Atos 16.19-40 esb
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A Porta Aberta
A Porta Aberta
Contextualização
Contextualização
Na semana passada o Rev. Raphael falou de alguns assuntos
Entre eles, a conversão de uma mulher rica chamada Lidia
Era na casa dela que a igreja começava a se reunir
E na rua, tinha uma jovem escrava
Escrava de homens e escrava do diabo
Em um dos dias que Paulo passava próximo a ela
Ele se indigna e expulsa o espirito que possuia aquela jovem
E desse modo ela é liberta
E por terem libertado a jovem
Os donos da jovem vão prender Paulo e Silas
Vamos ver o texto
Leitura
Leitura
19 Quando os donos da jovem viram que se havia desfeito a esperança do lucro, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram para a praça, à presença das autoridades. 20 E, levando-os aos magistrados, disseram:
— Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade, 21 propagando costumes que não podemos aceitar, nem praticar, porque somos romanos.
22 Então a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as roupas, mandaram açoitá-los com varas. 23 E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram na prisão, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. 24 Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e prendeu os pés deles no tronco.
25 Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. 26 De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; todas as portas se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram.
27 O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas da prisão, puxando da espada, ia suicidar-se, pois pensou que os presos tinham fugido. 28 Mas Paulo gritou bem alto:
— Não faça nenhum mal a si mesmo! Estamos todos aqui.
29 Então o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou correndo e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. 30 Depois, trazendo-os para fora, disse:
— Senhores, que devo fazer para que seja salvo?
31 Eles responderam:
— Creia no Senhor Jesus e você será salvo — você e toda a sua casa.
32 E pregaram a palavra de Deus ao carcereiro e a todos os que faziam parte da casa dele. 33 Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes as feridas dos açoites. Logo a seguir, ele e todos os membros da casa dele foram batizados. 34 Então, levando-os para a sua própria casa, deu-lhes de comer; e, com todos os seus, manifestava grande alegria por ter crido em Deus.
35 Quando amanheceu, os magistrados enviaram oficiais de justiça, com a seguinte ordem para o carcereiro:
— Ponha aqueles homens em liberdade.
36 Então o carcereiro comunicou isso a Paulo, dizendo:
— Os magistrados ordenaram que vocês fossem postos em liberdade. Portanto, vocês podem sair. Vão em paz.
37 Paulo, porém, lhes disse:
— Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos jogaram na cadeia, sendo nós cidadãos romanos. Querem agora nos mandar embora sem maior alarde? Nada disso! Pelo contrário, que eles venham e, pessoalmente, nos ponham em liberdade.
38 Os oficiais de justiça comunicaram isso aos magistrados. Quando estes souberam que Paulo e Silas eram cidadãos romanos, ficaram com medo. 39 Então foram até eles e lhes pediram desculpas; e, relaxando-lhes a prisão, pediram que se retirassem da cidade. 40 Tendo saído da prisão, Paulo e Silas dirigiram-se para a casa de Lídia e, vendo os irmãos, os animaram. Depois partiram.
Introdução
Introdução
Desenvolvimento
Desenvolvimento
I. A coisa mais estranha da noite
I. A coisa mais estranha da noite
À meia-noite, Deus abriu todas as portas daquela prisão.
As correntes caíram dos punhos.
Os ferrolhos saltaram das paredes.
E aconteceu, então, a coisa mais estranha de toda aquela noite.
Ninguém saiu.
Parem um segundo para pensar:
Por que nenhum prisioneiro fugiu?
Isso não faz sentido.
A porta da cela está aberta.
A corrente que prendia o pé está solta.
Do lado de fora há a escuridão da noite.
Aqueles homens poderiam simplesmente sair correndo pela escuridão da cidade
Era meia noite ainda
Quando amanhecesse, eles já poderiam estar longe
Ms eles não fazer isso.
Eles ficam.
Por que?
A pergunta que vamos responder hoje é:
Por que alguém que não cometeu nenhum crime não foge para a liberdade?
Mas não vou entregar isso tão fácil para vocês.
A libertação da escrava
Vocês se lembram da semana passada.
Uma menina escrava, que ganhava dinheiro para os seus senhores adivinhando o futuro.
Paulo, incomodado, expulsou dela o espírito.
E no instante em que o espírito saiu da menina, saiu também outra coisa:
saiu o lucro dos donos dela.
O demônio saiu, e a esperança de ganho saiu junto.
Para aqueles homens, a libertação de uma pessoa teve um unico significado:
PREJUÍZO.
Julgamento e condenação
E aí veio a fúria.
