O Cego de Nascença - Da Escuridão para a Luz (João 9.1-41).

Encontros com Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 7 views
Notes
Transcript
INTRODUÇÃO
Poucos capítulos das Escrituras apresentam um contraste tão impressionante entre luz e trevas quanto João 9.
João organiza seu Evangelho em torno de "sinais". Eles nunca são meros milagres; são manifestações visíveis de verdades espirituais invisíveis.
Cada sinal revela algo sobre Cristo.
No capítulo 2, Jesus transforma água em vinho e mostra que traz uma nova aliança.
No capítulo 5, cura um paralítico e demonstra ser Senhor do sábado.
No capítulo 6, multiplica pães e declara ser o Pão da Vida.
No capítulo 8 afirma:
"Eu sou a luz do mundo."
O capítulo 9 prova essa afirmação.
A luz do mundo encontra um homem que jamais havia visto qualquer luz. Observe que João faz questão de dizer:
"cego de nascença."
Isso muda completamente a história.
Não era alguém que havia perdido a visão.
Nunca enxergara.
Nunca vira o rosto da mãe.
Nunca contemplara um pôr do sol.
Nunca distinguira cores.
Nunca vira estrelas.
Nunca olhara para uma criança.
Jamais havia contemplado Jerusalém.
Desde o nascimento existia apenas escuridão.
João quer que enxerguemos ali uma fotografia da humanidade.
É exatamente assim que todos nascemos espiritualmente. Não apenas doentes. Não apenas enfraquecidos. Mas incapazes de enxergar Deus.
A cegueira daquele homem representa a incapacidade espiritual do ser humano descrita em toda Escritura.
Paulo dirá:
"O deus deste século cegou o entendimento..." (2Co 4.3,4).
Pedro dirá:
"Chamou-vos das trevas para sua maravilhosa luz." (1Pe 2.9-10).
Isaías profetizou:
"O povo que andava em trevas viu grande luz." (Is 9.2 cf. Mt 4.16).
Tudo converge para Cristo.

O Contexto

João 9 começa imediatamente após João 8.
No capítulo anterior os judeus tentaram apedrejar Jesus. Ele sai do templo.
Enquanto todos procuram matar Jesus. Jesus procura um mendigo.
Enquanto a religião está preocupada em preservar seu poder. Jesus está preocupado em salvar pessoas.
Que contraste!
A religião vê um problema.
Jesus vê uma pessoa.
Os discípulos veem um debate teológico.
Jesus vê uma oportunidade de redenção.

I. Jesus enxerga além da condição humana(9.1–7)

"Ao passar, Jesus viu..."
Essa frase merece atenção.
O homem não viu Jesus. Era impossível. Mas Jesus viu o homem.
Aqui está toda doutrina da graça. Sempre é Deus quem toma a iniciativa.
O homem não procurava Cristo. Cristo procurou o homem.
Assim aconteceu:
com Abraão;
Moisés;
Davi;
Zaqueu;
Paulo. Sempre Deus inicia.

A pergunta errada

Os discípulos perguntam:
"Quem pecou?"
Era uma teologia simplista, que toda dor deveria possuir uma causa imediata.
Era quase uma matemática espiritual. Sofrimento = pecado específico.
Jesus desmonta completamente essa ideia. Há sofrimento:
disciplinador;
educativo;
consequência da queda;
resultado do pecado coletivo;
perseguição;
e sofrimento cujo propósito é revelar Deus.
Nem tudo pode ser explicado. Há mistérios.

O sofrimento como palco da glória

Observe a expressão:
"para que se manifestem..."
Durante décadas. Aquele homem acreditava que sua vida não possuía sentido.
Mas Deus estava escrevendo uma história. Deus nunca desperdiça sofrimento. Aquilo que parecia abandono era preparação.
O barro
Por que barro? Diversas interpretações surgem.
Algumas possíveis aplicações:
O barro lembra Gênesis. O Criador que formou Adão do pó agora recria olhos.
Não se trata apenas de cura. É uma nova criação.
João frequentemente apresenta Jesus como o Criador.

O tanque de Siloé

João explica:
"que significa Enviado."
Nada é acidental. Jesus é o Enviado do Pai.
O homem é enviado ao tanque chamado Enviado. Ele encontra a cura obedecendo ao Enviado de Deus.

Aplicações

Há pessoas vivendo anos em sofrimento imaginando que Deus as esqueceu.
Mas Deus pode transformar décadas de lágrimas em palco para Sua glória.

II. A luz de Cristo revela o coração das pessoas (9.8–34)

É interessante notar que depois do milagre ninguém comemora.
Começa um interrogatório. O milagre revela os corações. Há quatro reações.

a) Os vizinhos

Eles perguntam:
"Não é este?"
Alguns dizem: É ele.
Outros: Parece com ele.
Quando Cristo transforma alguém até os vizinhos percebem.

