Exposição da Carta aos Romanos Influenciados, Mas Não Dominados

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Texto Bíblico: Romanos 7.14-25 
Grande Ideia: 
O pecado está presente na vida do crente sendo sempre uma má influência em sua vida, contudo, não exerce mais domínio nele graças a Jesus Cristo. 
Introdução: 
A carta aos Romanos tem como ideia principal de que o justo vive pela fé por isso Paulo não se envergonhava do evangelho porque ele é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê em Jesus Cristo independente de sua etnia - Romanos 1.16-17
Segundo Paulo toda a humanidade vive sob o mesmo patamar. Independentemente de serem religiosos ou não religiosos; moralistas ou não moralistas. Todos são pecadores e destituídos estão da glória de Deus - Romanos 3.23
Por mais bem intencionado que seja o homem é impossível que ele alcance a salvação por meio de seus esforços pessoais em cumprir a lei de Deus porque a lei do Senhor não tem o poder de salvar, mas sim de denunciar o pecado apontando para aquele que será o seu desfecho - a morte - uma vez que o salário do pecado é a morte - Romanos 6.23
Portanto, a lei deve ser usada como uma pedagoga que conduz o ser humano ao encontro transformador com Jesus Cristo. A lei com Cristo nos conduz da morte para a vida, mas a lei sem Cristo nos leva da miséria à morte eterna. 
Em nossa pregação em Romanos 7.14-25 consideraremos o drama vivido pelo crente regenerado, ou seja, o drama vivido por aquele que já experimentou a transformação operada pelo evangelho. Este foi justificado pela fé em Cristo sendo liberto da culpa e condenação do pecado assim como o pecado não tem mais poder legal sobre sua vida, contudo, ele ainda está presente e não se cansa de tentá-lo influenciá-lo a uma vida que destoa radicalmente da nova vida em Cristo. 
Grande Ideia:  
O pecado está presente na vida do crente sendo sempre uma má influência em sua vida, contudo, não exerce mais domínio nele graças a Jesus Cristo.  
Desenvolvimento:  
A Crise do Cristão Sincero (Rm 7.14-17 
Todo crente odeia o pecado e se entristece profundamente quando observa que agiu de modo contrário à palavra de Deus. Não há como se ter um comportamento diferente uma vez que ele é habitado pelo Espírito Santo. 
Paulo inicia seu argumento fazendo uma comparação entre a lei e o crente regenerado. Enquanto a lei é espiritual o crente é carnal, vendido à escravidão do pecado. 
O que Paulo queria dizer ao fazer essa comparação entre a Palavra de Deus e o crente regenerado? 
Anteriormente Paulo já havia afirmado que a lei do Senhor não é pecaminosa - Romanos 7.7 - e que não foi responsável por sua morte - Romanos 7.13, mas sim que ela é boa, justa e santa, contudo, foi terrivelmente usada pelo pecado que habita no ser humano. 
O crente regenerado ainda carrega resquícios da velha natureza humana que está em conflito com a nova natureza herdada em sua união com Cristo, ou seja, dentro do ser humano regenerado encontramos duas naturezas numa grande e intensa batalha. 
Quando Paulo fala a respeito da lei como espiritual ele quer dizer que a lei tem sua origem divina sendo, portanto, boa justa e santa, contudo ele é carnal, ou seja, alguém incapaz de seguir a lei por seus próprios esforços devido sua condição frágil moral e espiritual.  
O pecado é aqui ilustrado por Paulo como um senhor que ainda exerce um certo domínio sobre sua vida. Legalmente ele não é mais seu senhor devido sua união com Cristo, mas na prática ele ainda o influencia a agir de modo contrário à sua nova natureza em Cristo. 
Essa luta interior de Paulo o leva a fazer considerações paradoxais e extremamente complexas. É a crise vivenciada por todo cristão verdadeiro. Ele sabe a verdade, ama a verdade, mas se vê fazendo exatamente aquilo que odeia - Romanos 7.15
Hernandes Dias Lopes ao comentar esse texto faz uma afirmação muito importante: “Não somos o que sabemos; somos o que fazemos.” Apenas ter o conhecimento teológico não basta, ele precisa se tornar prático na vida. Paulo está sofrendo com isso porque em sua própria força ele não consegue transformar informação em mudança de vida. 
Uma vez que Paulo sabe que suas ações eram erradas automaticamente ele avaliava a lei do Senhor como boa. Sua conclusão era que o problema não era a lei denunciar seus erros, mas sim o pecado em sua vida que o levava a ferir a palavra de Deus.  
