3. O que é uma Igreja Conciliar

Estudos da Fé Reformada  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Quer conhecer alguém? Dê poder a ele… Essa é uma frase muito conhecida, e muito bem aplicada quanto estamos falando sobre governo de Igreja. Não é incomum encontrarmos igrejas cujas “propriedade” é particular, que passa de família pra família. Será que esse é o padrão que Jesus espera para sua igreja?
Vejamos como eram governadas as igrejas do novo Testamento

I. Liderança Plural no Novo Testamento

1. O exemplo apostólico

Atos dos Apóstolos 1.15–26 ARA
15 Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembleia de umas cento e vinte pessoas) e disse: 16 Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, 17 porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. 18 (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniquidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; 19 e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.) 20 Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo. 21 É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, 22 começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. 23 Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. 24 E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido 25 para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. 26 E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.
Os apóstolos entendiam a importância da liderança plural, ao ponto de encontrarem a necessidade de substituir Judas para o corpo da liderança estar completo.
A questão foi levantada por Pedro, mas quem deliberou sobre foi os irmãos, cerca de cento e vinte pessoas.

2. O exemplo de Paulo

Atos dos Apóstolos 14.19–28 ARA
19 Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto. 20 Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu, com Barnabé, para Derbe. 21 E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, 22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. 23 E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido. 24 Atravessando a Pisídia, dirigiram-se a Panfília. 25 E, tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália 26 e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. 27 Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. 28 E permaneceram não pouco tempo com os discípulos.
Paulo em suas viagens missionárias, permanecia tempo suficiente pra discipular pessoas, organizar igrejas e eleger presbíteros para elas.
Repare que a eleição de presbíteros vem no plural.
Provavelmente era um colegiado de Presbíteros.
As Cartas provam isso de maneira fácil:
Filipenses 1.1 ARA
1 Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos,
Tito 1.5 ARA
5 Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:
1Timóteo 4.14 ARA
14 Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério.

II. O Concílio de Jerusalém

Atos dos Apóstolos 15.1–35 ARA
1 Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos. 2 Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. 3 Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. 4 Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles. 5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés. 6 Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. 7 Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. 8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. 9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. 10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? 11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram. 12 E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. 13 Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras: 14 expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. 15 Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: 16 Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. 17 Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, 18 diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos. 19 Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, 20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. 21 Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados. 22 Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos, 23 escrevendo, por mão deles: Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cilícia, saudações. 24 Visto sabermos que alguns [que saíram] de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma, 25 pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26 homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas. 28 Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: 29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde. 30 Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. 31 Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido. 32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram. 33 Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz aos que os enviaram. 34 [Mas pareceu bem a Silas permanecer ali.] 35 Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor.
Havia um problema v.1
Paulo e Barnabé resolvem levar o problema para Jerusalém v.2
Instaura-se um concílio pra examinar a questão v.6
Ouve-se os relatos de Pedro, Paulo e Barnabé v.8-12
Discutem a questão a luz da Bíblia v.15-18
Emitem uma decisão em conjunto v.22-28
Daí surge o paradigma pra Igreja se reunir em conjunto afim de tomar decisões importantes.

III. Concílios ao longo da História

Antes da instituição de Roma, a igreja era quase conciliar. Haviam alguns concilios convocados periodicamente para dirimir sobre questões importantes, geralmente pelos governantes do Estado. Entretanto, a autoridade não era centrada em uma pessoa, mas sim, no concílio.
A partir do Século 10, o papado é instituido como autoridade maior da Igreja, sujeitando os concílios da ICAR a sua autoridade.
No século 16(1517), Após a ruptura com Roma, Lutero não desenvolveu uma doutrina sobre o governo da Igreja. As coisas foram pensadas conforme foram acontecendo dentro do movimento Luterano.
Calvino foi quem organizou a Eclesiologia Reformada. Em Genebra, ele instiuiu o documento “Ordenanças Eclesiásticas 1541 que tinha como propósito organizar a liderança e a disciplina eclesiástica. É neste documento que Calvino organiza a liderança da igreja, e a divide em Pastores, Mestres, Presbíteros e Diáconos. Juntos os pastores e os presbíteros governavam a igreja e a cidade, reunindo-se uma vez por semana. Também havia uma reunião de Pastores trimestral para avaliação e disciplina destes. Os mestres eram responsáveis pelo ensino. Calvino em breve fundaria uma universidade sob cuidados destes mestres. Já os diáconos eram responsáveis pelo hospital de Genebra, pelas arrecadações e pelo cuidado dos pobres. Dessa organização surge o termo Presbiterianismo, fundamentando que o poder reside em Cristo, e ele delega aos seus representantes reunidos em concílio.
Em 1560, Jonh Knox, discipulo de Calvino publica o Primeiro Livro de Disciplina, da igreja Reformada Escocesa, organizando os concílios regionais.

IV. Porque a liderança plural se faz necessária?

Porque Cristo Jesus é o único cabeça da igreja.
Colossenses 1.18 ARA
18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,
Efésios 1.22–23 ARA
22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
Logo, cremos que pelo seu espírito ele separa pessoas para governa-la e abençoa esse governo, conduzindo-o segundo a sua própria vontade.
Enquanto o lado reformado se organizava cada vez mais de forma conciliar, em 1870 Roma publica o dogma “Pastor Aeternus”, que diz “que o Papa, quando exerce plenamente seu ofício magisterial supremo, ensina sem possibilidade de erro em matéria de fé e moral, assistido sobrenaturalmente pelo Espírito Santo. A infalibilidade é aplicada exclusivamente quando o Papa fala ex cathedra — expressão latina que significa “a partir da cátedra (cadeira)”, isto é, em virtude de sua autoridade como sucessor de São Pedro, definindo uma doutrina a ser crida por toda a Igreja.”

V. Síntese dos tipos de governo

1. Conciliar

É um governo administrado por um concilio eleito pela igreja local.
É nas reuniões dos presbíteros que são tomadas todas as decisões em conjunto.

Base Bíblica: Atos 15

No modelo Presbiteriano, ocorre da seguinte forma:
Conselho local - 3 em 3 Meses
Presbitério Regional - 6 em 6 Meses
Sinodo Regional - 2 em 2 anos
Supremo Concilio - 4 em 4 anos

2. Congregacional

É um governo administrado por toda a igreja local.
As decisões são tomadas por toda a igreja junta, reunida em assembleia.
Base Bíblica: Atos 1
No modelo congregacional, as igrejas são autonomas, reguladas somente por uma convenção regional, quando são afiliadas a ela.

3. Episcopal

É um governo administrado por um homem.
As decisões são tomadas por este único homem.
É o modelo de Roma, que embora reúna concílios, a autoridade final vem do papa.
Pergunta para reflexão:
Com base no Novo Testamento, procure uma base bíblica pra sustentar a forma de governo Episcopal.
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