DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO
O SERMÃO DO MONTE • Sermon • Submitted • Presented
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LEITURA DO TEXTO
LEITURA DO TEXTO
— Também foi dito: “Aquele que repudiar a sua mulher deve dar-lhe uma carta de divórcio.” Eu, porém, lhes digo: quem repudiar a sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a se tornar adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
O que é o casamento? Uma união meramente sexual? Um compromisso momentâneo de se praticar um sentimentalismo vago? Ou uma aliança de uma só carne que envolve a presença de Cristo e possui a marca do compromisso de se permanecer unido e em parceria na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, de modo que apenas a morte possa ser capaz de fazer a separação?
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Em 2024, o Brasil registrou 428.301 divórcios entre casais heterossexuais, com tendência de casamentos mais curtos e divórcios ocorrendo em idades médias de 44,5 anos para homens e 41,6 anos para mulheres.
Números Recentes
Números Recentes
Em 2024, o total de divórcios no Brasil foi de 428.301, representando uma queda de 2,8% em relação a 2023, quando foram registrados 440.827 divórcios. Apesar da redução no número total, os casamentos têm durado menos: a duração média caiu de pouco mais de 17 anos em 2004 para 13,8 anos em 2024. globo.com+1
A idade média ao se divorciar também mostra diferenças de gênero: os homens se divorciam em média aos 44,5 anos, enquanto as mulheres aos 41,6 anos. UOL
Diferenças Regionais
Diferenças Regionais
O comportamento do divórcio varia por região: em 2024, houve aumento apenas na região Norte (+9,1%), enquanto Sul (-1,4%), Sudeste (-2,5%), Nordeste (-3,1%) e Centro-Oeste (-11,8%) registraram queda. UOL
Tipos de Divórcio
Tipos de Divórcio
No Brasil, o divórcio pode ser judicial ou extrajudicial. O divórcio extrajudicial, realizado em cartório, exige consenso entre as partes e não pode envolver filhos menores ou incapazes. Caso haja conflito ou filhos menores, o divórcio deve ser feito judicialmente. Jornal da USP
A principal causa de divórcio no Brasil é a combinação de problemas financeiros, falta de comunicação e imaturidade emocional, que frequentemente levam ao desgaste do relacionamento.
Fatores mais comuns
Problemas econômicos: Dificuldades financeiras geram estresse, insegurança e frustração, afetando diretamente a estabilidade do casal e a realização de planos de vida em conjunto.
Falta de comunicação: A ausência de diálogo aberto e eficiente provoca mal-entendidos, acúmulo de frustrações e distanciamento emocional, tornando difícil resolver conflitos.
Imaturidade emocional: Especialmente entre homens mais jovens, a imaturidade pode dificultar a resolução de problemas e a construção de uma relação sólida.
Falta de intimidade: A ausência de conexão sexual e afetiva enfraquece a relação, prejudicando a proximidade emocional e aumentando o risco de separação.
Infidelidade: A quebra de confiança e lealdade conjugal é um fator crítico que muitas vezes torna a reconciliação difícil.
Vícios e comportamentos destrutivos: Alcoolismo, jogos, consumismo ou uso excessivo de redes sociais podem gerar instabilidade e afetar a confiança entre os parceiros.
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Os casamentos em média estão durando no Brasil menos de 15 anos. Você acredita que cristãos professos pertencem a essa estatística? Neste sermão falaremos sobre a interpretação de Jesus da lei mosaica do divórcio e mais uma vez, o buraco aqui é mais embaixo.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
Mateus 5.31–32 “— Também foi dito: “Aquele que repudiar a sua mulher deve dar-lhe uma carta de divórcio.” Eu, porém, lhes digo: quem repudiar a sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a se tornar adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.”
A discussão sobre adultério e pureza leva naturalmente à questão do divórcio. Os judeus da época de Jesus tinham ouvido que o homem que quisesse se divorciar de sua mulher tinha de lhe dar um documento de divórcio. Na verdade, isso não era totalmente verdadeiro. Vamos ler Deuteronômio 24.1-4
— Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele escrever uma carta de divórcio e a entregar à mulher, e a mandar embora; e se ela, saindo da casa dele, for e se casar com outro homem; e se este passar a odiá-la, e escrever uma carta de divórcio e a entregar à mulher, e a mandar embora de sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, então o primeiro marido dessa mulher, que a mandou embora, não poderá casar-se de novo com ela, depois que foi contaminada, pois é abominação diante do Senhor. Assim, vocês não farão pecar a terra que o Senhor, seu Deus, lhes dá por herança.
A essência desta passagem é: se um homem descobre alguma impureza em sua mulher e se divorcia dela, lhe entregando um documento de divórcio, e ela depois se casa com outro homem que também acaba se divorciando dela, então o primeiro marido não pode se casar de novo com ela.
Na época de Jesus, esse importantíssimo princípio havia sido colocado de lado com o intuito de concentrar a atenção na “impureza” que tornaria legítimo o primeiro divórcio. A expressão colocada nesse caso para “impureza” só é usada outra vez no Antigo Testamento, quando se refere à purificação moral humana. Não está claro a que impureza sexual Deuteronômio 24.1 se refere. De qualquer modo, se trata, mesmo na perspectiva de Moisés, de algo fora do normal. Sendo que, nos dias de Jesus, alguns até ensinavam que podia ser alguma imperfeição da esposa de caráter absolutamente trivial, como servir ao marido um arroz queimado ou um arroz papa.
Mas Jesus não permite falsos argumentos. Aqui, assim como em Mateus 19, ele volta aos primeiros princípios.
Alguns fariseus se aproximaram de Jesus e, testando-o, perguntaram:
— É lícito ao homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo?
