O Rei avança soberano (Lucas 13.31-35)

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Leitura bíblica

31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer a Jesus:
— Vá embora daqui, porque Herodes quer matá-lo.
32 Ele, porém, lhes respondeu:
— Vão e digam a essa raposa que hoje e amanhã expulso demônios e curo doentes, e no terceiro dia terminarei.
33 Porém, preciso caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.
34 — Jerusalém, Jerusalém! Você mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, mas vocês não quiseram!
35 Eis que a casa de vocês ficará deserta. E eu afirmo a vocês que não me verão mais, até que venham a dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

INTRODUÇÃO

Tenho orado muito pela vida das famílias da igreja. Quantos desafios temos passado.
Como é desafiador ver a dor de um pai que vê seu filho com o coração endurecido, sofrendo por isso, caminhando para a destruição.
Ele aconselha, adverte, disciplina, chama para perto, sofre por vê-lo se afastando. Muitas das vezes se entrega, arca com as despesas, às vezes até com as consequências do pecado do filho que ele mesmo deveria arcar. O filho sofre, mas o pai está ali, firme, dando todo o apoio.
O pai não é indiferente. O pai não deseja aquela tragédia, mas o filho insiste em caminhar pelo pior caminho possível.
Talvez alguns de vocês conheçam essa dor de perto. Talvez você tenha chorado por um filho, por um neto, por um irmão, por um cônjuge, por um parente próximo.
Você vê os perigos. Você enxerga as consequências. Você deseja protegê-lo. Você gostaria de vê-lo seguro. Mas ele continua resistindo aos conselhos, desprezando os alertas e seguindo um caminho que o afasta cada vez mais daquilo que é bom.
Agora imagine algo ainda maior.
Imagine o próprio Filho de Deus olhando para um povo que ele ama. Um povo que recebeu profetas, promessas, privilégios e incontáveis oportunidades de arrependimento.
Um povo que ouviu a Palavra de Deus geração após geração. Um povo abraçado pela aliança que o próprio Deus fez com Abraão. Um povo que estava recebendo sua última e maior oportunidade diante do próprio Messias caminhando entre eles.
É exatamente nesse cenário que chegamos ao texto desta noite.
Jesus está a caminho de Jerusalém.
Essa viagem domina toda esta seção do Evangelho de Lucas. Cada passo o aproxima da cruz. Cada milagre, cada ensino e cada confronto apontam para aquele momento em que ele entregará sua vida pela salvação de seu povo.
Mas enquanto caminha para Jerusalém, Jesus encontra dois tipos de resistência.
De um lado, existe uma ameaça externa. Os fariseus que alertam sobre Herodes, a raposa, que quer vê-lo morto.
Do outro lado, existe uma resistência muito mais profunda. Jerusalém, representando toda a nação de Israel. Um povo que continua endurecido diante da voz de Deus.
De um lado, um governante poderoso tentando impedir a missão de Cristo.
Do outro, um povo pecador rejeitando a graça de Cristo.
E, no centro de tudo isso, está Jesus.
Inabalável diante das ameaças.
Cheio de compaixão diante dos pecadores.
Determinado a cumprir sua missão.
Ao longo desta passagem veremos uma verdade que Lucas deseja gravar em nossos corações:
O Rei avança soberano para salvar seu povo e julgar aqueles que o rejeitam.
Nenhuma oposição pode frustrar seus propósitos.
Mas aqueles que persistem em rejeitá-lo caminham para um terrível juízo.
Essa é a grande mensagem desta passagem.
Ela traz consolo para aqueles que seguem o Rei em meio às lutas, aos medos e às batalhas contra o pecado.
Mas também traz uma séria advertência para aqueles que continuam ouvindo sua voz sem se renderem a ele.
Por isso, vamos começar observando a primeira verdade que Jesus nos ensina:

1. As oposições não impedem o agir de Deus (13.31–33)

Chegamos no momento do texto em que Jesus segue sua jornada rumo a Jerusalém, seu propósito continua firme, a cruz é certa, a redenção está garantida, mas os covardes do caminho tentam impor medo ao Senhor, tentam motivá-lo a fugir.
