Serié Livro de marcos (33)
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Parte - 57
Parte - 57
Tema O Messias: Filho de Davi e Senhor de Davi
Tema O Messias: Filho de Davi e Senhor de Davi
Marcos 12.35–37 “Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.”
Introdução
Introdução
A Bíblia apresenta uma única história conduzida pelo propósito de Deus: revelar progressivamente a pessoa e a obra do Messias. Desde Gênesis, quando a promessa do descendente da mulher que pisaria a cabeça da serpente foi anunciada (Gn 3:15), até as últimas páginas das Escrituras, vemos uma linha contínua apontando para Jesus Cristo. Homens, eventos, objetos, sacerdócios, reinos e profecias funcionaram como sombras que preparavam o povo de Deus para a manifestação daquele que viria cumprir todas as promessas.
Geograficamente texto de Marcos 12:35-37, Jesus está em Jerusalém, dentro dos acontecimentos finais de seu ministério terreno. A cidade estava vivendo um período de grande tensão religiosa e política.
Historicamente Jerusalém era o centro da fé judaica, lugar do templo, dos sacerdotes e das grandes celebrações. Porém, também estava sob o domínio do Império Romano, que controlava a região por meio de autoridades como governadores e soldados, criando expectativas de que o Messias prometido seria um libertador político semelhante a um novo Davi.
Culturalmente, o povo judeu aguardava o Messias como o descendente legítimo do rei Davi, baseado na aliança davídica, onde Deus prometeu que o trono de Davi permaneceria para sempre (2 Samuel 7:12-16). O título “Filho de Davi” carregava profundo significado: falava de realeza, autoridade e cumprimento das promessas divinas. Muitos esperavam que esse Messias restaurasse o reino de Israel.
Biblicamente Jesus apresenta uma questão que revela algo muito mais profundo. Ele cita o Salmo 110, atribuído a Davi, onde o próprio rei chama o Messias de “Senhor”. A pergunta de Cristo desafia seus ouvintes: como o Messias pode ser filho de Davi e, ao mesmo tempo, ser superior a Davi?
Aqui está o centro da passagem: Jesus não rejeita sua descendência davídica; Ele revela que sua identidade ultrapassa a linhagem humana. Ele é verdadeiramente Filho de Davi segundo a carne, mas também é o Senhor de Davi, o Rei eterno, o Messias divino.
O texto nos conduz a enxergar que todas as figuras tipológicas do Antigo Testamento encontram seu cumprimento nele: o Rei prometido, o Sacerdote perfeito, o Profeta definitivo e o Redentor esperado. Jesus não é apenas aquele que vem restaurar um trono terreno; Ele é aquele diante de quem todo trono se curva.
Texto Base
Mateus 22:41–46; Marcos 12:35–37; Lucas 20:41–44.
Ideia Exegética
Jesus demonstra, através do Salmo 110:1, que o Messias não pode ser compreendido apenas como descendente humano de Davi, pois Ele também é o Senhor de Davi, revelando Sua natureza divina e Sua soberania universal.
Proposição
O verdadeiro conhecimento de Cristo exige que o reconheçamos não apenas como o Filho de Davi prometido, mas como o Senhor exaltado à direita de Deus.
1. Jesus confronta a compreensão limitada sobre o Messias
1. Jesus confronta a compreensão limitada sobre o Messias
Mateus 22.41–42 “Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi.”
Marcos 12.35 “Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?”
A. A crença popular estava parcialmente correta
A. A crença popular estava parcialmente correta
O Messias seria descendente de Davi.
Referências: 2Sm 7:12-13; Is 11:1; Jr 23:5.
B. A crença popular era insuficiente
B. A crença popular era insuficiente
Os escribas reduziram o Messias a um libertador político.
Jesus confronta essa visão limitada.
