A IMPORTÂNCIA DA RECOMENDAÇÃO NA VIDA DA IGREJA

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Com base em Romanos 16.1-2, este sermão destaca a importância da recomendação na vida da igreja, mostrando que ela não é algo supérfluo, mas um meio de facilitar o acolhimento, a comunhão e a confiança entre os crentes. Ao recomendar Febe, Paulo apresenta três elementos essenciais de uma boa recomendação: a identificação, ao reconhecê-la como irmã na fé e serva da igreja em Cencreia; o propósito, para que os irmãos em Roma a recebessem dignamente e a ajudassem em tudo o que necessitasse; e a informação, ao destacar que ela havia sido benfeitora e auxiliadora de muitos, inclusive do próprio Paulo. O sermão enfatiza que recomendações devem ser verdadeiras e fiéis à realidade da pessoa recomendada, pois recomendações falsas podem prejudicar a igreja. Por fim, ensina que os crentes devem falar a verdade ao recomendar alguém, exigir a verdade ao receber recomendações e reconhecer com honra aqueles que servem e auxiliam o povo de Deus.

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Transcript

A IMPORTÂNCIA DA RECOMENDAÇÃO NA VIDA DA IGREJA

Introdução:
Tem crente que acha que é besteira a carta de recomendação ou mesmo a recomendação oral. Na vida secular, quando recomendamos alguém para um emprego, por exemplo, temos o propósito de identificar a pessoa, atestar o caráter e a confiabilidade, confirmar competências e habilidades, facilitar a contratação, transmitir credibilidade, reduzir riscos, reconhecer méritos e realizações, entre outras coisas. A recomendação não é à toa. Semelhantemente, é a recomendação de um irmão que vai para outra igreja. Ela tem o propósito de facilitar o acolhimento, a comunhão e a confiança entre os crentes.
Lição: A recomendação facilita o acolhimento, a comunhão e a confiança entre os crentes.
Texto: Romanos 16.1-2.
Após apresentar seu chamado, sua autoridade e sua missão em Romanos 15.14-29 e também pedir que os irmãos em Roma orassem juntamente com ele em Romanos 15.30-33, Paulo, no capítulo 16, entra nas saudações finais, nas últimas advertências e, por fim, no louvor a Deus. Em Romanos 16, ele recomenda uma irmã aos irmãos em Roma, insta-os a saudarem vários outros irmãos da comunidade e uns aos outros, envia saudações de outros irmãos a eles, adverte-os sobre falsos mestres, assegura-lhes a vitória final sobre Satanás e ora por eles.
Antes das saudações, Paulo recomenda a irmã Febe; e a recomendação dele tem três elementos que expressam a facilidade que os irmãos em Roma teriam para acolhê-la, comungar e confiar nela.
A identificação (1).
Paulo identifica Febe como uma irmã na fé.
Recomendo-vos a nossa irmã Febe,
Contexto literário
Romanos 15.14-16.27 é o fechamento desta carta. Porém, o trecho que acabamos de ler (Romanos 16.1-2) é um elogio. A recomendação de Paulo é um elogio à irmã Febe.
Contexto histórico
Naquela época, era bem comum carta de recomendação entre pessoas da mesma classe social ou que respeitassem o remetente. Nelas, havia a recomendação do portador da carta e as razões para ajudar tal pessoa. Era comum os viajantes judeus levarem consigo cartas de recomendação, que os ajudavam a ser recebidos pela comunidade judaica. Geralmente, era o próprio viajante que levava a carta.
Paulo aqui está confiando a sua carta a uma viajante. Não sabemos qual foi a razão da ida de Febe a Roma. Ela tinha algum trabalho a ser feito lá (v. 2: “a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar”); contudo, não sabemos qual seria esse trabalho.
Provavelmente, foi Febe quem levou a carta; e havia dois motivos para Paulo declarar as qualificações dela na carta: primeiro, a sabedoria das mulheres não era levada em conta entre os círculos judaicos e greco-romanos em geral; e, segundo, ela teria que explicar alguma parte da carta que eles não entendessem.
A identificação de Febe como irmã na fé.
