A Fé Que Sobrevive ao Silêncio

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Transcript
Introdução
Conta-se que, durante uma grande tempestade no oceano, um navio ficou horas perdido em meio à escuridão.
O rádio falhava.
O céu estava fechado.
E os passageiros começaram a entrar em pânico porque não conseguiam mais enxergar nenhuma luz no horizonte.
Até que um dos marinheiros mais antigos disse:
“O maior perigo da noite não é a escuridão… é quando as pessoas começam a acreditar que não existe mais manhã.”
Talvez essa seja uma das maiores crises da alma humana.
Porque enquanto a esperança está brilhando…
enquanto as respostas chegam…
enquanto as orações parecem funcionar…
muita gente consegue continuar.
Mas o problema é quando Deus silencia.
Quando a oração continua…
mas o céu parece fechado.
Quando o coração continua pesado…
e a manhã não chega.
É exatamente aí que dois tipos de fé aparecem.
Existe uma fé superficial…
humanista…
emocional…
uma fé construída apenas sobre sensações, resultados rápidos e pensamentos positivos.
Essa fé funciona enquanto tudo vai bem.
Mas ela não suporta o silêncio de Deus.
Ela desiste.
Ela endurece.
Ela abandona.
Mas existe a fé verdadeira.
A fé bíblica.
A fé que não depende apenas do que sente…
mas de quem Deus é.
Uma fé que continua buscando…
mesmo chorando.
Uma fé que continua orando…
mesmo sem respostas imediatas.
Uma fé que sobrevive ao silêncio.
E é exatamente isso que o Book of Psalms nos mostra:
a fé de alguém que continua diante de Deus…
mesmo quando a alegria não vem pela manhã.
________________________

1. A fé que sobrevive ao silêncio é a fé sincera diante da realidade

Sl 88.1-9
1 Ó Senhor, Deus da minha salvação,
dia e noite clamo diante de ti.
2  Chegue à tua presença a minha oração,
inclina os ouvidos ao meu clamor.
3  Pois a minha alma está farta de males,
e a minha vida já se abeira da morte.
4  Sou contado com os que baixam à cova;
sou como um homem sem força,
5  atirado entre os mortos;
como os feridos de morte que jazem na sepultura,
dos quais já não te lembras;
são desamparados de tuas mãos.
6  Puseste-me na mais profunda cova,
nos lugares tenebrosos, nos abismos.
7  Sobre mim pesa a tua ira;
tu me abates com todas as tuas ondas.
8  Apartaste de mim os meus conhecidos
e me fizeste objeto de abominação para com eles;
estou preso e não vejo como sair.
9  Os meus olhos desfalecem de aflição;
dia após dia, venho clamando a ti, Senhor,
e te levanto as minhas mãos. 1
.
O Psalms 88 é um dos únicos salmos que termina sem alívio aparente.
O texto começa em dor…
e termina em escuridão.
O salmista não esconde sua condição.
Ele expõe sua alma diante de Deus.
“A minha alma está farta de males…” (v.3)
A expressão transmite alguém emocionalmente consumido.
Um homem cansado internamente.
Ele fala de:
angústia;
exaustão;
sensação de abandono;
escuridão interior.
Isso quebra a ideia de que fé madura é negar sofrimento.
A espiritualidade bíblica não mascara a dor.
Ela leva a dor para diante de Deus.
Mesmo homens piedosos atravessaram noites profundas.
Até Augustine of Hippo, um dos maiores homens da história da igreja, atravessou noites profundas.
Após a morte de sua mãe, Mônica, ele tentou esconder sua dor para parecer forte.
Mas depois confessou diante de Deus o quanto estava quebrado internamente.
Agostinho percebeu algo:
Agostinho descobriu que esconder a dor não produz cura…
apenas produz máscaras.
E foi quando ele derramou sua alma diante de Deus que encontrou consolo na graça.
Jesus disse:
“A minha alma está profundamente triste…”
Mt 26.38
Paulo escreveu:
2Co 1.8
8 Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; 10 o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos1
Mas o detalhe mais importante do salmo é:
mesmo quebrado…
o salmista continua falando com Deus.
Ele não abandona a presença.
Não abandona a oração.
Não abandona a busca.
Porque fé sincera não é ausência de lágrimas…
é permanecer diante de Deus mesmo chorando.
Desenvolvimento contemplativo
Irmãos…
quantas vezes nós escondemos a realidade?
Quantas vezes repetimos para nós mesmos:
“está tudo bem…”
quando não está tudo bem?
Vivemos em uma geração que aprendeu a maquiar a alma.
Até existem correntes modernas que ensinam:
“repita que está bem… pense positivo… declare vitória…”
Mas até quando o ser humano vai tentar inflar o próprio ego para fugir da realidade?
Porque quem foge da realidade não encontra cura…
apenas constrói uma máscara.
Pv 14.13
“Até no riso tem dor o coração…”
Salomão está dizendo:
há pessoas sorrindo por fora…
mas dilaceradas por dentro.
Isso não é cura.
Isso não é transformação.
Isso não é fé madura.
Fé madura não é fingir força.
É ter coragem de expor a alma diante de Deus.
Porque não existe cura sem sinceridade.
Não existe tratamento sem diagnóstico.
Não existe restauração enquanto escondemos a ferida.
Até quando vamos fingir? Ficamos mais exausto em fingir do que a própria dor sentida……
As vezes vc esta cansado de tentar esconder……
O Salmo 88 nos ensina:
fé verdadeira não é esconder a dor…
é derramar a dor diante de Deus.
_________________________

