Carta aos Colossenses
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Transcript
Capítulo 1
Paulo, apóstolo e Timóteo.
Carta dirigida aos santos de Colossos.
Colossos era uma cidade na Frígia, próxima a Laodicéia e Éfeso.
Graça a paz de Deus.
Paulo começa a carta dando graças a Deus pela fé e amor que ouve falar acerca dos colossenses. Essa mesma expressão é encontrada na carta aos Efésios.
Isso se dava por conta da esperança que eles tinham, da qual ouviram falar anteriormente por meio do evangelho. Este evangelho está produzindo fruto e crescendo em todo o mundo!
O evangelho aos colossenses chegou por meio de Epafras, companheiro de Paulo.
Amor no Espírito. Amor gerado ao estar ligado no Espírito.
Paulo, em posse dessa informação, afirma que ora por eles e pede a Deus que transbordem do pleno conhecimento da vontade de Deus. Novamente, essa estrutura textual se assemelha a carta aos efésios.
Ser cheio do conhecimento de Deus possibilita ao crente viver de modo a agradá-lo, frutificando em toda boa obra. Dessa forma, o crente é fortalecido com todo o poder, com perseverança e paciência para participar da herança dos santos.
O Pai nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino de Jesus. Os verbos aparecem no passado, como sendo algo já concluído.
Jesus é definido como a imagem do Deus invisível. O ser humano foi criado à imagem de Deus. Gênesis 1.27 “Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
A expressão o primogênito de toda a criação: não devemos ler essa texto como se Jesus fosse o primeiro ser criado. Antes, devemos separar o conceito de primogenitura e criação. Como primogênito, entende-se que Jesus é o maior entre todos; aquele que tem o direito de toda a herança. Como criação, entende-se tudo o que foi criado. Dessa forma, Jesus foi colocado como o maior, o regente, príncipe da criação, sendo ele um ser externo à criação.
Davi se tornou um exemplo dessa questão, sendo ele mesmo um tipo de Rei Messiânico: Salmo 89.27 “Por isso, farei dele o meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.”
Paulo explica que Nele, por meio dele, para ele, e antes de, foram criadas todas as coisas, Daí o sentido da expressão primogênito tratar sobre a supremacia de Cristo.
Jesus é o primogênito dentre os mortos.
Vocês que eram estranhos: gentios. Jesus reconciliou para apresentá-los de santos e inculpáveis.
Paulo afirma que o evangelho foi pregado a toda criatura debaixo do céu. Esta expressão deve ser entendida no sentido de o evangelho não estar restrito a um contexto judaico ou local, mas se tratar de uma mensagem de alcance mundial, enviada para todas as nações.
Paulo, que estava preso, afirma se alegrar nos sofrimentos pelos colossenses e que preenche o que resta das aflições de Cristo! Tudo isso em favor da igreja.
Paulo se tornou ministro do mistério: a participação dos gentios por meio de Cristo.
Capítulo 2
Paulo expõe a luta que sofre pelos Colossenses, pelos de Laodiceia e por todos os que não tinha tido contato com o apóstolo. Ou seja, possivelmente, Paulo nunca tinha tido contato direto com a igreja de Colossos.
Como dito no capítulo anterior, foi Epafras quem “fundou” a igreja na região de Colossos.
Paulo fala com essa igreja para que eles tenham conhecimento do mistério de Deus e, portanto, para que ninguém os enganasse com mentiras.
O mistério de Deus não é que os gentios são coerdeiros com os judeus, mas sim que todos são de Cristo. Ou seja, Deus revelou o seu Filho ao mundo.
Paulo se alegrava ao observar a boa ordem e a firmeza da fé dos colossenses.
Portanto, conclui Paulo, da mesma forma que os membros creram em Jesus, deveriam continuar a viver nele, enraizados e edificados nele e crescendo em ação de graças (atos de gratidão a Deus: adoração, refeições em comunidade etc).
A orientação de Paulo é para que os colossenses tomassem cuidado para ninguém enredá-los com sua filosofia e vãs sutilezas. Possivelmente, Paulo está falando dos judaizantes, novamente.
Rudimentos do mundo: trata-se do contexto do judeu sob a Lei. Gálatas 4.3 “Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos escravizados aos rudimentos do mundo.”
Em Cristo habita toda a plenitude da divindade. Nele, nós recebemos essa plenitude. Jesus é a autoridade suprema. Nele fomos circuncidados, tendo sido sepultados com Ele no batismo e ressuscitados por meio da fé.
Quando estávamos mortos nos pecados, Deus nos deu vida juntamente com Cristo, perdoando os nossos pecados.
a Lei apontava o padrão de Deus; nós falhamos diante desse padrão; por isso havia uma acusação contra nós. Cristo removeu essa acusação, cravando-a na cruz.
Jesus despojou, tirou tudo, dos principados e potestades.
Novamente, Paulo conclui que em Cristo não devemos ser julgados por causa de comida e bebida, dias, porque tudo isso era uma sombra das coisas que haviam de vir. Ou seja, a realidade plena era Cristo. Todas essas observâncias da Lei apontavam para Cristo.
