Estar com Jesus
Praticando o Caminho • Sermon • Submitted • Presented
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Parte 1, O mito da autonomia e a realidade do discipulado
Parte 1, O mito da autonomia e a realidade do discipulado
Vivemos em uma cultura que nos ensina todos os dias uma espécie de evangelho alternativo. Esse evangelho moderno nos diz constantemente para sermos nós mesmos, para seguirmos o nosso coração, para construirmos a nossa própria identidade de forma totalmente livre. À primeira vista, essa mensagem parece o auge da liberdade e da maturidade humana. Parece que finalmente alcançamos a verdadeira autonomia. Mas, quando olhamos com mais cuidado e profundidade, percebemos que talvez essa seja uma das maiores ilusões do nosso tempo.
A verdade nua e crua é que ninguém se forma sozinho. Ninguém vive em um espaço neutro ou num vácuo de influências. Ninguém acorda todos os dias apenas expressando a sua essência mais pura e intocada. Todos nós estamos sendo moldados de forma contínua. Todos nós estamos sendo ensinados o tempo todo. Todos nós estamos sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. O seu smartphone discipula você. Os algoritmos das redes sociais discipulam os seus desejos. O mercado de consumo dita o que você deve amar e o que você deve buscar. A grande questão da vida não é descobrir se você é um discípulo. A grande questão é descobrir de quem você é discípulo.
O autor John Mark Comer começa o livro Praticando o Caminho com uma ideia que precisa nos fazer refletir. Ele afirma que ser discípulo de Jesus não é apenas concordar mentalmente com o que Ele ensinou. Não é apenas ter uma profunda admiração histórica por Ele. Não é sequer apenas estudar os seus passos teológicos. Ser discípulo é organizar a vida inteira ao redor dele, da mesma forma que um aprendiz no mundo antigo organizava toda a sua existência ao redor do seu mestre.
Isso confronta de frente a maneira como muitos de nós fomos ensinados a pensar sobre a fé cristã nas últimas décadas. Para uma grande parte das pessoas, o cristianismo foi reduzido a um mero conjunto de crenças corretas que você assina embaixo. Para outros, tornou-se apenas uma agenda lotada de atividades religiosas semanais. Mas Jesus não chamou pessoas para simplesmente assinarem uma declaração de fé e continuarem vivendo as suas vidas do mesmo jeito. O convite dele sempre foi intensamente relacional.
Antes de enviar os seus seguidores para fazerem grandes obras, Ele os chamou para caminharem ao seu lado. O perigo que corremos hoje é inverter tudo isso. Nós queremos fazer coisas grandiosas para Jesus antes de gastarmos tempo para estar com Ele. Mas, quando o fazer vem antes do estar, até as coisas de Deus podem nos afastar sorrateiramente da presença de Deus. E essa é uma tragédia muito comum nos nossos dias. Vemos igrejas cheias de pessoas ocupadas com Deus, mas tristemente distantes de Deus. Vemos pessoas que trabalham exaustivamente para o Reino, mas que vivem governadas pela ansiedade.
O primeiro objetivo do caminho cristão não é uma fase inicial que você supera para depois passar para as coisas mais avançadas. Estar com Jesus é o centro de tudo. É a fonte de toda a vida. Nós acabamos nos tornando parecidos com aquilo que contemplamos com mais frequência. O que você contempla é o que você se torna. E o grande desafio que coloco diante de nós hoje é refletir sobre onde o nosso coração tem feito morada na maior parte do tempo.
Parte 2, A ordem do discipulado, estar antes de fazer
Parte 2, A ordem do discipulado, estar antes de fazer
Se existe um erro estrutural e perigoso na nossa vivência de fé hoje é exatamente este, nós invertemos por completo a ordem do discipulado. Nós tentamos produzir resultados antes de cultivarmos a permanência. Nós valorizamos muito mais o ativismo do que a contemplação. Mas o caminho que Jesus nos ensina a trilhar não funciona dessa maneira.
Jesus não começou o seu ministério estabelecendo metas de crescimento, nem desenhando estratégias complexas para atrair multidões. Ele começou com um convite simples, direto e profundamente relacional. É exatamente aqui que o texto do evangelho de Marcos 3.13-14 e, nos traz uma clareza absurda sobre esse tema. A passagem nos conta que Jesus subiu a um monte, chamou a si os que ele quis, e eles vieram para junto dele. O texto diz que ele escolheu doze para que estivessem com ele e para que os enviasse a pregar.
