ASA X ZERÁ
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Transcript
2Crônicas 14.9–15 “9 Zerá, o etíope, saiu contra eles, com um exército de um milhão de homens e trezentos carros, e chegou até Maressa. 10 Então, Asa saiu contra ele; e ordenaram a batalha no vale de Zefatá, perto de Maressa. 11 Clamou Asa ao Senhor, seu Deus, e disse: Senhor, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor, nosso Deus, porque em ti confiamos e no teu nome viemos contra esta multidão. Senhor, tu és o nosso Deus, não prevaleça contra ti o homem. 12 O Senhor feriu os etíopes diante de Asa e diante de Judá; e eles fugiram. 13 Asa e o povo que estava com ele os perseguiram até Gerar; e caíram os etíopes sem restar nem um sequer; porque foram destroçados diante do Senhor e diante do seu exército, e levaram dali mui grande despojo. 14 Feriram todas as cidades ao redor de Gerar, porque o terror do Senhor as havia invadido; e saquearam todas as cidades, porque havia nelas muita presa. 15 Também feriram as tendas dos donos do gado, levaram ovelhas em abundância e camelos e voltaram para Jerusalém.”
Você já tomou ciência da sua completa finitude ou do quão falível a sua humanidade é?
Tentamos resistir à verdade absoluta da humanidade de que “somos falíveis", persistimos na iluão da autossuficiência através de livros de autoajuda, “coachs", mentorias, terapias, drogas lícitas e ilícitas, consumismo, anestésicos (mídias e redes sociais), sexualidade exacerbada, sucesso precoce, “o primeiro milhão" antes dos 30 anos de idade e isso tudo depende de nós.
Toda época adoece à sua maneira e o modo como adoece revela aquilo em que aposta. O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han entendeu o mapa patológico do século XXI: o homem já não adoece por um vírus, mas adoeceu de tanto querer ser o seu próprio senhor.
Os livros das Crônicas são basicamente retratos dos acontecimentos do povo hebreu, trazendo aspectos diferentes dos livros de Samuel e Reis, vez que Crônicas são escritos num momento pós-exílico (após a volta do povo de Israel do exílio da Babilônia).
Crônicas demonstra cristalinamente Deus cumprindo a aliança com o seu povo, independente das atitudes deste povo. Quem desgarrou-se dEle fora Israel, mas Deus continua exercendo infinita misericórdia e resgatando o povo perdido.
Primeiro Crônicas traz um panorama das eras e genealogias do povo de Israel até chegar em Davi e demonstra seu reinado. Segundo Crônicas traz um panorama do reinado de Salomão e dos demais reis, enfatizando a divisão do reino.
Numa leitura não muito atenta de Crônicas, podemos pensar que a ênfase é sobre o povo de Israel, mas na verdade, o cronista quer demonstrar ao leitor sobre o Senhor e Sua Santa missão de resgate. Estes livros têm muito a ver com Deus e como Ele resgata o homem da podridão do pecado.
Asa era filho de Abias, neto de Roboão, neto de Salomão.
Salomão fez o que era bom perante o Senhor;
Roboão fez o que era mau perante o Senhor e é um dos causadores da divisão de Israel em dois reinos;
Abias, filho de Roboão e pai de Asa, fez o que era bom perante o Senhor e contrariou seu pai. Após Abias, Asa começa a reinar sobre Judá (reino do sul) e inicia seu reinado de maneira positiva, sendo um verdadeiro instrumento para o povo de Deus retornasse ao Senhor. Iniciou reformas de cunho religioso e trazendo o povo de volta à adoração a Deus – remove os “lugares altos” pagão e retirou os “postes-ídolos”. Se pela dureza do coração, o povo de Judá estava perecendo, Deus resgatao Seu povo e o coloca de volta ao prumo.
Após uma vitória milagrosa do exército de Judá sobre o exército do rei etíope Zerá, o rei Asa se encontra com o profeta Azarias que lhe traz uma palavra vinda do Senhor, trazendo à tona o resgate de Deus ao povo de Judá.
