A Surpreendente Porta do Reino (Lucas 13.22–30)
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Leitura bíblica
Leitura bíblica
22 Jesus passava por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém.
23 E alguém lhe perguntou:
— Senhor, são poucos os que são salvos?
24 Jesus respondeu:
— Esforcem-se por entrar pela porta estreita! Pois eu afirmo a vocês que muitos procurarão entrar, mas não conseguirão.
25 Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vocês, do lado de fora, começarem a bater, dizendo: “Senhor, abra a porta para nós”, ele responderá: “Não sei de onde vocês são.”
26 Então vocês dirão: “Comíamos e bebíamos com o senhor. Além disso, o senhor ensinava em nossas ruas.”
27 Mas ele dirá a vocês: “Não sei de onde vocês são; afastem-se de mim, vocês todos que praticam o mal.”
28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, mas vocês lançados fora.
29 Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.
30 Porém, de fato, há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Há algum tempo acompanhei a Lívia na Embaixada dos Estados Unidos para a entrevista de obtenção do visto.
E uma das coisas que mais me chamou a atenção naquele dia não foi a entrevista em si, mas a fila de acesso.
Era impossível não observar as pessoas.
Algumas estavam extremamente confiantes. Outras demonstravam nervosismo. Havia quem falasse sem parar para disfarçar a ansiedade. Havia quem permanecesse em silêncio, olhando para o chão. Alguns pareciam executivos bem-sucedidos. Outros tinham uma aparência simples e discreta.
E, inevitavelmente, as haviam os julgamentos pela aparência.
"Esse passa."
"Aquele não passa."
"Esse aí parece que tem tudo certo."
"Aquele ali não tem chance."
Mas quando as pessoas saíam da entrevista, vinham as surpresas.
Alguns que pareciam candidatos certos saíam decepcionados.
Outros que ninguém apostaria um centavo saíam sorrindo, com o visto aprovado.
Porque, no final, a decisão não era baseada na impressão da fila, mas nos critérios de quem estava do outro lado do guichê fazendo as entrevistas, analisando os documentos.
Em Lucas 13, Jesus nos apresenta uma cena parecida, mas infinitamente mais séria. Um visto negado tem possibilidade de tentar de novo. A porta estreita fechada, nunca mais é possível entrar por ela novamente.
O texto fala sobre pessoas que têm certeza de que entrarão no Reino de Deus, mas ficarão do lado de fora.
E fala sobre pessoas que ninguém imaginava ver no Reino, mas que se assentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó.
O grande problema é que nós somos especialistas em julgar quem parece estar perto de Deus.
Mas somos muito lentos em olhar para a própria vida, para o próprio coração e ver se nós entraremos nessa porta ou não.
Mas Jesus conhece quem realmente pertence a Deus.
Nesta passagem, Jesus nos ensina que o Reino de Deus é muito diferente do que as pessoas imaginam.
A porta não é tão larga quanto muitos pensam.
A proximidade religiosa não é a mesma coisa que pertencimento.
E aqueles que finalmente entrarão no Reino surpreenderão muita gente.
A grande ideia deste texto é simples:
O Reino pertence aos que entram pela fé, não aos que presumem estar dentro.
E a primeira surpresa que Jesus apresenta é esta: a porta do Reino é mais estreita do que muitos imaginam.
Vamos refletir sobre isso no primeiro momento da passagem.
1. A porta é mais estreita do que muitos imaginam (22–24)
1. A porta é mais estreita do que muitos imaginam (22–24)
Jesus continua caminhando em direção a Jerusalém. Lucas faz questão de lembrar isso. Ele está indo para o lugar onde será rejeitado, condenado e crucificado. O Rei está marchando para a cruz. Mas enquanto caminha, Ele continua ensinando pelas cidades e povoados. Jesus não desperdiça o caminho para Jerusalém. Ele segue pregando enquanto avança para o Calvário.
Vamos ler novamente o que o evangelista escreveu nos versos 22 a 24:
Lucas 13.22–24 “Jesus passava por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém lhe perguntou: — Senhor, são poucos os que são salvos? Jesus respondeu: — Esforcem-se por entrar pela porta estreita! Pois eu afirmo a vocês que muitos procurarão entrar, mas não conseguirão.”
