O Rei ou a rebelião.

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Salmos 2.1-12

1    Por que as nações se enfurecem, e os povos tramam em vão?
2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e seu ungido, dizendo:
3 Rompamos suas correntes e livremo-nos de suas algemas.
4  Aquele que está sentado nos céus se ri; o Senhor zomba deles.
5 Então ele os repreende na sua ira e os aterroriza no seu furor, dizendo:
6 Eu mesmo constituí o meu rei em Sião, meu santo monte.
7  Proclamarei o decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu filho, hoje te gerei.
8 Pede-me, e te darei as nações como herança, e as extremidades da terra como propriedade.
9 Tu as quebrarás com uma vara de ferro e as despedaçarás como se fossem um vaso de barro.
10 Agora, ó reis, sede prudentes; juízes da terra, acolhei a advertência.
11 Cultuai o Senhor com temor e regozijai-vos com tremor.
12 Beijai o filho, para que ele não se irrite, e não sejais destruídos no caminho; porque em breve sua ira se acenderá. Bem-aventurados todos os que confiam nele.

Introdução:

Quem realmente governa o mundo? Essa pergunta recebeu inúmeras respostas ao longo da história das civilizações e, ainda hoje, é levantada em certos contextos.
Não nos faltam exemplos de homens poderosos que lideraram grandes impérios a ponto de pensarem que de fato possuíam o controle absoluto e total de todo o mundo.
Mas olhando para esse Salmo que acabamos de ler, eu e você podemos extrair uma verdade eterna: O Senhor Reina!

1 - A rebelião dos homens diante do Rei. (1-3)

Nos três primeiros desse salmo nós podemos observar um cenário de rebelião dos povos contra Deus. Os homens estão alvoroçados e empenhados a impor sua própria autoridade e não desejam se submeter ao reinado do ungido de Deus.

1.1. Davi inicia sua canção com um questionamento:

1    Por que as nações se enfurecem, e os povos tramam em vão?
Aqui nós podemos compreender que há um contexto de rebelião generalizada na concepção do salmista. Notemos que ele usa os termos “nações” e “povos”.
Sendo assim não trata-se de apenas uma pessoa, ou de apenas uma etinia específica, nem mesmo de uma única nação que se enfurece. Estamos diante de uma fúria generalizada. Todos os povos, tramam e se enfurecem.
Mas observe algo importante no final da pergunta: É tudo em vão!
Davi faz aqui o diagnóstico de uma grande rebelião de muitos povos e nações mas também deixa claro que tem absoluta convicção de que é tudo em vão.
Ao longo da istória vemos muitos monarcas e líderes políticos que se levantaram contra o povo de Deus afim de frustrar seus planos e lhe causar vergonha:
Onde está o Faraó? Senaqueribe, Nabucodonosor, Ciro, Darío, Alexandre, Antíoquo Epifânio, Julio Cesar, Augusto Cesar, Herodes o grande, Nero, Domiciano, Trajano, Marco Aurélio, Sétimo Severo, Décio, Valeriano, Diocleciano?
Por mais que tenham conseguido fazer algum mal momentâneo ao povo de Deus, tudo foi em vão por que os propósitos de Deus jamais foram frustrados. A igreja avança pois as portas do inferno não prevalecem!
Se levantar contra o Senhor é em vão, dis o Salmista.
Mas observe comigo agora o verso 2...

1.2. É uma rebelião generalizada com um único alvo.

2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e seu ungido, dizendo:
Agora o salmista afirma que as lideranças desses povos encabeçam essa revolta diante de Deus.
Nações, povos, Reis e príncipes… vemos então que essa rebelião não é de cunho exclusivamente político. Ela está presnete em todas as esferas da sociendade. Pois o homem, escravo do pecado, não aceita o governo daquele que é levantado com justiça e santidade.
Observe que essa não é uma rebelião aleatória, é uma rebelião contra um alvo específico: O Senhor e Seu ungido.
Além de nos mostrar contra quem é essa rebelião o texto mostra também a sua motivação. Observe comigo o verso 3:

