Romanos 13 - Estudo Esboço

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V. O poder transformador do evangelho: a conduta cristã (12.1—15.13)
A. O cerne da questão: transformação total (12.1,2)
B. A humildade e o serviço mútuo (12.3-8)
C. O amor e as suas manifestações (12.9-21)
☛ D. O cristão e as autoridades seculares (13.1-7)
E. O amor e a Lei (13.8-10)
F. Vivendo na luz do dia (13.11-14)
G. Um apelo por unidade (14.1—15.13)

O Cristão e as Autoridades Seculares

Texto Base: Romanos 13:1-7
Romanos 13.1–7 ARA
1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

I. Introdução ao Contexto de Romanos 13

Em contraste com a série de exortações que aparecem ligadas de forma mais solta em Romanos 12:9-21, encontramos em Romanos 13:1-7 uma argumentação coerente, bem organizada e focada em um único tema: a necessidade de submissão às autoridades governamentais.
A Estrutura do Texto: Esta passagem surge de repente no cenário da carta, sem uma ligação direta na construção das frases (conexão sintática) com o que veio antes. Inclusive, os versículos de Romanos 13:8-10, que destacam a centralidade do amor de Cristo na ética cristã, parecem se ligar melhor aos ensinos de Romanos 12:9-21.
O "Corpo Estranho": Por essas razões, Romanos 13:1-7 é visto por alguns como um “corpo estranho” dentro do bloco de Romanos 12:1-13:14. A passagem interrompe a explicação de Paulo sobre a natureza do amor e parece dar um apoio total a uma instituição (o governo) que pertence a este mundo passageiro (Romanos 13:11-14), ao qual fomos orientados a não nos conformar (Romanos 12:2).

Por que Paulo incluiu este ensino?

O ensino de Paulo sobre a natureza passageira deste mundo pode ser exatamente o motivo da inclusão desta passagem.
Reprimir o Extremismo: Seu propósito talvez fosse conter o extremismo de quem, ao focar na "nova era" e na "nova criação", passasse a rejeitar toda convenção humana e social, inclusive o governo.
O Exemplo de Corinto: Paulo escreve aos Romanos a partir de Corinto (veja 1Coríntios), cidade onde esse tipo de extremismo era evidente. Alguns cristãos poderiam argumentar: “A antiga era passou. Somos nova criação em Cristo e pertencemos ao Reino espiritual. Não precisamos obedecer a autoridades seculares de uma era extinta”.
Proteção Teológica: Paulo insere o texto como uma proteção. Embora não devamos nos conformar com "esta era" (Romanos 12:2), nem tudo no mundo faz parte dessa era decaída da mesma maneira.

II. A Fundamentação Espiritual do Governo

Embora o mundo seja influenciado pelo pecado, ele não foi abandonado por Deus.
Graça Comum: Deus estabeleceu instituições como o casamento e o governo, que possuem um papel positivo mesmo após a vinda de Cristo.
Vontade de Deus: A submissão às autoridades é um aspecto do “bem” que o cristão deve buscar para “aprovar” a vontade de Deus (Romanos 12:2).
A Questão da Vingança: O contexto de Romanos 12:19 (não se vingar) explica muito: para que ninguém achasse que os malfeitores ficariam impunes, Paulo mostra que Deus usa as autoridades para infligir Sua ira agora (Romanos 13:3-4).

O Contexto dos Impostos

Muitos estudiosos acreditam que os cristãos em Roma estavam sendo influenciados a resistir ao pagamento de impostos. Paulo conclui o ensino com um apelo prático sobre o pagamento de tributos (Romanos 13:6-7), seguindo o ensino de Jesus em Marcos 12:13-17: "Dai a César o que é de César".

III. Análise Detalhada da Linha de Raciocínio (Esboço do Parágrafo)

Ordem Geral: “Submetam-se às autoridades” (Romanos 13:1a).
Primeira Razão: Elas foram designadas por Deus (Romanos 13:1b).
Consequência da Resistência: O juízo de Deus (Romanos 13:2).
Segunda Razão: Os governantes são servos de Deus para recompensar o bem e punir o mal (Romanos 13:3-4).
Reiteração da Ordem: Submissão por causa da "ira" e da "consciência" (Romanos 13:5).
Apelo à Prática: O fato de pagarem impostos (Romanos 13:6).
Ordem Específica: Paguem impostos e respeitem as autoridades! (Romanos 13:7).

