Os Alicerces da Moralidade Cristã

A moralidade cristã  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 1 view

Em Êxodo 20:1-11, Deus estabelece os alicerces da moralidade cristã, revelando que a lei não é um meio de salvação, mas a resposta de gratidão do povo resgatado por sua graça. Antes de exigir obediência, Ele opera a redenção. Os quatro primeiros mandamentos apontam para três colunas inegociáveis: a exclusividade de nossa devoção ao único Deus, o respeito profundo ao Seu santo nome e a dedicação do tempo ao culto comunitário. Somos chamados a refletir o Seu caráter santo.

Notes
Transcript

1Então Deus falou todas estas palavras:

2— Eu sou o SENHOR, seu Deus, que o tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

3— Não tenha outros deuses diante de mim.

4— Não faça para você imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5Não adore essas coisas, nem preste culto a elas, porque eu, o SENHOR, seu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 6mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

7— Não tome o nome do SENHOR, seu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

8— Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. 9Durante seis dias você pode trabalhar e fazer toda a sua obra, 10mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao SENHOR, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. 11Porque em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.

Introdução

Hoje iniciamos uma nova série de pregações chamada A Moralidade Cristã, onde vamos conhecer melhor os 10 mandamentos.
Enquanto nós chamamos este trecho da Bíblia de “Os dez mandamentos”, os judeus preferem chamar de “As dez palavras”. Este é um dos trechos mais conhecidos da Bíblia, não tanto pelo seu conteúdo, mas sim pelo seu título.
Apesar de vivermos em um país onde a maioria da população se identifica como cristã, é mais que certo que a maioria desses cristãos não sabe os 10 mandamentos de cor. Muito menos na ordem...
Contudo, estas dez palavras são, como toda a Lei de Deus, um reflexo da moralidade do próprio Deus e que ele espera que o seu povo imite.
Alguns ramos do evangelicalismo insistem que a Lei não tem validade a partir de Cristo e que, portanto, devemos nos ater ao resumo da Lei: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Esta afirmação tem algo da verdade, todavia esconde alguns enganos fatais.
Primeiro, a Lei não foi abolida em Cristo, mas cumprida nele [1]. Abolição é o mesmo que eliminação, enquanto cumprir é sinônimo de realizar.
Segundo, o resumo da lei diz que devemos amar a Deus e ao próximo, mas a pergunta é: Como é que devemos amar a Deus e ao próximo? Quem decide o que é amar a Deus e ao próximo? Eu? Minha comunidade? Meu pastor? Meu partido político? As leis do Estado?
Grosso modo, descartando a Lei, não entenderemos os atos de Jesus, suas palavras, sua morte nem sua perfeita obediência. Como então poderemos imitá-lo?
E é aqui que voltamos ao nosso texto de hoje. Pois as dez palavras são a constituição do Reino de Deus, a base de todas as outras leis, OS ALICERCES DA MORALIDADE CRISTÃ, que, se seguidos, moralizam o Estado, nos encaminham para Cristo e nos santificam.
Mas, antes mesmo de apresentar qualquer mandamento, Deus apresenta a si mesmo.
1E Deus falou todas estas palavras: 2"— Eu sou o SENHOR, seu Deus, que o tirei da terra do Egito, da casa da servidão.”
Isso significa que a moralidade cristã não começa com uma ordem, mas com uma redenção.
Deus não disse: "Obedeçam-me e então eu os libertarei."
Ele primeiro libertou Israel e depois lhes entregou sua Lei.
A graça veio antes da exigência. A redenção veio antes da obediência.
Pense em uma família. Uma criança não obedece para se tornar filha. Ela obedece porque já é filha. Ela segue as regras da casa não para conquistar um lugar na família, mas porque já pertence à família.
Da mesma forma, Israel não recebeu a Lei para se tornar povo de Deus. Recebeu a Lei porque já era o povo que Deus havia resgatado.
Por isso, os Dez Mandamentos não são uma escada para alcançar Deus. São a maneira pela qual o povo salvo aprende a viver como povo de Deus.
O povo salvo por Deus deve refletir o caráter de Deus.
E é exatamente isso que encontramos nos quatro primeiros mandamentos.
Eles nos mostram três alicerces da moralidade cristã: exclusividade, respeito e culto.

