A EXIGÊNCIA DE PERFEIÇÃO

O SERMÃO DO MONTE  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 3 views
Notes
Transcript

LEITURA DO TEXTO

Matthew 5:48 NAA
Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu.

INTRODUÇÃO

Por que razão foram alguns santos tão perfeitos e contemplativos? Porque aplicaram-se seriamente a renunciar a todos os desejos terrenos e por isto puderam de todo o coração fixar-se em Deus e ocupar-se de si livremente.
Thomas à Kempis (escritor ascético)
“Sejam”. A síntese ou o resumo do ensino de Jesus neste capítulo 5 é este: SEJAM. A vida cristã não começa no “fazer”, menos ainda no “ter”, mas definitivamente começa no “ser”. E o que Jesus, com autoridade divina e suprema, no ordena que sejamos? Isso mesmo. PERFEITOS, assim como PERFEITO é o nosso Pai que está no céu. Parece impossível? Sim, com toda certeza! Mas o embaixador e cidadão do reino dos céus e discípulo do mestre divino Jesus não é uma pessoa qualquer; ele é um cristão, um imitador do Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo) e pela fé consegue ser o que ninguém pode ser sem antes ser elevado da posição de “natural” para a posição de “espiritual”.
Quem nasceu de novo, nasceu do Alto — do Espírito Santo de Deus. E é este fator que faz toda a diferença: é o Espírito que Jesus nos dá que opera em nós uma santificação que deve ter como destino a perfeição. Não podemos nos contentar com a justiça da religiosidade farisaica. Mateus 5.20 “Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus.”. O Senhor Jesus nos chama neste ponto do Sermão do Monte a SERMOS PERFEITOS COMO PERFEITO É O NOSSO PAI, QUE ESTÁ NO CÉU.

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

Como vimos no último sermão, amar os inimigos é uma qualidade espiritual que pertence ao próprio Deus (Mateus 5.45 “para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.”). Mas Deus não espera que o imitemos apenas na prática do amor. À medida que a passagem continua, fica incrivelmente evidente que Jesus está nos mostrando uma definição, em relação à moral (noção de certo ou errado) que traz perplexidade — definição que coloca o próprio Deus como modelo para tudo. Mateus 5.48 “Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu.”.
Temos de ser santos, pois o Senhor nosso Deus é santo (Lv 19.2); amorosos, porque Deus é amor (1Jo 4.7ss); perfeitos, assim como nosso Pai celestial é perfeito (Mt 5.48).
Antes de terminarmos esta seção do Sermão do Monte, precisamos observar duas questões finais. A primeira é que a autoridade de Jesus é umas das características mais presentes nesse capítulo 5 de Mateus. A Lei e os Profetas apontam para ele, mas é ele quem determina o significado, o cumprimento e a continuidade deles com autoridade nada menos que divina. É incrível a gente lembrar que as Escrituras do Antigo Testamento não possuem nenhum status próprio independentemente de Deus: toda a autoridade que ela possui é derivada. Sendo que, porque a procedência é de Deus, para interpretar e explicá-las assim é preciso nada menos que autoridade divina. Portanto, de modo implícito Jesus está reclamando essa autoridade para si.
A segunda questão é que aquilo que a Lei e os Profetas indicavam chegou na pessoa de Jesus e no reino (o reino que traz salvação) a que ele começa a manifestar e revelar. Com toda autoridade, Jesus torna claro as exigências do reino e suas relações com as Escrituras do Antigo Testamento. A exigência comum é santidade, perfeição. Só podemos entender corretamente todas as leis do Antigo Testamento quando intepretamos essas leis à luz dessa consideração poderosa. O destaque enfático na pureza transparente e na santidade verdadeira, imitando a perfeição do Pai, joga fora por inteiro toda hipocrisia religiosa, toda tentativa de tornar a experiência da fé uma experiência teatral, toda exibição de virtude, todo ritual religioso realizado para ostentar e elevar a si mesmo. E agora Jesus vai tornar tudo isso muito mais claro em Mateus 6.