IV. Exposição dos Versículos

Romanos 13:1 – A Origem da Autoridade

O Comando: "Toda pessoa deve estar sujeita". Refere-se aos cristãos, mas aplica-se a todos.
Definição de Autoridade: No grego, refere-se ao exercício do poder legítimo. Jesus usou o mesmo termo em Mateus 28:18.
Submeter vs. Obedecer: Submeter-se é reconhecer o lugar de subordinado em uma hierarquia divinamente estabelecida. Paulo usa o mesmo termo para líderes espirituais (1Coríntios 16:16) e maridos (Efésios 5:24). A submissão é a regra, mas como Deus está no topo da hierarquia, atos de submissão humana são medidos pela nossa submissão maior a Ele.
Instituídas por Deus: Reflete o ensino de Daniel 4:17, onde o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens. Mesmo que governantes cheguem ao poder por força ou voto, a "mente transformada" vê a mão de Deus por trás do processo.

Romanos 13:2 – O Perigo da Rebeldia

Quem resiste à autoridade humana, resiste à "ordenação" de Deus.
O Juízo: Aqueles que se opõem persistentemente trazem juízo sobre si mesmos. Isso pode envolver a punição do Estado, mas refere-se principalmente ao juízo final de Deus contra quem se opõe à Sua vontade.

Romanos 13:3-4 – O Governante como "Servo de Deus"

O governo tem o papel de manter a ordem.
O "Diakonos" (Servo): Paulo chama o governante de servo de Deus. Assim como Ciro no Antigo Testamento, governantes podem servir aos propósitos de Deus mesmo sem o conhecerem.
A Espada: O governo "não empunha a espada em vão". Isso representa o direito legítimo de punir o crime. Ao punir o mal, a autoridade age como "instrumento de vingança" de Deus, exercendo a ira divina contra o pecado no tempo presente.

Romanos 13:5 – A Motivação do Cristão

Punição (Ira): Devemos obedecer para evitar o castigo.
Consciência: Esta é a razão principal. É o conhecimento de que o governo é uma ordenação providencial de Deus.
A Consciência Ética: Como em Êxodo 23:4, a consciência nos leva a fazer o que é certo mesmo quando ninguém está olhando. Não obedecemos apenas por medo, mas por integridade pessoal perante Deus.

Romanos 13:6-7 – Deveres Práticos e Dívidas

Pagar impostos é uma admissão da autoridade do governo.
Paulo lista quatro dívidas: Impostos diretos, impostos indiretos, respeito e honra.
Isso ecoa Marcos 12:17. Devemos "devolver" ao governo o que lhe é devido, reconhecendo que o serviço que prestam nos torna devedores de respeito.

V. Conclusão: O Equilíbrio Cristão e a Resistência

Historicamente, muitos tentaram evitar o sentido óbvio de Romanos 13:1-7, que parece exigir obediência absoluta. No entanto, o equilíbrio bíblico é necessário:
Limites da Obediência: Quando o governo exige algo contra Deus, aplica-se Atos 5:29: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens” (veja também Atos 4:18-20).
O Testemunho do Apocalipse: Em Apocalipse 14:12, vemos que a fidelidade a Cristo pode exigir resistência às pressões governamentais contrárias à fé.
Três Perspectivas sobre o Texto:
Perspectiva 1: Paulo seria ingênuo? Não. Ele conhecia o sofrimento de Israel sob pagãos e sabia que governantes mataram Jesus.
Perspectiva 2: O governo só deve ser obedecido se agir bem? Paulo não coloca condições explícitas, mas descreve o governo como ele deve ser. Se o governo exige adoração divina, ele perde sua prerrogativa.
Perspectiva 3 (Mais Provável): Submissão não é obediência cega. É reconhecer o lugar que Deus deu ao governo. Podemos nos submeter ao sistema e, ainda assim, recusar uma ordem específica que confronte a autoridade suprema de Deus.
Aplicação Final: Devemos dar graças pelo governo, orar pelos líderes (1 Timóteo 2:1-2) e seguir as leis, mas recusar ao Estado qualquer direito absoluto que pertença apenas a Deus.

O Amor e o Cumprimento da Lei

Referência Base: Romanos 13:8-10
Romanos 13.8–10 ARA
8 A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. 9 Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 10 O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.

