AMEM OS SEUS INIMIGOS

O SERMÃO DO MONTE  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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LEITURA DO TEXTO

Matthew 5:43–47 NAA
— Vocês ouviram o que foi dito: “Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.” Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se vocês amam aqueles que os amam, que recompensa terão? Os publicanos também não fazem o mesmo? E, se saudarem somente os seus irmãos, o que é que estão fazendo de mais? Os gentios também não fazem o mesmo?

INTRODUÇÃO

Após Jesus dizer que devemos sofrer no caminho muitas vezes algumas defraudações ou abusos e até fazermos sacrifícios pessoais tolerando os pecados dos outros, naturalmente surge uma questão mais ampla sobre o amor e o ódio. Os judeus estavam ouvindo da tradição dos fariseus e escribas: “Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo” (5.43). Novamente, o que ouviram não era verdade. As Escrituras do Antigo Testamento dizem em Levítico 19.18
Leviticus 19:18 NAA
— Não procure vingança, nem guarde ira contra os filhos do seu povo, mas ame o seu próximo como você ama a si mesmo. Eu sou o Senhor.
Definitivamente, não existe uma passagem da lei que diz “odeie o seu inimigo”! Sendo que alguns judeus interpretavam a palavra “próximo” como algo relacionado a apenas os mais chegados, os amigos ou os do próprio povo judeu. Assim, eles criam que podiam odiar os inimigos, tratando todo não judeu (gentio) com desprezo e total indiferença.
Em alguns círculos religiosos em Israel isso era ensinado. Um dos lemas da comunidade de monges que vivia próximo ao mar Morto era: “Ame os irmãos; odeie os forasteiros”. O problema de identificar o “próximo” era um assunto corrente na época de Jesus. Foi exatamente essa questão que levou Jesus a contar a parábola do Bom Samaritano, em que Jesus mostra que nosso próximo é qualquer pessoa ao alcance de nossa ajuda.
Luke 10:25–37 NAA
E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o objetivo de pôr Jesus à prova e lhe perguntou: — Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então Jesus lhe perguntou: — O que está escrito na Lei? Como você a entende? A isto ele respondeu: — “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e todo o seu entendimento.” E: “Ame o seu próximo como você ama a si mesmo.” Então Jesus lhe disse: — Você respondeu corretamente. Faça isto e você viverá. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: — Quem é o meu próximo? Jesus prosseguiu, dizendo: — Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de alguns ladrões. Estes, depois de lhe tirar a roupa e lhe causar muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Por casualidade, um sacerdote estava descendo por aquele mesmo caminho e, vendo aquele homem, passou de largo. De igual modo, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou perto do homem e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, aproximando-se, fez curativos nos ferimentos dele, aplicando-lhes óleo e vinho. Depois, colocou aquele homem sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, separou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: “Cuide deste homem. E, se você gastar algo a mais, farei o reembolso quando eu voltar.” Então Jesus perguntou: — Qual destes três lhe parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos ladrões? O intérprete da Lei respondeu: — O que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: — Vá e faça o mesmo.

