Quando as promessas se juntam com a fé
Você não sabe? Você não sente? Você não experimenta às vezes como o calor da paixão assola a carne, a raiva é furiosa na mente, a palavra de indignação e amargura está a ponto de irromper, e como o mar quando é agitado com veemência pelo vento, todos os pensamentos íntimos de um homem são perturbados? Mas se Jesus levanta Sua cruz sobre este mar, tudo se silencia, tudo se acalma.
1 Deus nos deixou a promessa de que podemos receber o descanso de que ele falou. Portanto, tenhamos muito cuidado para que Deus não julgue que algum de vocês tenha falhado, deixando assim de receber esse descanso. Cap 4.1 NTL
καταπαυσις katapausis - “dar descanso”
(ou seja, fazer cessar o sofrimento),
O AT é visto assim como apontando para além de si mesmo; num verdadeiro cumprimento, Deus trará um descanso que, adequadamente, corresponde ao seu próprio descanso.
No livro de Êxodo lemos como o povo de Israel caminhou pelo deserto durante quarenta anos. Muitos ficaram para trás e, por sua desobediência e falta de fé, não lhes foi permitido descansar na terra prometida.
4:1 Ninguém deve pensar que a promessa de descanso não é mais válida. Ela nunca teve cumprimento completo e final no passado; portanto, a oferta ainda tem efeito.
todos os que professam ser cristãos devem ter a certeza de que não falharam no objetivo.
Se a confissão deles é vazia, há sempre o perigo de se desviar de Cristo e adotar algum sistema religioso ineficaz para a salvação.
4:2 A nós foram anunciadas as boas-novas — da vida eterna por meio da fé em Cristo.
4:3
os que creem são os únicos que entrarão no descanso final de Deus em glória.
“Assim, jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso’ ” (cf.
Não entrarão no meu descanso. O tempo futuro sugere que o descanso de Deus ainda é uma opção válida, embora alguns o tenham perdido pela desobediência. Esse descanso continua disponível, apesar de as obras de Deus estarem concluídas desde a fundação do mundo.
4:5 “Não entrarão no meu descanso”. Ele, de fato, está afirmando: “Não restrinja, em seu pensamento, o descanso de Deus ao que sucedeu em
4:6 Até este ponto da argumentação, vimos que, desde a criação, Deus tem oferecido descanso à humanidade. A porta de entrada esteve sempre aberta.
Os israelitas no deserto não entraram por causa da desobediência. Mas isso não significa que a promessa não estava mais em vigor.
4:7 “Hoje” como o dia de oportunidade. a promessa de Deus de descanso não cessou com os israelitas no deserto. Na época de Davi, Deus ainda suplicava aos homens que confiassem e não endurecessem o coração.
4:11 Devemos nos esforçar para ter a certeza de que a nossa única esperança é Cristo, o Senhor, e devemos com diligência resistir a qualquer tentação.
4:12 Os próximos dois versículos contêm uma séria advertência de que a descrença nunca fica encoberta. Primeiro ela é detectada pela palavra de Deus (o termo usado aqui para palavra é logos, usado por João no prólogo do seu evangelho. Contudo, esse versículo refere-se não ao Verbo, Jesus, mas à palavra escrita, a Bíblia). Essa palavra de Deus é:
• viva: constante e efetivamente viva;
• eficaz: cheia de poder, enérgica;
• cortante: mais do que qualquer espada de dois gumes;
• penetrante: penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, duas partes invisíveis e não materiais do homem. Penetra juntas e medulas: as juntas, permitindo os movimentos externos; e as medulas, escondidas, mas vitais para os ossos;
• apta para discernir: perspicaz e com senso de juízo quanto aos pensamentos e propósitos do coração. É a palavra que nos julga; não somos nós que julgamos a palavra.
4:13 Em segundo lugar, a descrença é descoberta pelo Deus vivo. O pronome, aqui, muda de impessoal para pessoal: E não há criatura que não seja manifesta na sua presença. Nada escapa à percepção divina. Deus é absolutamente onisciente. Ele está sempre alerta a tudo o que acontece no universo. O ponto importante no contexto, claramente, é o fato de que Deus sabe onde há verdadeira fé e onde há apenas concordância intelectual.
4:14 Os versículos seguintes abordam de novo a forte linha de pensamento que o autor havia apresentado em 3:1, exibindo Cristo como o grande Sumo Sacerdote. Cristo é o grande recurso de seu povo necessitado, capaz de impedi-lo de cair. Eles também mudam a ênfase “da palavra investigadora para o Senhor compadecido”. Quando a palavra nos é totalmente exposta (v. 12–13), podemos nos chegar a ele pela misericórdia e graça.
Veja a superioridade do nosso maravilhoso Senhor:
1. Ele é um grande Sumo Sacerdote. Existiam muitos sumos sacerdotes no sistema mosaico, mas nenhum deles foi chamado grande.
2. Ele penetrou o céu atmosférico, o céu das estrelas e o terceiro céu, a morada de Deus. É evidente que é uma referência à ascensão e glorificação à direita do Pai.
3. Ele é humano. Jesus foi o nome dado a ele no nascimento e é particularmente vinculado à sua humanidade.
4. Ele é divino. Filho de Deus, quando referido a Cristo, expressa sua absoluta igualdade com Deus Pai. Sua humanidade o qualifica do nosso ponto de vista; sua divindade, do ponto de vista de Deus. Não é de surpreender que ele seja chamado o grande Sumo Sacerdote.
4:15 Em seguida, devemos considerar também sua experiência. Ninguém pode realmente compadecerse de outra pessoa, a menos que tenha passado por uma experiência similar. Como homem, nosso Senhor participou de nossas experiências e pode, portanto, entender as provações que suportamos. (Ele não pode, porém, se compadecer de nosso mau comportamento, pois ele nunca o experimentou.)
Cristo sabe o dissabor
Do coração que sofre dor.
Ele foi tentado em todos os sentidos, à nossa semelhança, mas sem pecado. As Escrituras conservam com zelo a perfeição sem pecado do Senhor Jesus, e nós também deveríamos fazê-lo. Ele não conheceu pecado (
4:16 Agora é estendido o gracioso convite: aproxime-se com confiança do trono da graça. Nossa confiança está baseada no conhecimento de que ele morreu para nos salvar e agora vive para nos proteger. Temos a garantia de um cordial “bem-vindo”, pois ele disse que nos achegássemos.
As pessoas na época do AT não podiam se aproximar dele. Somente o sumo sacerdote podia fazê-lo, e somente em determinado dia do ano. Podemos estar na presença de Deus a qualquer hora do dia ou da noite para recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. Sua misericórdia cobre o que não deveríamos ter feito. Sua graça nos dá poder para fazer o que devemos, mas não temos o poder.
Morgan escreve de modo útil:
Nunca me canso de destacar que a frase grega traduzida por “ocasião oportuna” é um coloquialismo, equivalente exato de “na hora H”. “Que possamos receber misericórdia e achar graça para socorro na hora H”, ou seja, graça exatamente quando e onde preciso. Você é tomado por uma tentação. No momento do ataque, você olha para ele, e a graça está ali para ajudar na hora H. Não há adiamento de sua petição até a hora noturna de oração. Ali, na rua da cidade, com a tentação flamejante diante de você, volte-se para Cristo com um grito de socorro, e a graça estará ali na hora H.