O modo como Paulo trata o pecado em sua vida é como se fosse uma pessoa que o empurra a fazer exatamente aquilo que desagrada a Deus. Infelizmente essa é a luta que todo o crente enfrentará ao longo de sua jornada aqui na terra. 
Nossa obediência à Palavra do Senhor jamais será plena porque ainda carregamos essa natureza pecaminosa em nosso interior. Achar que por nossos próprios esforços seguiremos obedecendo a Deus significa sabotar nossa própria peregrinação. Essa peregrinação somente logrará êxito em Cristo. Lembremos sempre que o justo vive de fé em fé, ou seja, a fé não é um instrumento que somente é utilizado no início da caminhada cristã, mas sim segue durante toda a peregrinação. 
A Autocrítica Diante da Fraqueza (Rm 7.18-21 
Não adianta começar bem a vida cristã e depois se atrapalhar achando que dá conta de vivê-la por seus próprios esforços. Precisamos fazer uma autocrítica diante de nossa fraqueza. 
É justamente isso que é feito por Paulo nos versos 18 a 21 da carta aos Romanos. Paulo afirma que em sua carne não habita bem nenhum. Lembremos que ele não está aqui falando de seu corpo, mas sim dessa natureza pecaminosa débil e corrupta que ainda permanece em seu interior mesmo após a sua união com Cristo. 
É paradoxal a experiência pessoal do apóstolo Paulo. Ele por um lado experimenta de uma vida regenerada, mas por outro lado ainda tem que conviver com a natureza pecaminosa. Em seu interior há o desejo em fazer o bem, mas na hora da prática ele simplesmente fracassa. 
O progresso na santidade jamais acontecerá enquanto não tivermos a coragem de fazer essa autocrítica diante de nossa fraqueza moral e espiritual. Quem tenta passar um pano nessa fraqueza ou mesmo justificá-la usando de argumentos humanos compromete o seu processo de santificação porque sempre tentará justificar seus erros quando deveria se arrepender e abandoná-los. 
Você tem buscado fazer essa análise introspectiva de sua vida? Essa consciência de nossa fraqueza é de suma importância para que entendamos da nossa necessidade de Cristo para seguirmos a vida em santidade. Seja em casa, na igreja, no trabalho, ou seja, em nossa vida cotidiana. 
A pessoa egocêntrica tem uma grande dificuldade de analisar sua própria vida. A religião pode criar pessoas egocentradas incapazes de fazer uma autocrítica honesta ao mesmo tempo que desferem golpes mortais em suas críticas sobre seus semelhantes. Todavia, é preciso olharmos mais para nós em comparação a Cristo e não ao nosso semelhante. 
Saber o que é bom não basta. É preciso tornar esse saber em uma atitude prática e isso não se dará simplesmente pela força de vontade do homem, mas sim pela fé em Cristo. 
Imagine um marinheiro buscando ancorar sua embarcação lançando a âncora no próprio navio. O fim será trágico uma vez que a âncora precisa ser lançada ao mar. A âncora de nossas vidas é a fé e o mar é Cristo e não nós mesmos. 
Todo o crente precisa honestamente chegar às mesmas conclusões do apóstolo Paulo registradas nos versos 19 a 21.  
Primeiramente precisa entender o grande conflito que se dá em seu interior entre o bem e o mal. Achar que porque somos crentes somente teremos pensamentos santos é de uma ingenuidade colossal porque vivemos nesse contexto tomado de contradições e paradoxos. 
Precisamos ter consciência de nossas próprias contradições assim como da escravidão do pecado. Ainda que saibamos que legalmente não pertencemos mais ao pecado porque somos de Cristo precisamos compreender que ele ainda está presente em nós com sua influência perversa que deve ser objeto de combate pela fé porque no que depender de nossa voluntariedade faremos o mal que não queremos e o bem que gostaríamos de fazer haveremos de falhar. 
Portanto, entenda meu irmão que o seu culto a Deus sempre se dará num ambiente de grande e intensa batalha espiritual. Seja o culto congregacional como o culto diário que você presta a Deus. Quem não conhece a Cristo não vive essa tensão, mas quem conhece a Jesus sabe o que é certo e se vê às vezes fazendo o errado e isso o incomoda grandemente.  
