SEJA UM PRATICANTE DA PALAVRA DE DEUS

EXORTAÇÕES PRÁTICAS PARA UMA VIDA CRISTÃ SAUDÁVEL  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão ensina, com base em Tiago 1:22-25, que a verdadeira vida cristã não consiste apenas em ouvir a Palavra de Deus, mas em praticá-la continuamente. Muitos se enganam ao pensar que ouvir sermões e frequentar a igreja é suficiente para a salvação, quando, na realidade, isso sem obediência resulta em autoengano. Tiago ilustra essa verdade comparando o ouvinte negligente a alguém que se olha no espelho e logo esquece sua aparência, enquanto o praticante examina atentamente a Palavra, persevera nela e a coloca em ação. Assim, a obediência é a evidência de uma fé genuína e o caminho para a bem-aventurança, pois somente aqueles que vivem a Palavra demonstram transformação real e agradam a Deus.

Notes
Transcript

SEJA UM PRATICANTE DA PALAVRA DE DEUS

Introdução:
Willian Barclay, em seu comentário da carta de Tiago, diz: “[O] homem que vai a uma reunião da Igreja, que ouve ali a leitura e a exposição da Palavra, pensa que esse ouvir já o tornou cristão. Engana-se a si mesmo, crendo que essa concorrência ao culto público, esse ouvir o que ali se lê e se diz, já é suficiente. Fechou os olhos ao fato de que o que se lê e se diz na igreja tem que ser vivido e praticado na vida.”
Isso que ele está falando é real e está presente em nossos dias. Muitos estão enganados quanto à vida cristã. Pensam que apenas por serem ouvintes da Palavra de Deus são salvos em Cristo. Não adiantará nada para um doente saber qual é o remédio para sua doença se não tomá-lo. Tiago nos ensina que ser um simples ouvinte não nos torna bem-aventurados. Isso revela o quanto estamos enganados. É apenas quando somos praticantes da Palavra de Deus que nos livramos do autoengano e nos tornamos bem-aventurados.
Lição: Ser um praticante da Palavra de Deus nos livra do autoengano e nos torna bem-aventurados.
Texto: Tiago 1.22-25.
Tiago escreve sua carta aos cristãos que estavam dispersos entre as nações. Seu propósito era estimular a perseverança em meio aos sofrimentos e incentivar uma vida cristã zelosa e piedosa. Esses cristãos estavam passando por problemas econômicos, comunitários e, provavelmente, perseguição. Esses problemas, e principalmente o problema econômico, estavam levando os crentes a terem uma visão errada sobre Deus: eles estavam vendo as provações de Deus como tentações de Deus. Isso levou Tiago a tratar, no começo da carta, sobre as provações (Tiago 1.2-18).
Em Tiago 1.19-27, Tiago continua suas exortações, porém apresentando exortações mais gerais: exortação sobre a conduta correta diante de Deus (Tiago 1.19-21), exortação sobre a prática da palavra (Tiago 1.22-25) e exortação sobre a religião pura (Tiago 1.26-27). O contexto de Tiago 1.2-27 acontece em meio a dificuldades financeiras vividas por muitos crentes e à forma dura, injusta e opressora dos seus senhores (cf. Tiago 5.1-6). Diante dessa situação, Tiago trata da forma como os cristãos devem falar, ouvir, praticar e manifestar a religião pura. Em Tiago 1.2-18, ele ensinou como encarar as provações; agora, em Tiago 1.19-27, ele mostra como isso deve ser na prática.
Tiago já falou sobre a prática da palavra, nos versículos 19 a 21 (“pronto para ouvir” e “acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada”). Agora, ele mostra a realidade espiritual do desobediente à Palavra, dá uma ilustração para exemplificar o desobediente e apresenta a bênção sobre o obediente. Para Tiago, não basta ser um ouvinte da Palavra de Deus; é preciso ser um praticante dela.
Ser um praticante da Palavra de Deus nos livra do autoengano (22-24).
Tiago começa com uma ordem: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes”. Aqui está bem claro que não devemos ser apenas ouvintes da Palavra de Deus. A razão que ele dá é bem simples e clara: o autoengano: “enganando-vos a vós mesmos”. A ideia aqui é que a própria pessoa está enganando, iludindo a si mesma, afirmando ser salva sem ser. É estar convencendo, persuadindo a si mesma de que está salva, que está no caminho certo sem estar.
Quando nossa vida não está fundamentada no ensino e na prática da Palavra de Deus, o resultado é o autoengano. O autoengano de viver no pecado, em desobediência a Deus e, por isso, longe d’Ele, e pensar que está tudo bem.
Tiago ilustra esse erro com alguém que contempla o rosto no espelho (vv. 23-24): “Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.”
Naquela época, qualquer superfície lisa ou polida era usada como espelho. A imagem era embaçada, totalmente diferente dos espelhos atuais. Somente os ricos tinham espelhos; os pobres raramente se viam em um espelho. Esse pode ser o caso da ilustração de Tiago. Aqueles que raramente se viam no espelho imediatamente se esqueciam do seu rosto. Assim, quem ouve e não pratica a Palavra de Deus logo se esquecerá dela e não viverá fundamentado nela. Isso não é vida cristã, é autoengano. O que nos livra do autoengano é ser um praticante da Palavra de Deus.
Ser um praticante da Palavra de Deus nos torna bem-aventurados (25).
Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.
Tiago apresenta o contrário do não praticante: o praticante da Palavra de Deus. Ele dá, pelo menos, três características do praticante:
É um examinador cuidadoso da Palavra: “considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade”. A lei perfeita é a lei de Cristo, ou seja, os Seus ensinamentos. Ela é a lei da liberdade, porque é por meio dela que somos livres do pecado. Quem é praticante da Palavra examina cuidadosamente a Palavra de Cristo.
É um perseverante na Palavra: “e nela persevera”. Não é só examiná-la cuidadosamente, mas também perseverar nela.
É um praticante da Palavra: “não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante”. Literalmente, Tiago está dizendo: “não sendo ouvinte de esquecimento”, ou seja, alguém que ouviu a Palavra e logo esqueceu. Essa não é a característica do praticante; ao contrário, ele é “operoso praticante”. Não existe o praticante que só escuta; existe o praticante que escuta e age.
Tiago diz que essa pessoa “será bem-aventurada no que realizar”. Ao ser praticante da Palavra de Deus, ela será bem-aventurada, feliz.
Outras bases bíblicas sobre o assunto:
O que Tiago está ensinando aqui é o mesmo ensino de Jesus: não basta ser um simples ouvinte da Palavra, é preciso obedecê-la (Mateus 7.21-25; Lucas 11.27-28; João 13.17).
Assim como Tiago e Jesus, o apóstolo João também alerta contra o perigo do engano: “Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.” (1João 3.7)
Reflexão:
A mentalidade cristã atual é que ser um crente é ir à igreja, aos domingos, e ouvir a Palavra de Deus. Tais crentes estão enganando a si mesmos com essa ideia de cristianismo. Eles convencem a sua mente e o seu coração de que estão agradando a Deus e que são salvos em Cristo pelo simples fato de serem membros da igreja e ouvirem a Palavra de Deus.
Tais pessoas estão cegas para a realidade cristã, para a regeneração realizada pelo Espírito Santo e para a transformação de vida pela obediência à Palavra. Muitos têm a ideia equivocada de que ouvir um bom sermão ou um bom estudo bíblico é o que as faz crescer espiritualmente e serem bem-aventuradas, mas isso não é verdade; é um grande erro. São crentes que conhecem a Bíblia, mas não a vivem em suas vidas. Pensam ser espirituais só porque ouvem a Bíblia, mas são tão carnais quanto as pessoas do mundo.
Aplicações:
Não nos deixemos enganar por nós mesmos; sejamos praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes. Porque conhecer a nossa pecaminosidade e a vontade de Deus e não fazer nada significa estar enganado.
Examinemos cuidadosamente a Palavra de Deus, busquemos conhecê-la cada vez mais, perseveremos nela e obedeçamo-la continuamente. É isso que nos livra do autoengano. É isso que nos torna bem-aventurados.
Nossa bem-aventurança está na obediência à Palavra de Deus. Nossa felicidade não está em conseguirmos realizar nossos sonhos ou ter inúmeros bens materiais ou uma boa saúde, mas em praticarmos, dia a dia, a Palavra de Deus.
Conclusão:
Uma pessoa que se diz crente, mas é apenas um ouvinte da Palavra de Deus, não é em nada diferente dos ímpios que conhecem a Bíblia. Ambos não têm Deus nem a vida transformada e se iludem com uma falsa salvação. O verdadeiro crente em Cristo Jesus não é o que apenas ouve a Palavra de Deus, mas é aquele que ouve e pratica.
Você é um simples ouvinte da Palavra de Deus ou um distinto ouvinte que a pratica?