É nesse contexto de peregrino entre aldeias, caminhando para Jerusalém, que alguém levanta a pergunta: “Senhor, são poucos os que são salvos?” (v.23).
Aparentemente parece uma pergunta sincera. Talvez essa seja uma pergunta nossa, uma curiosidade genuína do nosso próprio coração: “Senhor, são poucos os que serão salvos?”
Mas Jesus conhece o coração humano. Muitas vezes perguntas espirituais escondem fugas espirituais.
Há pessoas que gostam de discutir escatologia, predestinação, fim dos tempos, inferno, soberania de Deus… mas nunca lidam seriamente com a própria alma. Os debates em redes sociais são cada vez mais intensos sobre isso.
O homem, no texto, pergunta sobre “quantos” serão salvos. Jesus responde sobre quem realmente entra no Reino. Quem realmente será salvo.
Ele não alimenta especulação. Ele confronta o coração.
Entre os judeus existia a ideia popular de que Israel, como nação, seria salva. Aliás pensa num povo arrogante. Eles realmente acreditavam que não haveria salvação fora das dozes tribos de Israel.
A confiança deles estava na descendência, na tradição, na estrutura religiosa. Eles se viam como “os primeiros”. Mas Jesus quebra completamente essa segurança carnal.
Observe que Cristo não responde:
“Sim, serão poucos.”
Nem:
“Não, serão muitos.”
Ele responde:
“Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (v.24).
Ou seja:
“Pare de especular sobre os outros e examine a si mesmo.”
Essa é a grande tragédia da religião morta: discutir salvação sem saber da sua própria salvação.
Há pessoas dentro da igreja que sabem explicar doutrinas difíceis, mas nunca passaram pela porta estreita.
Sabem falar sobre graça, eleição, Reino, pacto, escatologia, milênio… mas nunca se arrependeram verdadeiramente dos seus pecados.
Conseguem conversar sobre Deus, mas não conseguem abandonar o pecado secreto. Conseguem debater Bíblia, mas não conseguem se render a Cristo.
Então Jesus está dizendo: “Esforçai-vos”.
A palavra usada aqui é fortíssima. O verbo traz a ideia de agonizar, lutar intensamente, entrar numa batalha.
Não é passividade.
Não é indiferença.
Não é conveniência religiosa.
Jesus está destruindo a ideia de um discipulado confortável.
Mas precisamos tomar cuidado aqui. Jesus não está ensinando salvação por obras. Jesus não está ensinando que você precisa se esforçar para ser salvo. O próprio contexto do Evangelho de Lucas destrói essa ideia.
O ladrão na cruz não teve obras para apresentar. O publicano da parábola não tinha méritos para negociar. Zaqueu foi alcançado pela graça antes de qualquer transformação prática.
Então o que Jesus quer dizer com “Esforcem-se por entrar pela porta estreita” ?
Ele está mostrando que entrar no Reino envolve ruptura, arrependimento e renúncia. A graça é gratuita, mas ela nunca é barata.
A fé salvadora não é apenas um pensamento frio da nossa mente; ela muda o rumo da vida, a fé salvadora arranca o homem da larga estrada do pecado e o conduz pela estreita porta do discipulado.
Cristo não manda o homem especular sobre os outros, mas a se levantar e entrar. Isso é um despertar para uma atitude prática. Porque nossa tendência é sempre olhar para fora:
“E os outros?”
“E quem nunca ouviu?”
“E os hipócritas?”
“E os religiosos?”
Enquanto isso, ignoramos o estado do nosso próprio coração.
Jesus está dizendo:
“Você já entrou?”
E note: a porta é estreita.
Ela é estreita porque o orgulho não passa por ela.
A autossuficiência não passa por ela.
O ego religioso não passa por ela.
Os méritos pessoais não passam por ela.
A porta é Cristo. E ninguém atravessa Cristo por causa da justiça própria. Só existe um abraçar perfeito de Cristo pela fé no que Ele fez por nós. Dando sua vida na cruz e ressuscitando ao terceiro dia.
Isso confrontava diretamente o judaísmo da época, mas também desmonta a justiça própria de quem ainda acha que vai conquistar a salvação por esforços próprios.
A porta do Reino não era a “porta larga do judaísmo”, baseada na confiança étnica e religiosa, mas a estreita porta do discipulado.
Os judeus pensavam:
“Somos filhos de Abraão.”
Jesus responde:
“Nem todos entrarão.”