Os donos arrastaram Paulo e Silas até os magistrados.
E os donos da menina os acusam:
"Esses homens são judeus, perturbam a nossa cidade, pregam costumes que nós, romanos, não podemos aceitar."
Foi isso o que aconteceu?
Não né...
Eles mentiram
Pois é…
A multidão compra a conversa
E A multidão se une contre eles
A multidão quase sempre se une para o mal
Execução
Os magistrados prontamente os condenam:
Que esses homens sejam açoitados presos com a máxima segurança!
Debaixo dessa sentença Paulo e Silas serão humilhados e espancados
Os dois foram levados para a praça
Ele rasgam suas roupas e ficam nus diante do toda a cidade
Depois são amarrados em um poste baixo
Onde suas costas e ombros ficam totalmente expostos às pancadas que viriam
Há um debate sobre qual foi o instrumento usado nos acoites
Pode ter sido um feixe de varas mais finas, de uma madeira bastante maleável
Ou pode ter sido com um chicote de várias fios de couro, com pesos na ponta
O texto não deixa isso muito claro por causa da descrição do dano nas costas deles,
que foi bastante grave
Então estavam lá, aqueles 2 homens
Nus, diante do publico que queriam ver o sangue daquela execução
E o carrasco começa a execução
Golpe atrás de golpe
A pele e a carne das costas daqueles homens ia sendo destruída
Sangue voava
Eles só param depois de darem muitos açoites
Mas o sofrimento ainda não acabou
Aqueles homens
Nus
Com as costas em carne viva
São levados para a prisao
E não na parte de fora, arejada
na prisão interior, a masmorra, o fundo do fundo,
o lugar úmido e escuro reservado para os piores.
E ali, o carcereiro prende os pés deles no tronco
Que era um instrumento de madeira que abria as pernas do homem numa posição antinatural
Isso dificultava muito que eles dormissem
O que transformava cada hora
numa hora de dor.
É aí que estamos. Meia-noite.
Dois homens dilacerados, presos no escuro, com os pés no tronco.
É a hora mais escura, no lugar mais escuro, da pior noite da vida deles.
Então aparece outro personagem
O carcereiro
Um homem que está na outra ponta dessa balança
Paulo e Silas estão:
Costas abertas.
Pés presos.
Não podem se virar,
não podem se deitar,
não podem fugir.
Eles estão completamente nas mãos do carcereiro.
Já o carcereiro:
Tem outra vida.
Ele tem as chaves
todas elas, penduradas na cintura.
Ele abre e fecha as portas.
Ele decide quem entra e quem sai.
Quando a noite chega, ele sobe para a sua casa, deita na sua cama, e dorme.
Ele é um homem de Roma,
um homem com cargo,
com respeito,
com autoridade.
Nessa história temos
Os homens no tronco e o homem com as chaves.
Os homens no escuro e o homem na cama.
Os presos, o livre.
Deixa eu perguntar
Se você tivesse que trocar de lugar com alguém
Com qual deles seria?
II. Dois homens
II. Dois homens
Paulo e Silas cantam
Voltemos à masmorra, porque algo impossível está acontecendo lá dentro.
Os homens que deveriam estar gemendo, estão cantando.
Paulo e Silas, com as costas em carne viva e os pés no tronco, estão orando e cantando hinos a Deus.
E os outros presos, na escuridão ao redor, escutam.
No lugar onde só deveria haver desespero, sobe uma canção.
Refutar a leitura simplista
E é exatamente aqui que eu preciso desarmar uma armadilha, porque ela é fácil e ela é mentirosa.
A armadilha diz assim:
"Está vendo? Eles louvaram, e Deus mandou o terremoto. Eles adoraram na prova, e as cadeias caíram. Logo, a lição é clara: louve nas suas correntes, e Deus vai quebrar as suas correntes. Adore no seu problema, e Deus vai resolver o seu problema."
Soa bonito. Soa espiritual. E é falso.
Se a história fosse essa
louvor abre as cadeia, adoração que abre porta
quando a porta abrisse, Paulo teria saído.
Era para isso que ele teria cantado, não era?
Para sair.
Mas a porta abriu,
e ele ficou.
Por enquanto, fique só com a pergunta:
de onde vem essa canção?
Como é que um homem, no tronco, com a porta ainda trancada, com nada resolvido na cela, consegue cantar?
Que tipo de liberdade é essa, que não depende da fechadura?
A casa do carcereiro
E enquanto Paulo canta, vamos subir até a casa do carcereiro.