Em duas ocasiões, Tiago usa a expressão aparentemente contraditória “a lei que dá liberdade” (1:25; 2:12), ambas em conexão com sua ênfase peculiar em não apenas ouvir, mas praticar a palavra (1:22). Essa expressão provavelmente vem da diáspora judaico-cristã e se refere principalmente às coletâneas de ditos de Cristo, como o Sermão da Montanha (

(b) O uso do NT exibe algumas nuances interessantes. Eleutheria nunca é usado no sentido secular de liberdade política. Disto se pode inferir que a recuperação da liberdade política de Israel não mais desempenhava um papel no pensamento dos escritores do NT. Jesus não era um messias político. O NT também se dissocia da ideia de liberdade como poder de fazer de si mesmo e de sua vida o que quiser. Em vez disso, eleutheria deve ser vista à luz da “liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (

a pessoa que ouve a Palavra, mas não a pratica, é como quem vê a própria pecaminosidade, mas não faz nada a respeito.
À luz de nossa conclusão acima de que a perspectiva moral deve ser preferida, parafrasearíamos 1.24 como: “eles esquecem a corrupção moral que viram na palavra”. Esse esquecimento é uma forma de “autoengano” (1.22c).
Não importa se significa “no processo de praticar” ou “como um produto do praticar”,148 ela se refere à vida sobre a terra: eles serão abençoados não por causa do “praticar”, mas ao “praticar”. Portanto, o favor divino àqueles que praticam as obras de misericórdia de Deus é experimentado tanto aqui e agora quanto no reino.
22 E sede praticantes da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. 23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não é praticante, esse é semelhante a um homem que examina detalhadamente o seu próprio rosto no espelho, 24 pois examinou a si mesmo e, ao sair, imediatamente se esquece de como era. 25 Mas aquele que examina cuidadosamente a lei da liberdade e persevera, não sendo ouvinte de esquecimento, mas praticante que age, esse será feliz na sua realização.
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