Aplicação: Muitos conhecem Jesus apenas de forma superficial, mas não compreendem plenamente quem Ele é. Sim. Abaixo está uma relação dos livros da Bíblia, apresentando Cristo como tema central de cada livro e uma referência bíblica principal que sustenta essa identificação.
c- CRISTO PROFETIZADO DE GENISES A APOCALIPSES
c- CRISTO PROFETIZADO DE GENISES A APOCALIPSES
Gênesis A Semente da Mulher Gênesis 3:15
Êxodo O Cordeiro Pascal Êxodo 12:5-13; João 1:29
Levítico O Sumo Sacerdote Perfeito Levítico 16; Hebreus 9:11-12
Números A Serpente Levantada Números 21:8-9; João 3:14-15
Deuteronômio O Profeta semelhante a Moisés Deuteronômio 18:15; Atos 3:22
Josué Capitão da Salvação Josué 5:13-15
Juízes O Libertador de Israel Juízes 2:16-18
Rute O Parente-Redentor Rute 4:14; Efésios 1:7
1 Samuel O Rei Ungido 1Samuel 16:13
2 Samuel O Filho de Davi Eterno 2Samuel 7:12-16
1 Reis O Rei de Sabedoria Superior 1Reis 4:29-34; Mateus 12:42
2 Reis O Profeta Poderoso 2Reis 4:32-37
1 Crônicas O Herdeiro do Trono Davídico 1Crônicas 17:11-14
2 Crônicas O Verdadeiro Templo 2Crônicas 7:1-3; João 2:19-21
Esdras O Restaurador Esdras 1:1-4
Neemias O Reconstrutor Neemias 2:17-18
Ester O Intercessor do Seu Povo Ester 4:16
Jó O Redentor Vivo Jó 19:25-27
Salmos O Messias Rei Salmo 2:7-12
Provérbios A Sabedoria de Deus Provérbios 8:22-31; 1Coríntios 1:24
Eclesiastes O Sentido da Vida Eclesiastes 12:13
Cantares O Noivo Celestial Cântico 2:16; Efésios 5:25-27
Isaías O Servo Sofredor Isaías 53:3-12
Jeremias O Renovo Justo Jeremias 23:5-6
Lamentações O Homem de Dores Lamentações 3:22-33
Ezequiel O Bom Pastor Ezequiel 34:23-24
Daniel O Filho do Homem Daniel 7:13-14
Oséias O Esposo Fiel Oséias 2:19-20
Joel O Batizador com o Espírito Joel 2:28-32
Amós O Restaurador do Tabernáculo de Davi Amós 9:11
Obadias O Juiz das Nações Obadias 1:15
Jonas O Profeta Ressuscitado Jonas 1:17; Mateus 12:40
Miquéias O Governante de Belém Miquéias 5:2
Naum O Libertador dos Oprimidos Naum 1:7
Habacuque O Justificador pela Fé Habacuque 2:4
Sofonias O Rei Poderoso que Salva Sofonias 3:17
Ageu A Glória do Templo Ageu 2:7-9
Zacarias O Rei Montado num Jumento Zacarias 9:9
Malaquias O Sol da Justiça Malaquias 4:2
Mateus O Rei dos Judeus Mateus 1:1; 2:2
Marcos O Servo Sofredor Marcos 10:45
Lucas O Filho do Homem Lucas 19:10
João O Filho de Deus João 20:30-31
Atos O Senhor Ressuscitado Atos 1:9-11
Romanos A Justiça de Deus Romanos 3:21-26
1 Coríntios Nossa Páscoa 1Coríntios 5:7
2 Coríntios O Triunfante 2Coríntios 2:14
Gálatas O Libertador da Lei Gálatas 3:13
Efésios O Cabeça da Igreja Efésios 1:22-23
Filipenses O Servo Exaltado Filipenses 2:5-11
Colossenses A Plenitude de Deus Colossenses 2:9
1 Tessalonicenses O Rei que Voltará 1Tessalonicenses 4:16-17
2 Tessalonicenses O Juiz Vindouro 2Tessalonicenses 1:7-10
1 Timóteo O Único Mediador 1Timóteo 2:5
2 Timóteo O Senhor Fiel 2Timóteo 2:13
Tito A Bendita Esperança Tito 2:13