2. A fé que sobrevive ao silêncio é a fé persistente

Sl 88.13-14
13  Mas eu, Senhor, clamo a ti por socorro,
e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração.
14  Por que rejeitas, Senhor, a minha alma
e ocultas de mim o rosto? 1
Nossa geração desaprendeu a perseverar.
Queremos respostas imediatas.
Inclusive de Deus.
Oramos…
e quando não vemos mudança rápida…
desanimamos.
Mas o salmista continua orando mesmo sem respostas aparentes.
“Mas eu, Senhor, clamo a ti…” (v.13)
Ele não entende…
mas permanece.
Jesus ensinou isso na parábola da viúva persistente:
“sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.”
Lc 11.5-8
Qual dentre vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer. 7 E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar; 8 digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade. 1
.9 Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.1
A perseverança da fé aparece exatamente nos períodos de silêncio.
Porque fé persistente não é ausência de dor…
é permanência apesar da dor.
O sentimento dizia:
“Deus está distante.”
Mas a verdade era:
Deus continuava ouvindo.
Desenvolvimento contemplativo
Irmãos…
muitas vezes a fé encolhe quando o silêncio nos engole.
A noite vem…
e parece esconder a esperança.
E o problema não é apenas a noite escura…
o problema é quando começamos a acreditar que não existe mais amanhã.
A demora faz isso com a alma humana.
Ela vai desgastando.
Vai cansando.
Vai tentando nos convencer de que continuar orando não faz sentido.
E aos poucos algumas pessoas continuam orando…
mas com uma alma que já perdeu a esperança enquanto os lábios ainda se movem.
Muitos abandonam:
o hábito de orar;
a perseverança;
a vigilância espiritual.
Porque a resposta não chega.
E talvez uma das coisas mais difíceis da fé cristã seja exatamente perseverar.
Porque Satanás trabalha no desânimo.
Ele tenta convencer a alma de que nada vai mudar.
Mas você já parou para pensar…
que talvez essa demora seja Deus trabalhando primeiro no seu coração?
Porque Deus não trabalha apenas nas circunstâncias.
Ele trabalha em nós.
A perseverança cria raízes profundas.
Quando continuamos orando…
mesmo cansados…
mesmo feridos…
mesmo sem respostas…
Deus está amadurecendo nossa fé.
Porque uma fé que recebe tudo imediatamente…
nunca cria profundidade.
Assim como um jovem que recebe tudo fácil nunca aprende maturidade…
uma fé sem perseverança nunca cria firmeza.
Por isso Jesus contou parábolas sobre continuar clamando e jamais desistir.
A própria igreja permanece viva em lugares de perseguição por causa da perseverança.
As dificuldades não vêm apenas para provar nossa fé.
Muitas vezes elas revelam se nossa fé é verdadeira.
Então não desista.
Continue orando.
Continue perseverando.
Continue buscando.
Porque há momentos em que a fé não consegue correr…
só consegue continuar batendo à porta da graça.
E ainda assim…
isso continua sendo fé.
Tg 1.2–4
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”
 Exposição:
Tiago mostra que a provação não destrói necessariamente a fé.
Ela produz perseverança.
A fé amadurece no processo da dor.
__________________________