Eles pensavam:
“Temos a Lei.”
Jesus responde:
“Esforcem-se para entrar.”
Eles pensavam:
“Somos o povo da aliança.”
Jesus responde:
“Muitos procurarão entrar e não poderão.”
Que golpe brutal contra a falsa segurança religiosa!
Meus irmãos, proximidade religiosa nunca foi garantia de regeneração espiritual.
Você pode:
Ter crescido na igreja, ter ouvido sermões a vida inteira, cantar apenas músicas cristãs, conhecer linguagem evangélica, servir em ministérios, frequentar cultos há décadas e ainda assim, nunca ter passado pela porta estreita.
Porque a porta estreita não é tradição religiosa. Porta estreita é novo nascimento.
A fala de Jesus também revela a urgência do Evangelho. Há uma janela aberta agora. Há graça agora. Há oportunidade agora. Mas o texto caminha para o fechamento da porta. Isso significa que o tempo da misericórdia não permanecerá indefinidamente. Jesus está reforçando aqui a parábola da figueira sem fruto plantada no meio da plantação de uvas. Se não der frutos a figueira será cortada.
A Bíblia não apresenta conversão pós-juízo.
A Bíblia não apresenta segunda chance após a morte.
A porta está aberta hoje. Mas ela não ficará aberta para sempre.
E perceba outra coisa assustadora no texto:
“Muitos procurarão entrar e não poderão”.
Isso não significa que pessoas sinceramente arrependidas serão rejeitadas por Cristo. Nunca! O Evangelho inteiro declara o contrário. Quem vem a Cristo jamais será lançado fora. Quem vem a Cristo é porque o Espírito Santo já deu vida, já regenerou o coração e como Jesus disse João 6.37–39 “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.”
O problema aqui é que muitos desejarão entrar tarde demais.
Desejarão o céu sem terem desejado a Cristo.
Desejarão salvação sem arrependimento.
Desejarão escapar do juízo, mas nunca abandonar o pecado.
Existe um arrependimento que nasce apenas do medo da condenação, não do amor por Deus. Medo de ser condenado não é arrependimento, isso é apenas desespero diante das consequências.
No inferno não existirão ateus. No inferno todos saberão que Jesus é Senhor. Todos que estão lá, obrigatoriamente tiveram que dobrar seus joelhos e confessar que Jesus Cristo é o Senhor, só que será tarde demais.
Então Cristo nos chama hoje:
“Esforçai-vos por entrar”.
Lute contra seu orgulho.
Lute contra sua incredulidade.
Lute contra sua procrastinação espiritual.
Lute contra o pecado que você acaricia escondido.
Lute contra a religiosidade sem vida.
Lute para não descansar até ter certeza de que pertence a Cristo.
Porque a porta é mais estreita do que muitos imaginam.
Mas talvez você possa me perguntar: “Mas como eu posso ter a certeza de que sou salvo?” A Palavra de Deus nos responde em isso em Romanos 8.16: “O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus.”
É o próprio Espírito Santo que testifica ao nosso entendimento que somos filhos de Deus. E essa certeza não gera arrogância, essa certeza nos conduz à perseverança, à santidade e a uma vida de confiança humilde diante de Deus.
Então na sequência, Jesus deixa claro que estar por perto é muito diferente do que pertencer ao Reino.
2. Se aproximar é diferente de pertencer (25–27)
2. Se aproximar é diferente de pertencer (25–27)
Veja isso nos versos 25 a 27, vamos ler novamente: Lucas 13.25–27 “Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vocês, do lado de fora, começarem a bater, dizendo: “Senhor, abra a porta para nós”, ele responderá: “Não sei de onde vocês são.” Então vocês dirão: “Comíamos e bebíamos com o senhor. Além disso, o senhor ensinava em nossas ruas.” Mas ele dirá a vocês: “Não sei de onde vocês são; afastem-se de mim, vocês todos que praticam o mal.”
Aqui Jesus sai da advertência e entra numa cena de julgamento.
A porta que estava aberta agora está fechada.
O tempo da oportunidade passou.
A graça desprezada deu lugar ao juízo inevitável.
E perceba algo assustador: essas pessoas do lado de fora não são pagãos ignorantes. Elas conhecem a linguagem correta. Elas chamam Jesus de “Senhor”. Elas sabem quem Ele é. Elas tiveram contato com Ele. Elas ouviram seus ensinos.