1º Alicerce: Exclusividade

3"— Não tenha outros deuses diante de mim. 4"— Não faça para você imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5Não adore essas coisas, nem preste culto a elas, porque eu, o SENHOR, seu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 6mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
[Desenho: O Trono Ocupado. Conceito Visual: Um grande e belo trono real centralizado, com uma coroa brilhante brilhando sobre ele. Ao redor do trono, no chão, pequenas estátuas de ídolos ou outros objetos (como telas e sacos de dinheiro) aparecem caídos e quebrados. Significado: Mostra que Deus deve ocupar o lugar mais importante (o trono) do nosso coração sozinhos, e nenhum outro falso deus ou distração pode se assentar ali.]
O primeiro alicerce da fé cristã está contido nos dois primeiros mandamentos. Deus escreve uma justificativa ao iniciar e finalizar esses dois mandamentos, dizendo ser “seu único Deus” e que é um “Deus ciumento”, que é o peso da palavra hebraica (קַנָּא) [2] usada aqui.
O Senhor não está disposto a dividir nossa devoção. Ele exige exclusividade porque somente Ele é digno dela. Além disso, entregou seu próprio Filho para morrer em nosso lugar. Se Deus não nos poupou seu próprio Filho, como dividir nossa devoção com qualquer outro senhor?
Para nos ajudar a entender isso, Deus frequentemente descreve seu relacionamento com seu povo como um casamento. [3]
Em uma relação conjugal, a infidelidade destrói a confiança e fere profundamente a comunhão. É assim com o Senhor: Ele não está disposto a nos dividir com amantes, nem mesmo aqueles que existem apenas em nosso pensamento.
Por isso, os dois primeiros mandamentos protegem a exclusividade do nosso relacionamento com Deus. Eles nos mostram que a idolatria pode assumir formas diferentes, mas todas elas representam infidelidade ao Senhor.
Às vezes pecamos por adição: colocamos ao lado de Deus outras fontes de segurança, alegria e esperança.
3"— Não tenha outros deuses diante de mim.
Por exemplo, se algum lazer (tv, viagem, jogo) te impede de ter tempo para leitura da Palavra e oração, você está tornando esse hábito em um deus. Outro exemplo: se você acha que só será feliz se tiver um bom casamento ou se ganhar na Mega-Sena, está provavelmente tornando essas coisas em deuses para você.
Mas existe uma forma ainda mais sutil de idolatria.
Outras vezes pecamos por alteração: continuamos falando sobre Deus, mas passamos a imaginar um deus diferente daquele revelado nas Escrituras.
4"— Não faça para você imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5Não adore essas coisas, nem preste culto a elas
Esse foi o pecado de Arão e de Israel ao adorarem o bezerro de ouro.[Ex 32.1-30] Essa é a nossa idolatria quando pecamos livremente dizendo que Deus é gracioso e nos perdoará (achando que Deus não castiga[Ap 3.19]) ou quando tratamos os pecados com dureza dizendo que Ele é justo juiz (achando que Deus só castiga[Nm 9.17]).
Em ambos os casos, deixamos de adorar o Deus que se revelou nas Escrituras e passamos a servir uma versão criada por nós mesmos.
Por isso, seja acrescentando outros deuses à nossa devoção, seja alterando o caráter do Deus verdadeiro, a exclusividade que o Senhor exige é violada.
Afinal, o povo salvo por Deus deve refletir o caráter do Deus único que o salvou.
O outro alicerce que quero destacar está no terceiro mandamento:

2º Alicerce: Respeito

7— Não tome o nome do SENHOR, seu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
[Desenho: Mão sobre a Boca. Conceito Visual: Um boneco de palito ou o rosto simples de uma criança sorridente colocando a mão suavemente sobre a boca fechada em sinal de respeito. No topo, a palavra "DEUS" está escrita em letras grandes e limpas, cercada por pequenas estrelas. Significado: Lembra as crianças de que o nome de Deus é santo e não deve ser usado em piadas, promessas falsas ou falado de qualquer maneira sem respeito.]
Deus é santo.[4] Ele é perfeito, verdadeiro, imutável e fonte de toda vida. Os israelitas conheciam inúmeros deuses egípcios, mas o Senhor não podia ser confundido com nenhuma dessas falsas divindades.
A fé cristã adora o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, criador de todas as coisas e bendito eternamente.
Deus é tão santo e tão distinto das divindades criadas pelo homem que até o mencionar do seu nome deve ser um ato de profunda reverência e respeito. E foi justamente esse Deus que Cristo veio revelar. Jesus declarou:
João 17.6a “Manifestei o teu nome àqueles que me deste do mundo.”
Se o Filho honrou perfeitamente o nome de Deus, seus discípulos não podem tratar esse nome com leviandade.
O mandamento é escrito em fórmula negativa: “Não tomarás em vão...”. É uma ordem que ressalta a limitação do uso do nome de Deus. O que seria o uso vão do nome do Senhor? Posso imaginar alguns usos vãos:
Citar Deus em piadas;
Interjeições tolas (Meu Deus, que lugar legal!)
Promessas duvidosas (Por Deus, eu estarei lá...)
Mas e se pensarmos nesse mandamento em sua versão positiva: “Tomarás de maneira proveitosa o Santo Nome”?
Podemos usar o nome do Senhor de maneira proveitosa de várias maneiras:
Para abençoar as pessoas, não simplesmente “cumprimentando”; [Rm 12.14]
Proclamando as virtudes daquele que nos chamou das trevas para luz; [1Pe 2.9]
Orando, clamando, ensinando...
Os limites do uso do nome de Deus existem porque podemos abusar da amizade que temos com o Senhor, mas ao invés de ficar com medo de usar o Santo Nome no dia-a-dia, aprendamos a usá-lo para benção.
Porque o povo salvo por Deus deve refletir o caráter do Deus santo que o salvou.
Por fim, o último alicerce da moralidade cristã que nos conduz à santidade é:

3º Alicerce: Culto

8— Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. 9Durante seis dias você pode trabalhar e fazer toda a sua obra, 10mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao SENHOR, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. 11Porque em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.
[Desenho: O Calendário do Senhor. Conceito Visual: Uma folha de calendário com 7 quadradinhos. Seis quadradinhos têm ferramentas simples desenhadas (como um martelo ou uma mochila de escola), e o sétimo quadradinho é maior, com o desenho de uma igrejinha e uma cruz. Significado: Demonstra visualmente como devemos organizar nossa semana: trabalhando nos dias comuns e separando o dia do Senhor para o culto e a adoração comunitária.]
Creio que este é o mandamento mais controverso dos Dez Mandamentos.
Algumas pessoas dizem que a Igreja não tem mais qualquer obrigação com relação ao sábado. Outras afirmam que os cristãos estão em pecado por não guardarem o sábado exatamente como Israel o guardava.
Voltaremos a essa discussão quando estudarmos especificamente o quarto mandamento.
Por enquanto, basta percebermos aquilo que todos os demais mandamentos já vêm mostrando: Deus não exige apenas exclusividade no coração e respeito nos lábios. Ele também exige culto.
O Senhor separou um dia dentre sete para si. O tempo pertence a Deus tanto quanto o restante da criação. Por isso, a santificação do tempo faz parte da moralidade cristã.
Quando reunimos todo o ensino da Escritura, percebemos que o princípio permanece: Deus continua exigindo que seu povo santifique o tempo e lhe preste culto.
Por essa razão, os discípulos perseveravam reunidos. O culto era comunitário. A ceia era comunitária. A vida cristã era comunitária.
A questão não é simplesmente qual dia está sendo observado, mas se Deus está recebendo a adoração que lhe é devida.
Por isso, o quarto mandamento nos ensina que a moralidade cristã não envolve apenas aquilo que pensamos ou falamos sobre Deus. Ela envolve organizar nossa vida ao redor da adoração ao Senhor.
O povo salvo por Deus deve refletir o caráter do Deus digno de toda adoração.

Conclusão

A moralidade cristã se ergue sobre três colunas: Exclusividade no coração, Respeito nos lábios e Culto na vida.
E tudo isso repousa sobre um fundamento maior: a graça de Deus.
Antes de ordenar, Deus libertou. Antes de exigir, Deus resgatou.
Por isso, obedecemos não para nos tornarmos povo de Deus, mas porque já fomos recebidos por ele.
O povo salvo por Deus deve refletir o caráter de Deus.
Foi isso que Israel foi chamado a fazer. Foi isso que Cristo fez perfeitamente. E é isso que o Espírito Santo está produzindo em nós.
Que o Senhor nos ensine a viver de modo digno da salvação que recebemos.
[1] Mt 5.17. Ef 2.15 fala de abolição da Lei, mas o contexto deixa claro que o que foi abolido era aquilo que diferenciava o povo judeu dos demais; a Lei cerimonial e a Lei civil. A Lei moral permanece obrigatória no NT.
[2] qanna` pode significar zelo, ciúmes ou inveja.
[3] Is 61.10; Mt 25.1; Jo 3.29; 2Co 11.2; Ef 5.25-33; Ap 19.7; 21.2,9; 22.17.
[4]Lv 11.44-45; 19.2; 20.26; 21.8; Ez 38.23; Hb 12.10; 1Pe 1.16
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.