Apocalipse 20.1-6
Série expositiva no Livro de Apocalipse • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 12 viewsO autor retroage ao tempo em que, pela primeira vinda de Cristo, uma limitação foi imposta sobre Satanás, como garantia da vitória que a igreja começa a desfrutar no tempo presente, mas que será publicada no retorno do Senhor.
Notes
Transcript
Apocalipse 20.1-6: Retroação confirmatória - A imposição da limitação de ação à Satanás como garantia do triunfo de Cristo e da igreja sobre o sistema anticristão mundial.
Apocalipse 20.1-6: Retroação confirmatória - A imposição da limitação de ação à Satanás como garantia do triunfo de Cristo e da igreja sobre o sistema anticristão mundial.
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer…” (Ap 1.1).
Pr. Paulo U. Rodrigues
I. Recapitulação
I. Recapitulação
Estrutura Anterior: (vv.11-21) O confronto final - Cristo, O Rei vitorioso.
1. (vv.11-16): A descrição triunfante do Cavaleiro e seus exércitos - A identificação gloriosa do Cristo ressurreto.
2. (vv.17-21): O contive às aves para o banquete - A obliteração do sistema anticristão mundial e seu adeptos.
Objetivo: Consolar a igreja pela contemplação da imagem do Cristo vitorioso, que conquistará todos os que, atualmente, tem perseguido a igreja, avessando-se ao Reino dos céus.
II. Elucidação
II. Elucidação
Estrutura da seção:
O texto de Apocalipse 20.1-6 constrói uma intersecção temporal entre a temática narrada nos capítulo 17 à 19 e o capítulo 20 como sua conclusão, tanto retroagindo a um ponto anterior, quanto avançando a um ponto futuro na história da redenção (matéria dos versículos 7-15). O texto, a partir de sua movimentação temporal, estrutura-se de acordo com os seguintes pontos: Retroação cronológica: (vv.1-6) Perspectiva milenar - A limitação da ação de Satanás no mundo pela encarnação-vida-morte-ressurreição de Cristo e a ratificação da ação judicial da igreja através do martírio: a. (vv. 1-3) Retroação cronológica: A limitação do poder de Satanás como base para a vitória futura de Cristo; e b) (vv.4-6) Ênfase consoladora: ratificação da presente ação judicial da igreja sobre o mundo pelo martírio, como esperança para ressurreição para a vida.
Analisaremos, então, as subseções.
Retroação cronológica: (vv.1-3) Perspectiva milenar - Retroação cronológica: A limitação da ação de Satanás no mundo pela encarnação-vida-morte-ressurreição de Cristo.
Retroação cronológica: (vv.1-3) Perspectiva milenar - Retroação cronológica: A limitação da ação de Satanás no mundo pela encarnação-vida-morte-ressurreição de Cristo.
a. (vv. 1-3) Retroação cronológica: A limitação do poder de Satanás como base para a vitória futura de Cristo.
- “Então vi descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos” (vv.1-2). Após o relato do desfecho da grande batalha escatológica do capítulo 19.11-21, a revelação concedida a João retroage a um ponto anterior, a fim de que o princípio daquela seção seja intensificado e reforçado.
A expressão que designa Satanás, cuida de rememorar ao leitor uma ênfase já dada no texto, fazendo-o retornar aos conceitos elucidados no capítulo 12.7-9, quando João narra que “foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás”. A repetição dessa designação emparelha dos dois contextos: Em Apocalipse 12, o diabo é expulso, o que representa a limitação de sua ação, através da derrota que lhe foi imposta que Miguel e a milícia celeste, que por sua vez agiu em consonância ao realização da obra expiatória e restauradora de Cristo na cruz, sintetizada pela menção ao nascimento do Filho da mulher, o varão que “há de governar todas as nações com cetro de ferro” (cf. 12.5 - Sl 2.9).
Novamente, dramatizando as falas de Cristo em Mc 3.27-28, O anjo acorrenta o diabo simbolizando aquilo que o próprio Cristo fez em sua encarnação-vida-morte-ressurreição. Os mil anos de aprisionamento, devem, então ser entendidos dentro dessa perspectiva.