Que nesse momento está dormindo.
E eu quero que você sinta, por um instante, como a vida dele é invejável
Ele tem um teto.
Ele tem uma cama.
Ele tem um nome que as pessoas respeitam na rua.
Ele não está com fome, não está com frio, não está sangrando.
Ele cumpriu o que mandaram, e a consciência dele não o incomoda
Olhando de longe nenhum problema
Se vivessemos naquele tempo,
Talvez passar no concurso para centurião fosse o objetivo de muitos entre nós
[Pausa]
Mais aí a terra treme.
Um terremoto violento.
Os alicerces da prisão sacodem.
As portas se abrem, todas.
As correntes se soltam, todas.
E o carcereiro acorda de um salto.
Agora preste muita atenção, porque é neste segundo que tudo se inverte.
O homem das chaves acorda.
Olha. Vê todas as portas abertas.
O poder que ele tinha em suas mãos acabaram
As chaves para abrir aquelas portas não servem para nada
E na cabeça dele existe a segunte conta:
portas abertas significam presos fugidos.
E presos fugidos significam uma só coisa para ele.
O guarda respondia com a própria vida pela fuga dos seus prisioneiros.
Se eles sumiram, ele morre.
A vida dele já não vale nada.
O cargo, o respeito, a autoridade
tudo evaporou no instante em que aquelas portas se abriram.
E o que faz o homem livre?
O homem das chaves,
o homem da cama,
o homem de Roma?
[Pausa]
Ele saca a espada.
E aponta para o próprio peito.
[Pausa]
O homem que tem todas as chaves olha em volta e enxerga uma única saída.
E a única saída que ele enxerga é a morte.
Ele tem nas mãos as chaves de cada porta daquela prisão
e não tem a chave da própria prisão.
Agora me responda.
Olhe para os dois homens de novo, agora.
Há um homem no tronco, de costas abertas, e ele está cantando.
E há um homem em pé, livre, com as chaves na cintura, e ele está com uma espada apontada para o próprio coração.
Qual dos dois está preso?
[Pausa]
III. A espada
III. A espada
A espada está erguida.
E do escuro da masmorra vem um grito.
Mas não é um grito de fuga.
É Paulo.
E ele grita:
"Não faças nenhum mal a ti mesmo! Estamos todos aqui!"
Pense no que isso significa.
Paulo, lá no fundo, com a porta aberta, podia ter corrido.
Em vez disso, ele ficou
e não só ele, todos ficaram
e ele ficou para gritar essa frase:
"Estamos todos aqui."
Que é como dizer:
você não precisa morrer.
Ninguém fugiu.
A sua vida está salva.
Agora você entende por que ninguém saiu.
Você entende a coisa mais estranha da noite.
Paulo ficou porque a porta nunca foi o ponto.
A porta aberta não era a salvação de Paulo
Paulo já estava livre,
livre no tronco,
livre cantando.
A porta aberta era a morte do carcereiro.
Se Paulo saísse, o carcereiro morria.
Então Paulo ficou.
Os presos ficaram.
E a permanência deles, lá no escuro,
foi a vida daquele homem.
Os que pareciam presos ficaram,
para que o que parecia livre não morresse.
E o homem das chaves entende.
Ele pede luzes
repare, ele pede luz antes de qualquer outra coisa
e se precipita para dentro, tremendo, e cai aos pés daqueles dois prisioneiros.
O carcereiro, aos pés dos seus presos.
E faz a pergunta que é o coração de tudo:
"Senhores, que devo fazer para ser salvo?"
Nós já vimos pessoas sendo salvas nessa cidade
Vimos uma senhora distinta e rica sendo salva
Vimos uma jovem escrava sendo salva
Agora vemos um carcereiro romano querendo ser salvo
Lembram que eu perguntei com qual dos dois homens você preferiria trocar de lugar?
Talvez se eu fizesse essa pergunta agora, talvez a resposta mudasse.
Mas quero te dizer que nessa história
Provavelmente você não é Paulo ou Silas
Que está cantando diante das adversidades e injustiças
Provavelmente você, assim como eu, somos o carcereiro
Nós somos os que mantêm a engrenagem girando
Nós nos mantemos alheios à dor ao nosso redor
Nós estamos buscando destaque em nossa posição social
Nós dormimos tranquilamente
Nós temos comida e bebida à nossa disposição
Nós temos um vida confortável
E se sua vida não está assim nesse momento
É isso que você busca
Eu posso afirmar isso, porque eu sou exatamente como você
Não olhe para o carcereiro como um estranho.
