Js 24.1-28 Uma família que serve ao Senhor

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Josué 24.1-28

Introdução
Maio mês da família
Refletir o que queremos para as nossas famílias
Queremos que nossas famílias estejam diante do Senhor
Uma família que teme e serve ao Senhor
Elucidação
Esse texto de Josué é uma solene convocação a todos nós, para que trilhemos por esse caminho.
Nos últimos capítulos do livro de Josué nós temos 3 sermões, cada um mais longo que o anterior. O primeiro está no capítulo 22 o qual ele se dirigiu a algumas tribos que voltavam para casa, nas terras além do rio Jordão. O segundo está no capítulo 23, foi dirigido aos líderes de Israel: anciãos, líderes, juízes e oficiais. O terceiro foi pronunciado a todo o povo em uma grande convocação em Siquém. Isso ocorreu no capítulo 24, texto que lemos.
E uma característica significativa desses sermões que, embora tenham sido proferidos a grupos de pessoas diferentes e contenham material um pouco diverso, todos contêm em essência o mesmo ponto: a necessidade de ser fiel a Deus e de obedecê-lo com fervor.
Porém há uma diferença significativa entre o capítulo 24 e os demais, pois nele temos uma cerimônia de renovação da aliança, na qual o povo realmente se comprometeu a servir ao Senhor.
E é sobre isso que iremos expor nessa manhã: Uma família que serve ao Senhor.
Precisa RECONHECER quem está no controle v.1-13
Josué começa o seu discurso não com uma ordem, mas com uma lembrança. Ele faz o povo olhar para trás. E isso é extremamente significativo. Antes de chamar à obediência, ele relembra a graça. Antes de exigir compromisso, ele expõe aquilo que Deus já fez. E isso nos ensina algo profundo: a vida cristã não começa com o que nós fazemos por Deus, mas com o que Deus fez por nós.
Ao longo dos versículos 2 a 13, Josué recapitula a história de Israel. Ele começa com Abraão, lembrando que seus antepassados serviam a outros deuses. Ou seja, o ponto de partida não foi nobre. Não havia mérito algum. Abraão não foi escolhido porque já era piedoso. Ele era, como todos os homens, um pecador, inserido em um contexto de idolatria. Mas Deus, em sua graça soberana, o chamou.
E aqui está um ponto crucial: Josué enfatiza que foi Deus quem fez tudo. O texto é marcado pela repetição do “Eu fiz”. Deus tomou Abraão, Deus o conduziu, Deus multiplicou sua descendência, Deus enviou Moisés, Deus tirou o povo do Egito, Deus abriu o mar, Deus derrotou os inimigos, Deus deu a terra. Tudo é atribuído à ação divina.
Isso não é um detalhe. Isso é o centro da mensagem. Josué está combatendo uma tendência muito comum ao coração humano: a de se apropriar das bênçãos como se fossem resultado do próprio esforço. Depois de anos de batalha, seria fácil para Israel olhar para suas conquistas e pensar: “nós conseguimos”. Mas Josué corrige essa perspectiva. Ele diz, em essência: “vocês não conquistaram nada por si mesmos. Foi Deus quem fez tudo”.
E isso é reforçado quando ele declara que não foi pela espada nem pelo arco deles que a vitória veio. Claro, eles lutaram. Claro, empunharam armas. Mas o ponto é que o sucesso não veio da força deles, mas do poder de Deus. A vitória foi graça.
E essa verdade precisa ser trazida para dentro da nossa casa. Uma família que serve ao Senhor é uma família que reconhece que Deus está no controle. Que tudo o que temos — nossa salvação, nossa vida, nossa família, nossas conquistas — é fruto da graça de Deus. Isso quebra o orgulho. Isso nos humilha. Isso nos coloca no nosso devido lugar.
Mas há algo ainda mais profundo aqui. Josué não apenas lembra o que Deus fez; ele lembra quem o povo era. Eles eram idólatras. Eles vieram de um contexto de rebeldia. E mesmo depois de tantas manifestações da graça de Deus, ainda havia ídolos no meio deles. Isso é impressionante. Depois de tudo — do Egito, do deserto, das conquistas — ainda era necessário dizer: “deitai fora os deuses estranhos”.
