A vida pela Fé
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Transcript
Gl 3.11-14
Gl 3.11-14
Introdução:
Em nossa última mensagem, refletimos sobre o caminho perigoso da “justificação pelas obras da Lei”. Nela, expusemos que aqueles “da lei” esperavam uma salvação baseada em seus próprios méritos. Contudo, como o próprio texto demonstra — e como também percebemos ao observar nossa natureza — não conseguimos permanecer, em todo o tempo, obedecendo perfeitamente à Lei.
A Lei exige perfeição. Mas somos nós perfeitos? Não! Somos falhos e incapazes de atender às suas altas exigências. Assim, Paulo mostra que essa impossibilidade conduz todos aqueles que confiam na observância da Lei a um caminho distante do Senhor.
Abraão já havia demonstrado o que, de fato, agrada a Deus. E, ao citar Habacuque, Paulo reforça ainda mais o argumento desenvolvido neste capítulo.
Desenvolvimento:
Verso 11-12
Não precisamos ir muito longe para compreender isso no próprio texto. A palavra “evidente”, utilizada por Paulo, é uma forte afirmação dirigida àqueles que ainda tinham dúvidas quanto à fé como o meio de agradar ao Senhor.
Com o argumento de Abraão já estabelecido, Paulo agora fortalece ainda mais sua linha de raciocínio.
Perceba que o ato de justificar, apresentado no texto, não está baseado na Lei — isso é evidente, como o próprio apóstolo afirma. Mas, então, como isso ocorre? Lembre-se de Abraão: a justiça de Deus vem por meio da fé.
Tanto em Abraão quanto em Habacuque, vemos homens vivendo contra as circunstâncias. Abraão aguardava o cumprimento da promessa de um filho, algo que contrariava todas as possibilidades humanas.
Habacuque, por sua vez, vivia em meio a um povo perverso que seria levado cativo; ele clama por justiça, mas Deus responde utilizando ímpios como instrumento.
Diante disso, surge a pergunta: como permanecer crendo em cenários tão desfavoráveis? Pela constância da fé.
A fé apresentada em Habacuque carrega a ideia de fidelidade — algo contínuo e perseverante.
Assim, Deus, por meio de Paulo, nos chama a permanecer firmes no caminho do Senhor, mesmo quando tudo parece contrário aos olhos humanos.
Essa fé que temos se expressa na confiança que sustenta nossas ações. A fé é, de fato, um instrumento de Deus que nos capacita a perseverar.
Foi essa confiança no Senhor que levou Abraão a continuar crendo, mesmo após anos aguardando o cumprimento da promessa de Isaque.
Pense também em Habacuque: enquanto muitos profetas cumpriam seu ministério, o povo continuava correndo para o “abismo do pecado”, sem considerar as consequências.
Diante disso, o profeta se levanta e clama ao Senhor para que a situação mude. A resposta, porém, não foi a que ele esperava; ainda assim, ele exorta seus leitores a esperar em Deus.
Da mesma forma, essa espera em fé deve estar presente em nossas vidas.
A vida que Deus espera de seus servos é uma caminhada de fé que persevera, apesar das pedras no caminho.
A vida, nesse sentido, está qualificada pelos passos eternos do Reino de Deus.
Já a Lei, em outro nível, não concede vida no sentido da justificação diante de Deus, mas apenas descreve um padrão de obediência.
Paulo parece trabalhar essa distinção em Gálatas 3.11–12: entre viver diante de Deus pela fé ou buscar viver diante dele pela Lei.
Aqueles que se apoiam na Lei podem até sustentar uma vida exterior de religiosidade, mas isso não produz a vida que Deus promete no pacto.
Contudo, a vida que ultrapassa esta realidade é recebida somente por meio da fé em Cristo. Ela está ancorada no sacrifício do Senhor na cruz pelos seus.
Verso 13-14
Ainda que permanecêssemos vivos, um dia ainda prestaríamos contas diante de Deus. Diante dessa realidade, o que poderíamos fazer? A Lei não pode nos justificar; ela apenas evidencia nossa incapacidade. Por isso, por nós mesmos, resta apenas a condenação já implícita nesse caminho.
Contudo, Cristo nos redime desse destino. Como Paulo afirma em Colossenses 1.13, fomos resgatados do domínio das trevas e transportados para o Reino do Filho. É por meio de Cristo que esse destino de condenação é rompido.
A maldição que recai sobre os que se apoiam na Lei só pode ser solucionada pelo sangue de Cristo. O erro, portanto, está em persistir nos mesmos métodos e tentar “ajudar” Jesus a realizar a nossa salvação — algo que não é necessário, pois Ele já consumou plenamente a obra.
Cristo já pagou, com o seu sangue, a nossa dívida diante de Deus, para que possamos viver, desde agora, a liberdade da fé.
Essa verdade já podia ser percebida de forma antecipada nos profetas e no patriarca Abraão. As sementes estavam ali desde o início, mas agora a árvore está plenamente revelada diante de nós em Gálatas.
Como observa Grant Osborne, “o ponto central é que Cristo assumiu em nosso lugar não apenas a execução da cruz, mas também a maldição que a crucificação representava”.
Nós é que éramos os transgressores diante da Lei, mas o Senhor tomou o nosso lugar e recebeu, de forma injusta, as acusações que nos pertenciam.
Assim, a maldição da Lei foi removida de todos os que creem nele.
O caminho para a justificação não passa pela observância integral da Lei — algo impossível para nós —, mas pela fé naquele que foi perfeito em nosso lugar. Seu sangue é suficiente e está sobre todos os que lhe pertencem pela fé.
Esse caminho tão doloroso, à primeira vista, não parece corresponder ao modo como Deus cumpriu a promessa de bênção feita a Abraão em Gênesis 12. Contudo, é exatamente em Cristo que essa promessa alcança sua plenitude, ultrapassando as barreiras étnicas.
Isso é o que vemos em Gálatas 3.14. Por meio do sacrifício do Senhor Jesus, recebemos a redenção dos nossos pecados e o dom do Espírito Santo, que é o selo e o marcador espiritual de todos os que pertencem a Deus e aguardam o seu Reino.
A terra seca da qual os profetas, como Isaías, falavam aponta para a condição espiritual do povo: pessoas necessitadas da água viva que somente Cristo poderia oferecer.
Agora, em Cristo, não apenas somos saciados, mas recebemos a presença permanente do Espírito em nós.
Não somos mais um povo sedento e sem pastor, mas agora somos habitados pelo Deus eterno e Todo-Poderoso, que nos redimiu da maldição que estava sobre nós.
Conclusão:
A fé nos redime e nos liberta da nossa condição de nascimento. Não nascemos livres; a liberdade foi conquistada pelo Senhor e é recebida por nós mediante a fé.
Abraão ainda será retomado no texto, e a pergunta que permanece é: o que Paulo ainda quer nos ensinar ao citá-lo? Isso veremos em outra oportunidade, se Deus permitir.
