Persevere no Chamado
Cristiano Gaspar
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Introdução
Introdução
[Slide com o título geral: Persevere no Chamado: A Embaixada do Rei em Terras Estrangeiras]
Meus irmãos, pastores, líderes, parceiros nas aflições e das glórias do ministério pastoral. É um privilégio e um peso enorme estarmos reunidos na abertura desta conferência. Nós, melhor do que ninguém, conhecemos os desafios do ministério, no púlpito, nos gabinetes, o cansaço das segundas-feiras e a pressão invisível, mas as vezes asfixiante, que o nosso tempo exerce sobre os ombros daqueles que lideram a igreja de Deus.
Antes de abrirmos a Escritura, quero te convidar a imaginar uma cena. Pensem em uma embaixada oficial de um reino soberano, estabelecida em uma nação estrangeira, cujos valores, cultura e leis são diametralmente opostos aos do reino de origem.
O que nós pensamos quando falamos de representação diplomática? Ela existe para ser um pedaço da pátria em solo alheio. Ela opera sob a jurisdição do seu Rei, hasteia com orgulho a bandeira da sua pátria e oferece o direito de cidadania e refúgio àqueles que desejam se reconciliar com o trono. O embaixador não possui autoridade legislativa para criar novas leis; ele é apenas um elo, uma voz oficial cuja única função é comunicar com exatidão os decretos do seu reino. Uma embaixada não tem como objetivo ser uma base militar em solo estrangeiro, nem muito menos uma agencia secreta de espionagem em solo estrangeiro. Ela não está ali para guerrear contra aquela nação estrangeira, mas comunicar os decretos do seu rei, afim de reconciliar e representar os cidadãos do seu reino que estão em solo estrangeito.
No entanto, imaginem que esse embaixador, sufocado pelo isolamento cultural e incomodado por ser visto como "estranho" ou "ultrapassado", comece a ceder à pressão local. Ele quer ser popular. Ele quer que a elite daquela cidade o elogie. Então, sutilmente, ele toma decisões administrativas: ele arria a bandeira do seu Rei para não chocar quem passa por ali. Ele substitui os decretos reais por discursos motivacionais humanistas e para de falar sobre as exigências e a soberania do seu rei para evitar tensões diplomáticas.
O prédio se torna extremamente frequentado. O embaixador é aplaudido pela mídia local e o lugar se torna o ponto de encontro mais badalado da cidade. Mas ele cometeu alta traição: o lugar deixou de ser uma embaixada e se tornou apenas mais um clube social daquela nação estrangeira. Ele ganhou o aplauso da cultura, mas perdeu a procuração do Rei.
[Slide: O Chamado da Embaixada: Fidelidade Radical em Solo Estrangeiro]
Meus irmãos, eu não estou aqui para falar sobre diplomacia ou geopolítica, mas este é o diagnóstico de lideranças na nossa geração. Existe uma diferença abissal entre uma igreja biblicamente relevante e uma liderança desesperada para parecer relevante. O padrão de Deus para nós, pastores e líderes, nunca mudou. O que a Escritura exige de nós neste tempo de profunda confusão e idolatria pragmática? Ela exige que sejamos embaixadores fiéis. O chamado que recebemos não foi o de construir franquias religiosas ou gerenciar marcas eclesiásticas atraentes. Fomos incumbidos do "ministério da reconciliação".
Convido os irmãos a abrirem suas Bíblias em 2 Coríntios 5:14-21, para lermos o texto que fundamenta o nosso chamado...
14 Pois o amor de Cristo nos domina, porque reconhecemos isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. 15 E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16 Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. 17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
18 Ora, tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos seres humanos e nos confiando a palavra da reconciliação.
20 Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. Em nome de Cristo, pois, pedimos que vocês se reconciliem com Deus. 21 Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
O versículo 20 condensa toda a nossa identidade: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio”. O texto é categórico: fomos revestidos de uma autoridade representativa. O sucesso do nosso ministério não é medido pela nossa originalidade, pela nossa capacidade de entretenimento ou pela nossa aceitação cultural, mas pela nossa fidelidade radical aos decretos do Trono.
PARTE 2: A TRAMA SE COMPLICA: Por que não podemos fazer isso?
PARTE 2: A TRAMA SE COMPLICA: Por que não podemos fazer isso?
[Slide: A Crise do Embaixador: O Ídolo da Relevância e o Medo do Homem]
Meus irmãos, se o nosso mandato como embaixadores do Reino é tão cristalino, por que é tão terrivelmente difícil manter a bandeira hasteada? Por que nós, pastores e líderes, temos tanta facilidade em ceder à tentação de "diluir" a mensagem da embaixada?