I. Introdução: O Amor e a Lei (Romanos 13:8-10)

Paulo utiliza habilmente a ideia de “dívida” para fazer a transição de seu conselho sobre as autoridades governantes (Romanos 13:1-7) para sua exortação de amar ao próximo (Romanos 13:8-10).
A Transição da Dívida: No versículo 7, ele exorta: “Paguem a todos o que vocês devem” (Romanos 13:7). Ele repete essa exortação no versículo 8a, mas acrescenta uma exceção significativa: a dívida do amor de uns pelos outros.
Uma Dívida Infinita: Paulo indica que o amor é uma dívida que nunca pode ser paga integralmente. Nunca estaremos na posição de afirmar que “amamos o suficiente”.
Conexão com o Amor Sincero: Embora ligados aos versículos anteriores pela noção de dívida, os versículos 8 a 10 se conectam em conteúdo a Romanos 12:9-21, onde Paulo expôs o significado do “amor sincero”.
Nota explicativa: Estes versículos retornam à linha principal da pregação de Paulo após o conselho parentético (um comentário adicional ou explicação entre parênteses) sobre o governo em Romanos 13:1-7.
Olhando para o Futuro e para o Passado: Ao insistir que o amor cumpre a Lei, Paulo lança a base para sua repreensão tanto aos fortes quanto aos fracos (Romanos 14:1—15:13), que permitiam que discussões sobre regras da Lei perturbassem a unidade e o amor.
A Defesa do Evangelho: Paulo protege o evangelho de críticas. A afirmação de que os cristãos “não estão debaixo da Lei” (Romanos 6:14-15) poderia levar alguns a pensar em uma libertinagem (viver sem regras). Paulo rejeita isso ao afirmar que a obediência ao amor assegura o cumprimento completo da Lei.
Base no Ensino de Jesus: Paulo se baseia no ensino de Cristo. O próprio Jesus escolheu o mandamento do amor (Levítico 19:18) como um dos dois pilares de toda a Lei e os Profetas (Mateus 22:34-40; Marcos 12:28-34; Lucas 10:25-28; João 13:34-35).

II. A Dívida que Permanece (Romanos 13:8)

"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei." (Romanos 13:8)
Honestidade Financeira e Social: A exortação “Não devam nada a ninguém” não proíbe contrair dívidas (como financiamentos), mas exige que o cristão as quite pontualmente conforme o contrato.
A Exceção do Amor: A relação entre não dever nada e amar é adversativa (expressa um contraste). Devemos pagar tudo, exceto o amor, que deve ser pago continuamente. Como expressou Orígenes: “Que a sua única dívida não paga seja a do amor — uma dívida que você sempre deve tentar quitar inteiramente, mas que você nunca conseguirá quitar”.
Quem devemos amar? Embora o termo “uns aos outros” geralmente se refira a outros cristãos, o uso de “ninguém” e “o outro” exige que esse amor seja universal.
O "Próximo" Expandido: Como na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37), o "outro" pode ser um desconhecido ou até um hostil. O "amor sincero" (Romanos 12:9) inclui abençoar perseguidores (Romanos 12:14) e buscar o bem de todos (Romanos 12:17).
O Cumprimento da Lei: Paulo explica que quem ama o próximo tem cumprido a Lei (Mosaica). Há duas interpretações possíveis para isso:
Centralidade do Amor: O amor é o princípio orientador. Para dizer que "fizemos" o que a Lei exige, precisamos amar.
Cumprimento Escatológico (O cumprimento final e completo no plano de Deus): Esta é a mais provável. Somente os cristãos, pelo Espírito, podem "cumprir" a Lei (Romanos 8:4). Ao amar, o cristão satisfaz as exigências da Lei de forma completa na nova era inaugurada por Cristo.

III. O Resumo dos Mandamentos (Romanos 13:9)

"Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Romanos 13:9)
A Lei Resumida: Paulo defende que os mandamentos são “resumidos” em Levítico 19:18. Ele cita quatro mandamentos do Decálogo (Dez Mandamentos) e acrescenta “e se há qualquer outro”, incluindo todas as leis sobre relações humanas.
Ecoando Jesus: Paulo segue o Mestre ao interpretar o “próximo” como as pessoas em geral, e não apenas o compatriota judeu (Mateus 22:34-40; Lucas 10:25-37).
"Como a ti mesmo": Esta expressão não ordena o egoísmo. Ela reconhece que o ser humano naturalmente cuida de si. Essa mesma profundidade de cuidado deve ser direcionada ao próximo.
Substituição ou Foco? O cristão não está debaixo da autoridade impositiva (o peso da obrigação punitiva) da Lei Mosaica (Romanos 6:14-15; Romanos 7:4; Romanos 8:4). Ele está sob a “Lei de Cristo” (Gálatas 6:2; 1 Coríntios 9:19-21). O amor não apenas resume a lei antiga, mas torna-se a nova exigência vital.

