Atos 12
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Dois Reis, Dois Tronos
Dois Reis, Dois Tronos
Introdução
Introdução
Nossa história se passa em Ano 44 d.C.
Jerusalém.
Há um rei na cidade,
e o rei tem uma espada.
Ele se chama Herodes Agripa I.
É neto de um homem que mandou matar crianças em Belém para proteger o próprio trono,
e ele herdou do avô não o sangue apenas,
mas o instinto:
a convicção de que um trono se protege com sangue.
Naquele ano, ele estende a mão sobre a igreja.
E a igreja, que até ali crescia em relativa paz,
descobre que existe um tipo de inimigo que ela ainda não havia enfrentado
não o sumo sacerdote, não o Sinédrio,
mas o Estado, a coroa, a espada que Roma colocou na mão de um homem.
E eu quero que você perceba uma coisa logo de início.
Este texto não é sobre uma prisão e uma fuga.
Este texto é sobre reis.
Sobre tronos.
Sobre poder
quem o tem, quem o aclama, e quem realmente reina quando as espadas são desembainhadas e os portões de ferro são trancados.
E a tese é que neste mundo existem apenas dois reis.
Há o rei que o mundo produz,
que o mundo aplaude,
e diante de quem o mundo se curva.
E há outro.
Hoje nós vamos olhar para os dois.
E no final desse culto, cada um de nós terá de responder a uma única pergunta:
de quem é o trono ao qual eu me curvo?
Vamos ao texto.
Leitura
Leitura
27 Naqueles dias, alguns profetas foram de Jerusalém para Antioquia. 28 E, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo. Essa fome veio nos dias do imperador Cláudio. 29 Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram mandar uma ajuda aos irmãos que moravam na Judeia. 30 E eles o fizeram, enviando essa ajuda aos presbíteros por meio de Barnabé e Saulo.
1 Por aquele tempo, o rei Herodes mandou prender alguns da igreja para os maltratar. 2 Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3 Vendo que isto agradava aos judeus, prosseguiu, mandando prender também Pedro. E eram os dias dos pães sem fermento. 4 Depois de prendê-lo, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem. A intenção de Herodes era apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5 E assim Pedro estava guardado na prisão; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.
6 Na noite anterior ao dia em que Herodes ia apresentá-lo ao povo, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes. Sentinelas, junto à porta, guardavam a prisão. 7 Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão. O anjo tocou no lado de Pedro e o despertou, dizendo:
— Levante-se depressa!
Então as correntes caíram das mãos dele. 8 E o anjo continuou:
— Coloque o cinto e calce as sandálias.
E ele assim o fez.
O anjo lhe disse mais:
— Ponha a capa e siga-me.
9 Então, saindo, Pedro o seguia, não sabendo que era real o que estava sendo feito pelo anjo; ele pensava que era uma visão. 10 Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se afastou dele. 11 Então Pedro, caindo em si, disse:
— Agora sei que, de fato, o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu.
12 Ao se dar conta disso, Pedro resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. 13 Quando ele bateu à porta da frente, uma empregada, chamada Rode, foi ver quem era. 14 Reconhecendo a voz de Pedro, ficou tão alegre que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava à porta. 15 Então os outros disseram:
— Você ficou louca!
Ela, porém, persistia em afirmar que era verdade. Então disseram:
— É o anjo dele.
16 Enquanto isso, Pedro continuava batendo. Quando abriram a porta, viram-no e ficaram admirados. 17 Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tinha tirado da prisão. E acrescentou:
— Anunciem isto a Tiago e aos irmãos.
E, saindo, foi para outro lugar.
18 Quando amanheceu, houve grande alvoroço entre os soldados sobre o que teria acontecido com Pedro. 19 Herodes, tendo-o procurado e não o achando, submetendo as sentinelas a interrogatório, ordenou que se aplicasse a pena de morte. E, descendo da Judeia para Cesareia, Herodes passou ali algum tempo.
20 Havia uma séria divergência entre Herodes e os moradores de Tiro e de Sidom. Estes, porém, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de obter o apoio de Blasto, que era assessor do rei, pediram paz, porque a terra deles recebia alimentos do país do rei. 21 Em dia designado, Herodes, vestido de traje real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra. 22 E o povo gritava:
— É voz de um deus, e não de um homem!
23 No mesmo instante, um anjo do Senhor feriu Herodes, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, morreu.
24 Entretanto, a palavra de Deus crescia e se multiplicava.
25 Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, também chamado Marcos.