1.3. Uma rebelião motivada pela autosuficiência.

3 Rompamos suas correntes e livremo-nos de suas algemas.
Aqui está a motivação de toda essa rebelião retrada desde o verso 1. O homem não quer se submeter ao Senhor e não aceita a ideia de ser governado por Ele. Para o ímpio a lei de Deus é um fardo pesado demais e ele compara servir à Deus com viver algemado e acorrentado.
Eu e você sabemos que essa alegação não ficou presa somente na boca dos ímpios da época de Davi. Davi aqui fala proféticamente sobre o Rei perfeito que viria a partir da sua linhagem: Jesus Cristo o ungido de Deus.
Esse Rei já se manifestou em carne e proclamou a chegada do Reino de Deus através da sua pessoa, porém poucos foram os que lhe deram ouvidos. Poucos foram os que buscaram lhe servir e reconhecer sua majestade, pois para eles seus ensinamentos eram pesados demais: Amar o próximo? Dar a outra face? Considerar os outros mais do que a si mesmo? Servir mais do que desejar ser servido? Se arrepender do seu pecado, do seu egoísmo? Negar a si mesmo? Tomar uma cruz para seguí-lo? Tudo isso aos ouvidos daqueles que estão perdidos soa como correntes, algemas, fardos pesados demais para serem suportados.
Quantas vezes não ouvimos de pessoas do nosso convívio que ser da igreja dá trabalho por que tem muita regra e é mais confortável permanecer como estão?
Os preceitos de Deus só são suaves para aqueles que foram alcançados peela graça.
Se não for o espírito de Deus trandformando nosso coração e nos dando uma nova mente, nós também estarámos assim. Quando somos de fato transformados pelo poder do evangelho, aquilo que outrora parecia pesado demais se torna leve. A lei que antes era uma corrente ou algema se torna algo prazeroso. Diz o salmista no salmo 1 que o prazer do justo está na lei do Senhor e nela ele medita dia e noite...
Mas se nesse primeiro trecho vimos um cenário de rebelião na terra, agora o foco do salmista passa a ser o que acontece no céu. Veja comigo nos versos 4 e 5 a resposta do céu diante da rebelião da terra:

2 - A resposta do Rei. (4-5)

4  Aquele que está sentado nos céus se ri; o Senhor zomba deles.
5 Então ele os repreende na sua ira e os aterroriza no seu furor, dizendo:
Enquanto na terra os povos, nações a autoridades se enfurecem e tramam, no céu não há preocupação. E o Salmista diz que aquele que está lá no céu ri da fúria dos que estão na terra.
Diz o profeta Isaías que diante de Deus, todas as nações e os povos da Terra são comparados a uma gota d'água que cai de um balde ou ao pó fino que sobra em uma balança. Aqui podemos perceber a grandeza e a soberania de Deus em contraste com a insignificância da humanidade. Mas e ele prossegue dizendo “Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo.”
Aqui nós precisamos aprender com Davi que por mais que as circunstâncias aqui na terra pareçam alarmantes, preocupantes ou até mesmo desesperadoras, no céu Deus está absolutamente tranquilo pois ele Reina eternamente sobre todas as coisas.
Ele não se abala, não se preocupa e nem se desespera e nos seu tempo dará a resposta àqueles que se levantam contra seus propósitos.
MAs o texto continua e em terceiro lugar vamos observar o Decreto do Rei nos versos de 6 a 9:

3 - O decreto do Rei. (6-9)

6 Eu mesmo constituí o meu rei em Sião, meu santo monte.
7  Proclamarei o decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu filho, hoje te gerei.
Diante do cenário de rebelião e revolta entre os reis da terra em busca de poder, do direito de governarem de acordo com suas próprias conveniências, vem um decreto do Céu estabelecendo o único Rei legítimo sobre toda a terra: Jesus Cristo.
Em Sião que é o monte símbolo da morada do Senhor, está estabelecido o trono eterno do filho de Deus. Ele que de acordo com João 1 é o verbo ou a palavra da criação. Por intermédio de quem todas as coisas foram feitas.
Paulo em Colossenses 1.15 diz que: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.”
A carta aos Hebreus nos ensina que ele é a revelação perfeita de Deus a nós dizendo que: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. 3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,”
O profeta Isaías profetizando seu nascimento diz “o governo estaria sobre seus ombros” e que ele seria “maravlhoso conselheiro, Deus forte, pai da eternidade e príncipe da Paz”. (Isaías 9)
Em Apocalipse 5 quando João está desesperado em busca de quem seria digno de abrir o livro, Ele é o cordeiro que foi morto mas está no trono e digno. Ele é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.
E diz o verso 8:
8 Pede-me, e te darei as nações como herança, e as extremidades da terra como propriedade.
Aqui vemos que as nações foram dadas como herança ao filho de Deus. Através da sua obra na cruz do Calvário, Cristo comprou um povo. De toda tribo língua e nação. Dos quatro cantos da terra. Foi pago um alto preço para que nós pertençamos a Ele eternamente.
Diz em Apocalipse 5 que: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos,porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”.
E o apóstolo Pedro em sua primeira carta no capítulo 9 versículo 9 diz que nós somos propriedade exclusiva dEle. (1Pe 2.9).
O próprio Jesus em João 10.27 diz “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.”.
Que alegria é para nós sabermos que pertencemos a Cristo. Ao único e Eterno Rei!
Mas observe comigo o verso 9 antes de prosseguirmos para o último ponto...
9 Tu as quebrarás com uma vara de ferro e as despedaçarás como se fossem um vaso de barro.
Aqui está se referndo ao domínio sobre a extremidades da terra que se levantaram contra o Senhor em Rebelião nos primeiros 3 Versos do Salmo.
Se a primeira reação de Deus foi rir dessa Rebelião, aqui Deus já Decretou um Rei que fará Justiça contra toda perversidade em seu tempo. A Ele foi dado o cetro de ferro para julgar àqueles que se movem pela maldade e pela perversidade.
Mas isso ocorrerá no tempo oportuno de Deus, conforme sabemos o fim da história pelo livro de Apocalipse.
Mas para concluirmos nessa noite olhemos em quarto e último lugar para…

