O Peso do Nome de Deus

A vida na presença de Deus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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No sermão "O peso do nome de Deus", baseado em Êxodo 20.7 e Deuteronômio 5.11, o Pastor Pedro Vieira expõe o verdadeiro significado do terceiro mandamento. Mais do que apenas evitar proferir o nome do Senhor levianamente, o texto nos chama a não carregar a Sua identidade de forma falsa ou hipócrita. A aplicação central desafia a igreja a honrar a Deus não apenas com palavras, mas com um estilo de vida que reflita fielmente o Seu caráter santo.

Notes
Transcript
Ex 20.7 / Dt 5.11 — “Não tome o nome do Senhor, seu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”

Introdução

Continuamos a série de pregações “A vida na presença de Deus”, onde conhecemos mais de perto os 10 Mandamentos.
Depois de Deus falar que não quer concorrentes em nosso coração (1º Mandamento) e de dizer que deve ser adorado conforme sua revelação, não de acordo com nossa imaginação (2º Mandamento), agora veremos o 3º Mandamento.
Deus começa os 10 Mandamentos citando o seu próprio nome, IHWH, que na maioria das Bíblias é traduzido com a palavra “Senhor”, em caixa-alta. Ele diz “Eu sou Yaveh” (Ex 20.2) e nesse mandamento ele diz “Não tome o nome de Yaveh, teu Deus, em vão”.
E, a julgar pela forma que usamos o nome de Deus de maneira tão despreocupada, imagino que este é um mandamento que parece “menos importante” até para os crentes. Pensamos que este mandamento fala apenas de palavras. Mas ele fala principalmente de representação.
Deus não proíbe apenas usar seu nome; Ele proíbe carregar seu nome de maneira falsa. Afinal, quem está em aliança com Deus, deseja respeitá-lo e honrá-lo, não só com sua boca, mas também com sua vida.

Exposição

v.7 - “Não tome o nome do Senhor, seu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”