O versículo 31 mostra que alguns fariseus procuraram a Jesus para fazer isso. Aproximam-se com uma notícia alarmante: "Saia, vá embora daqui, porque Herodes quer matá-lo."
À primeira vista, parece um gesto de preocupação. Mas o contexto sugere algo bem diferente.
De um lado temos o mesmo Herodes, o Antipas que já tinha mandado matar João Batista. E do outro lado, os fariseus, que não eram os bonzinhos da história querendo preservar Jesus, eles já estão há muito tempo procurando uma forma de se livrar do Rei.
Apesar das diferenças entre eles, ambos tinham algo em comum: não queriam Jesus. O Rei havia se tornado uma ameaça aos seus interesses.
Mas o que impressiona não é a ameaça. É a reação de Jesus.
Ele não foge, Ele afronta. Ele não tem medo, Ele vai pra cima. Olhe para a resposta de Jesus no verso 32:
"Vão e digam a essa raposa: hoje e amanhã expulso demônios e realizo curas, e no terceiro dia terminarei."
Ao chamar Herodes de "raposa", Jesus não está perdendo a compostura. Ele está revelando quem Herodes realmente é: alguém astuto, manipulador, que tenta agir nos bastidores. Alguém que é um bom representante de Jerusalém, porque segue a mesma cultura da resistência, da perseguição ao profetas, da matança aos enviados de Deus.
Mas, ao mesmo tempo, Jesus mostra quão insignificante é o poder desse governante diante dos propósitos de Deus.
Herodes pensa que controla os acontecimentos., mas Jesus demonstra que não.
Perceba que Jesus não foge. Não altera seus planos. Não muda sua agenda. Ele continua fazendo exatamente o que o Pai o enviou para fazer: libertando pessoas do poder das trevas, curando enfermos e avançando em direção ao cumprimento de sua missão.
Quando diz: "hoje e amanhã... e no terceiro dia terminarei", Jesus não está fornecendo uma contagem literal de dias. Ele está afirmando que sua vida e sua missão seguem o calendário de Deus, não o dos homens. Ele está dizendo que não vai fugir e nem mudar nada do que Deus mandou fazer. Há um tempo determinado para sua obra ser concluída, e nada poderia antecipar ou atrasar esse momento.
Que segurança existe nessas palavras! Que firmeza tinha Jesus em tudo o que falava e em tudo o que fazia!
Jesus sabe exatamente para onde está indo. Ele sabe o que o espera em Jerusalém. Sabe da cruz, do sofrimento e da rejeição. Ainda assim, prossegue sem hesitar.
Então Ele acrescenta, no verso 33: “Porém, preciso caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.”
Existe uma profunda ironia nessas palavras. Jerusalém era a cidade santa. O lugar da presença de Deus, o lugar onde estava o templo. Jerusalém era o centro da adoração ao Deus verdadeiro. Era o local onde se esperaria acolhimento aos mensageiros do Senhor.
Mas havia se tornado conhecida por outra razão: rejeitar aqueles que Deus enviava.
Na ironia da frase Jesus se coloca como mais um profeta que morreria em Jerusalém.
Na mesma cidade que deveria receber a Palavra de Deus, mas tornou-se a cidade que perseguia os profetas. E agora estava prestes a rejeitar o próprio Filho de Deus.
Embora Jesus não estivesse apontando para um único episódio específico, mas para um padrão histórico que marcou Jerusalém desde sua consolidação como centro político e religioso de Israel na época dos reis, suas palavras refletem uma realidade dolorosa: A cidade que deveria acolher os mensageiros de Deus tornou-se conhecida por rejeitá-los.
Temos vários exemplos disso: Zacarias, filho do sacerdote Joiada, foi apedrejado no pátio do templo por denunciar o pecado do povo (2Cr 24.20–21).
O profeta Urias, que proclamou uma mensagem semelhante à de Jeremias contra Jerusalém, foi perseguido, trazido de volta do Egito e executado por ordem do rei Jeoaquim (Jr 26.20–23).
O próprio Jeremias sofreu espancamentos, ameaças de morte e foi lançado numa cisterna por causa de sua fidelidade à Palavra de Deus (Jr 20.1–2; 26.8; 38.6).