Filemom O Reconciliador Filemom 18-19
Hebreus O Sumo Sacerdote Perfeito Hebreus 4:14-16
Tiago O Senhor da Glória Tiago 2:1
1 Pedro O Supremo Pastor 1Pedro 5:4
2 Pedro O Rei Vindouro 2Pedro 1:16-18
1 João O Advogado dos Crentes 1João 2:1
2 João A Verdade Encarnada 2João 3
3 João A Fonte da Verdade 3João 4
Judas O Guardador dos Santos Judas 24-25
Apocalipse O Rei dos Reis e Senhor dos Senhores Apocalipse 19:11-16
2. Jesus revela a verdadeira identidade do Messias
2. Jesus revela a verdadeira identidade do Messias
(Mt 22:43-45; Mc 12:36-37)
(Mt 22:43-45; Mc 12:36-37)
Aplicação: Cristo não é apenas exemplo moral; Ele é Senhor absoluto.
I. FIGURAS TIPOLÓGICAS EM PESSOAS
Adão — O primeiro homem Gênesis 1–3 Cabeça da humanidade; por ele veio a queda Cristo é o último Adão, trazendo vida e restauração
Abel — O justo sacrificado Gênesis 4 Oferta aceita por Deus e morte injusta Cristo, o Justo, morto pelos pecadores
Enoque — O homem que andou com Deus Gênesis 5:22-24 Comunhão com Deus e traslado Figura da glorificação dos santos em Cristo
Noé — O salvador do juízo Gênesis 6–9 A arca preserva da condenação Cristo salva da ira futura
Melquisedeque — Rei e sacerdote Gênesis 14:18-20 Une realeza e sacerdócio Cristo é Rei eterno e Sumo Sacerdote
Isaque — Filho da promessa Gênesis 21–22 Filho amado oferecido pelo pai Cristo, Filho unigênito entregue pelo Pai
José — O rejeitado e exaltado Gênesis 37–50 Vendido, humilhado e depois exaltado para salvar Cristo rejeitado pelos homens e exaltado por Deus
Moisés — O libertador Êxodo Tira Israel da escravidão e media aliança Cristo liberta do pecado e é mediador da nova aliança
Josué — O conquistador Josué Introduz Israel na terra prometida Cristo conduz seu povo ao descanso eterno
Boaz — O resgatador Rute Parente próximo que redime Cristo é nosso Redentor
Davi — O rei ungido 1Samuel 16; 2Samuel 7 Rei segundo o coração de Deus e promessa messiânica Cristo, Filho de Davi, Rei eterno
Salomão — Rei de paz e sabedoria 1Reis 1–10 Reino de glória e paz Cristo maior que Salomão
Jonas — Ressurreição simbólica Jonas 1–2 Três dias no ventre do peixe Morte e ressurreição de Cristo
II. FIGURAS TIPOLÓGICAS EM EVENTOS
II. FIGURAS TIPOLÓGICAS EM EVENTOS
Evento Texto Base Significado Cristológico Cumprimento
A criação Gênesis 1 Deus traz luz e ordem ao caos Cristo é a nova criação
O dilúvio Gênesis 6–9 Juízo e salvação através da arca Cristo salva do juízo
O êxodo Êxodo Libertação da escravidão Cristo liberta do pecado
A Páscoa Êxodo 12 Cordeiro sem defeito morto pelo povo Cristo, Cordeiro de Deus
A serpente levantada Números 21:4-9 Cura mediante olhar para o símbolo levantado Cristo levantado na cruz
O Dia da Expiação Levítico 16 Remoção dos pecados Cristo leva nossos pecados
III. FIGURAS TIPOLÓGICAS EM OBJETOS
III. FIGURAS TIPOLÓGICAS EM OBJETOS
Arca de Noé Gênesis 6 Lugar de salvação do juízo 1Pedro 3:21
