DEUS, O ÚNICO DIGNO DE LOUVOR
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DEUS, O ÚNICO DIGNO DE LOUVOR
DEUS, O ÚNICO DIGNO DE LOUVOR
Introdução:
Em um reino distante, um grande rei venceu uma guerra que salvou toda a nação. Quando voltou à capital, o povo saiu às ruas cantando e celebrando sua vitória.
No meio da multidão, um homem começou a aplaudir o cavalo do rei: — "Que animal extraordinário! Sem ele, nada disso teria acontecido!"
Outros passaram a elogiar a espada: — "Foi esta espada que conquistou a vitória!"
Alguns admiravam a armadura: — "Vejam como ela é magnífica!"
Então, um velho sábio perguntou: — "Quem venceu a batalha e trouxe salvação a toda a nação: o cavalo, a espada e a armadura... ou o rei que os conduziu?"
Todos ficaram em silêncio. Perceberam que os instrumentos tinham seu lugar, mas nenhum deles era digno da honra que pertencia unicamente ao rei que os salvou. Da mesma forma, na vida cristã, muitos crentes dirigem sua admiração às bênçãos, aos dons ou até aos servos de Deus. Mas todo louvor pertence Àquele que é o Autor da nossa salvação: Deus.
Lição: O louvor pertence unicamente a Deus, o Autor da salvação.
Texto: Romanos 16.25-27.
Quero apresentar três razões para o louvor eterno a Deus neste texto:
Deus é quem nos firma por meio do Evangelho.
Esse trecho final de encerramento da carta de Paulo aos romanos é o que chamamos de "doxologia". Doxologia significa declaração de louvor a Deus. Paulo louva Àquele que nos confirma, ao único Deus sábio e Àquele que é digno da glória eterna. Ele não só louva, mas convoca todos os salvos a louvar o Deus que providenciou a nossa salvação.
Pode parecer estranho para nós ele falar de uma forma como se existissem outros deuses (por exemplo, "ao Deus único"). Mas isso não soará estranho se entendermos a variedade de deuses do mundo greco-romano. O que ele quer deixar claro é que, diante daqueles muitos deuses (falsos), só um é verdadeiramente Deus (Jeová).
A conjunção "ora" indica as palavras finais de Paulo. Ele começa exaltando Deus, que pode firmar os Seus: "àquele que é poderoso para vos confirmar..."
“Ser poderoso” quer dizer que Deus é capaz de fazer. Paulo já deixou claro nesta carta que Deus pode sustentar o fraco na fé (Romanos 14.4).
O que ele está dizendo aqui é que Deus pode confirmá-los. "Confirmar" tinha o sentido principal de fixar algo para que permanecesse firme e seguro. Um exemplo disso é uma estaca de uma tenda ou um prego. O sentido aqui é figurado: fazer com que alguém seja fortalecido, de forma que fique mais firme e mais constante em sua crença e atitude. Paulo está dizendo que Deus é poderoso para firmá-los na fé.
O que isso nos ensina? O que isso quer dizer para nós? Isso quer dizer que não somos nós que nos firmamos na fé, mas que é Deus quem nos firma na fé. Nossa firmeza na fé vem de Deus. Ele faz isso por causa da Sua fidelidade e da Sua graça (2Tessalonicenses 3.3; 1Pedro 5.10).
Deus pode nos firmar e faz isso por meio do evangelho: "segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos". O evangelho, a pregação de Jesus Cristo e a revelação do mistério são a mesma coisa.
O evangelho são as boas-novas de salvação (mostradas em Romanos 1–8).
A pregação de Jesus Cristo se refere à pregação sobre Jesus Cristo.
A pregação de Jesus Cristo é uma definição a mais do evangelho. Ou seja, o evangelho é a pregação sobre Jesus Cristo. Paulo está dizendo assim: "segundo o meu evangelho, isto é, a pregação de Jesus Cristo", ou "segundo o meu evangelho, sim, a pregação de Jesus Cristo". A igualdade entre elas fica clara em 1Coríntios 15.1-4 e em 2Timóteo 2.8 (ver também Romanos 15.19; 2Coríntios 9.13; 10.14).
A revelação do mistério é um segredo revelado.
A palavra grega para revelação é apokalypsis. O significado de Apocalipse é revelação (Apocalipse 1.1). A ideia é de algo que se tornou plenamente conhecido ou manifestado.