IV. A Natureza Prática do Amor (Romanos 13:10)

"O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor." (Romanos 13:10)
O Amor é Inofensivo e Benéfico: A razão de o amor resumir a Lei é simples: “o amor não faz mal ao próximo”. Os mandamentos antigos visavam exatamente isso: impedir o dano e promover o bem.
Conclusão (Oun - "De sorte que"): Paulo conclui que o amor é o cumprimento da Lei.
A Tensão do "Já e Ainda Não": O cristão que ama leva a Lei à sua culminação (seu ponto mais alto). Contudo, este amor perfeito permanece impossível para o homem nesta vida. Enquanto nosso amor for incompleto, ainda precisaremos dos mandamentos para nos repreender e guiar.
Aplicação Final: Quando os crentes amam como devem, eles expressam nas circunstâncias concretas da vida o que a Lei sempre almejou. O amor não é apenas um sentimento, mas a ação de cumprir o que Deus sempre quis para o relacionamento humano.
Este é o esboço detalhado do seu estudo, revisado rigorosamente quanto à gramática e ortografia, organizado para ensino em ambiente eclesiástico. Conforme solicitado, nenhum conteúdo original foi removido ou resumido, as referências de notas foram excluídas e as citações bíblicas foram padronizadas.

Vivendo na Luz do Dia

Texto Base: Romanos 13:11-14
Romanos 13.11–14 ARA
11 E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. 12 Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13 Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; 14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

I. O Chamado para uma Nova Realidade (Contexto)

Paulo conclui suas exortações gerais aos cristãos romanos concentrando-se no mesmo ponto em que começou: o chamado para um modo totalmente novo de viver na luz da situação escatológica (ou seja, o entendimento de que vivemos nos tempos finais do plano de Deus).
O Sacrifício Vivo: Em Romanos 12:1-2, ele exorta os cristãos a se entregarem como um sacrifício vivo, adotando um modo de vida de acordo com a nova era à qual pertencem.
O Revestimento de Cristo: Em Romanos 13:11-14, ele exorta os cristãos a se revestirem do próprio Cristo (Romanos 13:14) e com a conduta (Romanos 13:12) que combina com aqueles que já vivem na luz do grande “dia” da salvação final que raiará em breve (Romanos 13:11-12).
Apoio Bíblico: 1João 2:8 — "Outra vez vos escrevo um mandamento novo... porque as trevas vão passando, e já a verdadeira luz ilumina."

A Perspectiva do Cristão: Passado, Presente e Futuro

O texto anterior encoraja os cristãos a olharem para o presente à luz do passado: em virtude da morte e ressurreição de Cristo, a “antiga” era foi transcendida por uma nova.
O cristão deve manifestar em sua vida os valores dessa nova era, apropriando-se do poder disponível no evangelho para renovar a mente e transformar a conduta.
O texto agora diante de nós muda de perspectiva e encoraja os cristãos a olharem para o presente à luz do futuro, pois, embora tenham sido transferidos pela graça de Deus para o novo domínio da justiça e da vida, eles ainda aguardam a salvação plena e final (Romanos 5:9-10), “a redenção do corpo” (Romanos 8:23).
Princípio Central: A transformação que o evangelho tanto exige quanto capacita flui da obra de Cristo já realizada. No entanto, ela também aguarda a conclusão do processo naquele dia em que seremos totalmente “conformados à imagem de seu Filho [de Deus]” (Romanos 8:29). Nós, cristãos, não somente devemos “nos tornar o que somos”, mas também devemos “nos tornar o que um dia seremos”.

II. A Divisão do Texto (Romanos 13:11-14)

O trecho se divide naturalmente em duas partes fundamentais:
A Seção Indicativa (O que Deus diz sobre o tempo): Paulo nos lembra da natureza do “tempo” (Romanos 13:11-12).
A Seção Imperativa (O que Deus ordena que façamos): Paulo nos chama à ação à luz do “tempo” (Romanos 13:12-14).
Os imperativos (ordens) ocorrem em três pares de contraste:
“Dispam-se… / Revistam-se…” (Romanos 13:12);
“Vivam de forma decente… / Não em…” (Romanos 13:13);
“Revistam-se do Senhor Jesus Cristo / Não façam provisão alguma para a carne” (Romanos 13:14).
Apelar para a iminência da volta de Cristo como base para uma exortação é um padrão comum do Novo Testamento, enraizado no próprio ensino de Jesus. Os paralelos específicos na formulação entre esse parágrafo e outros textos paulinos (especialmente 1Tessalonicenses 5:1-10) confirmam a natureza tradicional do que Paulo está dizendo aqui aos cristãos romanos.