Essa compreensão também estava presente na igreja primitiva. Em seu último discurso, pouco antes de ser apedrejado, Estêvão declarou aos líderes judeus: "Qual dos profetas os seus antepassados não perseguiram? Eles mataram aqueles que anteriormente anunciavam a vinda do Justo" (At 7.52).
Portanto, quando Jesus chama Jerusalém de cidade "que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados", ele não está fazendo uma acusação exagerada, mas resumindo uma longa história de resistência à voz de Deus.
A tragédia é que essa mesma cidade estava prestes a consumar sua rejeição mais grave: não apenas rejeitar um profeta, mas entregar à morte o próprio Filho de Deus.
Só que o mais importante de tudo isso é que nem mesmo Jerusalém mudaria o curso da história.
Jesus não é uma vítima das circunstâncias. Ele não é surpreendido pela maldade humana. Sua morte não será o triunfo dos seus inimigos. Será sua entrega voluntária para cumprir o propósito eterno de Deus na redenção dos pecadores.
Isso nos ensina uma verdade preciosa: nunca existiu e nunca vai existir uma oposição que seja capaz de impedir o agir de Deus!
Herodes não poderia interromper a missão de Cristo. Os fariseus não poderiam frustrar os planos do Pai. Jerusalém não poderia impedir a obra da salvação. O império romano, mesmo matando Jesus em uma cruz foi capaz de impedir a ação de Deus. O Rei avança soberano porque Ele é Deus e ninguém é capaz de impedir a ação de Deus!
Isso confronta e encoraja ao mesmo tempo.
Confronta aqueles que imaginam que podem permanecer neutros diante de Jesus. Herodes tentou afastá-lo. Os fariseus tentaram silenciá-lo. Jerusalém o rejeitou. Nenhum deles conseguiu impedir o avanço do Reino de Deus. Resistir ao Rei não altera quem ele é nem o que veio fazer.
Mas isso também encoraja profundamente aqueles que seguem Jesus em meio às lutas.
Talvez você esteja enfrentando oposição, medo, sofrimento ou a dura batalha diária contra o pecado. Às vezes, parece que as circunstâncias saíram do controle. Mas este texto nos lembra que nossa esperança não repousa na estabilidade das circunstâncias, e sim na soberania do Salvador.
Jesus chegou a Jerusalém.
Jesus foi até a cruz.
Jesus consumou sua missão.
Nada o impediu de realizar a obra necessária para salvar seu povo.
Nem as portas do inferno são capazes de são capazes de prevalecer contra a igreja, nem contra a obra que Cristo veio realizar. O mesmo Rei que avançou soberanamente rumo ao Calvário continua governando hoje. Portanto, nossa esperança não repousa na força da nossa fé, na força do nosso ego, em quem nós somos ou em o que nós podemos fazer, mas na fidelidade do Salvador que não recuou diante da cruz e que completará perfeitamente a obra que iniciou em seu povo. Como disse Paulo aos filipenses: “Aquele que começou boa obra em vós, vai aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus!”
Portanto, a nossa segurança não está na força com que seguramos a mão de Cristo, mas na determinação com que Cristo seguiu até o fim para nos salvar.
O mesmo Rei que não recuou diante de Herodes, da cruz e da morte continua governando hoje.
E nenhum poder deste mundo pode frustrar seus propósitos.
O mesmo Rei que avança soberanamente para salvar também lamenta profundamente aqueles que insistem em rejeitá-lo. E é justamente para essa triste realidade que Jesus agora dirige nossa atenção.

2. A rejeição persistente leva ao juízo (13.34–35)

Nesse momento Jesus deixa de responder aos fariseus e passa a dirigir suas palavras a Jerusalém, personificando a cidade como representante de toda a nação e de sua histórica rejeição aos enviados de Deus.
Olhe para o verso 34: “— Jerusalém, Jerusalém! Você mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, mas vocês não quiseram!”
Perceba o tom das palavras de Jesus. Não há frieza. Não há indiferença. Há profunda dor.