APLICAÇÕES

1- Dentro da sua casa, você pode sentir a pressão de ser perfeito e, muitas vezes, isso se traduz em expectativas irrealistas para si mesmo ou para os outros. Isso pode gerar conflitos e insatisfação. Ao invés de buscar uma perfeição que pode gerar frustração, busque a humildade e a honestidade nas suas relações familiares. Convide sua família para ter conversas abertas sobre as falhas e as imperfeições. Ensine seus filhos que é normal errar e que a graça de Deus nos permite aprender e crescer juntos, assim como Ele nos ama apesar de nossas imperfeições.
2- No ambiente de trabalho, a busca pela perfeição pode levar à competitividade e ao estresse. Muitas vezes, acreditamos que devemos ter todas as respostas e nunca mostrar fraquezas. Em vez disso, adote uma postura de aprendizado contínuo, onde você reconhece suas limitações e busca melhorar constantemente. Compartilhe com seus colegas que todos aprendemos com os erros e ofereça apoio quando eles enfrentarem dificuldades. Isso criará um ambiente mais colaborativo e menos hostil, refletindo o amor e a graça de Deus em seu local de trabalho.
3- Na igreja, a expectativa de ser ‘perfeito’ pode fazer com que você hesite em se envolver, por medo de não estar à altura. Lembre-se de que a igreja é uma comunidade de pecadores redimidos e não de pessoas perfeitas. Em vez de esperar ser ‘perfeito’, envolva-se ativamente em um ministério ou grupo de pequeno, oferecendo suas habilidades e tempo. Permita-se ser vulnerável, compartilhando suas lutas e aprendendo com os outros. Essa ação não só enriquecerá sua vida, mas também ajudará os outros a verem que a verdadeira perfeição vem da graça de Deus.
4- Na vida pública, você pode sentir a pressão de perfeição, especialmente nas redes sociais, onde todos parecem ter vidas perfeitas. Essa comparação pode levar à descontentamento e à ansiedade. Em vez de se concentrar na aparência, foque em ser autêntico. Compartilhe suas lutas e vitórias, mostrando que você é humano e que está em um processo de crescimento e transformação. Isso inspire outros a serem verdadeiros e a buscar uma vida de integridade e autenticidade, refletindo o amor de Cristo na sociedade.
5- Com frequência, buscamos resolver os conflitos familiares de forma perfeita, sem falhas. Mas a verdade é que as relações exigem de nós um compromisso de 100% com o perdão e empatia. No próximo desentendimento em casa, em vez de buscar um resultado perfeito que satisfaça seu ideal, opte por entender o ponto de vista do outro e peça perdão pelo seu papel no conflito. Celebrate o momento de reconciliação, reconhecendo que a verdadeira perfeição é encontrada na construção de relacionamentos saudáveis, onde estão presentes a graça e o amor de Deus.

CONCLUSÃO

Este é o caminho, e não há outro; o caminho certo, o caminho santo, o caminho perfeito, o caminho de Cristo, o caminho dos justos, o caminho dos eleitos que serão salvos. Andai nele, perseverai nele, permanecei nele, vivei nele, morrei nele, exalai vosso espírito nele.
Thomas à Kempis (escritor ascético)
Efésios 4.11–14 “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como crianças, arrastados pelas ondas e levados de um lado para outro por qualquer vento de doutrina, pela artimanha das pessoas, pela astúcia com que induzem ao erro.”
O Verbo realmente se fez carne? Então, ele é alguém sensível às aflições de seu povo, pois ele mesmo experimentou o sofrimento ao ser tentado. Ele é Todo-poderoso, pois é Deus; assim mesmo, identifica-se conosco, pois é homem. O Verbo realmente se fez carne? Então, ele pode ser um exemplo perfeito para nossa vida diária. Se tivesse andado entre nós como anjo ou espírito, jamais poderíamos imitá-lo. Mas, por ter vivido entre nós como homem, sabemos que o verdadeiro padrão de santidade é “andar assim como ele andou”. Ele é um modelo perfeito, porque é Deus; mas também é um modelo que corresponde perfeitamente às nossas necessidades, porque é homem. Por último, o Verbo realmente se fez carne? Então, procuremos ver em nosso corpo mortal uma dignidade real e verdadeira, e não o corrompamos pelo pecado. Fraco e vil como pode parecer, é um corpo que o eterno Filho de Deus não se envergonhou de assumir e levar para o céu. Esse simples fato é uma garantia de que ele ressuscitará nossos corpos no dia final e os glorificará junto com seu próprio corpo.
John Charles Ryle (Bispo de Liverpool)
“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). E quando prega em um outro lugar, diz: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai” (Lc 6.36).
Simon J. Kistemaker
Um homem perfeito, portanto, não é um homem sem pecado, mas aquele que chegou à maturidade espiritual, fala a verdade em amor, é cheio de sabedoria e compreensão e é capaz de manter o controle de seu corpo.
Simon J. Kistemaker
Você se ama adequadamente quando ama a Deus melhor do que a si mesmo. Então, o que você almeja em si mesmo, você deve almejar no seu próximo, a saber, que ele ame a Deus com uma afeição perfeita. Pois você não o ama como a si mesmo, a menos que tente atraí-lo para o bem que você mesmo está buscando.
Agostinho de Hipona
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.