Olhe para ele como um espelho.
Talvez você não acredite no que eu estou te falando
Mas imagine se você perder seu conforto
Imagine se você fosse humilhado publicamente
Imagine se você não tivesse agua ou comida disponível
Imagine se seu corpo inteiro doesse
Diante dessa situação:
Você estaria contando louvores?
[Pausa]
Não vou afirmar que todos nós faríamos o mesmo
Mas pelo menos a maioria de nós
Na mesma situação
Enxergaria que a vida não faz mais sentido
Porque tudo foi perdido
IV. Ele não desceu
IV. Ele não desceu
E é exatamente por isso
porque nós somos o carcereiro
que o que acontece a seguir é a melhor notícia que você vai ouvir.
Olhe o que salvou a vida do carcereiro.
Não foi o terremoto.
O terremoto, sozinho, ia matá-lo — portas abertas, presos fugidos, a espada.
O que salvou a vida dele foi que homens inocentes,
que tinham todo o direito de ir embora,
escolheram ficar.
A permanência deles, no escuro, foi a vida dele.
Eles ficaram presos para que ele vivesse.
E agora levante os olhos da masmorra de Filipos, e olhe para uma colina, do lado de fora de Jerusalém.
Porque ali houve outro Inocente.
O único verdadeiramente inocente que já existiu.
E Ele estava preso
pregado numa cruz.
E ao redor d'Ele havia uma multidão, e a multidão gritava uma coisa só:
"Salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!"
Desça.
Use as chaves.
Você as tem.
Você podia chamar doze legiões de anjos.
Você podia abrir cada porta.
Salve-se.
Saia.
E Ele não desceu.
Ele tinha as chaves do universo na cintura, e não desceu.
Ele ouviu "salva-te a ti mesmo", e ficou.
Ficou pregado.
Ficou condenado.
Ficou no escuro, na hora mais escura,
quando até o céu virou meia-noite ao meio-dia.
Pense no que essa permanência custou.
Paulo, na masmorra, precisou apenas não dar alguns passos para fora de uma porta.
Foi o suficiente para salvar a vida de um homem.
Mas para nos salvar, não bastava Cristo ficar parado.
Para nós, ficar significava beber até a última gota a taça que era nossa.
Significava receber no próprio corpo os açoites que os nossos pecados mereciam.
Significava ser tratado como o criminoso,
lançado no cárcere mais interior de todos,
abandonado no escuro que era para ser o nosso escuro.
A permanência de Paulo custou a Paulo uma noite.
A permanência de Cristo custou Sua vida.
E por que Ele ficou?
Pela mesma razão que Paulo ficou.
Paulo ficou no tronco para que a vida temporal do carcereiro fosse poupada.
Cristo ficou na cruz para que a vida eterna do carcereiro fosse comprada.
Paulo ficou e o homem não morreu naquela noite.
Cristo ficou, e morreu Ele mesmo,
para que nós não morrêssemos nunca.
E aqui está o coração de tudo o que eu tenho para te dizer hoje.
Ouça com cuidado:
Paulo fica porque a porta nunca foi o ponto
o ponto era a vida do carcereiro.
E é assim que o evangelho se cumpre.
Cristo também não saiu.
Tendo as chaves, podendo descer,
Ele permaneceu na cruz, condenado em nosso lugar,
para que nós
os verdadeiros presos
saíssemos vivos.
Você entende agora?
Você passou a vida inteira tentando ser o homem das chaves.
Tentando ter o controle, ter o respeito, ter a segurança, dormir tranquilo.
E o tempo todo, por baixo das chaves, você era o prisioneiro.
A sua cela não era de ferro.
Era de medo.
De honra ferida.
De pavor de ser descoberto.
De uma conta que você não consegue pagar.
E então, na hora em que o chão tremeu,
na hora em que você ergueu a espada contra si mesmo,
veio um grito do escuro.
"Não faças mal a ti mesmo."
Porque Alguém ficou.
Alguém não saiu.
Alguém pagou com a própria permanência a sua libertação.
A porta da sua cela já está aberta.
Não porque você cantou bonito o bastante.
Não porque você adorou com fervor o bastante.
A porta da sua cela está aberta porque Outro se recusou a sair da d'Ele.
Essa é a diferença entre a religião e o evangelho,
A religião te entrega um molho de chaves e diz:
agora abra a sua própria cela.
Faça o bastante, ore o bastante, melhore o bastante,
e talvez, no fim, você consiga girar a fechadura.
E você passa a vida com as chaves na mão,
suando,
e a porta nunca abre.
