O FAVORITISMO E A SUA CONSEQUÊNCIA INTERNA

EXORTAÇÕES PRÁTICAS PARA UMA VIDA CRISTÃ SAUDÁVEL  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 10 views

O sermão expõe, com base em Tiago 2.1-4, que o favoritismo é incompatível com a verdadeira fé em Jesus Cristo, pois leva os crentes a fazer distinção entre pessoas com base na aparência, posição social ou condição econômica. Tiago mostra que a prática da fé deve ser acompanhada de boas obras e de imparcialidade nos relacionamentos, tanto dentro quanto fora da igreja. Ao condenar a preferência dada aos ricos em detrimento dos pobres, o texto revela que o favoritismo nasce de uma compreensão errada sobre nós mesmos, sobre Deus e sobre a graça divina. Diante de Deus, todos são igualmente pecadores e totalmente dependentes da graça para a salvação; portanto, ninguém é superior a ninguém. Assim, tratar pessoas de forma desigual demonstra falta de entendimento da justiça e da graça de Deus. O sermão conclui exortando a igreja a abandonar toda forma de parcialidade e a tratar igualmente todas as pessoas, sem acepção, independentemente de raça, condição social, idade ou qualquer outra diferença externa.

Notes
Transcript

O FAVORITISMO E A SUA CONSEQUÊNCIA INTERNA

Introdução:
No capítulo 1, nos versículos 2 a 18, Tiago tratou sobre as provações. Os crentes estavam passando por provações nas áreas econômica e social e não estavam vendo isso com bons olhos. Isso os levou à tristeza, ao desânimo, à visão errada sobre Deus, à cobiça por coisas materiais e ao foco errado, chegando ao ponto de ver as provações como tentações vindas de Deus. Tiago os exorta a se alegrarem e perseverarem nas provações, a pedirem sabedoria a Deus para lidar com elas, caso não a tivessem, a se gloriarem em sua posição em Cristo, a verem a bem-aventurança de suportar a provação, a enxergarem que a tentação vem do nosso próprio desejo pecaminoso e a entenderem que toda boa dádiva vem de Deus. Em seguida, nos versículos 19 a 27, ele traz exortações gerais sobre a conduta cristã correta, sobre a prática da Palavra e sobre a religião pura.
No capítulo 2, Tiago mantém o mesmo foco do final do capítulo anterior: a prática do que se crê. Da prática da Palavra, Tiago passa para a prática da fé, ou seja, a fé manifestada na prática de boas obras. Para Tiago, as obras são consequências naturais de uma fé verdadeira. Fé e obras andam juntas na vida de um verdadeiro crente.
O capítulo 2 pode ser dividido em duas partes: “A fé com favoritismo é pecado” (Tiago 2.1-13) e “A fé sem obras é morta” (Tiago 2.14-26). A primeira parte pode ser subdividida em três seções: “As consequências do favoritismo” (vv. 1-4), “A contrariedade do favoritismo à atitude de Deus” (vv. 5-7) e “A contrariedade do favoritismo à lei de amar o próximo” (vv. 8-13). Começaremos com “As consequências do favoritismo”. Essa parte será dividida em dois sermões. Neles, veremos duas consequências: a distinção na igreja e os juízos provenientes de pensamentos perversos. Hoje veremos “A distinção na igreja”. Essa distinção ocorre tanto em relação aos descrentes quanto em relação aos crentes. Tiago nos ensina que o favoritismo nos leva a fazer distinção entre nós mesmos, isto é, entre o próprio povo de Deus.
Lição: O favoritismo nos leva a fazer distinção entre nós mesmos.
Texto: Tiago 2.1-4.
O contexto literário
Tiago 2.1-13 é um parágrafo em que Tiago desenvolve completamente uma ideia: a fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo é incompatível com o favoritismo, pois este constitui pecado. Esse parágrafo é uma exortação à comunidade cristã à imparcialidade nos relacionamentos, internos e externos. Nele também encontramos alusões ao Antigo Testamento (e.g., Levítico 19.18).
Contexto histórico
A opressão dos ricos sobre os pobres era muito comum em grande parte do Império Romano. A comunidade cristã à qual Tiago escreve esta carta era, em sua maioria, pobre e estava sofrendo opressão dos ricos (Tiago 2.6-7; 5.1-6). Contudo, a tentação de convertê-los ou de torná-los visitantes constantes era frequente. Provavelmente, o interesse era obter ajuda financeira ou algum outro tipo de auxílio dos ricos. Por isso, buscavam agradá-los para que se sentissem à vontade na igreja, em prejuízo do pobre. Essa conduta era imoral (Tiago 2.4). A imparcialidade aplicava-se às questões jurídicas, mas Tiago deixa claro que, para o povo de Deus, ela também se aplica às questões relacionais.
Era do conhecimento dos judeus que Deus não aceitava favoritismo, parcialidade ou acepção de pessoas (Levítico 19.15; Deuteronômio 1.17; 16.19; 2Crônicas 19.7; Provérbios 24.23; 28.21). Deus não é parcial e deseja que o Seu povo também não seja. Além disso, a imparcialidade nos relacionamentos cumpre o mandamento de amar o próximo. O cumprimento desse mandamento é a manifestação prática de obediência a Deus e de fé em Jesus Cristo.
Explicação do texto