4 - O convite gracioso do Rei. (10-12)

Queridos, nós servimos a um Deus que a cada dia nos concede a possibilidade de recomeçar. Se hoje você é alguém salvo em Cristo é por que um dia Deus estendeu a sua destra de misericórdia sobre você e te deu a chance de recomeçar. Recomeçar deixando para trás sua vida pregressa. E esse recomeço nos é possobilitado a despeito dos erros que nós porventura tenhamos cometido no passado. Mesmo que tenhamos andado em caminhos tortuosos e nos desviado do Senhor, ele nos concedeu a graça do recomeço.
E é exatamente o que ocorre no Salmo que nós lemos: O salmo começa com um cenário de Rebelião contra Deus de todos os reis da terra, Deus ri e responde estabelecendo seu reinado através do ministério do Filho e agora ele estende misericórdia àqueles que lhes eram contrários.
Antes de proferir condenação sobre os Reis da terra ele estende um convite gracioso e rico em misericordia.
observe esse convite se manifestar através de 5 verbos nos versos 10, 11 e 12...
10 Agora, ó reis, sede prudentes; juízes da terra, acolhei a advertência.
11 Cultuai o Senhor com temor e regozijai-vos com tremor.
12 Beijai o filho, para que ele não se irrite, e não sejais destruídos no caminho; porque em breve sua ira se acenderá. Bem-aventurados todos os que confiam nele.
“Sede prudentes” - Deus aponta para a necessidade de analisar a situação com cautela. “Pare e pense...”
“Acolhei a advertência” - Deus exorta a receber a correção e o direcionamento com recebtividade.
“Cultuai ao Senhor” - Deus agora os convida para ao invés de rebelião prestarem culto àquele que é digno.
“Regozijai-vos com tremor” - Ao invés de se enfurecer como nos primeiros versos, se alegre com o Senhor com devido respeito e reverência.
“Beijai o Filho” - Não podemos entender esse beijai o filho com sentido de romance ou nada do tipo aqui.
Quando um novo rei era estabelecido, era comum que as pesssoas se dirigissem até ele e beijassem a sua mão como um gesto de reverência de quem reconhece e se submete a sua autoridade.
E esse é o convite gracioso ministrado não só aos reis aqui do Salmo mas a todos os homens há 2000 anos: Se submeta ao rei! Entregue sua Vida a Cristo! Reconheça que ele é o Senhor!
E o Salmo que começa com rebelião e com a possibilidade de uma batalha a ser travada termina com uma bem aventurança:
Bem-aventurados todos os que confiam nele.
Aqui o Salmista está se conectando com o Salmo anterior a esse, que é o Salmo 1. Que nos mostra como é o caminho do homem bem aventurado. Bem aventurado significa “Verdadeiramente Feliz”.
Esse Salmo que nós vimos nessa noite nos apresenta o Rei eterno e nos encoraja a depositar nossa confiança nele. Pois aqueles que confiam nele são verdadeiramente felizes.

Conclusão:

O Salmo 2 apresenta dois caminhos:
O caminho da rebelião
independência;
resistência;
juízo.
O caminho da submissão
arrependimento;
adoração;
refúgio;
bem-aventurança.
A pergunta final do salmo é válida também para cada um de nós nessa noite:
Você está entre os que resistem ao Rei ou entre os que se refugiam nele?
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