O evangelho faz o contrário.
O evangelho tira as chaves da sua mão e diz:
olhe, a porta já está aberta.
Sempre esteve,
desde a manhã em que o túmulo amanheceu vazio.
Você não precisa abri-la.
Você só precisa crer que Ele a abriu, e atravessar.
E é por isso que aquele carcereiro, naquela mesma noite, desce e lava as feridas dos prisioneiros.
E enquanto ele lava as feridas deles, ele mesmo é lavado
lavado das suas culpas,
no batismo, ele e toda a sua casa.
Agora, o algoz e a vitima são transformados em irmãos.
V. Por que cantar
V. Por que cantar
Agora, e só agora, nós podemos voltar à pergunta que ficou no ar lá atrás.
De onde vinha aquela canção?
Como é que Paulo cantava no tronco, com a porta ainda trancada, com nada resolvido na cela?
Agora você sabe.
Paulo não cantava para abrir a cadeia.
Ele não cantava como quem aperta um botão para Deus mandar o terremoto.
Ele cantava porque já era livre.
A liberdade dele não estava do lado de fora da porta.
Aquela canção não era a alavanca da libertação.
Era o fruto de uma libertação que já tinha acontecido.
Um antigo pai da igreja disse que as pernas não sentem o tronco quando o coração está no céu.
Os pés de Paulo continuavam presos na madeira.
Mas o coração dele já estava livre, assentado num lugar que Roma não alcançava.
E lembre-se de quem estava escutando.
O texto diz que os outros presos ouviam Paulo e Silas cantar.
Havia uma plateia no escuro. Sempre há.
O mundo está escutando como você canta quando o chão treme.
Não a sua teologia perfeita nos dias bons
mas a sua canção na cela,
a sua paz na prisão,
a sua recusa a sacar a espada quando tudo desaba.
É ali que o evangelho fica audível para quem ainda está preso ao lado.
Não porque você é forte.
Mas porque ficou evidente que Alguém te segura.
E é isto que eu quero deixar com você, três coisas, antes de terminarmos.
A primeira é concreta, e é incômoda.
Pergunte-se onde, na sua vida, você é o carcereiro.
E pergunte-se o que você faz quando o terremoto acontece
quando o casamento racha,
quando o emprego some,
quando o pecado é exposto,
quando a conta finalmente chega.
Você saca a espada?
A espada de se destruir, de desistir?
Ou a espada de se justificar, de culpar todo mundo, de fingir que estava tudo sob controle?
Olhe para a sua espada hoje.
Reconheça que você a tem na mão.
A segunda é mais funda.
A sua prisão nunca foi a sua circunstância.
Você acha que seria livre se mudasse
de emprego,
de cidade,
de cônjuge,
de corpo,
de conta bancária.
Mas o carcereiro tinha tudo isso , mas era o homem mais preso da cidade.
A sua prisão é o medo.
É a honra que você precisa defender.
É a justiça própria que você precisa provar.
E é por isso que a terceira coisa não é uma tarefa.
É uma notícia.
Não saia daqui hoje pensando que precisa cantar mais alto, adorar com mais força, ter mais fé, para então — quem sabe — Deus abrir a sua porta.
Você inverteria tudo de novo.
Você voltaria a ser o homem que acha que a chave está na sua mão.
A notícia é que a sua porta já está aberta.
Cristo já ficou.
Cristo já não desceu.
Cristo já pagou, com a própria permanência no escuro, a sua saída para a luz.
Está consumado.
Você não canta para ser solto.
Você canta porque foi solto.
E uma última imagem, para guardar.
Quando Paulo finalmente sai daquela prisão, no dia seguinte, ele não corre.
Ele não foge da cidade.
Os mesmos magistrados que o açoitaram acordam tremendo de medo
os poderosos, agora com medo
e vêm pessoalmente pedir que ele vá embora.
E para onde Paulo vai antes de partir?
Ele vai à casa de uma mulher chamada Lídia,
onde os irmãos estão reunidos.
O carcereiro romano, a escrava liberta, a comerciante rica
gente que jamais se sentaria à mesma mesa em Filipos
agora são uma família só.
E Paulo, dilacerado, recém-saído do tronco,
não é consolado por eles.
Ele os consola.
Ele os encoraja.
E então segue o seu caminho.
Porque é assim que funciona o Reino.
Os que o mundo chamou de presos saem cantando.
Porque Jesus,
Alguém que tinha todo o direito de descer,
Ficou na cruz.
Por você.
Por isso podemos cantar