Desenvolvimento
Desenvolvimento
P1 — O rei que o mundo produz
P1 — O rei que o mundo produz
Antes dos detalhes,
Vamos olhar para o quadro inteiro.
Imaginem uma cidade sob a espada,
uma igreja sangrando,
e no centro do quadro,
em pé,
vestido de poder,
está Herodes.
Um homem perigoso.
Um estrategista.
Vejam o que Herodes fez:
Um dia,
ele decide mandar prender alguns membros da igreja para maltratar.
A pergunta é:
Por que alguém manda prender pessoas só para maltratar?
Mas não fica nisso.
No v.2 ele dá nova ordem.
Mate Tiago, irmão de João, à espada.
E foi feito
E se você lembrar da Morte de Estêvão
Você vai perceber uma diferença abissal
A morte de Tiago é quase uma nota de rodapé
Perto de como a Bíblia narra a morte de Estêvão
Prestem atenção nisso.
Tiago foi assassinado
Tiago, um dos Doze,
um dos três que estiveram no monte da transfiguração,
um homem que andou três anos ao lado do Senhor.
e Lucas dedica meia linha para falar da sua morte.
Essa meia linha nos faz sentir o horror:
uma vida encerrada como uma nota de rodapé.
Percebam que não há julgamento
Não há tribunal
Não há defesa
Não há processo
Herodes manda matar um apóstolo
Como quem pede uma refeição
Algo trivial
Mas agora uma coisa muda
Porque o que Herodes faz agrada o povo.
E se agrada o povo,
O que um político Herodes decide?
Continuar, claro!
Então ele manda prender Pedro.
É nisso que está o coração do rei.
Ele não mata Tiago por convicção teológica
Herodes não tem teologia,
Herodes tem pesquisa de opinião.
Ele mata porque mediu a reação da multidão,
e a multidão gostou.
O sangue de um apóstolo subiu sua popularidade,
então por que parar?
Vamos prender mais um.
Este é um rei cujo princípio de governo é simples:
o que me faz ser amado, eu faço.
A verdade não importa.
A justiça não importa.
Importa o aplauso.
Mas ele é cuidadoso
até na crueldade.
Prende Pedro durante a Festa dos Pães Asmos,
mas adia a execução para depois da Páscoa
não por misericórdia,
mas para não ofender a sensibilidade religiosa do povo.
Ele quer o espetáculo na hora certa,
com a plateia cheia.
E ele manda prender Pedro na prisão na segurança máxima
Herodes manda que quatro escoltas de quatro soldados façam guarda
4 x 4 = 16
16 SOLDADOS
2 ficavam acorrentados
1 no braço direito e outro no braço esquerdo
Os outros faziam guarda
Se revezando para ter sempre soldados descansados
Tudo isso para ter certeza que ele não escaparia
Herodes talvez tivesse ouvido as histórias da ocasião que os apóstolos tinham sido presos à noite
E pela manhã já estavam soltos,
E pregando
E enquanto isso
observe o contraste que Lucas coloca de propósito
a igreja não tem espada,
não tem soldados,
não tem influência.
A igreja tem joelhos.
"havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele."
De um lado,
dezesseis soldados;
do outro,
uma sala de pessoas ajoelhadas no escuro.
Para qualquer observador racional do ano 44, a aposta seria óbvia.
Todos sabiam quem sairia vitorioso nessa batalha.
O ferro vence os joelhos.
Sempre.
Mas a cena ainda não está completa.
Lucas nos leva,
no final do capítulo,
até Cesareia,
e ali ele nos mostra o rei errado em seu momento de maior glória.
É o dia marcado.
Herodes entra no teatro vestido
e o historiador Flávio Josefo nos conta o detalhe que Lucas pressupõe
com um manto tecido de fios de prata.
O sol da manhã bate sobre a prata,
e o rei inteiro resplandece,
como se fosse feito de luz.
Ele se assenta no tribunal,
faz seu discurso.
E a multidão,
deslumbrada,
grita.
Versículo 22:
"Esta é a voz de um deus, e não de homem!"
E aqui está o pecado que define o rei errado,
o pecado que ele vinha ensaiando a vida inteira:
ele ouve a multidão chamá-lo de deus
e ele não corrige.
Não rasga as vestes.
Não levanta a mão para silenciar a blasfêmia.
Ele aceita.
Ele se senta na prata,
ouve o povo dizer que sua voz é a voz de Deus,
e acha que é verdade.