13 Depois, Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis, e vieram para junto dele. 14 Então designou doze, aos quais chamou de apóstolos, para estarem com ele e para os enviar a pregar
Quero que você observe a prioridade absoluta que o texto sagrado estabelece. Antes de dar a eles qualquer autoridade, antes de os enviar para pregar as boas novas, antes de os mandar curar enfermos, Jesus os chamou para que estivessem com ele. A missão é totalmente secundária à presença. O fazer flui do estar, e nunca o contrário.
Essa é a verdadeira e imutável estrutura do discipulado cristão. O primeiro passo é estar com Jesus. O segundo passo é tornar-se como Jesus. O terceiro passo é fazer o que Jesus fez. Essa ordem não é aleatória. Ela revela o único mecanismo pelo qual a nossa alma pode ser verdadeiramente transformada. Nós só nos tornamos semelhantes àquilo com o qual convivemos intimamente.
Pense em um atleta de alto rendimento. Ele não começa a sua jornada brilhando no palco. Ele começa com meses ou anos de treino silencioso, apenas observando o mestre e gastando tempo com ele. A transformação humana acontece pela proximidade, pela imitação natural que nasce da convivência prolongada. O cristianismo é, antes de qualquer dogma, um relacionamento íntimo que precisa ser intencionalmente cultivado.
Mas nós costumamos resistir a essa ideia com todas as nossas forças porque isso exige desacelerar. Exige gastar tempo em um mundo apressado. E tempo é exatamente o recurso que mais sentimos não ter hoje em dia. Então, na nossa impaciência crônica, nós tentamos criar atalhos espirituais. Nós tentamos pular a etapa demorada do estar com Jesus e tentamos ir direto para a fase produtiva do fazer para Jesus. Nós alimentamos a ilusão de que o excesso de atividade eclesiástica vai compensar de alguma forma a ausência de intimidade diária com Deus.
Mas o que sustenta as nossas ações não é o esforço braçal ou a força de vontade humana, é a nossa formação espiritual oculta. Quero que você pense na imagem de um molde que é preenchido com gesso líquido. O gesso só ganha a forma daquele molde se ele permanecer ali imóvel durante o tempo suficiente para secar e endurecer. Se você ficar impaciente e tentar tirar o gesso do molde antes do tempo adequado, ele não vai ganhar a forma perfeita e vai se quebrar em pedaços.
O nosso grande problema moderno é que nós entramos e saímos do molde de Jesus o tempo todo, várias vezes ao dia. Nós temos um momento rápido e superficial com Deus pela manhã, lemos um pequeno texto, e logo em seguida mergulhamos em horas e horas intermináveis de distração, de notícias ruins e de estresse no trabalho. A transformação do nosso caráter nunca vai acontecer por meio de visitas ocasionais à presença de Deus. Ela só acontece por meio de uma longa e paciente permanência.
Parte 3, Permanecer, o lugar onde a alma faz morada
Parte 3, Permanecer, o lugar onde a alma faz morada
Na noite anterior à sua crucificação, quando o tempo estava se esgotando e apenas as palavras mais importantes precisavam ser ditas, Jesus deixou um comando fundamental para os seus amigos mais próximos. Ele disse simplesmente, permaneçam em mim.
No idioma grego original em que o texto foi escrito, a palavra usada não descreve de forma alguma uma visita rápida, um encontro casual ou a ida esporádica a um culto de domingo. Ela significa literalmente habitar. Ela significa fazer morada, estabelecer residência fixa e definitiva. É como se Jesus estivesse olhando nos olhos dos seus discípulos e dizendo, façam de mim a casa de vocês, o lugar seguro de onde vocês não querem mais sair.
O texto do evangelho de João, 15.4-5, ilustra essa realidade com uma perfeição poética e teológica insuperável. João 15.4-5
4 Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim vocês não podem dar fruto se não permanecerem em mim.
5 — Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.
Jesus diz que o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer firmemente ligado à videira. Da mesma forma exata, nós não podemos produzir vida espiritual alguma se não permanecermos enxertados nele. Ele declara com clareza, eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim dá muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer absolutamente nada.