III. Entendendo o Tempo (Romanos 13:11-12)

1. O Momento Oportuno

A palavra “isto” poderia se remeter imediatamente em retrospecto ao mandamento do amor nos versículos 8 a 10, mas ela provavelmente alude a todas as exortações de Romanos 12:1—13:10. Tudo o que Paulo estabeleceu como a vontade de Deus para nosso serviço sacrificial na nova era de redenção deve ser feito porque entendemos o “tempo”, ou o “momento oportuno”, em que vivemos.

2. Três Explicações sobre o Tempo

Paulo acrescenta três afirmações para explicar o que quer dizer com “tempo”:
Despertar do Sono: “Já é hora de vos despertardes do sono” (Romanos 13:11).
O Avanço da Hora: “Vai alta a noite, e vem chegando o dia” (Romanos 13:12).
A Proximidade da Salvação: “A nossa salvação agora está mais perto do que quando cremos” (Romanos 13:11).
Iluminação Prática: Em uma sociedade governada pelo Sol, as pessoas se levantavam quando alvorecia. Somente os preguiçosos ficariam na cama após o primeiro brilho da luz do dia. Paulo não quer nenhum preguiçoso entre os seus leitores. Os cristãos devem estar alertas e ávidos para “apresentarem o seu corpo como sacrifício vivo”.

3. A Noite e o Dia

O Dia: É uma referência ao “Dia do Senhor/Jesus Cristo” (a volta de Cristo e a redenção final).
A Noite: Alude à “presente era má” (Gálatas 1:4).
Levantar do sono: Significa rejeitar a “absorção pela presente era da noite”, evitando a conformidade com o mal (Romanos 12:2).
Apoio Bíblico: Mateus 24:42 — "Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor."

IV. A Certeza da Volta de Cristo

A “salvação” mencionada por Paulo aqui refere-se à conclusão da obra de Deus em favor da igreja na hora da volta de Cristo (a libertação final do pecado e da morte).
Embora alguns questionem o fato de Cristo não ter voltado imediatamente, Paulo não fundamenta suas exortações na convicção de que a parúsia (volta de Cristo) ocorreria em dias contados, mas na convicção de que ela era sempre iminente — sua vinda é certa e sua hora é incalculável.
“Na certeza do acontecimento a nossa fé está baseada: pela incerteza do tempo a nossa esperança é estimulada e a nossa vigilância é despertada.”

V. A Troca de Vestimentas (Romanos 13:12-13)

1. Despir e Vestir (Romanos 13:12)

Paulo usa a imagem da troca de roupa. As trevas caracterizam a presente era má; a luz caracteriza a nova era de salvação.
Obras das Trevas: Atividades do domínio mau que devemos renunciar.
Armas da Luz: Paulo substitui "obras" por "armas" porque o cristão está em um combate espiritual. Precisamos dessas armas para defender e estender a luz (Colossenses 1:12-13).
Apoio Bíblico: Efésios 6:11 — "Revesti-vos de toda a armadura de Deus..."

2. Andar de Forma Decente (Romanos 13:13)

O termo “andar” refere-se à conduta diária. Nossa vida deve ser “decente” (decorosa, apropriada). Devemos viver “como em pleno dia”, ou seja, como aqueles que já experimentam as bênçãos da era de Cristo, mesmo ainda aguardando sua fase final.

3. Três Pares de Vícios a Evitar

Paulo lista o que não combina com a luz:
Beber excessivamente e má conduta sexual: Pecados típicos da "noite".
Brigas e Inveja: Possivelmente citados para tratar as divisões entre os cristãos romanos (Romanos 14:1—15:13).

VI. Revestindo-se de Cristo (Romanos 13:14)

1. O Novo Homem

Não devemos vestir apenas uma armadura, mas o próprio Senhor Jesus Cristo. Pelo batismo e conversão, fomos incorporados em Cristo, compartilhando de Sua morte e ressurreição (Romanos 6:3-6). O "velho homem" (identidade com Adão) foi cortado, e nos revestimos do "novo homem" (Gálatas 3:27; Colossenses 3:10-11).

2. A Manifestação do Caráter

“Revestir-se do Senhor Jesus Cristo” significa abraçar Cristo conscientemente, de modo que o Seu caráter seja visto em tudo o que fazemos. É o processo de ser transformado à imagem do Filho (Romanos 8:29).
* Apoio Bíblico: 2Coríntios 5:17 — "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."

3. O Cuidado com a Carne

Paulo adverte: “não façam provisão alguma para a carne praticar os seus desejos”.
Carne: Aqui, representa o princípio e o poder da vida neste mundo que nos afasta de Deus.
Em vez de seguir impulsos carnais, devemos abraçar a Cristo, que, por meio do Espírito, nos dá vitória completa sobre a carne (Gálatas 5:13-26).
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