Querer jogar essa realidade para debaixo do tapete significa sabotar a santificação de sua vida. E sabotando sua santificação você compromete não apenas sua vida, como a de seus familiares, amigos, igreja e sociedade. Na verdade, você conspirará contra o Reino que tanto espera. É extremamente contraditório. Você pensa no destino glorioso, mas não se atenta para a integridade durante o percurso.  
O Clamor e a Resposta de Vitória (Rm 7.22-25 
Você pode ver até agora que o assunto apresentado por Paulo é extremamente tenso. Agora nesses versos finais de Romanos 7 observaremos o clamor do apóstolo e a resposta de vitória. 
Vimos anteriormente que Paulo fala de duas naturezas concorrentes em seu homem interior. Há a nova natureza em Cristo e a velha natureza adâmica que teimosamente persiste em sua vida tentando influenciar suas ações.  
Ele já percebeu que não tem poder em si de vencer essa velha natureza. Ele precisa de ajuda. E ele sabe muito bem que essa ajuda vem do Senhor. 
O drama vivido por Paulo é o drama de todo crente verdadeiro. Sua relação com a Bíblia é uma relação de amor ao mesmo tempo que é de inadequação. Ele sabe que a lei é boa, santa e justa, mas quando olha para si vê um pecador incapaz de cumprir essa lei. 
É certo que em nossa peregrinação jamais cumpriremos plenamente a lei do Senhor devido nossa natureza humana pecaminosa, mas isso não deve se tornar desculpa para uma vida relaxada porque em Cristo devemos buscar a ajuda para viver em conformidade com a lei. 
O clamor de Paulo por ajuda não se trata de um pedido desesperado, mas sim de um lamento de um crente regenerado que sabe que terá uma resposta do alto. Trata-se de um reconhecimento de que é impossível seguir uma vida santa sem Cristo. 
Paulo se vê amarrado a um corpo de morte que era a sua natureza pecaminosa. E o grande anseio de Paulo é um dia se ver livre desse corpo de morte e isso se dará no novo céu e nova terra onde todos os que creem estarão nas apenas livre de culpa, condenação e do poder escravizador do pecado, como também de sua presença de influência perversa. 
Paulo encerra esse clamor com um brado de vitória de um homem agradecido a Deus por Jesus Cristo. Em Cristo temos a condição de viver em santidade, ainda que não em sua plenitude durante nossa peregrinação e, em Cristo sabemos que um dia viveremos num novo habitat onde não mais experimentaremos a influência do pecado. 
Aplicações para a vida:  
Normalize a luta, mas nunca o pecado: Sentir a tensão entre o que você quer fazer (o bem) e o que acaba fazendo (o mal) não é sinal de que você não é um cristão verdadeiro; na verdade, é a maior prova de que o Espírito Santo habita em você. Quem está morto espiritualmente não briga com o pecado. Monitore sua dor: se o pecado ainda te entristece, há vida em você. 
Abandone o "Complexo de Super-Herói" espiritual: Pare de tentar vencer tentações arraigadas apenas com "força de vontade". A força de vontade humana é carnal e frágil. A vitória contra a influência do pecado exige uma rotina de dependência (oração, leitura da Palavra e comunhão), lançando a âncora em Cristo todos os dias, e não em nossas promessas de melhora. 
Pratique a vulnerabilidade na comunidade: Uma igreja cheia de pessoas egocêntricas que fingem não ter crises se torna um ambiente hostil. Precisamos criar ambientes seguros onde os irmãos possam confessar suas fraquezas sem o medo do julgamento hipócrita, sabendo que todos ali estão no mesmo campo de batalha. 
Conclusão:  
Em Romanos 7.14-25, Paulo descreveu a luta interna que existe no coração daquele que foi regenerado. Embora tenha sido libertado da culpa, da condenação e do domínio do pecado, o crente ainda convive com sua presença e seus constantes ataques. Surge então um conflito entre o desejo de obedecer a Deus e a inclinação pecaminosa que permanece na carne.  
Paulo ensinou que a vitória não está em ignorar essa realidade, mas em reconhecê-la. Quanto mais o cristão compreende sua fraqueza, mais percebe sua necessidade da graça divina. A santidade não nasce da autoconfiança, mas da dependência de Deus.  
Portanto, o ensino que temos de Paulo é que nossa única esperança verdadeira para uma vida santa é Jesus Cristo.  
O pecado ainda tenta influenciar o cristão, mas já não o domina. Em Cristo, encontramos força para resistir, perseverar e viver para a glória de Deus. 
 
 
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