3. A fé que sobrevive ao silêncio é a fé que se espelha em Cristo

Sl 88.16-17
16  Por sobre mim passaram as tuas iras,
os teus terrores deram cabo de mim.
17  Eles me rodeiam como água, de contínuo;
a um tempo me circundam.
18  Para longe de mim afastaste amigo e companheiro;
os meus conhecidos são trevas. .
Vivemos um cristianismo muitas vezes moldado pelo conforto.
Sem cruz.
Sem perseverança.
Sem profundidade.
Mas o problema é que existe hoje muita gente que se diz cristã…
sem verdadeiramente conhecer Cristo.
Chamam Jesus de Senhor…
mas não vivem como discípulos.
Oram o Pai Nosso…
mas não entendem a profundidade da confiança que Jesus ensinava no Pai.
Falam de fé…
mas possuem uma fé construída apenas enquanto as circunstâncias estão favoráveis.
Mas a fé bíblica é construída em torno de Cristo.
E o Book of Psalms aponta exatamente para Ele.
“Sobre mim passaram as tuas iras…” (v.16)
O salmo termina em escuridão.
E isso ecoa a cruz.
Jesus entrou:
no silêncio;
na solidão;
na angústia;
nas trevas do juízo.
📖 Gospel of Matthew 27.45–46
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Cristo também atravessou o silêncio…
mas permaneceu confiando no Pai.
E isso revela algo profundo:
a fé que vence o silêncio não nasce do nosso emocional…
ela nasce de Cristo.
Porque ser cristão não é apenas admirar Jesus.
É se espelhar nEle.
É aprender com Ele:
como permanecer;
como confiar;
como sofrer sem abandonar Deus;
como continuar obedecendo mesmo na dor.
A fé moderna muitas vezes desiste quando Deus silencia.
Mas Jesus permaneceu firme até a cruz.
No Getsêmani, Ele chorou…
mas não abandonou o Pai.
Na cruz, Ele sofreu…
mas continuou se entregando ao Pai.
Isso confronta um cristianismo superficial que conhece músicas sobre Jesus…
mas não conhece o caminho de Jesus.
Porque quem não conhece verdadeiramente Cristo…
não suporta o silêncio.
Mas quem olha para Cristo entende:
o silêncio de Deus nunca é ausência definitiva de Deus.
(1Pe 2.23)
“pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.”
Ou seja:
no silêncio,
na injustiça,
na dor,
Cristo continuava se entregando ao Pai.
Esse verso conversa profundamente com:
“A fé que sobrevive ao silêncio é a fé que se espelha em Cristo.”
Aplicação contemplativa
Há momentos em que a alma não consegue cantar…
apenas suspirar.
Mas até nesses momentos…
Cristo continua presente.
E talvez a grande pergunta não seja:
“Eu acredito em Deus?”
Mas:
“Minha fé realmente se parece com a fé de Cristo?”
Porque a fé que sobrevive ao silêncio…
é a fé que continua confiando no Pai mesmo em meio à escuridão.
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