UMA TEOLOGIA DO CORPO
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LEITURA DO TEXTO
LEITURA DO TEXTO
“Todas as coisas me são lícitas”, mas nem todas convêm. “Todas as coisas me são lícitas”, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. Os alimentos são para o estômago, e o estômago existe para os alimentos. Mas Deus destruirá tanto o estômago quanto os alimentos. Porém o corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor, para o corpo. Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder.
Vocês não sabem que o corpo de cada um de vocês é membro de Cristo? E será que eu tomaria os membros de Cristo e os faria membros de uma prostituta? De modo nenhum! Ou não sabem que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, “os dois se tornarão uma só carne”. Mas aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele.
Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica imoralidade sexual peca contra o próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos? Porque vocês foram comprados por preço. Agora, pois, glorifiquem a Deus no corpo de vocês.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Gente amada, ao longo da história, muitas ideias tentaram explicar o que é o corpo humano — e uma das mais influentes veio de Platão.
Para ele, o corpo era quase um problema. Uma espécie de prisão da alma. Algo que limita, distrai, engana. O verdadeiro “eu”, dizia Platão, está na alma — e a grande esperança do ser humano seria se libertar do corpo.
E, se formos honestos, essa ideia não ficou só na filosofia… ela ainda aparece hoje.
Quando alguém diz:
“o que eu faço com meu corpo não importa”,
ou então:
“o importante é o espiritual, o resto é secundário”,
no fundo, essa pessoa está pensando mais como Platão do que como a Bíblia.
Mas quando chegamos ao texto de Primeira Epístola aos Coríntios 6.19–20, o apóstolo Paulo de Tarso confronta essa mentalidade de forma direta:
“Vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo…? Vocês não pertencem a vocês mesmos… foram comprados por preço. Agora, pois, glorifiquem a Deus no corpo de vocês.”
Percebe o choque?
Platão diria: “o corpo é uma prisão”.
O evangelho diz: “o corpo é um templo”.
Platão diria: “liberte-se do corpo”.
O evangelho diz: “Deus em Cristo Jesus libertou o seu corpo”.
Platão aponta para a fuga.
O evangelho aponta para a redenção.
E aqui está o coração do problema em Corinto — e também no nosso tempo:
pessoas que acham que o corpo não importa…
e vivem como se pudessem fazer qualquer coisa com ele.
Por isso, Paulo não começa dizendo apenas o que devemos evitar —
ele começa dizendo quem nós somos:
Nós temos dono.
Nós fomos comprados.
E até o nosso corpo pertence a Deus.
Então a pergunta que esse texto coloca diante de nós não é apenas:
“O que posso ou não posso fazer?”
Mas é:
“A quem pertence o meu corpo?”
E é isso que nos leva a uma verdade central para hoje:
Não existe vida cristã sem uma teologia do corpo.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
1Coríntios 6.12–14 ““Todas as coisas me são lícitas”, mas nem todas convêm. “Todas as coisas me são lícitas”, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. Os alimentos são para o estômago, e o estômago existe para os alimentos. Mas Deus destruirá tanto o estômago quanto os alimentos. Porém o corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor, para o corpo. Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder.”
A frase “todas as coisas me são lícitas” não é de Paulo, mas dos cristãos coríntios. O complemento é de Paulo: “mas nem todas convêm” e “mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Os coríntios criam numa liberdade e numa autoridade para fazer o que quisessem sem se importar com os efeitos de suas práticas na vida dos outros. Eles consideravam o alimento irrelevante, assim como a prática sexual, porque se tratavam de contingências dessa vida presente que está passando.
Mas Paulo vai corrigir esse erro concordando em parte com os coríntios. Sim, todas as coisas são lícitas quando estamos em Cristo; porém, tudo aquilo que prejudica a reputação de Cristo na igreja e na sociedade e tudo aquilo que pode trazer escândalo para o meu irmão no contexto da igreja local não convêm ser praticado.