O problema dessas pessoas não era falta de contato externo com Cristo, mas ausência de transformação interior.
Elas dizem:
“Comíamos e bebíamos contigo.”
“Tu ensinavas em nossas ruas.”
Em outras palavras:
“Nós estávamos perto.”
Mas o problema é exatamente esse: estar por perto é diferente de pertencer.
Jesus não diz:
“Vocês nunca me ouviram.”
Ele diz: “Eu não conheço vocês.”
Que texto assustador!
Porque isso destrói uma mentira muito comum dentro das igrejas: a ideia de que proximidade religiosa é sinônimo de conversão verdadeira.
É duro dizer isso, mas há pessoas que pertencem a igreja mas que continuam sem pertencer a Cristo. No grupo dos doze discípulos tinha um assim.
Elas estão perto da verdade, mas nunca foram transformadas pela verdade.
Estão perto do Evangelho, mas o Evangelho nunca entrou no coração.
Conhecem o ambiente do Reino, mas nunca entraram pela porta do Reino.
Proximidade geográfica e física com Jesus nunca foi garantia de segurança eterna. Olhe para a multidão que seguia a Jesus, que via seus milagres, olhe para Judas que comia do mesmo prato que Jesus, mas que se perderam mesmo vendo e tocando em Jesus.
E isso deveria nos abalar profundamente. Porque existe uma diferença gigantesca entre: admirar Jesus e seguir Jesus; ouvir Jesus e se render a Jesus; frequentar a igreja local e pertencer à igreja invisível de Cristo.
O texto mostra pessoas tentando usar experiências religiosas como argumento de salvação: “Comíamos e bebíamos contigo.”
Mas no Reino ninguém será salvo por associação.
Ninguém entrará porque teve pais crentes; porque nasceu em lar evangélico; porque foi batizado; porque era líder na igreja; nem porque era pastor na igreja. Ninguém entrará porque conviveu com cristãos sinceros.
A pergunta decisiva não será: “Você esteve perto de Jesus?”
A pergunta será: “Jesus conhecia você?”
E aqui precisamos entender algo importante biblicamente. Quando Jesus diz: “Não conheço vocês”, Ele não está dizendo falta de informação intelectual.
Cristo é Deus e Deus conhece todas as coisas.
Esse “conhecer” é linguagem de relacionamento, comunhão e pertencimento.
É o mesmo sentido de João 10: “Eu conheço as minhas ovelhas.” Ou seja: o que Jesus está dizendo para essas pessoas é que “elas nunca pertenceram a Ele.”
Isso é devastador. Porque essas pessoas só descobriram tarde demais que convivência externa com Cristo não substitui novo nascimento.
E observe outra marca desses falsos discípulos: eles praticavam o mal.
Jesus os chama: “Vocês todos que praticam o mal.”
Essa expressão descreve pessoas cuja vida permanecia marcada pela iniquidade.
Esse é o ponto:
o problema não era imperfeição. O problema era permanência no pecado sem arrependimento.
Porque o verdadeiro salvo luta contra o pecado. O falso convertido faz as pazes com ele. Adotou o pecado como prática comum da vida. O pecado não incomoda mais, eles vivem praticando o mal convencidos de que está tudo bem.
O verdadeiro discípulo tropeça, mas ele chora, confessa, combate a carne e corre para Cristo.
O falso discípulo aprende a conviver tranquilamente com uma vida dupla.
E talvez aqui esteja uma das maiores tragédias das igrejas evangélicas modernas: gente suficientemente próxima para conhecer a linguagem da igreja, mas distante demais para pertencer ao Rei que deu a sua vida pela igreja.
Pessoas emocionadas, mas não regeneradas.
Convencidas intelectualmente, mas não convertidas.
Frequentadoras do Reino, mas não cidadãs do Reino.
E perceba o detalhe assustador da cena:
eles começam a bater quando a porta já está fechada.
Durante muito tempo tiveram oportunidade.
Durante muito tempo ouviram.
Durante muito tempo ignoraram.
E agora, que não dá mais tempo, eles querem entrar. Mas agora é tarde.
Haverá pessoas que reconhecerão a verdade apenas quando já não houver possibilidade de salvação.
Isso é solene.
No inferno ninguém duvidará da existência de Deus.
