que Jesus disse. Não basta concordar comigo.
Não basta admirar o que eu falo. Não basta achar que faço sentido.
A pergunta é: vocês vão permanecer na minha palavra? Vocês vão se submeter ao que eu digo? Vão deixar que minha palavra governe a vida de vocês?
E, se sim, aí vocês vão conhecer a verdade, e a verdade vai libertar vocês.
Essa é a mesma frase que foi sequestrada na nossa cultura. Mas olha o que ela realmente significa. Não significa “minha narrativa vai vencer.” Não significa “minha bolha está certa.”
Significa: se você se submeter à palavra de Cristo, você conhecerá a Verdade — que é Ele mesmo — e essa Verdade vai te libertar.
É um chamado à submissão, não à autoafirmação.
João 8.33 NAA
33 Eles responderam: — Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres?
Preste atenção nessa virada. Um momento atrás eles criam. Agora estão indignados. Por quê?
Porque Jesus insinuou que eles precisavam ser libertados. E eles respondem: “nunca fomos escravos de ninguém.”
Historicamente, isso é falso — o povo judeu foi escravo no Egito, na Babilônia, está agora debaixo de Roma.
Mas eles não estão falando de política. Estão falando de si mesmos espiritualmente. Estão dizendo: “nós não precisamos ser libertados. Nós somos descendência de Abraão. Temos a religião certa. Temos o pai certo. Estamos dentro.”
João 8.34–36 NAA
34 Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhes digo que todo o que comete pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, fica para sempre. 36 Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres.
Jesus está dizendo: vocês se acham livres, mas são escravos.
Vocês se acham dentro, mas estão fora.
Vocês têm a religião certa, a descendência certa, a linguagem certa — e mesmo assim são escravos do pecado. A única liberdade real virá se o Filho os libertar.
João 8.36–47 NAA
36 Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres. 37 Bem sei que vocês são descendência de Abraão; no entanto, estão querendo me matar, porque a minha palavra não está em vocês. 38 Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vocês, porém, fazem o que ouviram do pai de vocês. 39 Então lhe disseram: — Nosso pai é Abraão. Mas Jesus respondeu: — Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras que ele fez. 40 Mas agora vocês estão querendo me matar, a mim que lhes falei a verdade que ouvi de Deus; Abraão não fez isso. 41 Vocês fazem as obras do pai de vocês. Eles responderam: — Nós não somos filhos ilegítimos. Temos um pai, que é Deus. 42 Jesus disse: — Se Deus fosse, de fato, o pai de vocês, certamente me amariam, porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. 43 Por que vocês não compreendem a minha linguagem? É porque vocês são incapazes de ouvir a minha palavra. 44 Vocês são do diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele. Ele foi assassino desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. 45 Mas, porque eu digo a verdade, vocês não creem em mim. 46 Quem de vocês me convence de pecado? Se digo a verdade, por que não creem em mim? 47 Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, vocês não me ouvem, porque não são de Deus.
Olhe o que Jesus acabou de fazer. Ele ligou uma linha direta entre o templo de Jerusalém e o jardim do Éden. Aquela serpente que fez a pergunta na cara de Eva, e essas pessoas religiosas que se acham descendentes de Abraão — têm o mesmo pai.
É possível ter a Bíblia na mão, frequentar a casa, citar João 8.32 em camisetas — e ter outro pai. É possível se achar livre — e ser escravo.
Se voce vive como “não precisa me ensinar nada, eu sei o que é a verdade” — essa voz não é de Deus.
É a voz do mesmo pai que falou com Eva.
Se a sua reação quando a palavra de Cristo te confronta é mudar de assunto, se irritar, pegar pedras — você está revelando de quem você é filho.

Quem é a verdade?