Os pais

Eles acreditam no milagre, mas têm medo.
Vivem aprisionados pelo medo da religião. Conhecem a verdade.
Mas não têm coragem. É possível conhecer fatos sobre Cristo sem confessá-lo.

Os fariseus

Eles fazem quatro interrogatórios.
Já decidiram a conclusão.
Não investigam.
Apenas procuram argumentos.
Toda incredulidade funciona assim.

O crescimento espiritual do ex-cego

Aqui encontramos uma das maiores progressões cristológicas do Evangelho.
Primeiro: Um homem.
Depois: Profeta.
Depois: Vindo de Deus.
Depois: Filho do Homem.
Finalmente: Senhor.
Assim cresce todo discípulo.
A caminhada cristã é crescimento constante na compreensão de Cristo.

O testemunho

Observe a simplicidade. Não conhece apologética. Não conhece filosofia. Mas diz:
"Uma coisa sei..."
Ninguém consegue discutir com uma vida transformada.
Argumentos convencem. Transformações constrangem.

III. A verdadeira fé sempre rompe com a religião morta (9.35–38)

Esse texto emociona. O homem perdeu tudo. Foi expulso. No grego, a ideia é exclusão definitiva. Era uma sentença social.
Perdia:
amigos.
comércio.
vida religiosa.
família ampliada.
Mas exatamente quando todos o abandonam. Jesus aparece.
O texto diz:
"Jesus ouviu que o expulsaram."
Jesus presta atenção na dor dos seus.

O encontro

Pela primeira vez. O homem vê Jesus.
Imagine a cena. A primeira pessoa contemplada plenamente é o Salvador.
Ele pergunta:
"Quem é?"
Jesus responde:
"Tu o tens visto."
Que frase linda. O homem passou anos sem ver. Agora vê o Filho de Deus.

A adoração

O texto termina:
"E o adorou."
No Evangelho de João ninguém adora um simples profeta.
Adoração pertence somente a Deus.
João afirma silenciosamente a divindade de Cristo.

IV. A PIOR CEGUEIRA É A RELIGIOSA (9.39–41)

Jesus encerra o capítulo com ironia divina.
Quem dizia enxergar é declarado cego.
Quem admitia cegueira agora vê.
O orgulho religioso impede conversão. A maior barreira entre um homem e Deus não é sua imoralidade. É sua justiça própria.
Os fariseus possuíam:
Templo.
Sinagoga.
Conhecimento.
Influência.
Mas não conheciam Cristo.

A GRANDE PONTE PARA JOÃO 10

Aqui está algo extraordinário. João não muda de assunto.
Ele continua. Jesus olha para aqueles fariseus e conta a parábola do Pastor.
Por quê? Porque eles acabaram de provar que eram maus pastores.
Eles expulsam - O Bom Pastor acolhe.
Eles condenam - O Bom Pastor salva.
Eles exploram - O Bom Pastor dá a vida.
Eles fecham portas - O Bom Pastor abre a porta.
Eles espalham medo - O Bom Pastor conduz com segurança.
Eles não conhecem as ovelhas - O Bom Pastor chama cada uma pelo nome.
O cego é a primeira demonstração prática do capítulo 10.
Ele já experimentou tudo aquilo que Jesus ensinará.
Foi encontrado.
Foi chamado.
Foi conduzido.
Foi protegido.
Foi recebido.

Conclusão

João começa seu Evangelho dizendo:
"A luz resplandece nas trevas."
No capítulo 9 essa luz encontra um homem completamente cego.
No capítulo 10 essa mesma luz revela o Pastor.
O objetivo nunca foi apenas abrir olhos.
O objetivo era formar discípulos.
Porque ver Cristo não basta.
É preciso segui-lo.
O milagre termina quando os olhos se abrem.
A salvação começa quando a ovelha passa a ouvir a voz do Pastor.
Hoje Cristo continua passando. Continua vendo quem ninguém vê.
Continua encontrando pessoas abandonadas pela religião, pela sociedade e até pela família.
Continua dizendo:
"Eu sou a Luz do mundo."
E logo acrescenta:
"Eu sou o Bom Pastor."
Ele não apenas tira o pecador das trevas. Ele o conduz à luz, dá-lhe um novo rebanho, uma nova identidade e a promessa da vida abundante. O mesmo Jesus que abriu os olhos do cego de nascença continua abrindo os olhos espirituais daqueles que creem, chamando-os pelo nome e guiando-os com segurança até a vida eterna. Esse é o grande movimento de João 9 para João 10: da escuridão para a luz e da luz para o cuidado permanente do Bom Pastor.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.