Todas as coisas são lícitas quando estamos em Cristo; porém, tudo aquilo que rouba a minha liberdade em Cristo deve ser evitado — “eu não me deixarei dominar por nenhuma delas (v.12)”. Um bom exemplo aqui é o exemplo da bebida alcoólica: podemos consumir? Podemos. Mas temos que levar em conta três fatores: 1) se vai honrar a Cristo ou manchar sua reputação na igreja e na sociedade, ou seja, se há uma proibição expressa na Escritura, 2) se vai trazer ou não escândalo para o meu irmão no contexto da igreja local e 3) se eu vou ter ou não autocontrole. Se um desses fatores for comprometido, a orientação do espírito do Evangelho é que não se consuma bebida alcoólica porque o nosso desejo maior sempre deve ser a glória de Deus e não a nossa satisfação própria.
Quando Paulo aborda os versículos 13 e 14, Gordon Fee diz que ele faz um paralelismo semântico perfeito com um quiasmo no primeiro componente de cada frase. Veja no texto:
Proposição I (a posição possivelmente dos coríntios):
Alimento para o estômago A B
e o estômago para o alimento B A
de (“e”)
2. Deus destruirá tanto um (o estômago) B
quanto o outro (o alimento) A
de (“mas” = o mesmo não vale para o corpo)
Proposição II (o contra-ataque de Paulo):
O corpo é [não para a imoralidade sexual,
mas] para o Senhor
e o Senhor, para o corpo A B
de (“e”) B A
2. Deus tanto ressuscitou o Senhor
quanto nos ressuscitará pelo seu poder B
(se referindo a ambos) A
Paulo não está preocupado em tratar da questão do alimento e do estômago. Ele está preocupado de tratar da questão do corpo e do Senhor, ou seja, do problema da imoralidade sexual que é praticada num corpo que pertence ao Senhor.
A proposição I sobre o alimento, o estômago e Deus tratando ambos como coisas passageiras e que estão prestes a serem destruídas por Ele é um slogan dos coríntios, o qual eles aplicaram ao que parece ao corpo e as relações sexuais com prostitutas.
Paulo de alguma forma concorda que o alimento e o estômago, essa relação meramente culinária e alimentícia, é passageira e volúvel, mas ele não aceitará que os coríntios peguem esse slogan ligado à irrelevância de restrições alimentares e apliquem a relações sexuais ilícitas. É como se os coríntios pensassem assim: no fim das contas, tanto o alimento, quanto o estômago e também o corpo e o sexo são um para o outro e Deus no final vai destruir tudo mesmo; então, não há problema em participar de orgias e ter relações sexuais com prostitutas.
Mas eles estão completamente errados, pois o corpo não é para a porneia, mas para o Senhor; e este corpo não está destinado à destruição, mas à ressurreição; a prova disso é a ressurreição de Cristo.
Os coríntios esperavam uma salvação apenas “espiritual”, nos moldes platônicos, mas o evangelho compreende o ser humano como uma unidade entre corpo e espírito, de modo que Cristo sofreu no corpo o castigo pelos nossos pecados e a ressurreição do seu corpo é a garantia da ressurreição do nosso corpo. Ele nos salva espiritualmente, mas também corporalmente. Deus quer santificar o nosso espírito, mas também o nosso corpo. Tudo é do Senhor. Nós somos dele e ele habita em nós pelo seu Espírito Santo.
Em um gigante contraste com a ideia grega, Gordon Fee vai dizer, o AT declara que, por ocasião da Criação, Deus olhou para o Universo que havia criado e declarou que era bom. A consumação final espera por um novo céu e uma nova terra; e nessa nova ordem o corpo será ressuscitado para que o povo de Deus experimente a perfeição final pretendida por Deus.
E vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva enfeitada para o seu noivo. Então ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:
— Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles e será o Deus deles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
E aquele que estava sentado no trono disse:
— Eis que faço novas todas as coisas.
E acrescentou:
— Escreva, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
Disse-me ainda:
— Tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu serei o Deus dele e ele será o meu filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que está queimando com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.