A repetição do nome "Jerusalém, Jerusalém" expressa uma emoção intensa, um profundo lamento pela cidade que deveria acolher os enviados de Deus, mas que se tornou conhecida por rejeitar sua Palavra, endurecer o coração e resistir continuamente à voz do Senhor.
O Rei que caminha resolutamente para a cruz não o faz com ressentimento contra aqueles que o rejeitam, mas com lágrimas nos olhos.
As palavras de Jesus refletem uma realidade dolorosa: a cidade que deveria acolher os mensageiros de Deus tornou-se conhecida por rejeitá-los e apedrejá-los.
Mas a tragédia maior é que Jerusalém não estava prestes a rejeitar apenas mais um profeta. Ela estava prestes a rejeitar o próprio Filho de Deus.
Então Jesus utiliza uma das imagens mais ternas de todo o Evangelho: "Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas..."
Há ternura na linguagem figurada da galinha e seus pintinhos. Do mesmo jeito que a galinha esconde seus pintinhos, embaixo das asas, para os proteger, Jesus suportaria o peso da tempestade na cruz para lhes oferecer uma proteção eterna.
Cristo se apresenta como aquele que acolhe, protege e salva. Assim como uma galinha recolhe seus pintinhos para protegê-los do perigo, Jesus desejava reunir aquele povo sob sua graça, seu cuidado e sua salvação.
Mas então vêm algumas das palavras mais tristes desta passagem: "...mas vocês não quiseram!"
A causa dos pecadores serem perdidos para sempre não está em qualquer falta de disposição da parte de Cristo para salvá-los, mas na própria incredulidade e dureza do coração humano. Cristo quer salvá-los, mas eles persistem em rejeitá-lo, recusando-se a crer nele e a confessá-lo como Senhor e Salvador.
O texto não apresenta um Salvador relutante. Pelo contrário, apresenta um Salvador compassivo e disposto. O problema não estava na falta de misericórdia de Cristo, mas na persistente resistência daqueles que recusavam seu chamado.
Precisamos ter cuidado aqui para não dizer mais do que o texto diz, mas também para não dizer menos do que ele afirma claramente. O texto enfatiza duas verdades que devemos preservar com humildade:
Cristo demonstra genuína compaixão e disposição em acolher; ao mesmo tempo, Jerusalém é responsabilizada por sua rejeição persistente.
Cristo é plenamente suficiente para salvar qualquer pecador que se arrepende e crê. Ao mesmo tempo, as Escrituras nos ensinam que ninguém pode vir a Cristo se não for atraído pelo Pai.
Essas verdades não devem nos levar à especulação, mas à humildade e à adoração.
A Bíblia afirma que ninguém que vem a Cristo será rejeitado, e também afirma que ninguém pode se gloriar em sua própria salvação como se ela fosse resultado de seu próprio mérito ou capacidade.
Do começo ao fim, a salvação pertence ao Senhor.
Este é um tema que tem gerado discussões ao longo de séculos da história da igreja. Porém, se grandes servos de Deus reconheceram essa tensão sem pretender resolvê-la completamente, nós também devemos ter o cuidado de não ir além do que as Escrituras afirmam.
Onde a Bíblia fala claramente, devemos falar com convicção; onde ela mantém uma tensão, devemos responder com humildade, confiando plenamente na sabedoria e na soberania de Deus.
Mas a aplicação deste texto é profundamente pastoral.
Primeiro, ele confronta aqueles que continuam endurecendo o coração diante de Cristo.
É possível estar perto das coisas de Deus e, ainda assim, permanecer distante do próprio Deus. Jerusalém tinha o templo, os sacrifícios, os líderes religiosos e as Escrituras. E, mesmo assim, rejeitou o Messias.
É possível frequentar a igreja, ouvir sermões, conhecer o evangelho e ainda resistir ao chamado de Cristo. A pergunta deste texto é: até quando você continuará dizendo "não" ao Salvador que o convida a vir?
Quem perder a alma, nunca poderá culpar a ninguém, a não ser a si mesmos. As palavras de Cristo se tornarão a condenação. Jesus disse isso em João 5.39–40 “Vocês examinam as Escrituras, porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, vocês não querem vir a mim para ter vida.”