Isso revela algo sobre o coração humano. O pecado não desaparece facilmente. A idolatria é persistente. Ela se reinventa. Ela se esconde. E isso também é verdade para nós. Nossos ídolos podem não ser de madeira ou pedra, mas estão lá: dinheiro, status, conforto, controle, aprovação, prazer.
Uma família que serve ao Senhor é uma família que reconhece isso. Que não vive na ilusão de que está tudo bem. Que entende que precisa constantemente voltar-se para Deus, rejeitar os ídolos e depender da graça.
Em segundo lugar, uma família que serve ao Senhor precisa assumir um compromisso com o Senhor (v.14-25).
Depois de relembrar a graça de Deus, Josué então chama o povo à resposta. E essa resposta é clara: “Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e fidelidade”. O chamado é para um serviço total. Não parcial. Não superficial. Mas com o coração inteiro.
Josué coloca o povo diante de uma escolha. “Escolhei hoje a quem servireis”. Observem: ele não diz apenas “sirvam ao Senhor”. Ele coloca a decisão de forma explícita. Há opções. Há caminhos. Há escolhas.
Josué deu uma gama de deuses que eles poderiam servir. Primeiro ele diz, os deuses que os seus pais serviram quando estavam em Ur dos Caldeus. Além do rio Eufrates, que são os deuses do panteão babilônico. Segundo, os deuses que vocês serviram no Egito. Eles eram os deuses do Nilo, da terra, do céu, que era chamado dera, o sol, que era o grande deus do Egito. E Deus julga os deuses do Egito tirou o povo do Egito por meio das dez pragas você vai lembrar disso. Foi contra os deuses do Nilo, o deus da terra, o deus do céu que as pragas foram dirigidas. Deus disse os deuses do Egito são impotentes.
Ele diz mais escolham entre os deuses dos Amorreus, cuja terra os judeus vivem agora. Eram deuses terríveis, irmãos, como Moloque que demandava sacrifício aos recém-nascidos. Ou vocês adoram ao verdadeiro Deus, criador dos céus e da terra, que fez de Israel o seu povo e os arrancou do Egito e os estabeleceu na própria terra a qual ele havia prometido. A quem vocês vão escolher?
Ele menciona os deuses dos antepassados, os deuses do Egito, os deuses dos amorreus. Em outras palavras, ele está dizendo: vocês podem escolher qualquer um desses. Mas não podem ficar neutros. Não existe neutralidade espiritual. Todos servem a algum deus.
Josué escolheu ‘Eu e a minha casa serviremos ao Senhor’. Josué era o capitão de Israel. Ele tava dando o exemplo pra toda a nação. Pai, você é o cabeça da sua casa. Você precisa dar o exemplo. A quem você escolhe? Fica difícil pros seus filhos saberem. Se você escolhe não adorar a Deus no santo dia do Senhor para cuidar dos seus próprios interesses. Fica difícil pros seus filhos saberem quem você escolhe. Se vocês não guardam a casa de vocês com a palavra de Deus e com o ensino da verdade. Fica difícil saber.
A maneira como o texto descreve o verso 14 e 15 do capítulo 24, irmãos, o verbo usado a escolher, a maneira como ele está colocado na língua hebraica, ele dá uma ideia não apenas de uma escolha única e final, mas de uma escolha contínua. Josué escolheu e continuava escolhendo. Hoje eu escolho, eu e minha casa. Não basta apenas um dia dizer, Senhor eu quero servir a ti sua mente todo dia eu preciso rejeitar os falsos deuses, os falsos ídolos e me submeter ao único e verdadeiro deus. Todos os dias.
O povo responde positivamente. Eles dizem que também servirão ao Senhor. E apresentam razões: Deus os libertou, Deus os guardou, Deus os conduziu. A resposta parece perfeita. Mas Josué não aceita de forma superficial. Ele confronta o povo. Ele diz: “Não podereis servir ao Senhor”.
Isso parece estranho. Mas o ponto de Josué é expor a superficialidade do compromisso. Ele sabe que servir a Deus não é algo leve. Deus é santo. Deus é zeloso. Servi-lo exige abandono do pecado, rejeição dos ídolos, dependência da graça. Ele sabe que uma escolha dita não pode ser sustentada se o Senhor não chamar e capacitar tal pessoa nessa escolha.
