O Reino de Deus Chegou.

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Marcos 1.14-15
Introdução: Se você pudesse voltar atrás e fazer tudo de novo, o que faria de diferente?
Algumas pessoas podem responder a essa pergunta dizendo: "nada, eu faria tudo exatamente do mesmo jeito". É sério isso? É sério que você não tem nada para mudar? Nada para corrigir? Certamente o pensamento cristão é outro, pois, inevitavelmente, existem palavras que queríamos desdizer ou decisões tomadas que tomaríamos diferente se tivéssemos outra oportunidade. Isso acontece por causa da nossa necessidade de arrependimento. É justamente sobre essa temática que Jesus vai falar neste texto. Tanto a pregação de Cristo quanto as dos apóstolos e de seus discípulos foram sempre acompanhadas dessa mensagem de arrependimento e fé. Essa era sempre a pergunta que as pessoas faziam ao ouvir a mensagem do Evangelho: "o que devemos fazer?". Jesus, os apóstolos e os discípulos responderam dizendo: "arrependa-se e creia no Evangelho!". É necessário pregarmos o Evangelho, e pregá-lo implica em anunciar duas doutrina centrais: arrependimento e fé.
Tema: O Reino de Deus Chegou.
V. 14 – O tempo da chegada do Reino
Jesus estava na Galileia e depois seguiu para a região do deserto onde João batizava, local onde foi batizado pelo profeta no rio Jordão. Na sequência, foi levado para o deserto mais inóspito e, por sua vez, retorna agora para a Galileia, onde irá iniciar seu ministério. O evangelista Marcos mudou subitamente o cenário, saindo do deserto para o início do ministério de Jesus Cristo e a sua pregação.
João foi preso, e Jesus aguardava esse marco providencial para dar início ao seu ministério público. A prisão do profeta se deu por causa de suas denúncias contra a vida imoral de Herodes, governador da Galileia, que havia se casado com a esposa de seu irmão Filipe (Mt 14.3-12). Mas é importante lembrar que Jesus teve um período anterior a esse, no qual exerceu um ministério na Judeia em paralelo com João Batista (Jo 3.22-24).
De modo que, entre o versículo 13 e o 14, nós temos o intervalo de mais ou menos um ano. Os acontecimentos que Marcos não narra aqui, mas que são registrados detalhadamente pelo apóstolo João, são:
O Testemunho Público de João e os Primeiros Discípulos (Jo 1.19-51): João Batista aponta para Jesus como o "Cordeiro de Deus" que tira o pecado do mundo. André, João, Simão Pedro, Filipe e Natanael encontram-se com Jesus perto do Jordão e seguem ao Rei.
O Primeiro Milagre em Caná (Jo 2.1-12): Jesus transforma água em vinho em um casamento, manifestando pela primeira vez a Sua glória aos discípulos antes de descer para Cafarnaum.
A Primeira Purificação do Templo (Jo 2.13-25): Jesus sobe a Jerusalém para a Páscoa e expulsa os cambistas. Nota: os Sinóticos narram apenas a purificação da última semana da Paixão.
O Encontro com Nicodemos (Jo 3.1-21): Em Jerusalém, Jesus instrui Nicodemos sobre a necessidade do novo nascimento.
Ministério Paralelo de Batismo (Jo 3.22-36): Jesus e Seus discípulos passam um período batizando na Judeia, enquanto João Batista continuava seu ministério em Enom, perto de Salim. É aqui que João dá seu último testemunho: "Convém que ele cresça e que eu diminua".
A Mulher Samaritana (Jo 4.1-42): Ao deixar a Judeia em direção à Galileia (exatamente a viagem que Marcos resume no v. 14), Jesus passa por Samaria, evangeliza a mulher junto ao poço de Jacó e passa dois dias pregando naquela cidade.
Marcos, contudo, não foca neste começo na Judeia; ele se importa com o ministério na Galileia, e foi nesta região que Jesus passou a maior parte do seu ministério.
Sim, João tinha um papel claro no plano divino e, assim que cumpriu seu papel de precursor e foi encarcerado, Jesus deu início ao seu ministério nesta região.
Com João detido, o momento de começar o ministério público chegou. Jesus aparece publicamente pregando o evangelho de Deus, indo de povoado em povoado, de aldeia em aldeia, sempre passava pelas sinagogas pregando, levando as boas novas de Deus.
Mas será que seria uma mensagem diferente daquela que João pregava? A resposta é não. Era a mesma mensagem, mas o mensageiro mudou. Não era mais João; eis que surge quem é maior do que o precursor e os profetas, agora chegou o Cristo, o Filho de Deus, o Deus encarnado. Jesus Cristo, o próprio Deus, percorreria a Galileia pregando o Evangelho.