E então, versículo 23
e aqui, guarde esta palavra, porque vamos voltar a ela:
"No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus; e ele, comido de vermes, expirou."
Ele o feriu.
O rei vestido de prata,
aclamado deus,
no auge de sua glória,
é golpeado
e a glória se desfaz em podridão.
O homem que se sentava como deus é comido por vermes.
O manto de prata cobre uma carne que apodrece.
Este é o fim de todo rei que o mundo produz:
aclamação, e depois vermes.
Prata por fora, larvas por dentro.
Esse é o quadro. Esse é o rei errado.
P2 — Nós somos a multidão
P2 — Nós somos a multidão
E agora eu preciso fazer uma coisa que vai ser desconfortável,
mas que o texto exige.
Porque a tentação,
é balançarmos a cabeça para Herodes.
Que tirano.
Que multidão tola, gritando "voz de um deus"
para um homem que ia ser comido por vermes em cinco dias.
Que bom que nós não somos assim.
Mas olhe de novo para aquele teatro em Cesareia.
Olhe para a multidão.
Porque o texto não nos coloca,
por padrão,
na sala de oração com os santos ajoelhados.
Se vivêssemos naquele tempo
Muitos de nós estaríamos nas arquibancadas de Cesareia,
gritando.
Pense em quem realmente gritava.
Lucas nos diz, no versículo 20, por que aquela multidão estava tão ansiosa para agradar o rei:
as cidades de Tiro e Sidom dependiam dele para comer.
O rei controlava o pão delas.
E por isso elas bajulavam.
Os gritos de "voz de um deus" não eram adoração
eram fome.
Eram pessoas que tinham aprendido que,
para garantir o próprio sustento,
era preciso chamar o homem poderoso de deus.
Elas adoravam o rei errado porque o rei errado segurava o pão.
E aqui está a pergunta que precisa ser feita:
a quem você chama de deus para garantir o seu pão?
De quem é o aplauso que você não consegue deixar de buscar?
A aprovação de quem segura você refém?
Porque todos nós temos um teatro em Cesareia.
Todos nós temos uma arquibancada onde nos pegamos gritando
para o rei que pode nos dar o que queremos
o chefe,
o cliente,
o grupo,
a opinião pública,
a pessoa cuja estima nós precisamos ter,
custe o que custar.
Mas é mais fundo do que isso.
Porque a verdade mais dura deste texto
não é que nós aplaudimos pequenos Herodes.
É que nós queremos ser o Herodes.
Cada coração humano,
deixado a si mesmo,
quer exatamente o que Herodes queria:
ser aclamado,
ser o centro,
ser servido,
ter a última palavra,
sentar-se na prata e ouvir a voz da multidão dizer que somos mais do que somos.
Nós construímos tronos pequenos
no trabalho, em casa, dentro da igreja.
Nós usamos o que temos,
como Herodes usou o pão,
para que os outros girem em torno de nós.
Nós ferimos com a espada da palavra,
da indiferença, do controle,
quem ameaça a nossa glória.
E quando alguém deixa de nos honrar,
sentimos por dentro a mesma fúria,
que Herodes sentiria caso não fosse honrado o suficiente.
E eu preciso ir até onde este texto vai, porque ele tem o nome de um homem escrito na moldura.
No versículo 30, e de novo no versículo 25,
Barnabé e Saulo levam a oferta de Antioquia para os irmãos de Jerusalém.
Saulo.
O mesmo Saulo que, poucos capítulos antes, aprovava a morte de Estêvão.
O mesmo Saulo que arrastava homens e mulheres para a prisão.
O mesmo Saulo que respirava ameaças e morte contra a igreja.
Antes da graça alcançá-lo,
Saulo estava do lado de Herodes.
Saulo carregava correntes contra os santos.
E é isso que precisamos confessar esta noite.
Antes da graça,
nós não estávamos na casa de oração.
Nós estávamos na arquibancada,
ou pior
nós estávamos com a espada.
Nós fomos parte dos inimigos que perseguem,
antes de sermos resgatados.
O rei errado não é apenas um homem que morreu há dois mil anos.
O rei errado é o que cada um de nós seria
o que cada um de nós já foi
sem que uma graça que não merecíamos viesse nos buscar nas arquibancadas.
Esse é o problema. E ele é nosso.
P3 — O Rei que foi ferido
P3 — O Rei que foi ferido
Agora eu preciso que você volte comigo àquela palavra.
Ferir.