A verdade dura que precisa nos confrontar hoje é que todos nós já estamos permanecendo em alguma coisa. O ser humano é uma criatura que precisa desesperadamente de um habitat. Se você não está habitando intencionalmente na presença de Cristo, você está habitando em outro lugar.
Pense comigo e seja honesto, para onde a sua mente viaja quando você não está ocupado com as tarefas do trabalho. Para onde os seus pensamentos retornam automaticamente no momento em que você deita a cabeça no travesseiro à noite. Aquilo que captura a sua atenção livre é o seu verdadeiro lugar de permanência. Para grande parte da nossa geração, esse lugar de habitação tornou-se o fluxo infinito e viciante das redes sociais. Para outros, é o entretenimento constante que entorpece a mente ou a busca frenética por aprovação e sucesso no ambiente corporativo. O grande fruto de habitar nesses lugares modernos é uma alma cronicamente ansiosa, fragmentada e profunda e dolorosamente exausta.
Nós somos formados e deformados pelo ambiente em que escolhemos permanecer. Mas a promessa de Jesus é muito clara. Se nós escolhermos permanecer nele, se fizermos dele a nossa morada segura e o nosso refúgio diário, o fruto natural do Espírito Santo começará a surgir em nossa personalidade de forma orgânica. O amor verdadeiro, a profunda alegria, a paz inabalável e a paciência com as falhas dos outros começarão a brotar de nós.
Nós precisamos entender de uma vez por todas que o fruto espiritual não é fabricado com suor e força de vontade humana. Um ramo de videira não precisa fazer força, nem suar, nem se contorcer para produzir belas e doces uvas. O único trabalho do ramo é permanecer firmemente conectado à fonte de seiva e de vida. A transformação do nosso ser interior não é um projeto de autoajuda religiosa, mas o resultado inevitável de uma amizade contínua e intencional com o Espírito Santo de Deus. Ele é o nosso consolador, a presença viva que nos permite habitar no coração de Deus mesmo quando estamos no meio da rotina mais caótica e exigente.
Parte 4, Transformando a presença em prática, o treino da alma
Parte 4, Transformando a presença em prática, o treino da alma
Toda essa teoria teológica soa muito inspiradora, mas o nosso grande e verdadeiro desafio diário é descobrir como viver plenamente consciente da presença de Deus enquanto estamos presos no engarrafamento, enquanto lidamos com pessoas difíceis e enquanto enfrentamos as pressões imensas do nosso trabalho e da nossa família. Nós precisamos entender e aceitar que estar com Jesus não é apenas um sentimento místico e passageiro que cai do céu sobre nós, mas é uma habilidade prática que precisa ser intencionalmente e pacientemente treinada todos os dias.
O texto do evangelho de Lucas 10.38-42, ilustra esse conflito prático de forma brilhante através da história muito conhecida de duas irmãs, Marta e Maria.
38 Quando eles seguiam viagem, Jesus entrou numa aldeia. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. 39 Marta tinha uma irmã, chamada Maria, que, assentada aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino. 40 Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então se aproximou de Jesus e disse:
— O Senhor não se importa com o fato de minha irmã ter deixado que eu fique sozinha para servir? Diga-lhe que venha me ajudar.
41 Mas o Senhor respondeu:
— Marta! Marta! Você anda inquieta e se preocupa com muitas coisas, 42 mas apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.
O texto nos diz que Jesus entrou na casa delas. Marta, agindo como seria perfeitamente esperado na cultura hospitaleira da época, estava completamente distraída e sobrecarregada com muito serviço, correndo de um lado para o outro para garantir que tudo estivesse perfeito e em ordem. Enquanto isso, Maria tomou uma atitude radical e até mesmo subversiva, ela simplesmente sentou-se aos pés do Senhor para ouvir as suas palavras, esquecendo-se completamente de todo o resto ao seu redor
Quando Marta se sentiu injustiçada e reclamou da falta de ajuda, Jesus olhou para ela com amor e disse que ela andava inquieta e muito preocupada com muitas coisas, mas que apenas uma única coisa era verdadeiramente necessária na vida. Ele afirmou claramente que Maria havia escolhido a melhor parte, e que essa parte valiosa nunca lhe seria tirada. Marta representa perfeitamente a distração, o ativismo exaustivo e a ocupação constante que a nossa cultura moderna tanto aplaude, incentiva e recompensa. Maria, por outro lado, representa a escolha corajosa da única coisa necessária, que é a atenção focada, devota e amorosa aos pés de Jesus.