Han - Sociedade do Cansaço
Capitulo II - Além da SociedadeDisciplinar
“A mudança de paradigma da sociedade disciplinar para a sociedade de desempenho aponta para a continuidade de um nível. Já habita, naturalmente, o inconsciente social, o desejo de maximizar a produção. […] Para elevar a produtividade, o paradigma da disciplina é substituído pelo paradigma do desempenho ou pelo esquema positivo do poder, pois a partir de um determinado nível de produtividade, a negatividade da proibição tem um efeito de bloqueio, impedindo um maior crescimento. […] Mas em relação à elevação da produtividade não há qualquer ruptura; há apenas continuidade. […]”
Capitulo III - O Tédio Profundo
“O excesso de positividade se manifesta também como excesso de estímulos, informações e impulsos. […] A multitarefa não é uma capacidade para a qual só seria capaz o homem na sociedade trabalhista e de informação pós-moderna. Trata-se antes de um retrocesso. […] A preocupação pelo bem viver, à qual faz parte também uma convivência bem-sucedida, cede lugar cada vez mais à preocupação por sobreviver. […] Essa atenção profunda é cada vez mais deslocada por uma forma de atenção bemdistinta, a hiperatenção (hyperattention). Essa atenção dispersa se caracteriza por uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, fontes informativas e processos. E visto que ele tem uma tolerância bem pequena para o tédio, também não admite aquele tédio profundo que não deixa de ser importante para um processo criativo. […] Se o sono perfaz o ponto alto do descanso físico, o tédio profundo constitui o ponto alto do descanso espiritual. Pura inquietação não gera nada de novo. Reproduz e acelera o já existente. […] Quem se entedia no andar e não tolera estar entediado, ficará andando a esmo inquieto, irá se debater ou se afundará nesta ou naquela atividade. Mas quem é tolerante com o tédio, depois de um tempo irá reconhecer que possivelmente é o próprio andar que o entedia. Assim, ele será impulsionado a procurar um movimento totalmente novo. […] A capacidade contemplativa não está necessariamente ligada ao ser imperecível. […] No estado contemplativo, de certo modo, saímos de nós mesmos, mergulhando nas coisas. […] Sem esse recolhimento contemplativo, o olhar perambula inquieto de cá para lá e não traz nada a se manifestar.”
Capitulo V - Pedagogia do Ver
"Aqui, Nietzsche nada mais propõe que a revitalização da vita contemplativa. Essa vida não é um abrir-se passivo que diz sim a tudo que advém e acontece. Ao contrário, ela oferece resistência aos estímulos opressivos, intrusivos. Em vez de expor o olhar aos impulsos exteriores, ela os dirige soberanamente. Enquanto um fazer soberano, que sabe dizer não, é mais ativa que qualquer hiperatividade, que é precisamente um sintoma de esgotamento espiritual. […] Hoje, vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios. No aforismo 'A principal carência do homem ativo', escreve Nietzsche: 'Aos ativos falta usualmente a atividade superior (…) e nesse sentido eles são preguiçosos. (…) Os ativos rolam como rola a pedra, segundo a estupidez da mecânica”. […] No empuxo da aceleração geral e da hiperatividade desaprendemos também a ira. A ira tem uma temporalidade bem específica, que não se coaduna com a aceleração geral e com a hiperatividade. Essa não admite nenhuma folga temporal. […] Ela pressupõe uma pausa interruptora no presente. É nisso que ela se distingue da irritação. […] A ira é uma capacidade que está em condições de interromper um estado, e fazer com que se inicie um novo estado. […] A irritação está para a ira como o medo está para a angústia. […] Também a ira não se refere a um único estado de coisas. Ela nega o todo. Nisso consiste sua energia da negatividade. Ela representa um estado de exceção. A crescente positivação do mundo torna-o pobre em estados de exceção. […] Justo a crescente positivação do mundo desperta muita atenção para conceitos como “estado de exceção” ou “imunidade”. Porém, essa atenção não é prova de sua atualidade, mas de seu desaparecimento. A crescente positivação da sociedade enfraquece também sentimentos como angústia e luto, que radicam numa negatividade, ou seja, são sentimentos negativos. […] Há duas formas de potência. A potência positiva é a potência de fazer alguma coisa. A potência negativa, ao contrário, é a potência de não fazer, para falar com Nietzsche; para dizer não.
Capitulo VII - Sociedade do Cansaço
"A sociedade do cansaço, enquanto uma sociedade ativa, desdobra-selentamente numa sociedade do doping. […] Como contraponto, a sociedade do desempenho e a sociedade ativa geram um cansaço e esgotamento excessivos. […] O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma. […] O cansaço da sociedade do desempenho é um cansaço solitário, que atua individualizando e isolando. […] O cansaço de esgotamento não é um cansaço da potência positiva. Ele nos incapacita de fazer qualquer coisa. O cansaço que inspira é um cansaço da potência negativa, a saber, do não-para. […] Depois de terminar sua criação, Deus chamou ao sétimo dia de sagrado. Sagrado, portanto, não é o dia do para-isso, mas o dia do não-para, um dia no qual seria possível o uso do inútil. É o dia do cansaço. O tempo intermediário é um tempo sem trabalho, um tempo lúdico, que se distingue também do tempo heideggeriano, que no essencial é um tempo de cura e de trabalho. […] Aquela 'sociedade pentecostal' que inspira ao não fazer se contrapõe à sociedade ativa. Ele a imagina ‘através do banco cansado’. É uma sociedade dos cansados em sentidoespecífico. Se a ‘sociedade pentecostal’ fosse sinônimo de sociedade futura, a sociedade por vir poderia chamar-se então sociedade do cansaço.