Arca da Aliança Êxodo 25 Presença e glória divina Hebreus 9:4-5
Maná Êxodo 16 Pão vindo do céu João 6:32-35
Rocha ferida Êxodo 17 Fonte de vida espiritual 1Coríntios 10:4
Serpente de bronze Números 21 Cura pela fé João 3:14
Tabernáculo Êxodo 25–40 Deus habitando com seu povo João 1:14
Véu do templo Êxodo 26 Separação entre Deus e homens Hebreus 10:19-20
IV. FIGURAS DO TABERNÁCULO QUE REVELAM CRISTO
IV. FIGURAS DO TABERNÁCULO QUE REVELAM CRISTO
A Porta Entrada para Deus Cristo é a porta
O Altar de Bronze Sacrifício pelo pecado Cruz de Cristo
A Pia Purificação Santificação em Cristo
O Candelabro Luz divina Cristo, luz do mundo
Mesa dos Pães Provisão divina Cristo, pão da vida
Altar do Incenso Intercessão Cristo intercede
Arca Presença de Deus Cristo revela Deus
V. FIGURAS NOS OFÍCIOS
V. FIGURAS NOS OFÍCIOS
1. Profeta
Moisés → Cristo, o profeta prometido.
Referências:
Deuteronômio 18:15
Atos 3:22-23
Cristo revela perfeitamente a vontade do Pai.
2. Sacerdote Sacerdócio levítico
Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito.
Referências:
Hebreus 4:14-16
Hebreus 7:26-28
3. Rei Davi
Cristo é o Rei eterno.
Referências:
Lucas 1:32-33
Apocalipse 19:16
VI. FIGURAS PROFÉTICAS DO MESSIAS
VI. FIGURAS PROFÉTICAS DO MESSIAS
Descendente da mulher Gênesis 3:15 Cristo vence Satanás
Cordeiro substituto Gênesis 22 Cristo morre em nosso lugar
Servo Sofredor Isaías 52–53 Cristo leva os pecados
Renovo de Jessé Isaías 11 Cristo descendente de Davi
Filho do Homem Daniel 7 Cristo recebe domínio eterno
Filho de Davi Salmo 110 Cristo Senhor e Rei
Cordeiro vencedor Apocalipse Cristo reina eternamente
VII. A PROGRESSÃO CRISTOLÓGICA DA BÍBLIA
Gênesis revela: Cristo como descendente prometido.
Êxodo revela: Cristo como libertador e cordeiro.
Levítico revela: Cristo como sacrifício e sacerdote.
Números revela: Cristo como aquele que cura e conduz.
Deuteronômio revela: Cristo como profeta.
Históricos revelam: Cristo como Rei e Redentor.
Poéticos revelam: Cristo como sabedoria e esperança.
Profetas revelam: Cristo como Servo Sofredor e Rei eterno.
Evangelhos revelam: Cristo encarnado.
Cartas revelam: Cristo exaltado.
Apocalipse revela: Cristo Rei dos reis.
Síntese final:
A Bíblia inteira apresenta uma única história: o Deus que promete no Éden, prepara por meio dos tipos, revela pelos profetas e manifesta em Jesus Cristo o Salvador, o Cordeiro e o Rei eterno.
3. Jesus assume o lugar de autoridade universal
3. Jesus assume o lugar de autoridade universal
(Sl 110:1; Mt 22:44; Mc 12.36)
1João 5.4–8 “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus? Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.”
A. O Messias está à direita de Deus
A. O Messias está à direita de Deus
Lugar de honra.
Lugar de governo.
Lugar de autoridade.
B. Todos os inimigos serão submetidos
B. Todos os inimigos serão submetidos
Cumprimento escatológico.
Vitória definitiva de Cristo.