Jesus respondeu:
— Vocês não leram que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: “Por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, que ninguém separe o que Deus ajuntou.
Os fariseus perguntaram:
— Então por que Moisés ordenou dar uma carta de divórcio e repudiar a mulher?
Jesus respondeu:
— Foi por causa da dureza do coração de vocês que Moisés permitiu que vocês repudiassem a mulher, mas não foi assim desde o princípio. Eu, porém, lhes digo: quem repudiar a sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério.
No começo, Deus fez um homem e uma mulher, e eles foram unidos. No início, todo divórcio era inconcebível; quando Deus criou homens e mulheres, não deu nenhuma permissão para isso. O Criador disse: “Por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”? (Mateus 19.5)
Jesus acrescenta: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, que ninguém separe o que Deus ajuntou.” (Mateus 19.6)
De fato, Deus odeia o divórcio. Malaquias 2.16 “Porque o Senhor, o Deus de Israel, diz que odeia o divórcio e também aquele que cobre de violência as suas roupas, diz o Senhor dos Exércitos. Portanto, tenham cuidado e não sejam infiéis.”. Dentro dessa estrutura, portanto, é óbvio que, se Moisés permitiu o divórcio por alguma impureza repulsiva, isso foi uma exceção que sua justificativa no coração duro e pecaminoso do homem.
Em Mateus 5.31-32, Jesus esclarece as ideias erradas e mostra para qual direção o Antigo Testamento aponta. Qualquer um que se divorcie de sua mulher está errado, porque está fazendo que ela cometa adultério caso venha a se casar com outro, já que o primeiro vínculo não está rompido. Se segue então que o homem que se casa com uma divorciada também está cometendo adultério. Diante de Deus, ele está de fato se casando com a mulher de outro homem (5.32). A única exceção que Jesus faz é a “fornicação”. Cristãos de diferentes formas de pensar têm dito que essa palavra se refere a todo tipo de pecados específicos; mas, até onde tenho ciência, esse é um termo que inclui o contexto de toda irregularidade sexual. Para um casal casado, envolve infidelidade sexual. Mesmo nesse caso, o homem não é obrigado a se divorciar de sua mulher, mas tem a permissão para fazer isso como uma concessão. A mesma condição de exclusão aparece em Mateus 19 e se refere tanto ao divórcio quanto ao novo casamento.
Isso não é tudo o que a Bíblia tem a dizer sobre assunto, e precisamos ter muito cuidado ao juntar todos os pedaços. No entanto, esse é o cerne da questão, e nossa geração precisa ser confrontada com tais exigências. Antigamente o divórcio era um problema raramente encontrado no meio evangélico. Para nossa vergonha, isso mudou. Nossa sociedade, incluindo muitos cristãos professos, rejeito o conceito bíblico de amor e casamento. O amor passou a ser uma mistura de desejo físico e sentimentalismo volúvel; o casamento se tornou uma união sexual provisória que dura até o momento em que esse amor pífio, superficial e nanico acaba.
APLICAÇÕES
APLICAÇÕES
1- Casamento são para os fortes! Ambos os cônjuges devem persistir no casamento se esforçando para melhorar o relacionamento exatamente porque prometeram, diante de Deus e dos homens, viver juntos e amar um ao outro em todas as circunstâncias (boas ou ruins), até que a morte os separe.
D. A. Carson: “Amor é o compromisso determinado de procurar o bem do outro, tratar com carinho, proteger, cuidar, edificar e ser paciente. Esse compromisso, posto em prática por causa da profunda obediência a Deus, também traz consigo os aspectos emocionais e sentimentais do amor.”
2- O espírito da Lei e dos Profetas é ensinado e revelado por Jesus no Sermão do Monte: temos que ser extremamente puros e santos, e toda tentativa de se banalizar essa pureza deve ser prontamente rejeitada pelos embaixadores do reino dos céus e discípulos do Mestre Jesus.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Jesus traz essa ideia mais elevada de casamento quando, com apenas uma exceção, proíbe terminantemente o divórcio. E é esse conceito elevado do casamento que sublinha as palavras fortes de Jesus a respeito da cobiça (Mateus 5.27-30) e dá unidade a esse bloco temático (5.27-32). Casamento não é sujo, sexo não é imundície. Ambos são dons maravilhosos do Criador, mas são prostituídos pela luxúria e manchados pelo divórcio.
Se queremos seguir Jesus do jeito que Jesus quer ser seguido, temos que olhar o casamento e o divórcio da maneira como Ele olha. Obviamente temos que observar a realidade atual da violência doméstica (da parte dos homens, mas também das mulheres), e considerar casos e casos pastoralmente observando a particularidade e a peculiaridade de cada circunstância, mas o princípio é que os casamentos só se dissolvam quando todas as tentativas de reconciliação se esgotam — e o que põe a integridade física de um dos cônjuges em risco não há o que discutir, pois entra no âmbito criminal.
Os embaixadores do reino dos céus e discípulos do Mestre Jesus lutam por construir e permanecer em casamentos santificados pelo evangelho, odeiam o divórcio e confrontam toda impiedade, pecado e crime que possa acontecer no ambiente conjugal e que não apenas comprometa a reputação de Cristo e do evangelho, mas coloque em risco pessoas inocentes. O assunto é denso e complexo, de modo que precisamos tratar mais vezes em outras oportunidades, mas vale ressaltar que Jesus é exaltado num casamento bíblico e o seu nome é manchado quando o pecado cresce num casamento entre cristãos ao ponto de se chegar inevitavelmente num divórcio. Ele morreu e ressuscitou dos mortos para tornar vivos todos os nossos relacionamentos, especialmente o mais profundo deles que é o casamento. Oremos para que sejamos santos, puros e comprometidos com a santidade conjugal. Amém.
Vamos orar.