O mandamento é sobre “tomar o nome em vão”. Mas o que isso significa? À primeira vista, para nós que não somos israelitas de três mil anos atrás, este mandamento pode soar somente como uma proibição de citar o nome de Deus. Mas veremos que é mais que isso.
Carregamos o nome de Deus (תִשָּׂ֛א)
[Desenho: O Carregador da Bandeira. Conceito Visual: Um boneco de palito sorridente segurando no alto uma grande bandeira com uma cruz desenhada nela. Significado: Lembra as crianças de que carregar o nome de Deus é como levar uma bandeira, mostrando a todos a quem pertencemos.]
A palavra traduzida para tomar (תִשָּׂ֛א) significa literalmente “levantar”, “carregar”, mas aqui é usada no sentido de “representar”.
Alguns capítulos mais à frente, essa mesma palavra será usada para dizer que o sacerdote carregava os nomes das tribos de Israel, como se estivesse escrito em algum lugar, quando, na verdade, ele estava apenas representando as 12 tribos diante de Deus (Ex 28.12,29).
É como os jogadores da Seleção Brasileira de Futebol. Quando jogam na Copa do Mundo, eles estão carregando o nome do Brasil, ou seja, representando nosso país na competição. E quando um jogador faz algo vergonhoso, alguém diria que "Ele envergonhou o Brasil”.
Da mesma maneira, o povo de Deus carrega o nome de Deus, representa Deus diante dos homens, como em
Números 6.27 “— Assim, os sacerdotes porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.”
Deuteronômio 28.10 “E todos os povos da terra verão que vocês são chamados pelo nome do Senhor e terão medo de vocês.”
A partir do momento que entramos em aliança com Deus, nossos atos e jeito de viver devem refletir essa aliança.
Algo similar vemos no casamento. Assim que uma mulher se casa, ela recebe, por tradição, o sobrenome do marido, como símbolo de que são uma só família. Por assim dizer, onde a esposa está, o esposo está representado por ela, pois ela carrega seu nome.
O Nome revela quem Deus é (יְהוָ֥ה)
[Desenho: A Bíblia Revelada. Conceito Visual: Uma Bíblia aberta com a palavra "DEUS" escrita em letras grandes e linhas de brilho ao redor. Significado: Ensina que o nome de Deus revela quem Ele é e está registrado em Sua Palavra para O conhecermos.]
Certamente que o mandamento está proibindo o uso indevido do nome de Deus. Mas o nome de Deus, tanto aqui no livro de Êxodo quanto no restante da Bíblia é mais que somente uma palavra pela qual nós invocamos a Deus ou nos referimos a Ele.
O nome funciona, na verdade, também como uma revelação de quem a pessoa é. Podemos ver isso quando Jesus, conversando com o Pai em oração, disse:
João 17.6 “Manifestei o teu nome àqueles que me deste do mundo. Eram teus, tu os deste a mim, e eles têm guardado a tua palavra.”
João 17.26 “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.”
Os discípulos eram judeus e conheciam o nome Yaveh muito bem. Então, quando Jesus diz que mostrou o nome de Deus a eles e fez eles conhecerem o nome de Deus estava dizendo que “revelou a eles quem o Deus Pai é”.
Da mesma maneira, quando o salmista diz no Salmo 20.7 que “nós confiamos no nome do Senhor”, ele está dizendo que confiamos no próprio Deus.
Basicamente, não é possível citar o nome de Deus sem se referir ao próprio Deus.
Portanto, não é somente o nome Yaveh que está proibido de usar indevidamente. É necessário usar com respeito todas as outras referências a Ele, como “Deus”, “Senhor”, “meu Pai”, “Jesus” e qualquer menção ao ser de Deus, sua autoridade e seus atributos, porque respeitar o nome de Deus é respeitar ao próprio Deus.
E isso nos leva ao que é proibido por esse mandamento.
Não devemos representá-Lo falsamente (שָּׁ֑וְא)
[Desenho: ]
A expressão “em vão” (שָּׁ֑וְא), remete à vazio, falso, enganoso. Ela é usada para se referir a testemunhos mentirosos (Ex 23.1) e juramentos falsos usando o nome de Deus (Lv 19.12), mas também para se entregar à coisas sem valor (Sl 24.4) e viver sem fidelidade a Deus (Is 1.13).
Somando tudo
Então, o que mandamento está proibindo?
O terceiro mandamento diz que tomar o nome de Deus em vão é representar o Deus verdadeiro de maneira falsa. Ou, em outras palavras, o mandamento proíbe que o povo de Deus carregue a identidade de Deus de maneira incompatível com quem Ele é.
Isso significa que o terceiro mandamento não é quebrado apenas pela boca. Ele pode ser quebrado pela vida inteira.
Então esse mandamento proíbe usar o nome de Deus em piadas? Sim. Fazer juramentos usando o nome de Deus, mas não cumprir? Também. Usar o nome de Deus de forma banal, leviana? Claro que sim.
Mas, além dessas coisas, proíbe também viver um estilo de vida que desonre a Deus (carregamos o seu nome!) e cultuá-lo de maneira hipócrita. Talvez essa seja a principal maneira que quebramos o mandamento (Rm 2.24).
Um crente pode passar a vida toda sem blasfemar, sem jurar falso e sem usar o nome de Deus da mesma maneira que o ímpio usa um palavrão. Mas se o cristão vive de uma maneira que faça o descrente desprezar a Deus, então ele está quebrando este mandamento.

v.7 - “Não tome o nome do Senhor, seu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”