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

Jesus diz em Mateus 5.44 “Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês,”
Os inimigos específicos para os quais Jesus chama a atenção aos ouvintes são os perseguidores, muito possivelmente os que perseguiam e que ainda iriam mais severamente perseguir seus seguidores por causa da justiça e do próprio Jesus (Mateus 5.10–12 “— Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. — Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.” )
Amá-los e orar por eles é parte importante de ser um filho do Pai celestial. Afinal de contas, Deus “faz o seu sol nascer sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (5.45). Deus amou pecadores rebeldes a ponto de enviar seu Filho ao mundo.
João 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Romanos 5.8 “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.”
Logo, se somos seus filhos, devemos ter seu caráter. Ser perseguido por causa da justiça é estar alinhado com os profetas (5.12), mas abençoar e orar pelos que nos perseguem é estar alinhado com o caráter de Deus. O diácono Estevão nos deu uma demonstração prática do que significa amar o inimigos e orar pelos que nos perseguem.
Acts 7:54–60 NAA
Ao ouvirem isto, ficaram com o coração cheio de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus. Então disse: — Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus. Eles, porém, gritando bem alto, taparam os ouvidos e, unânimes, avançaram contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram as capas deles aos pés de um jovem chamado Saulo. E enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: — Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, gritou bem alto: — Senhor, não os condenes por causa deste pecado! E, depois que ele disse isso, morreu.
Mas é no próprio Jesus que nós vemos com profundidade absoluta a encarnação desse ensino. Na agonia da cruz, dando a vida em favor de muitos pecadores para libertá-los da escravidão espiritual, ele clamou ao Pai em Lucas 23.34 “Mas Jesus dizia: — Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, para repartir as roupas dele, lançaram sortes.”
Levando em conta esse padrão, não basta amar apenas nossos amigos e se limitar a isso. “Porque, se vocês amam aqueles que os amam, que recompensa terão? Os publicanos também não fazem o mesmo? E, se saudarem somente os seus irmãos, o que é que estão fazendo de mais? Os gentios também não fazem o mesmo?” (Mateus 5.46-47).
Os coletores de impostos possuem má fama hoje, mas nos dias de Jesus era muito pior. O sistema tributário do Império Romano se valia de intermediários, em troca de uma comissão, para arrecadar o imposto devido pela população. O governo especificava a quantia a ser arrecadada em determinado local e indicava um homem para fazer a coleta. Esse homem, por sua vez, podia indicar outros debaixo do seu comando, os quais também podia indicar outros que estavam abaixo deles. Cada ficava com uma fatia desse bolo — e isso tornava o imposto extremamente abusivo.
A corrupção e a cultura da propina naquela época então era muito aguda e gigantesca, e muitos coletores de impostos eram judeus que naturalmente sofriam do ódio da população de Israel, porque, além da covardia e da corrupção, por estarem em contato e em comunhão com os gentios, os dominadores romanos, se tornavam também cerimonialmente impuros. Porém, mesmo esses homens maus, traidores, covardes e repulsivos possuíam amigos — outros publicanos, por exemplo! Logo, como poderá um discípulo de Cristo e embaixador do reino dos céus ser de algum modo superior ou mais perfeito do que os desprezíveis coletores de impostos se amar somente os próprios amigos?
Mateus 5.47 “E, se saudarem somente os seus irmãos, o que é que estão fazendo de mais? Os gentios também não fazem o mesmo?”
Um cumprimento pode dizer muito, sobretudo se traz o desejo de bem-estar. Se determinadas pessoas são intencionalmente ignoradas e só aquelas pessoas que são mais chegadas recebem nossos sinceros votos de felicidade, em que somos diferentes dos ímpios, mundanos ou pagãos? Em outras palavras, quem segue Jesus não deve se curvar aos padrões moralmente baixos da sociedade — não deve ceder à cultura mesquinha e arrogante do mundo.
Pelo contrário, seu padrão deve ser o Pai celestial. Efésios 5.1–2 “Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados. E vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós, como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.”. O discípulo de Jesus deve se destacar no mundo pela natureza divina e espiritual de seu amor. Evidentemente, em outro texto Jesus até torna elevado o amor entre os cristãos para a categoria de marca que indica de que eles lhe pertencem.
John 13:34–35 NAA
Eu lhes dou um novo mandamento: que vocês amem uns aos outros. Assim como eu os amei, que também vocês amem uns aos outros. Nisto todos conhecerão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros.
Assim, Jesus deixa clara e verdadeira direção para a qual a lei do Antigo Testamento aponta e traz a real e legítima interpretação dessa lei. É um padrão mais elevado do que o legalismo e o pensamento casuístico podem aceitar.

APLICAÇÕES

1- Mateus 5.7 “— Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.”. Deus aprova aqueles que não dão aos outros aquilo que eles merecem.
Graça = dar ao outro aquilo que ele não merece.
Misericórdia = não dar ao outro aquilo que ele merece.
Se você não for misericordioso ao ponto de ajudar quem não merece ajuda, tratar bem quem você sabe que te despreza ou até te odeia nem orar por essa pessoa que te fez mal ou que tem antipatia por você, sinto dizer que você não possui essa tão importante bem-aventurança; logo, você não é feliz, nem abençoado e muito menos aprovado por Deus.
2- Procure orar nessa semana por cada pessoa que você sabe que tem antipatia por você.
Simpatia = eu vejo o melhor de mim no outro, e isso me conecta com essa pessoa e me faz admirá-la.
Antipatia = eu vejo o pior de mim no outro, e isso me causa repulsa contra essa pessoa e me fez desprezá-la.
Empatia = eu me conecto e manifesto graça e misericórdia pelo outro não importando quem ele seja ou deixa de ser.
O problema está sempre em mim e não no outro. Se eu admiro demais alguém e me simpatizo, isso tem mais a vez com o que vejo de bom EM MIM no outro. Se eu desprezo ou não gosto do outro, isso tem a ver com o pior DE MIM que EU VEJO nessa pessoa. Temos que olhar para Jesus e buscar essa compaixão ou essa empatia que deseja ajudar, cuidar, amar, perdoar, servir, orar e abençoar até os que evidentemente não nos admiram nem possuem simpatia e até mesmo desejam o nosso mal.

CONCLUSÃO

Na cruz, Jesus nos amou — Romanos 5.6-11
Romans 5:6–11 NAA
Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente alguém morreria por um justo, embora por uma pessoa boa alguém talvez tenha coragem para morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida! E não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o qual recebemos, agora, a reconciliação.
Se quando éramos inimigos, ele nos reconciliou com Deus através de sua morte, o que nos resta agora é dar a nossa vida a ele em gratidão e com alegria e que, por ele e para ele, possamos fazer o bem a todos e amar a todos, para assim revelarmos ao mundo pela graça do Espírito Santo que o homem-Deus Jesus Cristo continua vivo e pode ser visto em seu povo que é santo, fiel e zeloso na prática de boas obras.
Matthew 5:13–16 NAA
— Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. — Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa. Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.
Amém. Vamos orar.
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