1Coríntios 6.15–18 “Vocês não sabem que o corpo de cada um de vocês é membro de Cristo? E será que eu tomaria os membros de Cristo e os faria membros de uma prostituta? De modo nenhum! Ou não sabem que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, “os dois se tornarão uma só carne”. Mas aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica imoralidade sexual peca contra o próprio corpo.”
No versículo 15, Paulo começa a estabelecer uma teologia do corpo. Teologia é o Estudo da Palavra de Deus ou o Estudo de Deus mediado pela Palavra. Todo aquele que emite uma opinião sobre Deus, mesmo sendo um ateu, está fazendo teologia. Quando você decide ser um cristão, essa é uma decisão também teológica. Quando você abandona o evangelho e a igreja de Cristo, isso conta com uma teologia por detrás. Nossa oração traz muito da nossa teologia, assim como as canções que cantamos e a prática da nossa fé no cotidiano. É simplesmente impossível fugir da realidade teológica, assim como é impossível fugir da realidade filosófica.
Os coríntios também partiam de pressupostos teológicos, como pudemos ver até aqui. Eles criam que sua união com Cristo era apenas no sentido espiritual e que o corpo estava livre para viver experiências hedonistas. Eles não eram judeus, não tinham a formação cultural e religiosa centrada na Torah, na Lei de Deus, não conheciam o Decálogo (Os Dez Mandamentos) e o sétimo mandamento que proibia a porneia (Êxodo 20.14 “— Não cometa adultério.” ), então para eles, seguir o espírito do tempo era a coisa mais normal a se fazer.
Se você tem uma teologia que não é centrada na Bíblia, a sua prática será pecaminosa. A doutrina produz a cultura. O que faço é resultado do que aprendi e agora julgo ser o certo. A questão maior não é se você acha que o que você faz está certo, mas se o que você faz é bíblico.
A teologia paulina do corpo prevê uma resposta direta a este autoengano coríntio. O corpo do crente agora existe para o Senhor. Paulo vai dizer: o corpo de cada um de vocês pertence ao corpo de Cristo, ou seja, misticamente ou misteriosamente, temos uma união corpórea com Jesus e essa uma realidade escatológica inaugurada — não é algo para o futuro, mas para o presente e o futuro… nós estamos unidos a Cristo no espírito, mas também no corpo.
Quando um crente pratica uma atividade sexual fora do padrão bíblico de casamento (Gênesis 2.24 “Por isso, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” ), ele está pecando contra o corpo de Cristo e aqui não estamos ainda falando da Igreja (esse argumento será desenvolvido no capítulo 12 desta carta). Paulo está afirmando que o crente que se prostitui (pratica sexo fora do casamento bíblico) está de alguma maneira tentando prostituir o corpo de Cristo. Claro que na prática isso é impossível, porque o crente que pratica pecados sexuais sem arrependimento já está destituído da união com Cristo e também de sua comunhão. Um salvo pode errar, pecar, mas não permanece no pecado sem arrependimento — quem permanece no pecado sem arrependimento já é um traidor da cruz e um inimigo do evangelho porque o rejeita de maneira consciente, voluntária e impenitente.
Gordon Fee vai dizer: o corpo do crente é para o Senhor, porque, por meio da ressurreição de Cristo, Deus colocou em movimento a realidade de nossa própria ressurreição. Isso significa que se deve entender que o corpo físico do crente está “unido” ao “corpo” do próprio Cristo, corpo que foi levantado dentre os mortos.
Em outras palavras, Paulo está aqui defendendo que o corpo físico importa para a fé cristã; ele é para o Senhor. A ressurreição definiu isso inquestionavelmente. Outra coisa é: com a teologia certa, considerando todo o conselho de Deus nas Escrituras, o Decálogo continua em vigor a imoralidade sexual é totalmente errada. Uma vez que a imoralidade sexual envolve união corporal (tornar-se os dois uma só carne), Paulo chega à proibição da prostituição por meio de implicações metafóricas das “partes do corpo”. Assim, unidos ao próprio Cristo por meio da ressurreição, é impensável (“De modo nenhum!”) que alguém “tire” uma parte do corpo de Cristo e o torne parte do corpo de uma prostituta.