Já mistério se refere a um segredo, algo escondido, secreto, oculto, ou seja, algo que não se conhece (exemplo: 1Coríntios 15.51). O que precisamos entender é que segredo é esse. O segredo era que um dia Deus incluiria os gentios no Seu plano de salvação por meio de Cristo (Romanos 11.25; Efésios 3.3-9; Colossenses 1.26-27). A Igreja já existia no plano eterno de Deus, mas, com a rejeição de Israel a Cristo, Deus passou a tratar, temporariamente, com a Igreja, constituída de gentios e judeus, tornando conhecido o Seu plano no tempo presente.
No Antigo Testamento, mais especificamente antes do Pentecostes (quando nasce a Igreja), a salvação dos gentios era por meio de Israel; agora, neste tempo em que estamos vivendo (a dispensação da Igreja), a salvação dos judeus é por meio da Igreja.
Esse mistério é chamado, no Novo Testamento, de mistério de Cristo (Efésios 3.4; Colossenses 4.3), de mistério do evangelho (Efésios 6.19), de mistério de Deus (Colossenses 2.2), de mistério da fé (1Timóteo 3.9), de mistério da piedade (1Timóteo 3.16) e de mistério do reino de Deus (Marcos 4.11).
Paulo apresenta três características da revelação do mistério:
A revelação do mistério estava "guardada em silêncio nos tempos eternos".
Deus guardou consigo mesmo, em silêncio, desde os tempos eternos, a dispensação da Igreja e o evangelho. Já havia passagens proféticas no Antigo Testamento que profetizavam sobre o evangelho, mas o conhecimento pleno dele se deu na revelação de Deus no tempo presente.
A revelação do mistério “se tornou manifesto”.
A revelação do mistério “foi dado a conhecer”.
As expressões "se tornou manifesta" e "foi dada a conhecer" são praticamente sinônimas e querem dizer que Deus manifestou, que Deus deu a conhecer o mistério do evangelho que esteve guardado em silêncio desde os tempos eternos.
Deus revelou Seu mistério "por meio das Escrituras proféticas". Ou seja, por meio das Escrituras (o Antigo Testamento), que foram escritas pelos Seus profetas.
O Antigo Testamento é tão importante para nossa vida cristã quanto o Novo Testamento. Ambos são importantes para o nosso crescimento espiritual. Foi por meio do Antigo Testamento que Deus revelou o evangelho.
É importantíssimo para o nosso crescimento espiritual ler, conhecer e meditar também no Antigo Testamento.
Se Deus não Se revelasse para nós, nunca conheceríamos o evangelho.
O fato de os profetas receberem a revelação divina e registrá-la por escrito se deu por ordem de Deus: "segundo o mandamento do Deus eterno" (Êxodo 17.14; 34.27; Isaías 30.8; Jeremias 36.2; Habacuque 2.2).
Qual foi o propósito de Deus revelar o evangelho? Paulo responde: "para a obediência por fé, entre todas as nações".
Nações pode ser traduzido por gentios. Ou seja, para a obediência por fé daqueles que não são judeus.
A obediência por fé quer dizer a obediência que vem da fé; Paulo já falou disso em Romanos 1.5; 15.18, e também vemos isso em Atos 6.7. A fé salva o pecador desobediente, conduzindo-o à obediência a Deus.
Isso significa que a fé salvífica é aquela que nos leva à obediência a Deus e que não existe obediência verdadeira e sincera sem fé. Se não há obediência a Deus, não há fé em Jesus Cristo.
O mesmo Deus que nos revelou o evangelho é o mesmo que pode nos firmar por meio do evangelho; por isso, o louvor eterno pertence unicamente a Ele.
Deus é o único Deus sábio.
“Ao único Deus sábio” pode ser traduzido por “ao único Deus, sábio” (ARC), ou “ao único e sábio Deus” (KJA), ou “A Deus, o único sábio” (católica), ou “ao único Deus sábio” (NVI). Creio que a tradução da NVI seja a melhor. Como já falei, isso não quer dizer que exista outro Deus, mas que, diante dos vários deuses daquela época, só Jeová era o verdadeiro e o único Deus.
O grandioso e maravilhoso plano eterno de salvação de judeus e gentios em Cristo Jesus foi orquestrado pelo único Deus sábio. A afirmação de Paulo é esplêndida, pois os falsos deuses não falavam, nem viam, nem ouviam, nem andavam, quanto mais tinham sabedoria.