No inferno ninguém negará que Cristo é Senhor.
No inferno ninguém questionará o Evangelho.
Mas será tarde demais.
E aqui existe uma aplicação extremamente necessária:
Talvez existam pessoas dentro da igreja que estão exatamente nessa condição:
próximas, familiarizadas, adaptadas ao ambiente cristão, mas ainda sem pertencimento verdadeiro.
Sabem cantar sobre Cristo, mas não amam a Cristo.
Sabem defender doutrinas, mas não luta contra o pecado.
Conhecem o vocabulário do Evangelho, mas o coração continua escravo do mundo.
Talvez seja você, qualquer um que se aproximou da igreja, mas nunca veio verdadeiramente a Jesus.
E talvez o mais assustador seja isto: essas pessoas do texto pareciam convencidas de que estavam dentro. Elas não esperavam ficar do lado de fora.
Essa é a tragédia da falsa conversão:
o engano só será totalmente revelado quando a porta estiver fechada.
Por isso o chamado do Evangelho hoje não é: “Pareça crente.”
O chamado do Evangelho é: “Arrependa-se e venha a Cristo.”
Porque se aproximar é diferente de pertencer.
Por isso que o final do texto é surpreendente: tem gente que acha que vai entrar, mas ficará de fora. E tem muitos que são rejeitados e na cabeça desses que ficarão de fora eles nunca entrarão, mas aí que vem a surpresa, eles estarão no Reino.
Vamos refletir sobre isso nos últimos versos.
3. Quem entrará no Reino surpreenderá muita gente (28–30)
3. Quem entrará no Reino surpreenderá muita gente (28–30)
Vamos ler os 3 últimos versículos: Lucas 13.28–30 “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, mas vocês lançados fora. Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. Porém, de fato, há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.”
Aqui Jesus chega ao clímax da advertência.
Ele descreve duas cenas acontecendo ao mesmo tempo. De um lado: banquete, mesa, festa, Abraão, Isaque, Jacó, profetas, o Reino consumado.
Do outro: choro, ranger de dentes, gente do lado de fora consciente da condenação, vendo e sofrendo o castigo que recebeu, desespero, juízo eterno.
O mais impressionante é isto: as pessoas do lado de fora conseguem ver quem está dentro.
Elas veem Abraão.
Veem Isaque.
Veem Jacó.
Veem os profetas.
Veem o banquete do Reino.
Mas elas mesmas foram lançadas fora.
O choro aqui fala de miséria eterna, enquanto o ranger de dentes revela ódio, revolta e desespero diante do juízo de Deus.
Isso é importante:
O inferno não produz santidade.
O inferno não transforma pecadores em adoradores.
O inferno revela a profundidade da rebelião humana.
O inferno impõe castigo eterno, consciente àqueles que rejeitaram a Jesus e ao Evangelho.
E aqui Jesus golpeia diretamente o orgulho religioso judaico.
Porque os judeus acreditavam que, por serem descendentes de Abraão, já possuíam lugar garantido no Reino.
Mas agora Jesus diz: “Vocês verão Abraão, mas vocês ficarão do lado de fora.”
Que cena devastadora!
O problema deles era que confiavam mais na herança religiosa do que no próprio Deus da aliança.
Confiavam na tradição, na descendência, na religião, no sistema, nos privilégios espirituais, mas rejeitaram o Rei.
E então Jesus faz uma das declarações mais surpreendentes do Evangelho: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.”
Aqui Cristo está falando sobre a entrada dos gentios. Gente que não tem pedigree, gente que não descendente de nenhuma das doze tribos de Israel. Gente improvável. Gente desprezada. Gente considerada “de fora”.
Enquanto muitos judeus rejeitariam o Messias, homens e mulheres de todas as nações seriam alcançados pela graça de Deus.
Isso é maravilhoso porque isso nos deu o direito de fazer parte de um grupo que jamais teria condições de se salvar. Gente miserável, pequena, desprezível, mas que foi comprada pelo precioso sangue de Jesus.
Sabe por que? Porque o Reino de Deus nunca foi construído sobre merecimento humano.
O Evangelho é a história de pecadores sendo trazidos para a mesa do Rei pela graça.
A Bíblia inteira mostra isso: Quantos gentios foram agraciados! Raabe entrou. Rute entrou. Zaqueu entrou. Lucas entrou. O ladrão na cruz entrou.