A tese de Tiago está no versículo 1: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.” Havia, naquela comunidade cristã, o problema do favoritismo. Tiago mostra que isso é totalmente incompatível com a fé em Jesus Cristo.
Ao chamá-los de “meus irmãos”, ele os reconhece como crentes em Cristo Jesus. Porém, busca alertá-los contra a religião vã (cf. Tiago 1.26-27) ou a fé morta (cf. Tiago 2.14-26). De fato, viver de maneira parcial, fazendo acepção de pessoas, é transgredir o mandamento de amar o próximo e, com isso, viver em pecado. Por isso, Tiago ordena: “não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.” Ou seja, não tenham fé em Jesus Cristo enquanto praticam acepção de pessoas. As duas coisas não são compatíveis.
Tiago, então, dá uma ilustração, versos 2 e 3: “Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés,” Os ricos eram conhecidos pelos anéis de ouro e pelos trajes luxuosos; já o pobre era identificado por suas roupas sujas. Muitos camponeses tinham apenas uma túnica, e quase sempre ela estava suja. A túnica era semelhante à nossa camiseta, com ou sem mangas, sendo mais longa, indo até os joelhos ou os tornozelos.
A ilustração de Tiago é tão clara sobre o favoritismo que levanta uma pergunta retórica, verso 4: “não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?Hoje focaremos apenas na primeira parte da pergunta: “não fizestes distinção entre vós mesmos”.
A expressão “fazer distinção” significa separar, julgar, tomar uma decisão ou duvidar, vacilar (no Novo Testamento). Tiago usa esse verbo em Tiago 1.6 com o sentido de “duvidar”. Porém, aqui, o sentido é o de fazer distinção, isto é, considerar que existe diferença entre pessoas e julgar que uma é melhor do que outra, dando-lhe preferência (e.g., Atos 15.9; 1Coríntios 4.7).
Ao honrarem o rico e desonrarem o pobre, eles estavam fazendo distinção. Essa distinção era baseada no que viam externamente: a aparência. O rico e o pobre provavelmente eram visitantes descrentes. Contudo, Tiago deixa claro que essa distinção acontecia entre eles mesmos. Ou seja, o favoritismo é geral: manifesta-se tanto em relação aos de fora da igreja quanto aos de dentro dela, sempre com base na aparência. A pessoa parcial é parcial com todos. Além disso, a pessoa parcial não apenas faz distinção entre pessoas, mas também se considera superior aos outros e se distingue deles.
Reflexão:
Olhemos ao nosso redor: aos olhos de Deus, qual é a diferença entre nós e as outras pessoas? Nenhuma, porque, diante de Deus, todos somos pecadores (Romanos 3.23); não há diferença alguma.
O que nos leva a fazer distinção entre pessoas? O que nos leva a favorecer alguém? A falta de entendimento acerca de quem somos, de quem Deus é e do que Ele fez em nossa vida.
Há muitos crentes que se acham melhores do que os descrentes. Eles ainda não compreenderam sua igualdade com os descrentes quanto à depravação espiritual, ao merecimento da justa condenação de Deus, à incapacidade de salvar-se e diante da santa justiça divina. Não compreenderam que a salvação foi um presente imerecido de Deus. Ela é fruto do amor e da escolha eterna de Deus.
Deus não viu nada de bom em ninguém - ninguém era melhor do que ninguém; todos eram pecadores que mereciam a condenação eterna -, mas Ele nos amou e nos escolheu para a salvação em Cristo simplesmente porque quis (Efésios 1.3-11; Romanos 9.11-16; Lucas 10.21).
Será que realmente temos entendido quem somos, o que merecíamos de Deus e o que é a graça de Deus em nós? Se tratamos as pessoas de maneira diferente, é porque ainda não compreendemos a graça de Deus.
Lições:
Quem faz distinção entre pessoas ainda não entendeu sua natureza pecaminosa nem a justiça e a graça de Deus.
Não temos nada de bom nem somos melhores do que ninguém; tudo o que somos e temos é graça de Deus.
Nossa nova natureza não permite sermos parciais.
Conclusão:
Não pense que o favoritismo acontece apenas com os de fora da igreja; ele também acontece dentro dela. Uns são colocados como superiores, outros como inferiores; alguns veem a si mesmos como melhores do que uns e inferiores a outros. O favoritismo nos leva a isso.
Mas não podemos ser assim. Precisamos tratar todos de forma igual: crentes ou descrentes, ricos ou pobres, brancos ou negros, idosos ou crianças. Não importa a raça, a cor, a posição social, o status, o gênero, a idade ou a nacionalidade; não deve haver acepção de pessoas. Se houver favoritismo em nós, haverá distinção no nosso modo de tratar as pessoas.
1 Meus irmãos, não tenhais a fé no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo com parcialidade. 2 Porque, se entrar um homem em vosso lugar de reunião usando um anel de ouro, com roupa esplêndida, e também entrar um pobre com roupa suja, 3 e derdes atenção especial ao que está usando roupa esplêndida e disserdes: “Assenta-te aqui no melhor lugar”, mas ao pobre disserdes: “Assenta-te ali, ou debaixo do estrado dos meus pés”, 4 porventura não tendes feito distinção entre vós mesmos e vos tornado juízes cheios de pensamentos maldosos?
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.