Paulo está maravilhado com a sabedoria de Deus (Romanos 11.33).
Isso deve nos deixar maravilhados, espantados e também deve nos encher de gratidão por Ele nos ter incluído nesse plano salvífico em Cristo. Por essa razão, o louvor eterno pertence unicamente a Deus.
Deus é digno da glória eterna.
Paulo declara: “ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!” Ele declara que Deus é digno da glória eterna. Ele declara que devemos dar glória a Deus sempre.
Isso deve ser feito por meio de Jesus Cristo. Sem Jesus Cristo, não há como dar glória a Deus eternamente. Isso é óbvio porque, sem Jesus Cristo, não há relacionamento com Deus. Sem Jesus Cristo não há salvação. Sem Jesus Cristo não há uma gratidão sincera e verdadeira. Sem Jesus Cristo não há reconhecimento da grande obra salvífica de Deus. Sem Jesus Cristo não há como chegar a Deus.
Se tirarmos Jesus Cristo, esqueçamos a salvação, esqueçamos o perdão dos nossos pecados, esqueçamos a reconciliação com Deus, esqueçamos a filiação divina, esqueçamos a herança do reino de Deus, esqueçamos a esperança do céu; sem Jesus Cristo, só há choro e ranger de dentes no lago de fogo eterno.
Jesus Cristo é a pessoa mais importante da nossa vida. Ele é mais importante do que a mãe, o pai, o filho, a filha, o avô, a avó, o cônjuge, o namorado, a namorada... Sem Jesus Cristo não estaríamos aqui; sem Jesus Cristo, ainda estaríamos na miséria do pecado, ainda estaríamos debaixo da ira de Deus, ainda estaríamos sem esperança.
Para nós, Jesus Cristo é mais importante do que tudo: do que o trabalho, do que o prazer, do que o lazer, do que a família… Jesus Cristo é tudo que temos e é tudo em nossa vida.
Paulo conclui com um “Amém”. Amém significa “verdadeiramente”, “em verdade”. No fim de um discurso, significa: “assim é”, “assim seja”, “assim seja feito”. Após afirmar que Deus é poderoso para confirmá-los por meio do evangelho, outrora secreto e que Ele deu a conhecer, no tempo presente, para a salvação dos gentios, ele declara que ao único Deus sábio seja dada glória eternamente, por meio de Jesus Cristo, e conclui: “assim seja!”.
Reflexão:
A salvação eterna em Cristo Jesus é a coisa mais importante da nossa vida e é a grande razão do nosso louvor a Deus. Mas, para muitos crentes, a razão de louvar a Deus é apenas a riqueza, a saúde e as bênçãos materiais. Os crentes estão tão envolvidos com este mundo que esquecem para onde estavam indo (inferno) e para onde estão indo agora em Cristo (céu).
Se focarmos nas bênçãos materiais, só louvaremos a Deus pelas bênçãos materiais; agora, se focarmos no que Cristo fez por nós na cruz, então louvaremos a Deus com gratidão pela maior bênção que nos deu: a salvação eterna em Cristo.
Na mente de Paulo está constantemente a imagem da obra salvífica de Deus em Cristo por nós. Na mente de muitos crentes está constantemente a imagem do mundo e de seus prazeres. A imagem que deve estar constantemente na nossa mente é a obra salvífica de Deus em Cristo por nós. Isso nos levará à gratidão verdadeira e ao louvor sincero a Deus.
Aplicações:
Devemos buscar constantemente o evangelho; nossa firmeza e fortalecimento se encontram nele.
Devemos reconhecer a grandiosidade do plano eterno de salvação de Deus e ser gratos por Ele nos incluir nele.
Não fomos nós que conhecemos o evangelho; foi Deus que o tornou conhecido a nós.
Louvemos a Deus com gratidão de coração; temos o maior motivo para louvá-lo: a salvação em Cristo.
Dêmos o louvor a quem é devido, como diz o salmista: “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Salmo 115.1)
Conclusão:
O louvor não pertence às nossas obras, nem aos nossos dons, nem mesmo à nossa sabedoria, nem ainda à nossa fé ou mesmo à nossa firmeza e perseverança, mas unicamente a Deus, o Autor da nossa salvação. Deus é o autor da nossa salvação; portanto, somente Ele merece o nosso louvor. Amém!
1. Esta palavra significa “ordenança”, “disposição”, “ordem” ou “estatuto”.
2. Na LXX denota as ordenanças de Deus em