Já na segunda parte do mandamento há um alerta interessante.
Deus leva a sério
Dissemos no início que parece que este mandamento é tratado como menos importante, até pelos crentes.
Parece que alguns pensam que é exagero você ensinar para seus filhos que, nas brincadeiras deles, eles não devem citar o nome de Deus.
Lembro de uma época em que, por influência de uma personagem de novela, as pessoas citavam o bordão “Jesus, apaga a luz” para qualquer situação. Era para ser uma expressão engraçada e, de fato, muitos usavam esta expressão no dia a dia sem qualquer reverência ou pensamento em Jesus Cristo. Até mesmo evangélicos.
O mundo realmente trata o nome de Deus como algo comum, sem valor especial, mas o mandamento foi dado para o povo de Deus, para que nós saibamos como é viver na presença dele.
É uma tendência nossa não achar isso tão grave. Mas o mandamento diz que sim, é muito sério. Mesmo que todos se sintam inocentes quando “apenas” citam o nome de Deus, Ele não vê inocência nisso.
Construindo uma boa relação
Mais que proibir o mal uso de seu nome, esse mandamento visa criar em nós uma melhor consciência de quem Deus é.
Para entender, vamos formular o mandamento de forma positiva. Se você lesse “Tome o nome de Deus de forma reverente e séria” o que você pensaria? Que motivos você teria para obedecer? Por qual razão você respeita o nome de uma pessoa que você gosta (como seu pai ou sua mãe)? Quando você gosta de alguém, você só não ofende ou você busca honrar essa pessoa?
Percebe? Quem ama alguém não procura apenas evitar ofendê-lo; procura honrá-lo.
O 3º Mandamento vai além de impedir a gente de desonrá-Lo. O 3º Mandamento existe também para formar em nós um coração que tenha prazer em honrá-Lo.
E Jesus vai além, porque o objetivo de Deus em se revelar a nós, revelar seu Nome a nós, é que experimentemos o profundo amor dele.
João 17.26 “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.”

Como viver o 3º Mandamento

Se esse mandamento exige representar Deus perfeitamente, então já sabemos o problema: nenhum de nós consegue. Então, como faremos para obedecer este mandamento? A resposta não está em nós, mas em Cristo Jesus.
O Senhor é o único ser humano que viveu esse mandamento perfeitamente. Ele nunca tomou esse nome em vão. Ele revelou o Pai de maneira plena e exata (Jo 14.9; Hb 1.3). Por isso Ele nunca blasfemou. Por isso Ele nunca jurou falsamente. Por isso Ele nunca envergonhou o Pai.
Ao contrário,
João 17.4a “Eu te glorifiquei na terra (...)”
Ele viveu o principal objetivo do mandamento, pois sua vida revelou perfeitamente quem Deus é.
Agora nós somos representantes de Jesus Cristo.
Somos chamados de cristãos (At 11.26), de seus embaixadores (2Co 5.20) e de seus amigos (Jo 15.13-15), então amá-Lo e devemos respeitar seu nome.
Devemos amá-Lo.
Ele libertou os israelitas da escravidão no Egito. Cristo nos libertou da escravidão do pecado. Deus nos fez seu povo e nos chamou pelo seu nome.
Fomos salvos e agora Ele quer que vivamos como quem é amado por Ele.
Claro que isso significa que devemos vigiar nossa boca e pensar como usamos o nome de Deus. Mas significa primeiro que somos chamados a honrar e amar a Deus,
tanto com nossa boca
usando o nome dele com seriedade
dizendo o que é correto sobre Ele
sem dizer coisas que Ele não disse (“Deus mandou eu dizer...", "Deus me revelou...", "Foi Deus quem me mostrou...")
como com nossa vida
buscando-O com sinceridade em oração e leitura da Palavra
buscando a comunhão com Deus e com os irmãos
obedecendo-O.

Conclusão

E antes de terminarmos, pense em algo que, com certeza, não é apenas coincidência: quando Jesus Cristo ensina os discípulos a orar, a primeira frase da oração é:
Mateus 6.9 “— Portanto, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;”
O 3ºMandamento nos diz para não fazer mau uso do nome de Deus. A “oração do Senhor” nos ensina a ir além e desejar que o nome Dele seja santificado.
O nome de Deus não deve ser tratado como comum. Deve ser tratado como santo, sagrado.
Mesmo que um descrente nunca pronuncie uma blasfêmia contra o nome de Deus, isso não quer dizer que ele está cumprindo o mandamento, porque o oposto de “tomar o nome de Deus em vão” é “adorar a Deus”.
Já você, que foi salvo por Cristo, recebeu esse grande privilégio. E o mundo conhecerá o nome de Deus não apenas pelo que dizemos sobre Ele, mas pelo modo como vivemos diante dele.
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