Porque Lucas, neste capítulo, nos mostra o golpe duas vezes,
e ele usa exatamente o mesmo verbo grego nas duas.
No versículo 23 o anjo do Senhor fere Herodes, e o rei morre.
Mas houve um golpe antes.
No versículo 7, o anjo também feriu Pedro.
Pedro estava dormindo, acorrentado entre dois soldados,
na véspera de sua execução.
Surge um anjo do Senhor,
uma luz brilha na cela,
e o anjo fere Pedro no lado, para acordá-lo.
Ao golpe daquele anjo,
as correntes caíram das mãos de Pedro.
O portão de ferro se abriu sozinho.
E Pedro caminhou para fora,
para a vida.
Olhe o contraste entre Pedro e Herodes:
Lucas usa o mesmo verbo;
Os dois são feridos por um anjo;
Mas são dois reinos muito diferentes.
O golpe que fere Pedro
faz cair as correntes e
abre os portões para a vida.
O golpe que fere Herodes
faz subir os vermes e
fecha o túmulo.
Um homem é ferido e vive.
Outro homem é ferido e morre.
Um é ferido para a vida.
Outro é ferido para a morte.
Mas neste capítulo, Lucas nos mostra que a vida não é tão simples
Temos outra pessoa que também foi ferida
Tiago
Vocês lembram o que aconteceu quando Tiago foi ferido?
[Pausa]
Morreu
Até agora estava fácil:
Deus salva Pedro;
Deus mata Herodes.
Poderíamos sair daqui com a seguinte ideia:
Se a igreja orar,
E você for um filho de Deus,
Logo, nada de mal vai te acontecer nesse mundo
Mas a história de Tiago quebra essa lógica
A pergunta é:
Por que Tiago não escapou?
O nosso coração grita:
por quê?
Por que este sim, e aquele não?
Que tipo de Rei deixa cair a espada sobre um servo fiel e
manda um anjo buscar o outro?
[Pausa]
A verdade é que a resposta para esse dilema não está nesse capítulo
Está em um jardim.
Provavelmente você se lembre da última noite do nosso Senhor.
Na véspera da Páscoa,
Alguns anos antes.
Naquela noite,
ao saírem da ceia,
a caminho do monte das Oliveiras,
o verdadeiro Rei citou o profeta Zacarias:
"Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas."
E ali mesmo, no Getsêmani,
ajoelhado no escuro,
o cálice do sofrimento foi colocado diante d'Ele.
E a profecia de Zacarias de fato se cumpre
O Pastor é ferido.
O Pastor aceita o cálice do sofrimento.
Naquela noite
Ele foi preso e espancado
Blasfemaram contra Ele
Naquela noite não teve anjos para resgatá-lo
E Ele foi levado a Cruz
Alguns que ficaram ao pé da cruz gritavam:
"se és o Rei, salva-te a ti mesmo, desce daí".
E Ele tinha poder para isso.
Era só pedir ao Pai
E o Pai enviaria legiões de anjos.
Os mesmos anjos que fizeram cair as correntes de Pedro
esperavam uma palavra para arrancar os cravos.
E Ele não pediu.
Jesus não foi livrado DA morte, como Pedro.
E não foi livrado NA morte, como Tiago.
Não houve anjo.
Não caíram correntes.
Para Pedro, uma luz encheu a cela.
Sobre o Filho, trevas cobriram toda a terra.
Porque sobre Ele caía toda a ira de Deus contra o pecado
o nosso pecado.
E é por isso,
que a espada que tirou a vida de Tiago não foi a palavra final.
Quando Tiago fechou os olhos, ele os abriu, vivo, com o Senhor.
[pausa]
Agora ponha os dois tronos lado a lado,
e veja a coisa mais espantosa que existe.
Lá está o rei Herodes,
no seu tribunal, vestido de prata,
e a multidão grita:
voz de um deus, e não de homem.
E ele aceita
e morre como um homem,
comido por vermes,
porque um homem que se faz deus
é apenas carne apodrecendo sob a prata.
E lá está o outro Rei,
num madeiro,
despido,
sem prata,
e a multidão grita o escárnio,
"se és o Rei, salva-te a ti mesmo, desce daí".
e Ele recusa a descer
e morre como um homem.
Mas três dias depois,
o túmulo se abre sozinho,
como o portão de ferro se abriu para Pedro,
e este que morreu como homem
recebe de Deus,
Todo o poder sobre os céus e a terra.
Herodes roubou o título de Deus e ganhou os vermes.