A ciência da neurobiologia moderna hoje nos confirma algo muito interessante, aquilo que nós repetimos com frequência molda a estrutura física do nosso cérebro. Nós frequentemente pensamos que ser uma pessoa cronicamente distraída, estressada ou ansiosa é simplesmente o nosso traço de personalidade natural e imutável. Mas, na grande maioria das vezes, essas características comportamentais são apenas o resultado direto de maus hábitos de atenção que nós cultivamos ao longo de muitos anos. E a maravilhosa notícia é que hábitos ruins podem ser desconstruídos e transformados por meio de novas práticas.
O famoso Irmão Lourenço, um humilde monge que viveu no século dezessete, tinha como principal trabalho lavar pratos e limpar panelas na cozinha caótica, quente e barulhenta de um grande mosteiro. A despeito do ambiente agitado e pouco espiritual, ele experimentava ali, entre a água suja e as panelas gordurosas, a mesma paz profunda que sentia quando estava ajoelhado na capela recebendo a ceia. A grande lição aqui é descobrir como isso era possível para ele. Isso foi treinado com muita persistência diária. Ele aprendeu a disciplinar a sua própria mente para voltar a atenção para a presença amorosa de Deus repetidas vezes ao longo do seu exaustivo dia de trabalho braçal. Ele chamava isso de a prática da presença de Deus.
O nosso maior e mais feroz desafio hoje é a gestão e a proteção da nossa atenção. Nós vivemos imersos em uma economia bilionária que foi meticulosamente desenhada por engenheiros brilhantes para roubar e monetizar o nosso foco o tempo todo. Cada notificação do celular, cada e-mail urgente e cada nova manchete é um assalto planejado à nossa paz de espírito. E nós precisamos entender que sem atenção plena e focada, não existe absolutamente nenhuma possibilidade de oração verdadeira ou de intimidade real com o divino.
Aprender a estar com Jesus na era digital exige a imensa coragem de desacelerar o ritmo de forma drástica. O pensador cristão Dallas Willard cravou uma das frases mais importantes e proféticas para os nossos dias, afirmando que nós precisamos eliminar impiedosamente a pressa da nossa vida. A pressa é a grande inimiga oculta da vida espiritual, simplesmente porque a pressa mata o amor e destrói por completo a nossa capacidade de prestar atenção nas pessoas ao nosso redor e na voz mansa de Deus. O nosso problema atual não é a falta de um desejo genuíno pelas coisas divinas, é a nossa escolha constante de vivermos de forma reativa, correndo como a ocupada Marta em um mundo que é insuportavelmente ruidoso e veloz.
Parte 5, O custo do não discipulado e o convite para vir e ver
Parte 5, O custo do não discipulado e o convite para vir e ver
Quando chegamos a este ponto da reflexão sobre o discipulado, fica muito evidente que o nosso problema central não é e nunca foi a falta de informação bíblica ou teológica. Nós já ouvimos centenas de sermões excelentes e inspiradores, já lemos incontáveis vezes os textos bíblicos clássicos e temos acesso rápido aos melhores livros de teologia e formação espiritual na palma da nossa mão através dos nossos celulares.
O nosso verdadeiro e mais profundo problema prático é a tentativa constante e frustrada de tentar encaixar a pessoa de Jesus como um mero acessório dominical em uma vida que já está completamente cheia, saturada e transbordando de outras coisas e prioridades. Nós precisamos aceitar a dura e inegociável realidade de que simplesmente não existe a menor possibilidade de desenvolver uma vida profunda com Deus se não criarmos espaço intencional, margem de segurança e tempo de qualidade para Deus na nossa disputada agenda diária.
Seguir a Jesus de verdade no meio do caos moderno vai nos custar muito tempo, vai exigir que tomemos escolhas altamente difíceis e impopulares e vai demandar muita disciplina e foco da nossa parte. Seguir o Mestre vai significar, inevitavelmente e dolorosamente, ter que aprender a dizer não para muitas coisas boas e lícitas que nem são moralmente erradas em si mesmas, mas que infelizmente roubam o nosso precioso tempo e a nossa energia vital daquilo que é verdadeiramente essencial para a nossa alma.