O povo insiste: “Serviremos ao Senhor”. E então Josué os chama a testemunhar contra si mesmos. Ele está dizendo: vocês estão assumindo um compromisso sério. Não é algo emocional. Não é algo momentâneo. É uma aliança.
E isso também precisa marcar nossas famílias. Muitas vezes queremos os benefícios de Deus, mas não queremos o compromisso com Deus. Queremos a bênção, mas não a obediência. Queremos a proteção, mas não a submissão.
Uma família que serve ao Senhor entende que seguir a Deus é uma decisão consciente, contínua e custosa. Não é uma decisão feita uma vez e esquecida. É uma escolha diária. Hoje. Amanhã. Depois. Como alguém já disse, não é apenas “eu escolhi”, mas “eu escolho e continuarei escolhendo”.
Em terceiro lugar, uma família que serve ao Senhor precisa relembrar do compromisso com o Senhor (v.26-28).
Após o compromisso assumido, Josué registra tudo e levanta uma pedra como testemunha. Isso pode parecer estranho para nós, mas tinha um significado profundo. Aquela pedra serviria como um lembrete constante. Um memorial visível da aliança feita.
A vida espiritual precisa de memória. Nós somos esquecidos. Esquecemos rapidamente aquilo que Deus fez. Esquecemos promessas. Esquecemos compromissos. E por isso precisamos de marcos. Precisamos de lembretes.
Josué coloca aquela pedra debaixo de um carvalho, em um lugar significativo. E diz que ela seria testemunha contra o povo, caso fossem infiéis. Ou seja, toda vez que olhassem para ela, deveriam se lembrar: nós prometemos servir ao Senhor.
Isso também precisa acontecer em nossas famílias. Precisamos criar memoriais espirituais. Momentos, práticas, hábitos que nos façam lembrar constantemente do nosso compromisso com Deus. O culto doméstico, a leitura da Palavra, a oração em família, a participação fiel na igreja — tudo isso são formas de manter viva essa lembrança.
Temos essas pedras na igreja. Na ceia ‘façam isso em memoria de mim’, o batismo, o próprio culto, a estrutura da liturgia serve para lembrarmos, quem o Senhor é e por isso o adoramos, quem nós somos e por isso confessamos nossos pecados, a nossa necessidade do Senhor, da sua direção, de ouvirmos sua voz, por isso a exposição da palavra. 
Porque o perigo é real. O próprio texto bíblico mostra isso. Enquanto Josué viveu, e enquanto viveram aqueles que haviam visto os feitos de Deus, o povo serviu ao Senhor. Mas a geração seguinte se levantou e não conhecia o Senhor. E se desviou.
Isso é assustador. Porque mostra que não basta uma geração ser fiel. É preciso transmitir a fé. É preciso ensinar. É preciso viver de forma que a próxima geração conheça o Senhor não apenas de ouvir falar, mas de experimentar.
Conclusão
É verdade irmãos que nós não controlamos o futuro dos nossos filhos. Não podemos garantir as escolhas deles.
Por isso, a esperança para os nossos lares, para as nossas famílias não está somente no compromisso que individualmente assumimos com o Senhor.  A nossa esperança está em Cristo.
Devemos olhar e reconhecer que tudo foi feito por ele, por meio dele e para a glória dEle. Reconhecer que Ele encarnou, se humilhou, se entregou para nos dar vida. Reconhecer que ele assumiu de forma plena e perfeita um compromisso com o Pai, e por causa do seu compromisso perfeito, de serviço perfeito e eficaz, nós hoje podemos servir também, nós hoje também podemos servir com integridade e fidelidade, podemos destronar os ídolos dos nossos corações, porque ele venceu em nosso lugar.
Hoje quando participamos da mesa do Senhor lembramos do seu sacrifício, do compromisso custoso que ele assumiu por mim e por você. Quando somos batizados e contemplamos alguém sendo batizado, podemos nos lembrar que somos selados, fazemos parte do povo que ele mesmo comprou. Quando lemos a sua Palavra, ele continua a falar conosco.
Irmãos é somente por causa dele, na força e na dependência dele que podemos dizer ‘eu e minha casa serviremos ao Senhor’, porque é somente com base no sacrificio dele que podemos edificar os nossos lares, nossas famílias, famílias que servem e vivem pra glória do Senhor.
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