Cristo recusou a salvar a si mesmo e ganhou o trono do universo.
E entenda o que Deus fez ali,
porque é isto que estávamos esperando o tempo todo,
sem saber.
Deus feriu o Pastor.
Deus não poupou o próprio Filho.
Os golpes deveriam ter caído sobre nós,
os inimigos de Deus,
os pequenos Herodes,
nós que gritávamos nas arquibancadas pelo rei errado.
Mas Deus fez que esses golpes caíssem sobre Jesus.
E é por isso,
e só por isso,
que este capítulo termina do jeito que termina.
Herodes apodrece no versículo 23.
Mas o versículo 24 diz:
"Entretanto, a palavra de Deus crescia e se multiplicava."
O rei morreu,
mas a Palavra cresceu.
Porque a Palavra de Deus reina de um trono que a espada de Herodes não alcança
e que os vermes de Herodes não podem tocar.
O Rei que foi ferido vive, e reina,
e a Sua Palavra não pode ser presa.
P4 — Pertencemos ao Rei ferido
P4 — Pertencemos ao Rei ferido
E porque o Rei foi ferido,
tudo muda para nós.
Olhe de novo para aquela moldura.
Saulo,
que carregava correntes contra os santos,
agora carrega pão para os santos famintos.
O perseguidor virou servo.
O pequeno Herodes virou irmão.
É isso que o Rei ferido faz com os Seus inimigos:
Ele não os destrói
Ele os transforma em família.
[Pausa]
Aquele golpe que caiu sobre o Pastor
abriu a porta da casa de oração
para gente que estava na arquibancada de Herodes.
Nós que gritávamos no teatro
fomos trazidos para dentro da casa.
E aquela assimetria que nos tirava o sono
Pedro livre, Tiago morto
deixa de ser um terror.
Porque agora nós sabemos:
quer Ele nos livre DA morte, como Pedro,
quer Ele nos livre NA morte, como Tiago,
nós somos d'Ele.
O mártir e o liberto estão pisando exatamente o mesmo chão
o chão de uma cruz que não livrou Cristo,
para que pudesse livrar os dois.
Vivendo ou morrendo,
somos do Rei que foi ferido por nós.
A espada de nenhum Herodes pode nos arrancar da mão que foi pregada na cruz.
Isso resignifica toda a nossa vida.
Você pode se livrar da necessidade de ser aclamado.
Seu nome não precisa ser reconhecido:
no escritório, na mesa do jantar, na liderança da igreja.
Você pode parar de medir o seu dia pela quantidade de aplauso que recebeu.
Você pode parar de usar as pessoas, o dinheiro, o cargo,
para que girem em torno de você.
Você pode deixar morrer aquele lampejo de fúria que sobe
quando alguém não o honra como você acha que merece.
Você pode descer da prata.
E você pode parar com tudo isso porque já tem um Rei.
Você não precisa reinar,
porque Ele reina.
Você não precisa ser aclamado,
porque você já foi reivindicado
comprado, nomeado, guardado.
O coração que descobre que pertence ao verdadeiro Rei
é finalmente liberto da exaustão de tentar ser “rei”.
Você não pertence a este Rei porque escolheu o rei certo.
Se dependesse da sua escolha, você ainda estaria na arquibancada de Herodes.
Você pertence a Ele porque o Rei certo escolheu ser ferido por você.
Os golpes já foram dados.
O cálice já está vazio.
E Ele o trouxe para casa.
Isso não é uma tarefa que lhe resta cumprir.
Isso é uma obra que já está consumada.
Está terminado. Está feito.
Conclusão
Conclusão
O mundo ainda tem os seus Herodes.
Ainda tem os seus teatros,
suas vestes de prata.
As suas multidões continuam aclamando humanos,
gritando "voz de um deus".
Os reis desse mundo ainda usam o pão como ferramenta para poder,
para exigirem adoração.
Mas tudo isso continua terminando do mesmo jeito:
prata por fora, vermes por dentro.
Aclamação por uns instantes,
mas depois o silêncio do túmulo.
Porém existe um trono que a espada não alcança.
E sobre ele está sentado um Rei,
que não precisa se vestir de prata.
Um Rei que nos dá pão todos os dias.
Um Rei cujas mãos ainda têm a marca dos cravos.
[Pausa]
Dois Reis, Dois Tronos
E tenho certeza que você se curva diante de um desses tronos.
A pergunta do início retorna:
de quem é o trono diante do qual você se curva?
[Oração]