Publicanos entraram. Prostitutas entraram. Gentios entraram.
Enquanto isso, muitos religiosos ficaram do lado de fora.
Porque o Reino não pertence aos orgulhosos. Pertence aos quebrantados.
O Reino não pertence aos autossuficientes. Pertence aos que reconhecem sua miséria espiritual. Aos que reconhecem seu pecado, reconhecem que não merecem, mas reconhecem que têm um salvador que os livrou da culpa e da morte.
O Reino não pertence aos que confiam na própria justiça. Pertence aos que se lançam na justiça de Cristo.
E então Jesus encerra dizendo: “Há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.”
Isso não é um slogan motivacional. É uma sentença de julgamento.
Os “primeiros” eram aqueles que se julgavam naturalmente dentro:
judeus religiosos,
escribas,
fariseus,
gente cheia de privilégios espirituais.
Os “últimos” eram:
gentios,
pecadores,
marginalizados,
improváveis,
gente sem posição espiritual aparente.
Mas o Reino inverteria tudo.
Jesus estava virando a pirâmide religiosa de ponta-cabeça.
O Reino surpreende porque Deus não vê como os homens veem.
Os homens olham aparência. Deus vê arrependimento.
Os homens veem currículo religioso. Deus vê novo nascimento.
Os homens observam reputação externa. Deus examina o coração.
Mas irmãos, isso deve produzir temor em nós.
Porque é possível alguém parecer “primeiro” na igreja e ainda estar perdido.
É possível alguém ser admirado espiritualmente, conhecido por muito tempo, cheio de aparência piedosa, respeitado religiosamente, e ainda nunca ter entrado pela porta estreita.
Enquanto isso, pessoas improváveis podem ser alcançadas soberanamente pela graça de Deus.
Mas talvez possam existam pessoas aqui que olham para si mesmas e pensam:
“Não há esperança para mim.”
“Meu passado me condena.”
“Eu fui longe demais.”
“Eu pequei demais.”
Mas é exatamente esse tipo de gente que Jesus gosta de salvar.
O Evangelho não é uma recompensa para bons religiosos.
O Evangelho é um milagre de graça para pecadores arrependidos.
A mesa do Reino não será ocupada por pessoas impressionantes. Será ocupada por pecadores lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro.
E talvez essa seja a maior surpresa do Reino:
muita gente que parecia perto ficará de fora…
e muita gente que parecia distante se assentará à mesa com Cristo.
Então não confie em aparência religiosa.
Não confie em tradição.
Não confie em tempo de igreja.
Não confie em conhecimento bíblico sem transformação.
Entre pela porta estreita.
Corra para Cristo.
Arrependa-se enquanto a porta ainda está aberta.
Porque quem entrará no Reino surpreenderá muita gente.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Meus irmãos, vocês se lembram que no começo da passagem, um homem perguntou: “Senhor, são poucos os que são salvos?”
Mas Jesus nunca respondeu essa pergunta.
Porque a pergunta mais importante não é:
“Quantos entrarão?”
A pergunta mais importante é:
“Eu entrarei?”
Depois de tudo o que ouvimos hoje, essa é a única pergunta que realmente importa.
Não importa há quantos anos você frequenta uma igreja.
Não importa quanto conhecimento bíblico você possui.
Não importa qual seja sua história religiosa.
A pergunta é:
Você já entrou pela porta estreita?
Você pertence a Cristo?
Se hoje a porta se fechasse, você estaria dentro ou do lado de fora?
Porque um dia a surpresa acabará.
A fé dará lugar à visão.
O Rei revelará quem realmente pertence ao seu Reino.
E naquele dia ninguém se preocupará com quem entrou ou quem ficou de fora.
Cada pessoa se deparará com apenas uma realidade, das duas únicas possíveis:
Estou com Cristo ou estou eternamente afastado de Jesus?
Por isso, não saia daqui confiando em sua religiosidade.
Não saia daqui confiando em sua história.
Não saia daqui confiando em sua aparência espiritual.
Corra para Cristo.
Arrependa-se dos seus pecados.
Creia no Evangelho.
Entre pela porta enquanto ela continua aberta.
Porque a porta ainda está aberta.
Mas não ficará aberta para sempre.
Que o Senhor nos ensine e nos molde a cada dia!