Olhem para o versículo 16. O apóstolo Paulo afirma: "Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne". O que significa conhecer ou avaliar "segundo a carne"? Significa avaliar o ministério, o sucesso e as pessoas através das métricas caídas deste mundo. E é exatamente aqui que a nossa trama se complica. Nós somos embaixadores que sofrem de amnésia de identidade. Nós começamos a avaliar o sucesso da embaixada "segundo a carne" — pelo tamanho do prédio, pelo número de visualizações, pela sofisticação da nossa estética, pela aceitação da elite cultural e pela nossa capacidade de não ofender ninguém.
O nosso desespero por relevância nasce do nosso profundo medo da rejeição. Temos pavor de sermos rotulados como irrelevantes, retrógrados ou intolerantes pela opinião pública da nossa "Atenas" contemporânea. Queremos ser aplaudidos. E para não sofrermos a ofensa de sermos considerados embaixadores de um reino "estranho", começamos a arriar a bandeira.
Nós suavizamos o Evangelho. Evitamos pregar sobre o pecado, sobre o juízo e sobre o custo do discipulado. Trocamos o clamor pelo arrependimento por palestras terapêuticas de autoajuda. Paulo diz no versículo 19 que Deus nos confiou a "palavra da reconciliação". Mas uma reconciliação bíblica pressupõe que havia uma inimizade profunda; pressupõe rebelião contra o Trono. Não há reconciliação verdadeira sem ofensa, sem cruz e sem rendição! Contudo, o nosso medo nos fez criar um "ministério da acomodação", e não da reconciliação. Oferecemos um acordo diplomático barato em vez do perdão transformador do Rei.
E o mais trágico de tudo: nós batizamos esse pragmatismo covarde com a palavra "missão". Dizemos que estamos "alcançando a cultura" e "contextualizando a mensagem", quando, na verdade, foi a cultura que nos alcançou e capturou os nossos afetos. Transformamos a embaixada em um espelho do mundo. Não conseguimos cumprir o chamado de Deus de forma integral porque amamos mais o aplauso da nossa geração do que a aprovação do nosso Soberano. O ídolo do sucesso ministerial nos tornou reféns da nossa própria relevância.
PARTE 3: A TRAMA É SOLUCIONADA: Como Ele fez isso?
PARTE 3: A TRAMA É SOLUCIONADA: Como Ele fez isso?
[Slide: O Perfeito Embaixador: O Escândalo da Cruz e a Certeza da Ressurreição]
Meus irmãos, como escapamos dessa terrível armadilha do temor a homens? Como curamos os nossos corações do desespero por sermos "relevantes" e aceitos por um mundo que jaz no maligno? A resposta não está em participar de um novo seminário sobre impulso para o seu ministério. A resposta está em fixar os nossos olhos no Único que cumpriu perfeitamente o papel de Embaixador: Jesus Cristo.
Ele é a própria Palavra de Deus encarnada. Ele desceu do Seu Reino de glória e estabeleceu a Sua embaixada entre nós, em um mundo hostil, rebelde e corrompido. E, em nenhum momento, Ele negociou os termos do Seu Reino para ganhar a simpatia das elites da Sua época. Jesus não veio a este mundo para ser um influenciador aclamado ou para adaptar a santidade do Pai ao paladar de uma geração caída. Ele veio para proclamar e manifestar o Reino.
Onde nós falhamos, tremendo diante das críticas do nosso tempo, Jesus permaneceu inabalável. Diante de Pilatos, diante do Sinédrio e diante da multidão que gritava "Crucifica-o!", Ele não suavizou a mensagem. Ele abraçou a ofensa suprema. O nosso Rei suportou ser tratado como um traidor, um criminoso.
Olhem para o versículo 21, o coração teológico deste capítulo: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Isso é o escândalo da substituição! Na cruz, o Perfeito Embaixador sofreu a rejeição absoluta da terra e a ira santa do próprio Céu. Ele foi tratado como o pior dos rebeldes para que nós, diplomatas tantas vezes covardes e idólatras do aplauso humano, fôssemos perdoados e aceitos como embaixadores legítimos.
A necessidade mais profunda do seu coração — aquela voz sussurrada que diz "você precisa ser um sucesso, você precisa ser admirado para ter valor" — foi silenciada no Calvário. Porque em Cristo, você e eu já recebemos a única aprovação que realmente importa: a aprovação do Juiz de toda a terra. Você não precisa do aplauso da cultura, porque já tem o amor definitivo do Rei!
O versículo 14 diz: “Porque o amor de Cristo nos constrange”. Quando você percebe o tamanho desse amor sacrificial, o medo do homem perde o seu poder. A cruz nos liberta da tirania da vaidade ministerial. O Evangelho não é um produto a ser comercializado pelo marketing eclesiástico; é o poder de Deus que transforma rebeldes em cidadãos do Céu. Quando o embaixador confia que o Rei venceu a morte e que a mensagem é infalível, ele deixa de ter medo de pregar a verdade.