Esses “mil anos” representam o intervalo de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, o que poderia ser chamado de “era da igreja”, isto é, o período temporal em que a igreja anuncia o evangelho ao mundo, não somente como uma expressão do convite à salvação, mas também como imposição da sentença condenatória sobre aqueles que o rejeitam, como em várias passagens de Apocalipse, isso é visto como um ato judicial (cf. Ap 11.4-6).
Em síntese, a ação enganadora do diabo, que contava com um limite maior, foi restringida drasticamente pela obra de Cristo, embora, pouco antes de seu retorno, essa restrição será atenuada (v.3b), culminando numa tensão final que será dissipada pelo retorno do Rei (fato retratado em Ap 19.11-21).
A perspectiva resultante dessa consideração, deve conduzir a igreja a contemplação da base sobre a qual a vitória do capítuo 19.11-21 está alicerçada: Por que a igreja por confiar de que será vitoriosa no fim dos tempos, principalmente quando todo o contexto que tem diante de si, parece sugerir o contrário? Pelo fato de que a vitória futura do Senhor Jesus tem seus efeitos na obra que ele já realizou quando de sua primeira vinda. Tendo em vista que ele já venceu, certamente ele vencerá.
b. (vv.4-6) Ênfase consoladora: ratificação da presente ação judicial da igreja sobre o mundo pelo martírio, como esperança para ressurreição para a vida.
- “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade para julgar” (v.4). O propósito da visão de João nos versículos 1 à 3 foi de estabelecer uma garantia para a igreja de que a vitória encenada em 19.11-21 é certa, e a melhor forma de fazê-lo, segundo o autor divino/humano, foi demonstrar que tal triunfo é resultado de uma ação já consumada no passado; como o passado não pode ser mudado, o futuro também não o pode, logo, se Cristo já triunfou sobre o Diabo, impondo-lhe uma derrota esmagadora em sua primeira vinda, é inevitável que o povo de Deus experimente o logro na batalha final no futuro.
Essa perspectiva encorajadora é sublinhada por João nos versículos 4 à 6, noutra retratação do estado excelente e glorificado da igreja, como tantas vezes retratado no livro de Apocalipse (cf. 6.11; 7.9-10; 14.1-5; 15.2). Agora, A ênfase recai não apenas sobre a condição aperfeiçoada ou vitoriosa, mas, ecoando o contexto dos capítulos 17-19 em que o sistema anticristão mundial é julgado, os santos são caracterizados a partir de tronos, sendo lhes “dada autoridade para julgar”.
Entendendo essa nuance a partir do recorte histórico passado, iniciado na vinda de Cristo, a postura judicial da igreja é uma ação não futura, isto é, ainda por ocorrer (embora isso de fato acontecerá, no juízo final), mas presente/corrente, mediante o testemunho (i.e. martírio) que presta no mundo. A duplicidade do efeito da comunicação do evangelho, já foi tratada no livro de Apocalipse, retornando agora, em tons confirmatórios.
Não raro, no Novo Testamento, a igreja é retratada como já ocupando seu posto glorificado, interseccionando passado e presente, a fim de que lhe seja assegurada o gozo da salvação (e.g. cf. Ef 2.6). Adicionado a isso, temos agora, em Ap 20.4-6, a ação julgadora no tempo presente, participando da aplicação do juízo que deverá recair de modo consumado, no fim dos tempos, por ocasião da segunda vinda de Cristo.
- “Vi ainda as almas dos que foram decapitados por terem dado testemunho de Jesus e proclamado a palavra de Deus. Estes são os que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam a sua marca na testa e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.” Ainda que ironicamente, o retrato dessa ação, como dito, é o martírio. Exercendo sua função profética, de comunicação da mensagem do evangelho, a igreja é perseguida (cf. Ap 11.1-6), e muitos irmãos foram (prolepsis) “decapitados por terem dado testemunho de Jesus e proclamado a palavra de Deus”. Embora o dano físico pareça impor à igreja alguma derrota, isso na verdade é contado como um dos tantos pecados que serão “anexados aos autos do processo” que Cristo haverá de julgar e condenar; julgamento do qual a igreja participará como júri ao lado do Senhor.