V. 15 – O conteúdo da mensagem do Reino
A palavra tempo é kairos . Ele não se refere ao tempo do relógio ou tempo de calendário (como a palavra grega chronos faz), mas fala do ponto fixo na história para um evento a ocorrer. Como Paulo explicou em Gálatas 4.4: "Quando a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho" (cf. Ef 1.10.). O ministério de Jesus teve lugar de acordo com o calendário soberana de Deus. Esta foi a hora em que o mundo tinha sido há muito tempo de espera; foi o momento mais significativo na história da Terra. O Salvador tinha chegado para pagar integralmente a pena para o pecado e, assim, proporcionar a salvação para todos os eleitos, desde o início da história até o fim.
O tempo está cumprido, ou seja, aquilo que Deus determinou, planejou e arquitetou se cumpriu. Inclusive a prisão de João estava perfeitamente integrada a esse plano divino.
Augustus Nicodemus comenta: “O reino de Deus significa o governo do Senhor sobre aqueles que se submetem humilde e voluntariamente à sua soberania, verdade e amor. Embora o reino de Deus e a igreja sejam praticamente sinônimos, o reino é mais extenso, pois também se refere ao governo de Deus sobre todas as coisas.”
Desse modo, com a chegada de Jesus Cristo, o Reino de Deus é inaugurado. O Rei deste reino chegou. Jesus, em sua vida, morte, ressurreição, ascensão aos céus e posterior derramamento do seu Espírito, indica que o seu Reino foi estabelecido. Jesus é o atalaia de Deus que trouxe a mensagem, o evangelho, as boas novas de salvação; portanto, o Reino de Deus chegou.
Jesus disse que o Reino de Deus está próximo. O Reino estava próximo porque o próprio Jesus se encontrava ali, perto deles. Não era no sentido de tempo cronológico, mas de proximidade física daqueles que estavam ouvindo a mensagem. O Messias prometido estava diante de todos eles.
Por que está inaugurado? Porque o Reino já está em nosso meio, contudo, ainda não completamente; não está ainda em sua plenitude. O Reino somente chegará de forma consumada na segunda vinda do Rei, quando Ele voltará para reinar visivelmente sobre tudo e sobre todos. Por isso Jesus prega dizendo que está próximo; em outras passagens, afirma que já é chegado, ao passo que nos ensina, na oração do Pai Nosso, ensina a nós que peçamos: "venha o teu Reino".
Mas como podemos, então, entender melhor qual é a mensagem pregada pelo Rei do Reino, que foi entregue também aos discípulos e permanece como o conteúdo da mensagem cristã até os dias de hoje para que nós passemos adiante?
A pregação de Jesus consiste em uma dupla ordem: arrependimento e fé.
Não podemos cair no erro de dividir essas duas doutrinas.
O que Deus uniu não separe o homem.
O arrependimento e a fé são intrinsecamente unidos por Jesus.
Um depende do outro; portanto, o arrependimento sugere a fé e a fé sugere o arrependimento. Um não pode existir sem o outro. Sem dúvida, a pessoa que se arrependeu tem fé em Cristo, e ambos os movimentos acontecem ao mesmo tempo em sua vida. Não temos como separá-los: ao desviar-se do pecado em arrependimento, o indivíduo é convertido a Cristo em fé. Ao crer, ele se arrepende, e ao arrepender-se, ele crê.
Vejamos a definição do que se trata cada uma dessas doutrinas:
No sentido mais simples, o conceito de arrependimento, na Bíblia, significa “mudar a mente”
Arrependimento: A palavra usada para arrependimento é metanoia tem a ver com a mudança da mente de uma pessoa com relação ao seu comportamento, mas além da mente e do comportamento, também inclui as emoções.
Portanto, o verdadeiro arrependimento é uma transformação integral, completa e prática que Deus faz em nós, e envolve a mudança da mente para reconhecer o pecado, mudança do coração para se entristecer pelo pecado e dos passos para abandoná-lo em direção à santidade.
Fé: A fé bíblica pode ser definida como a segurança ou confiança do cristão de que aquilo pelo que espera é ou se tornará realidade e a convicção ou certeza de que aquilo que ele ainda não viu, na verdade existe. Isso com base em Hebreus 11.1.
Mas, como ter certeza do que cremos?
Abraão é um exemplo de fé do qual podemos tirar respostas a pergunta como ter certeza do que cremos?
1. Podemos estar seguros daquilo pelo que esperamos se Deus o tiver prometido em sua Palavra.
Deus prometeu a Abraão e cumpriu com suas promessas.
2. Podemos ter convicção de que as coisas que não vemos são reais porque Deus as revelou e no-las tornou conhecidas em sua Palavra.
Deus se fez conhecer a sua Palavra a Abraão e também a nós.
3. A falta de segurança quanto ao que Deus prometeu ou tornou conhecido em sua Palavra é incredulidade.
Se não cremos no que Deus diz, então isso é fruto de incredulidade. E tudo que não vem de fé é pecado.
4. A segurança quanto a algo que Deus não tenha prometido é presunção, arrogância.
Devemos crer apenas naquilo que Deus diz em sua Palavra, essas naquilo que Ele prometeu, suas promessas devem ser cridas.