Isto é, vocês tem a Biblia, tem a revelação completa em mãos para serem salvos, mas se não ouvem, não obedecem, não creem em mim, o problema não é meu, é seu que não quer vir a mim para ser salvo, para ter vida!
Uma segunda aplicação é que este texto consola os verdadeiros discípulos. O coração de Cristo continua o mesmo. O Salvador que chorou sobre Jerusalém é o mesmo que acolhe pecadores arrependidos hoje. Ele não rejeita aqueles que vêm a ele pela fé. Há graça abundante para quem abandona sua autossuficiência e corre para debaixo de suas asas.
No entanto, o convite da graça não deve ser tratado com indiferença. O amor rejeitado transforma-se em juízo anunciado. E é exatamente para isso que Jesus dirige nossa atenção no versículo seguinte.
Olhe para o verso 35:
Lucas 13.35 “Eis que a casa de vocês ficará deserta. E eu afirmo a vocês que não me verão mais, até que venham a dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”
Depois de expressar sua profunda compaixão, Jesus agora anuncia uma solene sentença de juízo. Aquela cidade que rejeitou repetidamente os profetas e que estava prestes a rejeitar o próprio Messias ouviria estas palavras: "a casa de vocês ficará abandonada."
Essa expressão aponta para a retirada da presença favorável e protetora de Deus. A cidade e o templo, que representavam o privilégio da presença divina no meio do povo, seriam entregues à desolação.
A rejeição do reino da graça implica a exclusão do reino da glória. A expressão "sua casa" não indica meramente o templo, mas a cidade inteira, embora o templo certamente esteja incluído.
Historicamente, essa profecia encontrou cumprimento dramático na destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C.
A cidade foi cercada, o templo foi destruído e o povo experimentou as dolorosas consequências de rejeitar aquele que Deus havia enviado.
Como disse um comentarista bíblico: "Quando uma nação ou uma pessoa persiste em rejeitar a Cristo, o fim é inevitável. Sua casa ficará deserta. Deus já não habita mais ali: esta é a desgraça final."
Mas Jesus prossegue, Ele termina o verso Lucas 35 dizendo: “ E eu afirmo a vocês que não me verão mais, até que venham a dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!””
Essas palavras apontam para além da destruição de Jerusalém. Após a semana da paixão, Jesus não voltaria a se revelar publicamente aos judeus até a sua segunda vinda em glória.
Depois de Sua ressurreição os perseguidores de Jesus não voltaram a vê-lo. Mas naquele dia, todo joelho se dobrará e toda língua confessará quem ele é.
Alguns o receberão com alegria, porque creram nele e aguardaram sua vinda. Outros o reconhecerão com remorso, percebendo tarde demais quem haviam rejeitado.
O mesmo Jesus que hoje convida será, naquele dia, o Juiz de toda a terra.
Meus irmãos, este texto deixa diante de nós dois caminhos. Há abrigo debaixo das asas do Salvador para todo aquele que se arrepende e crê.
Há graça abundante para os que vêm a Cristo. Mas também há juízo para aqueles que persistem em endurecer o coração e rejeitar sua voz.
Talvez a pergunta mais importante deste sermão seja esta: O que você tem feito com Jesus?
Não basta admirá-lo. Não basta respeitá-lo. Não basta emocionar-se com sua compaixão. Jerusalém ouviu suas palavras, viu seus milagres e permaneceu endurecida. O problema nunca foi falta de evidências, nunca foi falta de provas, de sinais, de milagres, de presença de Jesus, mas o problema sempre foi resistência do coração.
Se hoje você ouve a voz de Cristo, não endureça o seu coração. Corra para Ele enquanto o convite da graça ainda está sendo proclamado. Há perdão para o pecador arrependido, restauração para o cansado e salvação para todo aquele que nEle confia.
E para todos os que já seguem o Rei em meio às lutas, há uma esperança inabalável: o mesmo Cristo que avançou soberanamente para Jerusalém, que consumou perfeitamente sua missão na cruz e que hoje reina sobre todas as coisas, voltará em glória para reunir definitivamente o seu povo.