Intensificando o tom consolador e irônico, exercendo esse papel judicial, a igreja é vista como já (segundo acima exposto) reinando com Cristo durante esses “mil anos”, ocorridos na presente era (antes da segunda vinda do Senhor).
- “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição”. "Os restantes dos mortos”, neste caso, é uma referência ao ímpios. A dinâmica é a seguinte: Os aliados do sistema anticristão mundial estão sendo retratados como os mortos da grande batalha de 19.11-21, podendo essa morte ser entendida como morte espiritual, isto é, não foram vivificados pelo poder salvador de Cristo mediante fé no evangelho. Haverão eles de ressuscitar para juízo, e morrerão a segunda morte (cf. 20.14).
Os justo, por outro lado, foram vivificados por Cristo quando creram. Porém, por causa da perseguição (e também de morte natural, mas, à luz do contexto de Apocalipse, ressalta-se a morte por martírio), poderão morrer a morte física. Também ressuscitarão, mas para julgar o mundo, e jamais experimentarão a segunda morte, pela bem-aventurança que obtiveram no Senhor Jesus (cf. v.6a), pois foram salvos por ele.
Assim, os versículos 5 e 6, destinam-se a públicos distintos: O versículos 5, retrata o fim aguardado pelos ímpios: morte espiritual e ressurreição para a segunda morte (condenação no lago de fogo); os justos, morrem fisicamente, mas jamais sofrerão a segunda morte, pois foram ressuscitados espiritualmente, e usufruirão de vida eterna com Deus em Cristo Jesus.
III. Síntese principiológica
III. Síntese principiológica
A retroação que João empreende no registro da visão de Apocalipse 20.1-6 a um ponto cronológico no passado, serve ao propósito de demonstrar a vitória de Cristo e da igreja é um efeito daquilo que já foi realizada durante a primeira vinda do Senhor, quando impôs ao diabo (ou “valente” (cf. Mc 3.27-28)) a limitação de sua atuação no mundo, retratado na visão pelo acorrentar, prender e selar o dragão.
A vitória de Cristo e da igreja é uma consequência da ação passa de Cristo. Embora Satanás vá tentar empreender um último esforço para arregimentar o mundo contra a igreja e contra o Reino dos céus, será debalde (tópico tratado nos versículos 7-10), pois sua condenação (como da besta e do falso profeta) é certa.
Isto posto, Apocalipse 20.1-6 remete as seguintes verdade as serem aplicadas à igreja:
IV. Aplicações
IV. Aplicações
1. O consolo que a igreja recebe e a certeza de nosso triunfo vem, não de algo futuro, como fosse uma possibilidade, mas de uma realidade consumada pelo Cristo realizou na sua primeira vinda (com ênfase na cruz e na ressurreição. A vitória é certa porque a cruz é certa.
1. O consolo que a igreja recebe e a certeza de nosso triunfo vem, não de algo futuro, como fosse uma possibilidade, mas de uma realidade consumada pelo Cristo realizou na sua primeira vinda (com ênfase na cruz e na ressurreição. A vitória é certa porque a cruz é certa.
A caracterização do cavaleiro branco em 19.11-16 está diretamente ligada ao capítulo 1, quando o Cristo ressuscitado apresenta-se a João, também em sua condição de glorificado. Isso não foi aleatório, mas proposital, a fim de que o cavaleiro branco seja identificado com o Cristo ressuscitado, que venceu e vencerá seus inimigos, em decorrência de sua vitória realizada quando de sua primeira vinda.
De maneira ainda mais intensa, João agora retrata outra visão que teve, remetendo esta a atenção do leitor àquele momento, quando, em sua encarnação-vida-morte-ressurreição, o Senhor infligiu a Satanás, a limitação de sua ação no mundo, para que a igreja pudesse exercer seu papel de testemunha (i.e. mártir), comunicando a mensagem que causaria o efeito de salvação e condenação.