5. A fé bíblica autêntica não se baseia em sentimentos, emoções, ou sabedoria humana, mas naquilo que Deus nos revelou em sua Palavra.
A fé verdadeira é um presente de Deus que nos faz parar de confiar em nós mesmos para confiar e descansar totalmente naquilo que Jesus fez por nós na cruz.
A ordem portanto de Cristo é essa: arrependa-se e creia.
Mas que tipo de ordem é essa? Ela é um mandamento a ser cumprido por nós.
Charles Spurgeon disse: “‘Arrependei-vos’ é uma ordem de Deus, tal como o mandamento de ‘não roubarás’ (Ex 20.15). ‘Crê no Senhor Jesus’ possui tanta autoridade divina como ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento’ (Lc 10.27).” E continua comentando: “O evangelho é um mandamento, é um mandamento que se explica em duas ordens: ‘arrependei-vos e crede no evangelho.’”
Mas eu já sou crente, já creio, e já me arrependi, isso não pra mim, é para os descrentes.
Engano seu.
John MacArthur complementa: “A fé e o arrependimento não são atos que fazemos apenas uma vez; você deve viver crendo e se arrependendo.”
Aplicações:
Como tudo isso acontece na prática? Segundo Spurgeon: “Um homem pode detestar e abandonar a si mesmo e, ao mesmo tempo, saber que Cristo é poderoso para salvar e o salvou. De fato, é assim que os verdadeiros cristãos vivem. Eles se arrependem tão amargamente de seu pecado como se soubessem que deveriam ser condenados por causa do pecado cometido, mas se regozijam tanto em Cristo como se o pecado não fosse nada. Isso é o arrependimento e a fé na prática.”
Aguardemos com fé a chegada definitiva do Reino de Deus. Existem sinais do Reino dos céus no nosso meio como igreja? Somos perdoadores ou guardadores de mágoas no coração? Somos amáveis e pacientes, ou arrogantes e irados?
Para participarmos do Reino de Deus, é indispensável o arrependimento e a fé. O Reino de Deus foi inaugurado por Cristo, e todo aquele que deseja passar do reino das trevas para o Reino do Filho do seu amor deve se arrepender e crer.
A salvação das pessoas ao seu redor: o quanto isso realmente importa para você? Será que realmente nos importamos com o fato de que nossos pais, filhos, irmãos, tios e amigos caminham para a perdição sem ouvir a mensagem da cruz através de nós? Talvez grande parte de nós não tenha se importado com isso. É verdade que muitos de nós estamos mais preocupados em obter uma boa formação, um emprego que nos proporcione uma excelente renda, uma casa confortável, ótima alimentação, saúde, lazer e férias. Queremos apenas viver em paz, sem nos preocuparmos muito com a eternidade — principalmente se tratando da eternidade dos outros. Essa postura é tão egoísta e carnal quanto os outros pecados que abominamos.
Se queremos realmente ser cristãos que vivem esta vida sob a perspectiva da eternidade, se realmente queremos impactar o mundo, precisamos dedicar-nos à pregação do Evangelho que ordena: "arrependa-se e creia". Para que as pessoas participem deste Reino, elas precisam arrepender-se e crer. Por isso não podemos alterar o conteúdo: a mensagem é a mesma, o Evangelho de Cristo. É isto que eu e você precisamos pregar para nossos filhos. Não se trata apenas do batismo — que é o sinal de entrada no Reino — ou de participar da Ceia — que é o outro sacramento do Reino — mas, sobretudo, devemos proclamar a mensagem da cruz, que brada: "arrependa-se e creia".
Conclusão: No início de nossa reflexão, perguntamos: "Se você pudesse voltar atrás, o que faria de diferente?". A resposta do Evangelho de Marcos para essa nossa angústia existencial não é um convite para construirmos uma máquina do tempo, mas sim para olharmos para o Rei que entrou no tempo: Jesus Cristo.
Você não pode apagar o seu passado, mas o Rei do Universo pode perdoá-lo e reescrever a sua eternidade. A ordem de Jesus hoje permanece a mesma de dois mil anos atrás na Galileia: "Arrependa-se e creia no evangelho".
O arrependimento nos faz olhar para trás e reconhecer nossa falência e egoísmo — incluindo o egoísmo de nos importarmos mais com o nosso conforto passageiro do que com a eternidade dos nossos familiares e amigos. A fé nos faz olhar para a frente, descansando na obra perfeita da cruz.
Não saia daqui hoje planejando apenas ser uma pessoa melhor ou focado em suas próprias ambições terrenas. Submeta-se ao governo desse Reino hoje. Arrependa-se de sua autossuficiência, creia nas Boas-Novas de Deus e viva, a partir de agora, como um embaixador dessa mensagem urgente e graciosa de salvação.
Que o Senhor nos conceda a graça de vivermos em constante arrependimento e fé, para a glória de Deus. Amém.
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