Além do pedido de oração que Paulo havia feito em Romanos 15.30-33, ele agora recomenda uma irmã. Aqui, há uma conjunção “e” que não foi traduzida em nossa versão e que acrescenta, ao pedido de oração que foi feito anteriormente (Romanos 15.30-33), uma recomendação. Seria mais ou menos: “E recomendo-vos a nossa irmã Febe”, ou “Além disso, recomendo-vos a nossa irmã Febe”, ou “E também recomendo-vos a nossa irmã Febe”.
Ou seja, há uma continuação dos versículos 30 a 33 do capítulo 15 com os versículos 1 e 2 do capítulo 16. Portanto, ele está acrescentando ao seu pedido de oração uma recomendação. “Recomendar” aqui significa indicar aprovação (2Coríntios 3.1; 4.2; 5.12).
Ao chamá-la de nossa irmã, Paulo está deixando claro que Febe é uma irmã na fé, é uma crente fiel, é uma serva de Cristo. Ele tem total convicção da fé de Febe. Diante dessa identificação, aqueles irmãos em Roma deveriam recebê-la como sua irmã na fé também. Com essa identificação, eles não teriam dúvida quanto à fé dela em Cristo Jesus.
A identificação de Febe como serva da igreja em Cencreia.
Paulo identifica Febe como serva da igreja de Cencreia.
que está servindo à igreja de Cencréia,
Outras traduções:
ARC: “a qual serve na igreja que está em Cencréia,
KJA: “que é diaconisa na igreja de Cencréia.”
Bíblia de Jerusalém: “diaconisa da Igreja de Cencréia,
Católica: “diaconisa da igreja de Cencréia.”
NTLH: “que é diaconisa da igreja de Cencréia.
NVI: “serva da igreja em Cencréia.”
NVT: “que serve à igreja em Cencreia.
A grande questão aqui é: Febe era diaconisa ou serva? A palavra “servindo” é um substantivo que significa servo, ministro; é de onde vem a palavra diácono. Essa palavra aqui significa ou um ofício (Filipenses 1.1; 1Timóteo 3.8, 12) ou um ministério específico (Efésios 3.7), ou um serviço mais amplo (1Coríntios 3.5): ou se refere ao ofício de diácono ou ao serviço cristão de modo geral.
A questão é bem difícil. Alguns veem, em 1Timóteo 3.11, não uma referência à mulher do diácono, mas ao ofício feminino. No geral, no restante do Novo Testamento, não vemos esse ofício feminino. Creio que aqui a palavra signifique “serva”; e o que Paulo está fazendo aqui é identificar a igreja da qual ela fazia parte.
Cencreia era uma cidade portuária que ficava a cerca de 10 quilômetros de Corinto. Era uma cidade que abrigava várias religiões estrangeiras. E havia ali uma igreja do Senhor Jesus Cristo; provavelmente, essa igreja nasceu do ministério de Paulo em Corinto.
Paulo identifica Febe como irmã, mostrando com isso que ela era uma mulher de fé, e também como serva da igreja de Cencreia. Essas identificações facilitariam o acolhimento, a comunhão e a confiança dos irmãos em relação a Febe.
Reflexão:
Isso deve nos levar a pensar: que tipo de recomendação temos dado? Recomendações com identificações verdadeiras ou falsas? A recomendação deve conter uma identificação verdadeira da pessoa: se for um crente fiel, identificá-lo como um crente fiel; porém, se for infiel, deve-se identificá-lo como um crente infiel. Como iremos recomendar o que não há para recomendar?
Exemplo: certa crente, que não dava um bom testemunho, pediu uma carta de recomendação ao pastor; e o pastor deixou claro para ela que não tinha o que recomendar e que, se escrevesse a carta, falaria a verdade.
Lição:
Um crente infiel não há o que ser recomendado. Qual seria a recomendação que poderíamos dar do crente Esaú? Qual seria a recomendação que poderíamos dar do crente Saul? Qual seria a recomendação que poderíamos dar do crente Acabe? Qual seria a recomendação que poderíamos dar do crente Judas? Não há o que recomendar!
Nossa recomendação deve ter uma identificação verdadeira. Se não dissermos a verdade, seja através de carta ou de forma oral, estaremos mentindo e induzindo a igreja a receber alguém problemático, alguém que trará problemas àquela igreja. Não é que a igreja não possa recebê-lo; não. Mas que ela precisa a saber a verdade sobre quem está recebendo.