João 14.6–9 NAA
6 Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conheceram, conhecerão também o meu Pai. E desde agora vocês o conhecem e têm visto. 8 Filipe disse a Jesus: — Senhor, mostre-nos o Pai, e isso nos basta. 9 Jesus respondeu: — Há tanto tempo estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem vê a mim vê o Pai. Como é que você diz: “Mostre-nos o Pai”?
O ser humano sempre buscou a verdade. As histórias da religiões são sobre pessoas que afirmavam: encontrei a verdade! Tenho a verdade! Siga este Caminho!
Recentemente, a filosofia separada de Deus tentou encontrar uma verade universal, não conseguiu e chegou a conclusão que essa verdade não existe.
O problema é que ninguém da conta de viver assim, precisamos de uma verdade que seja externa a nós. Deve existir uma verdade que seja externa a nós. e ela é real, objetiva.
Jesus disse algo radicalmente diferente. Não “tenho a verdade.” Não “ensino a verdade.”
Mas: eu sou.
Enquanto todos os outros mestres da história disseram “este é o caminho que você deve seguir,” Jesus disse “eu sou o caminho.”
Não é uma teoria.
Não é um sistema filosófico.
Não é uma doutrina que pode ser reduzida a um slogan de camiseta.
É uma pessoa. Uma pessoa viva, real, que caminhou sobre essa terra, que olhou pessoas nos olhos, que chorou, que riu, que morreu, que ressuscitou.
Esse Jesus reivindicou coisas que ninguém em sã consciência reivindica.
Afirmou ter autoridade para perdoar todos os pecados.
Afirmou poder dar vida eterna.
Afirmou que seria o juiz de todos os seres humanos no final da história.
Afirmou ser perfeitamente sem pecado.
E fez tudo isso não como um representante de Deus, mas como alguém que opera com autoridade própria: “mas eu vos digo” — não “o Senhor diz.”
MAS POR QUE CRER NESSE JESUS? COMO SABER QUE ELE É A VERDADE?
Porque um homem que diz as coisas que jesus disse, seria ou um lunático ou Deus.
Por que ele deve ser levado a sério?
A resposta está não nas palavras de Jesus apenas, mas no que ele fez. Ninguém na história afirmou ser a verdade do mundo e convenceu tantas pessoas disso ao longo da história.
Outras pessoas afirmaram ser divinas, mas todas morreram e perderam confiança.
Mas apenas Jesus convenceu tanta gente que ele realmente era Deus encarnado por suas ações e por sua ressureição!
A ressurreição é o veredicto de Deus sobre quem Jesus diz ser.
Se Jesus ressuscitou — se o túmulo estava vazio e as aparições foram reais — então suas afirmações não são delírio: são a realidade mais sólida que existe.
Pela primeira vez na história, há uma verdade fora de nós que é absolutamente confiável — porque não é uma doutrina, é uma pessoa que nos ama, que morreu por nós, que venceu a morte.
E essa Verdade-Pessoa é muito diferente das autoridades que nos cansaram ao longo da história.
Não é uma instituição buscando poder.
Não é um partido querendo seu voto.
Não é um líder religioso querendo sua obediência cega.
É um Deus que se fez gente, que entrou na nossa dor, que morreu a morte que merecíamos.

O paradoxo final

O evangelho de Jesus nos oferece algo que o evangelho de Satanás nunca será capaz.
Perceba:
A serpente no Éden ofereceu liberdade através da rebelião. “Não se submeta ao que Deus disse. Decida por si mesmo. E você será como Deus.”
Era uma promessa de elevação. E olhe o que ela entregou: exílio, morte, sepulção.
A nossa cultura repete a mesma promessa em linguagem atualizada: “não se submeta a nenhuma verdade externa. Viva a sua. E você será livre.”
E olhe o que essa promessa entregou: solidão, ansiedade, polarização, casamentos colapsados, democracias em frangalhos, igrejas rachadas, uma geração inteira que não sabe mais quem é.
A serpente mente sempre. E sua mentira principal é sempre a mesma: que submissão é prisão e autonomia é liberdade.
Mas o evangelho diz o oposto. Jesus, no templo, para aqueles religiosos orgulhosos, disse: “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.”
A liberdade verdadeira não vem da autonomia — vem da submissão certa. Da submissão à Verdade certa. À única Verdade que não te oprime — te liberta.
Nós fomos desenhados. Nós temos uma natureza. Nós fomos feitos para um Criador. Quando nos submetemos a isso, voamos. Quando tentamos ser a nossa própria verdade, afundamos.
A verdadeira liveberdade vem da perda de autonomia, vinculada a sua natureza.
Pense em um pianista ou uma bailarina
Mas não é só esforço, pense em um baixinho treinando para ser bloqueador de volei.
Pense em um peixe quando está restrito a água.
A verdadeira liberdade é encontrada nas restrições corretas.
O evangelho de Jesus, é a perda de liberdade mais libertadora de existe.
Jesus não é uma autoridade opressora que quer te diminuir. Ele é o Filho de Deus que te conhece melhor do que você se conhece, que te amou antes de você existir, e que pagou um preço absurdo — a própria vida na cruz — para te libertar do peso de ser o seu próprio deus.
João 18.33–38 NAA
33 Pilatos entrou novamente no Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: — Você é o rei dos judeus? 34 Jesus respondeu: — Esta pergunta vem do senhor mesmo ou foram outros que lhe falaram a meu respeito? 35 Pilatos respondeu: — Por acaso sou judeu? A sua própria gente e os principais sacerdotes é que o entregaram a mim. Que foi que você fez? 36 Jesus respondeu: — O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora o meu Reino não é daqui. 37 Pilatos perguntou: — Então você é rei? Jesus respondeu: — O senhor está dizendo que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. 38 Pilatos perguntou: — O que é a verdade? Depois de dizer isso, Pilatos voltou aos judeus e lhes disse: — Eu não acho nele crime algum.
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