1- O Pecado da Carne: A Velha Natureza
As Manifestações Práticas da Carne
A carne se expressa através de desejos e comportamentos específicos que Paulo enumera em Gálatas 5:19-21: “as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, contendas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices”. Essas não são pecados ocasionais, mas expressões naturais da velha natureza quando não controlada pelo Espírito Santo. Em Colossenses 3:5, somos exortados a “mortificar” os membros que estão na terra: “a fornicação, a impureza, as paixões desordenadas, a concupiscência maligna e a avareza”. A vitória sobre a carne não vem através de esforço próprio, mas pela submissão ao Espírito Santo, conforme Romanos 8:13: “se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”.
A Natureza Dupla do Crente
O cristão experimenta uma realidade paradoxal: possui simultaneamente duas naturezas em conflito irreconciliável. Paulo descreve essa luta em Romanos 7:15-20, onde confessa “não faço o bem que desejo, mas pratico o mal que não quero”. A carne — nossa velha natureza pecaminosa — continua presente mesmo após a conversão, gerando uma guerra interior constante. Em Gálatas 5:17, o apóstolo é explícito: “a carne deseja contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; porque estes se opõem um ao outro”. Essa não é uma luta metafórica, mas uma realidade experiencial que todo crente enfrenta. A velha natureza não é eliminada instantaneamente na conversão; ela permanece como uma força que nos inclina persistentemente ao pecado, mesmo quando nosso espírito deseja obedecer a Deus.
Referências cruzadas
Atos 2:33-35.
Hebreus 10:12-13.
1Coríntios 15:25.
Aplicação: A Igreja não segue um rei derrotado, mas um Rei entronizado.
C- O Mundo que Cristo Venceu
C- O Mundo que Cristo Venceu
A Natureza do Sistema Mundano e Sua Derrota pela Cruz
O mundo, segundo o Novo Testamento, é um sistema que pensa e age de acordo com os princípios e alvos de Satanás.[1] Essa ordem ou sistema é fundamentalmente oposto a Deus em seu aspecto moral.[2] Cristo não apenas confrontou este sistema — Ele o venceu definitivamente através da cruz. Paulo afirma: “pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).[1]
Essa vitória não é meramente simbólica. Para Paulo, o mundo era um objeto crucificado, e ele mesmo foi crucificado em relação ao ele. Para uma pessoa que está padecendo numa cruz, o mundo não é um objeto desejável.[1] Na cruz, Jesus disse o “não” determinante a todos os apelos e tentações do mundo.[1] Ao tomar a cruz e seguir Cristo, cada crente participa dessa mesma vitória, rejeitando os valores e atrativos que o sistema mundano oferece.
A Fé como Instrumento de Vitória Contínua
A Bíblia declara: “tudo o que é nascido de Deus vence o mundo, e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5:4).[1] Essa vitória não é futura ou condicional — é uma realidade presente para aqueles que creem em Cristo. A referência não é a uma fé vacilante no presente; o tempo passado é usado para a fé que identificou o crente com Cristo.[2]
Concretamente, a maioria não representa necessariamente a vontade de Deus. “Não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Êxodo 23:2).[1] Vencemos quando temos a convicção de que vale muito mais ficarmos sozinhos com Deus.[1] A vitória sobre o mundo exige discernimento espiritual constante — identificar quais valores, entretenimentos e sistemas de pensamento se opõem a Deus e, pela fé, recusá-los. Os crentes foram retirados do sistema do mundo pelo relacionamento da nova criação e não mais são uma parte dele, assim como Jesus, mas Cristo os enviou ao mundo não para se conformar com ele, mas para ser testemunha nele (João 17:18).[2]
[1] Russell P. Shedd, O Mundo, a Carne e o Diabo (São Paulo: Vida Nova, 1995), 41–43.
[2] Lewis Sperry Chafer, Teologia Sistemática, org. Juan Carlos Martinez, trad. Heber Carlos de Campos (São Paulo: Hagnos, 2013), 726–727.