PARTE 4: A TRAMA COMEÇA: Como, por meio dEle, posso fazer isso?
PARTE 4: A TRAMA COMEÇA: Como, por meio dEle, posso fazer isso?
[Slide: Embaixadores Reenviados: O Ministério Libertado do Peso dos Resultados]
Meus irmãos, se a nossa justificação e a nossa identidade estão inabalavelmente firmadas na obra consumada de Cristo, como isso muda a nossa segunda-feira? Como isso transforma a maneira como lideramos, pregamos e plantamos as nossas igrejas? Muda absolutamente tudo. Porque agora estamos finalmente libertos da tirania das métricas, da comparação e do peso esmagador de tentar "fazer a igreja crescer" através da nossa própria inteligência ou de pragmatismos puramente corporativos.
Olhem novamente para o versículo 20: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”.
O nosso trabalho é rogar. É anunciar. É proclamar o decreto do Rei. O resultado final dessa pregação — quem se arrepende, quem se converte — não nos pertence; pertence ao Espírito Santo. Isso destrói a fantasia triunfalista e pragmática que adoece tantos pastores. O sucesso do nosso ministério não é definido pelo número de cadeiras ocupadas no domingo, mas pela nossa fidelidade à mensagem. O embaixador não é chamado a ditar os resultados; o seu chamado é garantir que a bandeira certa está hasteada do lado de fora e que o Evangelho puro está sendo entregue do lado de dentro.
E o que significa, na prática, manter essa bandeira hasteada? Significa entender que perseverar no chamado é perseverar naquilo que de fato fomos chamados a fazer.
[Slide: Os Valores da Embaixada: Missão Global, Alinhamento Teológico e Colaboração]
[Slide: Os Valores da Embaixada: Missão Global, Alinhamento Teológico e Colaboração]
Em primeiro lugar, fomos chamados para uma Missão Global de Plantação de Igrejas. O Reino de Deus deve ser representado em todos os reinos deste mundo, logo, a igreja é convocada para estabelecer a sua embaixada em todas as nações, em todos os contextos. Portanto, o chamado de Deus para a Sua missão não envolve plantar igrejas apenas para os grandes centros urbanos, nem apenas para os interiores, mas para ambos! Não estamos plantando igrejas apenas como uma resposta ao evangelicalismo brasileiro tão confuso e doente. Estamos plantando igrejas para que todos os povos louvem a Deus, para a glória de Deus! Não estamos aqui para sermos aceitos por aqueles que não gostam de igreja; estamos plantando igrejas para que os eleitos, que ainda não foram alcançados, respondam ao chamado do Rei.
Em segundo lugar, isso exige de nós um profundo Alinhamento Teológico. Não estamos plantando igrejas para simplesmente afirmar convicções doutrinárias de segunda importância, criando guetos, divisões ou muros em torno de questões secundárias. No entanto, plantamos igrejas que sejam perfeitamente claras na sua confessionalidade, que sejam nítidas e intransigentes na centralidade do evangelho e nas suas implicações eclesiológicas na vida da igreja. Não podemos diluir a verdade para tornar a embaixada mais aceitável para um mundo que rejeita completamente a Deus. O nosso alinhamento é com a mensagem da cruz.
Em terceiro lugar, essa missão só acontece por meio da Colaboração Relacional. Vejam que o texto usa o plural: "somos embaixadores". Nenhum pastor foi chamado para construir um império isolado ou um monumento ao redor da sua própria personalidade. O embaixador não trabalha sozinho. Nós cooperamos, caminhamos juntos, prestamos contas e estendemos as mãos uns aos outros como uma rede de embaixadas, porque a missão é grande demais para líderes solitários.
Quando compreendemos isso, meus irmãos, o fardo pesado do ativismo ministerial cai por terra. Livres da obsessão por performance ou por aprovação cultural, nós podemos finalmente cooperar com alegria. O poder da nossa missão não reside na nossa oratória ou na nossa relevância estética, mas no poder da cruz e da ressurreição de Jesus.
Deus nos deu recursos, liberdade e centenas de líderes reunidos nesta conferência. Voltem para as suas congregações como diplomatas reenviados e curados pela graça. Suportem o cansaço pastoral, a rejeição e a hostilidade deste tempo. Mantenham a bandeira manchada de sangue de Cristo erguida no mastro mais alto dos seus púlpitos.
A esperança do mundo continua sendo o velho, ofensivo e glorioso Evangelho da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Permaneçam fiéis na Embaixada, plantando com alinhamento e parceria, até que o nosso Rei regresse em glória para nos levar para casa.
Amém e que Deus os abençoe rica e poderosamente.