Portanto, persevere. Continue seguindo o Rei. Nenhuma oposição poderá frustrar seus propósitos, e nenhuma de suas promessas deixará de se cumprir.
O Rei avança soberano. Ele salva todos os que nEle confiam e julgará justamente todos os que o rejeitam. Hoje é dia de correr para debaixo de suas asas; amanhã pode ser tarde demais.
Todo o capítulo treze foi escrito com o mesmo objetivo: o Rei ainda está dando oportunidades de salvação antes que o juízo chegue*
Foi assim quando Jesus falou sobre a necessidade urgente de arrependimento diante das tragédias da vida.
Foi assim na parábola da figueira estéril, que recebeu mais um tempo de oportunidade antes do corte definitivo.
Foi assim quando ele curou a mulher encurvada, demonstrando que o Reino de Deus já estava agindo no meio do povo.
Foi assim quando advertiu sobre a porta estreita e o perigo de ficar do lado de fora.
E é assim novamente aqui, quando lamenta sobre Jerusalém.
Em todo o capítulo, Jesus está dizendo a mesma coisa de formas diferentes: a graça está sendo oferecida, mas ela não deve ser desprezada.
O tempo da misericórdia não durará para sempre. O convite é real. O chamado é urgente. A oportunidade está aberta, mas o tempo está se esgotando rápido demais.
Vai chegar o dia em que a porta será fechada, a figueira será cortada, a casa ficará deserta e o Rei virá em glória.
Por isso, Lucas 13 não é apenas uma mensagem sobre Jerusalém. É uma mensagem para todos aqueles que continuam ouvindo a voz de Cristo.
Enquanto há vida, há oportunidade de arrependimento. Enquanto o evangelho é pregado, as asas do Salvador continuam abertas para acolher pecadores.
Mas a pergunta permanece a mesma:
O que você tem feito com o convite do Rei? Tem tido mudanças na sua vida, no seu coração? Ou tem sido apenas mais um domingo como outro qualquer na sua rotina?
Porque a maior tragédia não é ser um grande pecador. A maior tragédia é ouvir repetidamente a voz de Cristo e continuar dizendo: "não" ou simplesmente, “espere mais um pouco”.

CONCLUSÃO

Ao longo de toda a sua caminhada para Jerusalém, Jesus nunca foi surpreendido pelos acontecimentos. Ele é Deus, Ele sabia para onde estava indo. Sabia quem o rejeitaria. Sabia o preço que pagaria. E, ainda assim, continuou avançando.
O Rei avança soberano para salvar seu povo e julgar aqueles que o rejeitam.
Essa não é apenas uma verdade para ser admirada. É uma verdade que exige uma resposta.
Se você ainda tem resistido à voz de Cristo, não trate a paciência de Deus como se fosse infinita.
Cada oportunidade recebida é um ato de misericórdia. Cada vez que o evangelho é anunciado, o Senhor está chamando pecadores ao arrependimento. Não presuma que sempre haverá outra ocasião mais conveniente.
Se você é pai, mãe, avô ou avó e carrega o peso de ver pessoas amadas caminhando longe de Deus, continue orando, continue testemunhando, continue confiando no Senhor.
Se você é um filho que tem sido desafiado constantemente pelo chamado de seus pais para seguir a Cristo, não despreze as advertências que Deus, em sua graça, tem colocado diante de você.
O mesmo Cristo que lamentou sobre Jerusalém conhece a dor que existe em seu coração.
Se você está lutando contra o pecado, enfrentando aflições ou caminhando em meio a incertezas, lembre-se de quem governa sua história.
O Cristo que chegou ao destino que o Pai havia determinado também conduzirá seu povo até o destino que Ele prometeu.
Mas, acima de tudo, saia daqui olhando para Jesus. Não para Herodes. Não para Jerusalém. Não para os homens. Olhe para o Rei.
Porque somente ele venceu onde todos falhamos.
Somente ele permaneceu fiel até o fim.
Somente ele pode oferecer abrigo no dia do juízo.
E somente ele é digno de nossa confiança, nossa obediência e nossa vida inteira.
Como disse o salmista: “Que tudo o que há em mim, bendiga o teu santo nome!”
Amém!
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