D- O Diabo que Cristo Venceu
D- O Diabo que Cristo Venceu
A Destruição do Poder de Satanás Sobre a Morte
Cristo participou de carne e sangue para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida (Hebreus 2:14-15)[1]. Contudo, é crucial compreender o significado preciso dessa destruição. O verbo “destruir” (katargeō) significa tornar algo ineficaz, anular, cancelar, destruir, abolir, dar um fim a alguma coisa, e o sentido primário da palavra na língua grega não é aniquilar, mas é “tornar algo inoperante, ineficaz”[1].
Cristo tomou o poder que o diabo tinha sobre a morte, anulando e desfazendo o poder que ele tinha, tanto de infligir, como de causar a morte, levando as pessoas a pecar[1]. O Senhor Jesus chama o diabo de “homicida” (João 8:44), e ele causa a morte tentando as pessoas ao pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23)[1]. O nome “diabo” significa “acusador”, Satanás acusa os pecadores diante de Deus, exigindo a morte deles, porém as exigências do diabo quanto à morte dos que estão em Cristo foram tornadas vazias, pois seus pecados já foram punidos em Cristo[1]. Na cruz do Calvário Cristo venceu a batalha decisiva contra o diabo lhe esmagando a cabeça, triunfando sobre ele, despojando-o como um guerreiro que pisa no pescoço do inimigo vencido e lhe arranca as armas e a armadura, foi exatamente isso que Cristo fez na cruz, triunfando publicamente sobre seu inimigo e destruindo aquele que tinha o poder da morte[1].
A Vitória Contínua do Crente Pela Fé em Cristo
Os crentes lutam a partir de uma postura de dependência do Senhor Jesus Cristo e sua vitória, recebendo poder pela fé no Senhor Jesus exaltado (Efésios 6:10)[2]. Cristo veio para “destruir as obras do diabo” (1 João 3:8)[2]. Cristo venceu Satanás particularmente através de sua morte e ressurreição, e na cruz “espoliou principalidades e potestades” e “fez delas um espetáculo público, triunfando sobre elas” (Colossenses 2:13-15)[2].
O general em cuja causa estamos engajados já venceu Satanás, e sua vitória sobre Satanás, embora seja por si mesmo, não é para si mesmo, mas para seus membros, para que tenhamos a vitória sobre ele e conforto em todas as nossas tentações[3]. Entramos na batalha diária com a confiança de que a guerra já foi vencida, pois Cristo, cujo amor por nós não é menor que seu poder, e ambos infinitos, já venceu nossos inimigos[2]. Embora o diabo tente crentes, ele não pode vencê-los, pois Cristo não nos isenta de uma batalha, mas é um adversário desarmado com quem lutamos; ele pode nos molestar, mas não nos vencer totalmente; pode bruir nosso calcanhar, mas não pode quebrar nossa cabeça[3].
[1] Augustus Nicodemus Lopes, O que Você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2019), 78–79.
[2] Joel R. Beeke e Paul M. Smalley, Reformed Systematic Theology: Revelation and God (Wheaton, IL: Crossway, 2019), 1:1147–1148.
[3] Thomas Manton, The Complete Works of Thomas Manton (London: James Nisbet & Co., 1873), 107–108.
Conclusão
A conclusão natural da passagem é mostrar que Jesus conduz seus ouvintes da pergunta: "De quem é filho o Cristo?"para a resposta maior: "Ele é o Senhor de todos." Os líderes religiosos conheciam a genealogia do Messias, mas ignoravam Sua divindade. O silêncio dos fariseus e o prazer da multidão revelam que a autoridade de Jesus havia triunfado sobre a teologia limitada de seus adversários.
Frase de Impacto
"O Messias não é apenas o Filho de Davi que veio à terra; Ele é o Senhor de Davi que reina à direita de Deus."