Talvez, na prática da sua vida, isso signifique ter a coragem de diminuir drasticamente seus hábitos ou sua rotina garantindo assim que você acorde com a mente descansada e com disposição real para buscar o silêncio de Deus na manhã seguinte. Sim, existe um custo alto e diário em seguir Jesus de forma radical, mas nós precisamos sempre nos lembrar de que o preço de não o seguir é infinitamente maior, mais pesado e mais doloroso a longo prazo.
O grande teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer falava com muita paixão sobre o alto custo do discipulado em tempos difíceis, mas o autor Dallas Willard, olhando para os nossos dias de conforto vazio, sabiamente nos alertou sobre o alto custo do não discipulado. O custo terrível de rejeitar ou negligenciar esse caminho de proximidade é viver uma vida cronicamente fragmentada e desconectada.
É viver sempre correndo, sempre cansado, correndo atrás do vento, com a agenda sempre cheia de compromissos vazios de significado, mas com a alma seca, ressecada e nunca experimentando a verdadeira paz que excede todo o entendimento. É viver com aquela sensação constante e angustiante no peito de que falta algo vital para a sua existência, mesmo quando tudo na sua vida profissional, financeira e familiar parece estar caminhando de forma perfeita e invejável aos olhos do mundo ao seu redor.
E é exatamente no meio desse nosso enorme cansaço existencial que Jesus se levanta e nos faz o convite mais belo e transformador de toda a história humana. Ele chama a todos os que estão cansados e sobrecarregados pelo peso da vida e faz uma promessa ousada e garantida de verdadeiro descanso para as almas exaustas. Ele não nos oferece de forma fria um novo método religioso de cinco passos, nem uma nova filosofia moderna de autoajuda para aliviar o nosso estresse. Ele oferece o dom precioso de si mesmo.
O grande e inestimável prêmio de seguir a Jesus é ganhar o próprio Jesus como recompensa. É poder desfrutar de graça da amizade constante e íntima com o criador amoroso do universo e encontrar o descanso absoluto para a mente agitada e para a alma cansada.
Gosto muito da história de um velho e simples camponês que, ao ser questionado pelo padre sobre o que ele ficava fazendo sentado em silêncio na igreja todos os dias, resumiu a essência da mística cristã de forma perfeita ao responder que ele apenas olhava para Deus, Deus olhava para ele, e ambos eram imensamente felizes naquela simples comunhão. Esse estado de comunhão simples, de presença silenciosa e de amor puro é o verdadeiro, profundo e definitivo ápice da vida cristã.
Por isso, a minha recomendação final e mais sincera para você hoje é muito simples e prática. Não comece esta nova semana tentando mudar o mundo inteiro ao seu redor com a sua própria força ou tentando construir grandes projetos ativistas para Deus. Comece de forma humilde e invisível, simplesmente escolhendo estar com ele no silêncio seguro e solitário do seu quarto ou do seu carro. Encontre o seu lugar secreto, seja lá onde for, e seja radicalmente intencional nisso. Aprenda pacientemente a voltar o seu coração distraído para a presença real de Deus todos os dias.
No início dessa desafiadora jornada de formação espiritual, haverá muita distração, a sua mente vai vagar constantemente e o silêncio sem estímulos vai parecer constrangedor, improdutivo e muito estranho. Mas, se você decidir perseverar e não desistir, com o passar do tempo e a criação do hábito, a sua mente aprenderá a voltar para Deus de forma tão natural e automática quanto uma bússola que, independente de como você a mova, sempre ajusta o seu eixo e aponta firmemente para o norte magnético.
A regra da vida espiritual é clara e progressiva. Primeiro, você aprende a abrir espaço e a apenas estar com ele. Depois, por causa da convivência constante, você inevitavelmente começa a se tornar como ele em caráter. E, por fim, como um transbordar natural e inevitável dessa rica vida interior, você sai pelo mundo e faz as coisas boas que ele fez. Mas lembre-se de que toda essa maravilhosa jornada de profunda transformação e de paz inabalável começa hoje com um convite muito simples e gentil dos lábios de Jesus. Venha, e veja.