A repetição dessa preocupação de que a igreja tenha certeza e provas de sua vitória, para nós, leitores modernos, pode não ser tão necessária, visto ainda não estarmos vivendo um contexto de perseguição frontal e direta (embora ocorra de modo “velado” ou apenas ideologicamente. Não era essa a situação no primeiro século; cristãos eram perseguidos violentamente e, segundo o entendimento do Senhor, parte da revelação que Cristo concede aos santos é que eles devem ter inabalável certeza de sua vitória, pois se sua primeira vinda (incluindo sua morte e ressurreição) é real, a vitória também é.
Saber que o Senhor venceu muda alguma coisa na sua vida? O mundo está cada vez mais afundado em incertezas e dúvidas. Há cada vez menos motivos para se ter alguma convicção que fundamente nossa realidade, se, buscarmos essas convicção naquilo que nos rodeia nesse mundo. Primeiro, o objetivo de nossa existência não é encontrado no mundo mesmo, mas em Deus, e nosso fim principal é viver para sua glória e nos satisfazermos nele para sempre. Segundo, o foco principal de nossa vida está voltando para o momento em que iniciaremos nossa vida, numa outra realidade; uma realidade perfeita, plena, sem pecado ou dor, ou pranto, ou luto, ou tristeza ou sofrimentos de qualquer natureza.
Essa promessa, não é uma bravata, uma aposta ou uma probabilidade, mas uma esperança embasada num fato. O passado não pode ser mudado; Cristo veio, morreu e ressuscitou. Assim, o futuro também não pode: seremos vitoriosos em Cristo, e Satanás e o mundo nada podem fazer para impedir um milímetro dessa inevitável realidade por vir.
2. A ironia do “milênio” parece não permitir que nos apropriemos dessa certeza, pois o que vemos contradiz o que devemos esperar. Mas, na verdade, o paradoxo cristão fecha os olhos do mundo, e abre os olhos dos cristãos.
2. A ironia do “milênio” parece não permitir que nos apropriemos dessa certeza, pois o que vemos contradiz o que devemos esperar. Mas, na verdade, o paradoxo cristão fecha os olhos do mundo, e abre os olhos dos cristãos.
Quando João tem a visão de Apocalipse 20.1-6, ele contempla tronos representando a ação judicial da igreja em operação no mundo. Assentar-se em tronos corresponde à condição glorificada do povo de Deus que já exerce o governo do Reino dos céus nesta presente era. O problema é que quando nos voltamos ao contexto presente, o que vemos é oposição, perseguição e hostilidade para com a igreja, e pensamos que é impossível fazer uma leitura tão positiva quanto a que o texto nos convida a fazer, nos conduzindo à esperança e consolo.
Não é novidade que o vemos parecer ser o contrário da realidade para onde aponta. Pensemos na crucificação de Cristo. Quem poderia supor que aquela imagem de humilhação e sofrimento, estava retratando na verdade, triunfo e glória? Mas era isso que estava acontecendo (cf. Cl 2.15).
De igual forma, testemunhando do evangelho nesta era presente, nós já nos assentamos em nossos tronos de glória, e já estamos comunicando ao mundo a iminente chegada do Reino dos céus, que trará consigo salvação para os que se arrependerem e crerem, e condenação para os que se insurgirem.
O modo de pensar do homem natural nunca conceberá esse paradoxo: glória na humilhação; triunfo na oposição. Mas, como igreja do SENHOR, somos chamados a ver não pelos olhos carnais, mas pelos olhos da fé, entendendo que fé “é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem” (Hb 11.1). Não estamos vendo o Reino, mas ele já está entre nós, por isso o esperamos.
V. Conclusão
V. Conclusão
O cristão é chamado a viver pela fé, mas isso nem de longe significa que viveremos de modo “cego”, ou sem que haja um lastro de confiabilidade razoável. Nossa esperança, pela fé, está alicerçada na obra expiatória, vicária, restauradora e triunfante de Cristo Jesus. Crer que somos vitoriosos não é otimismo, é realismo, pois, pela fé, uma vez unidos a Cristo, fomos feitos participantes de sua conquista iniciada na cruz e que será publicada em seu retorno.