Nos versículos 16—18, Paulo continua argumentando teologicamente e demonstrando que a união com Cristo é afetada quando o crente se entrega à imoralidade sexual. Quando nos unimos a Cristo pela fé no evangelho, estamos aceitando viver debaixo do seu Senhorio — esta é uma união espiritual, mística e escatológica (aponta para o fim dos tempos); um dia, nossos corpos ressuscitarão como o corpo de Cristo ressuscitou e nós viveremos em plena comunhão com o Deus Triúno (Pai, Filho e Espírito Santo) para todo o sempre. Com base nessa afirmação teológica, nosso corpo não é nosso, mas do Senhor, ele comprou com preço de sangue e fez deste corpo santuário do Espírito Santo, o próprio Deus.
A profundidade da relação de uma só carne no casamento (para o bem) ou na prostituição (para o mal) se reflete na natureza espiritual desta união entre corpos. Se uma pessoa se uniu (corporalmente e espiritualmente) ao corpo de Cristo, então essa pessoa é proibida de praticar a imoralidade sexual que é um tipo de tentativa de fazer Cristo participar do domínio de Satanás, pois o corpo do crente existe para o Senhor Jesus.
Todo pecado é cometido fora do corpo no sentido de que o pecado da imoralidade sexual envolve o crente tirar seu corpo (que é um templo do Espírito, comprado por Deus e destinado à ressurreição) da união com Cristo e o tornar membro do corpo de uma prostituta, se colocando assim debaixo do domínio dela. O corpo do crente em Jesus é um corpo-para-ressurreição — um corpo escatológico e profético, destinado para a santidade e sendo preparado agora para uma eternidade em plena comunhão com o Deus que assumiu um corpo humano, Jesus.
1Coríntios 6.19–20 “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos? Porque vocês foram comprados por preço. Agora, pois, glorifiquem a Deus no corpo de vocês.”
Algumas lições para um entendimento maior destes últimos versículos do sermão desta noite.
1- O corpo também está incluído na obra redentora total de Cristo — crucificação, ressurreição e a atual obra do Espírito. Se a salvação não é apenas da alma, mas também do corpo, é imperativo que nenhuma imoralidade sexual deve ser praticada por parte de um ser humano que foi salvo por Jesus.
2- Deus é o legítimo proprietário do corpo de um cristão (“vocês não pertencem a vocês mesmos”). É Deus quem criou o corpo humano e é Deus quem o redime — o corpo não deve ser adorado nem maltratado; apenas deve ser um objeto de glorificação a Deus.
Em 1Coríntios 3.16 “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”, Paulo define teologicamente que a Igreja é o Templo do Espírito de Deus. Agora, ele toma essa imagem para retratar o cristão individualmente. Uma coisa não anula a outra, somente a complementa. Somos Templo do Espírito coletivamente e individualmente. Então, ao mesmo tempo, eu sou Templo do Espírito Santo e nós somos Templo do Espírito Santo. Eu concluo essa explicação dizendo que, com base no contexto e no tempo das argumentações teológicas de Paulo sobre a habitação do Espírito (primeiro o capítulo 3 e depois o capítulo 6), não se pode ser Templo do Espírito Santo individualmente sem primeiro ser Templo do Espírito Santo coletivamente.