A expressão “festas, luas novas e sábados” é um apontamento explicito da Lei moisaca, como em 1Crônicas 23.31 “e sempre que fossem oferecidos os holocaustos do Senhor, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas, diante do Senhor, segundo o número determinado.”
A frase “o corpo é de Cristo” pode ser entendida assim: a sombra pertencia a algo real, e essa realidade é Cristo. As cerimônias apontavam para ele; quando Cristo veio, a realidade chegou.
Se morremos com Cristo para os rudimentos do mundo, por que se sujeitar a essas regras impostas por pessoas?
Essas doutrinas têm aparência de sabedoria, mas não têm valor algum na luta contra as inclinações da carne, uma vez que somente em Cristo e pelo Espírito podemos vencer a carne.
Capítulo 3
Novamente, Paulo conclui: se fomos ressuscitados com Cristo, devemos buscar e pensar (n)as coisas lá do alto, onde Cristo vive.
Paulo afirma que nós morremos e a nossa vida está oculta junto com Cristo. Somente seremos manifestos, em glória, quando Cristo se manifestar.
Essa manifestação em glória remete ao período escatológico, quando nós seremos revestidos de glória e veremos a Deus face a face. 1João 3.2 “Amados, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.”
Novamente, Paulo faz uma conclusão.
A expressão “façam morrer” indica um imperativo para uma ação humana.
Natureza terrena: imoralidades, impurezas, paixões, maus desejos e avareza, ira, indignação, maldade, blasfêmia, linguagem obscena, mentira.
Ou seja, não devemos praticar absolutamente nada (façam morrer) que remeta às práticas pecaminosas. Pois é sobre essas pessoas que vem a ira de Deus. Mesma expressão usada em Efésios 5.6 “Não se deixem enganar com palavras vazias, porque a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência por causa dessas coisas.”
Nós nos despimos dessa velha natureza e nos (re)vestimos com a nova natureza. Essa ideia de vestes possui forte vínculo com o Éden.
Assim, não existe mais divisão de grupos: grego, judeu, bárbaro (estrangeiro), Citas (Tribos pastorais nômades que se originaram na Ásia Central e migraram para o leste, estabelecendo-se no sul da Rússia entre 800 e 600 a.C.)
Novamente uma conclusão de Paulo.
Como eleitos de Deus: compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência.
Devemos perdoar os outros, assim como Cristo nos perdoou.
Acima de tudo o que foi dito, deve estar o amor que é o vínculo da perfeição.
A paz de Cristo deve ser o árbitro no coração. O árbitro faz a intermediação e o julgamento. Sendo este árbitro a paz, certamente tudo será direcionado em conformidade com ela.
A palavra de Cristo é o próprio evangelho e ensinamentos. Cânticos espirituais (glossolalia?).
Tudo (tudo mesmo!) o que falamos e fazemos deve ser em nome de Jesus. Aqui não existe uma mera repetição de fórmula mágica “em nome de Jesus", antes, significa que devemos viver de modo a representar a Jesus em todo nosso comportamento perante todas as pessoas, em todas as circunstâncias.
Esposas: submetam-se ao marido; maridos: amem a esposa; filhos: obedeçam aos pais; pais: não irritem os filhos; servos: obedeçam aos senhores; senhores: tratem com justiça e igualdade.
Interessante observar que, em Colossenses 3.22-24, Paulo orienta os servos a exercerem suas funções com sinceridade de coração, não apenas para agradar aos homens, mas como quem serve ao Senhor. Essa orientação pressupõe uma realidade de servidão existente no mundo greco-romano, que não deve ser automaticamente equiparada à escravidão colonial moderna, como a praticada no Brasil colônia, marcada por tráfico racializado, violência extrema e desumanização sistemática. Ao mesmo tempo, também não se deve reduzir essa condição a uma simples relação de emprego, pois ainda se tratava de uma forma real de sujeição social. Assim, a servidão mencionada por Paulo parece corresponder a uma realidade distinta e mais ampla, situada entre relações domésticas de dependência e formas efetivas de escravidão, variando conforme o contexto social da época.
Quem fizer injustiça receberá em troca a injustiça feita. Esse princípio tem uma alcance universal, seja para servos ou senhores.
Capítulo 4
Continuem a orar, é a recomendação de Paulo.
Devemos orar para que o mistério do evangelho seja conhecido no mundo.
Sejam sábios no modo de agir com os que são de fora (não são cristãos), aproveitando cada oportunidade para testemunhar corretamente de Cristo.
A palavra do cristão deve tem utilidade e agradabilidade, assim como uma comida com sal é saborosa e útil para nutrir. A finalidade principal é ter uma resposta adequada e instrução acerca do evangelho.
Tíquico, aparece em mais de uma carta, e Onésimo, em Filemon. Aristarco, Marcos, Jesus (Justo), Epafras, Lucas e Demas.
Epafras lutava pelos colossenses em oração, com o propósito de mantê-los maduros em relação à vontade de Deus.
Paulo enviou uma carta aos Laodicenses que não sobreviveu.
As cartas de Paulo eram circulares, tanto dentro da igreja, quanto em igrejas próximas.
A saudação é de próprio punho: traz a ideia de que o restante da carta deva ter sido escrita por uma amanuense, espécie de escriba.