O propósito (2a).
Paulo apresenta o propósito da recomendação.
para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar;
Vemos aqui dois propósitos:
O bom acolhimento de Febe.
Era comum, em suas cartas, Paulo pedir acolhimento para irmãos enviados ou recomendados (Filipenses 2.29; Colossenses 4.10; Filemom 17).
Paulo já tratou do acolhimento nesta carta: Romanos 12.13; 15.7. Agora, ele quer que eles coloquem isso em prática, recebendo Febe. A ideia do versículo é que eles deveriam acolhê-la de forma adequada no Senhor. Ou seja, eles deveriam recebê-la como uma irmã em Cristo, como alguém da mesma família da fé, com amor, com alegria, com satisfação, com prazer, com honra.
Não recebemos os irmãos como recebemos qualquer pessoa, não; nós os recebemos como irmãos na fé, como amados irmãos em Cristo; os recebemos com amor, com alegria, com satisfação, como receberíamos qualquer familiar de sangue.
Veja Filipenses 2.29-30: “Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse; visto que, por causa da obra de Cristo, chegou ele às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida, para suprir a vossa carência de socorro para comigo.” Paulo está falando aqui de Epafrodito. Dessa mesma forma, os irmãos de Roma deveriam receber Febe.
A ajuda no trabalho de Febe.
A ideia do versículo é que eles deveriam ajudá-la em qualquer tarefa de que necessitasse deles. Febe, provavelmente, era uma mulher rica; e ela estava indo para Roma ou a trabalho ou a serviço do Senhor Jesus Cristo. O ponto é que não sabemos a real razão de sua ida.
Independentemente de qual fosse a razão de sua ida, aqueles irmãos deveriam acolhê-la como uma irmã em Cristo e ajudá-la no que necessitasse deles.
A informação (2b).
Paulo dá boas informações sobre Febe.
porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive.”
Explicação
O “porque” indica a razão pela qual eles deveriam acolhê-la e ajudá-la.
A dificuldade de interpretação encontra-se na palavra “protetora”, que aparece somente aqui. Contudo, a ideia é de assistente, auxiliadora, ajudadora, socorrista. Alguns a traduzem por “benfeitora”. Febe, possivelmente, era uma mulher rica e de alta posição social que, provavelmente, reunia a igreja em sua casa, hospedava os irmãos e os missionários, socorria os irmãos necessitados e ajudava financeiramente na obra de Deus. Febe, muito provavelmente, fez tudo isso por muitos irmãos e também por Paulo.
Reflexão
A vida cristã é auxiliar e ser auxiliado. Febe auxiliou Paulo materialmente, e ele a auxiliou espiritualmente.
Com essas informações, os irmãos de Roma não teriam dificuldade alguma em acolhê-la. Aliás, a recomendação, com a identificação, o propósito e as informações sobre Febe contidos na carta, facilitaria bastante o acolhimento, a comunhão e a confiança dos irmãos nela.
Conclusão:
Não é besteira a recomendação de um irmão que não conhecemos - há muitos enganadores espalhados pelo mundo -; então, seja por carta ou de forma oral, é necessária a recomendação, pois facilitará o acolhimento, a comunhão e a confiança entre os crentes.
Aplicações:
Precisamos falar a verdade uns aos outros (Levítico 19.11; Efésios 4.25; Colossenses 3.9). Se formos recomendar alguém, devemos falar a verdade; e, se recebermos a recomendação de alguém, devemos exigir a verdade.
Devemos honrar, elogiar e reconhecer aqueles que nos auxiliam, nos ajudam, nos socorrem. Paulo é um grande exemplo disso. Além de reconhecer Febe como sua benfeitora, veja os versículos 3 e 4 deste capítulo. Como ele mesmo disse, em Romanos 13.7: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.”
1 E recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está sendo diaconisa da igreja de Cencreia, 2 para que a recebais adequadamente no Senhor e a ajudeis em qualquer tarefa de que necessite; e também porque ela tem sido benfeitora de muitos e de mim mesmo.
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