3- Os crentes coríntios se consideravam espirituais, pneumáticos, mas se entregavam à prostituição livremente e ainda construíram um argumento teológico para defender a própria iniquidade. Paulo ensina aqui que todo cristão, além de ser tabernáculo ou templo de Deus por meio da pessoa do Espírito Santo, também é um escravo comprado “por preço”. O preço aqui certamente é o que o apóstolo João descreve em Apocalipse 5.9
e cantavam um cântico novo, dizendo:
“Digno és de pegar o livro
e de quebrar os selos,
porque foste morto e com o teu sangue
compraste para Deus
os que procedem de toda tribo,
língua, povo e nação
Isso nos mostra o valor do nosso corpo para Deus. Tanto a nossa alma quanto o nosso corpo custaram a vida do Filho de Deus, Jesus Cristo. Ele pagou o preço do nosso resgate da escravidão do pecado. É por isso que precisamos tão somente “fugir da imoralidade” — porque éramos escravos do pecado, mas agora somos livres em Cristo Jesus e o seu Santo Espírito habita em nosso corpo que agora existe para o Senhor e está destinado para a ressurreição escatológica e glorificação (redenção final).
APLICAÇÕES
APLICAÇÕES
1- Precisamos crer e viver segundo a doutrina da santidade do corpo. A imoralidade era pecado nos dias dos Coríntios, e continua sendo hoje. É preciso lutar contra a porneia (pornografia, masturbação, adultério, fornicação, prostituição física e virtual, orgias, relações homossexuais, assédio e abuso sexual e etc.) e entendermos que os que foram lavados, santificados e justificados em nome de Jesus Cristo e no Espírito Santo de Deus (1Co 6.11) herdarão o reino aqui agora e para sempre — o que os enche de responsabilidade para uma busca pela alegria no Espírito Santo enquanto se enfrenta todos os impulsos carnais que tentam comprometer a nossa união com Cristo.
2- Cuidado com o dualismo helenístico. A salvação não é apenas da alma, livrando a mesma do inferno e conduzindo ao céu. A salvação é também do corpo, fazendo cada cristão crescer em prática de boas obras que incluem pureza moral na prática da sexualidade e compaixão em relação às necessidades materiais das pessoas. A espiritualidade cristã é uma experiência a ser vivida na mente e no corpo, no mundo do pensamento e no mundo das ações — você não é um espírito que possui uma alma e habita num corpo, como se houvesse uma relação inconsciente hierárquica entre espírito e corpo; você é uma unidade entre espírito e corpo e essa unidade está unida a Cristo no espírito literalmente e no corpo misticamente. Sendo assim, você precisa crer não na imortalidade da alma, mas na ressurreição do corpo e isso resulta em uma valorização adequada da vida terrena e da vida celestial, nos fazendo pregar o evangelho, fazer discípulos e servir ao próximo aqui e agora, mas também esperar ansiosamente pela volta de Jesus e consumação da sua obra redentora.
Como Fee encerrará o seu comentário dessa perícope, dizendo que o cristão crê na doutrina da criação (tanto a ordem física quanto a espiritual são boas porque Deus as criou) e na doutrina da redenção, incluindo a consumação (a totalidade da ordem caída incluindo o corpo, foi redimida em Cristo e aguarda sua redenção final).
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Gente amada, no fim das contas, este texto não é apenas sobre comportamento — mas sobre redenção.
O evangelho nos lembra que não fomos apenas chamados para uma experiência subjetiva ou teórica… fomos comprados e resgatados da escravidão do pecado.
E o preço não foi baixo — foi o sangue de Cristo.
Aquilo que Platão jamais poderia imaginar, o evangelho declara com poder:
Deus não nos chamou para fugir do corpo —
Deus entrou em um corpo, morreu em um corpo e ressuscitou em um corpo para nos salvar por completo.
Por isso, a pergunta final não é:
“Será que eu consigo viver em santidade?”
Mas é:
“Eu já pertenço a Cristo?”
Porque só quem foi comprado por Ele
recebe um novo coração,
um novo desejo,
e um novo propósito para o próprio corpo.
Então hoje há dois caminhos diante de nós:
Para quem ainda vive como dono de si mesmo:
arrependa-se, creia no evangelho e renda sua vida — corpo e alma — a Cristo.
Para quem já foi alcançado pela graça:
lembre-se de quem você é…
você é templo,
você é propriedade de Deus,
você foi comprado por preço.
Portanto — como Paulo nos diz —
glorifique a Deus no seu corpo.
Vamos orar.
