Nossa vocação para revelar Deus

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Cl 3.10

Introdução:
Irmãos, a imagem de Deus, por causa do pecado, foi profundamente afetada em nós. Embora não tenha sido perdida, o seu pleno exercício foi seriamente comprometido pela presença e pelas consequências do pecado em nossa vida.
Podemos entender a “imagem de Deus” como a capacidade do ser humano de representar o próprio Deus em meio à criação. E, ao pensarmos nisso, logo somos confrontados por nossas falhas e sofremos por não desempenhar bem esse papel.
Contudo, por meio da vida do nosso Salvador e da habitação do Espírito Santo em nós, não estamos sozinhos. Temos a presença daquele que nos ensina a andar em santidade e a agradar ao Senhor, vivendo como sua imagem nesta terra.
Assim, vamos refletir um pouco sobre a nossa vocação de revelar o Senhor. Podemos realizar essa ideia de duas formas, sendo a primeira:
Desenvolvimento:
1 - Revelando a Deus pelo o que fazemos
Talvez possamos pensar que revelar a Deus por meio das nossas ações — especialmente no trabalho — exige uma posição de destaque.
Podemos lembrar de Kaká, que muitas vezes, ao marcar um gol, apontava para o céu, evidenciando sua fé e sendo reconhecido como alguém piedoso.
Diante disso, surge a pergunta: seria necessário alcançar grande visibilidade, como a de um jogador de futebol ou um astro de cinema, para então cumprir esse propósito?
Quando observamos o texto lido inicialmente, percebemos que Paulo não faz esse tipo de distinção, nem indica que seja necessário ocupar uma posição de destaque para cumprir esse papel tão importante.
A todos nós — cada crente, de forma individual — ecoa a mesma exortação: “revistam-se do novo homem”. Esse novo homem, que agora está em nós, deve ser manifestado naquilo que fazemos no dia a dia.
Não se trata de uma responsabilidade exclusiva de pastores, líderes ou de qualquer outro grupo que possamos usar como desculpa para nos isentar. Pelo contrário, é um chamado universal.
É imperativo que cada um de nós cultive um desejo sincero de desempenhar bem a função que Deus nos confiou. Se cremos que Deus é soberano, então deve ser natural reconhecer que Ele conduziu cada detalhe da nossa vida até o ponto em que estamos hoje.
Achei muito interessante o autor do livro que estamos estudando citar a história de um homem de sua igreja.
Ele era apenas um porteiro de hotel, morava na periferia e era negro — um detalhe relevante, considerando o racismo que historicamente marcou a sociedade americana.
Ainda assim, esse homem usou o seu papel no trabalho para revelar a Deus em sua vida. Era simples, mas honrava ao Senhor com dedicação, testemunhando sua fé com humildade no cotidiano.
No dia do seu enterro, após uma longa luta contra o câncer, uma multidão compareceu para se despedir desse grande homem.
Talvez você espere alcançar uma posição de maior destaque na sociedade para então exercer influência. No entanto, desde o primeiro século, Deus tem usado pessoas com muito ou pouco destaque para tornar o seu nome conhecido.
Não é o seu trabalho que determina a sua relevância diante de Deus, mas o fato de Ele ser o seu Deus — e de ter te chamado para tornar o nome dEle conhecido.
Deus colocou exatamente você nesse emprego — até mesmo naquele ao qual você vai todos os dias, muitas vezes desanimado — para que o nome dEle seja conhecido.
Quantas oportunidades temos perdido em algo que parece tão comum, mas que é profundamente significativo?
Paulo nos diz em Colossenses 4.5: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades.” Embora ele fale em um contexto de evangelismo, essa exortação se aplica claramente ao nosso ambiente de trabalho.
Talvez seja justamente ali o lugar onde Deus mais deseja ser evidenciado — não simplesmente porque há uma Bíblia presente, mas porque você está ali, disposto a refletir a imagem de Deus com sua vida.
É seu papel sair daqui, nesta noite, com o compromisso de tornar conhecida a masculinidade de Cristo. É nEle que encontramos o exemplo perfeito do que é ser homem.
Crescer no conhecimento do Senhor é o nosso chamado no caminho da santidade — e em qual lugar isso deve acontecer? No trabalho.
Se as pessoas ao seu redor usam palavras impróprias, será que o seu caminho é imitá-las? Não deveria ser você o diferente? Se o seu serviço exige engano, não deveria esse ser o momento de reconsiderar e buscar outro caminho?
Cristo pode ser conhecido onde quer que você esteja. Por isso, precisamos recuperar o nosso senso de urgência diante do tempo em que vivemos.
2 - Revelando a Deus por quem somos
Mas alguém poderia perguntar: por que eu deveria fazer isso, e não apenas você que é pastor?
Retorne ao texto. O verso 10 fala sobre o revestimento do novo homem, enquanto o verso 8 aponta para o abandono da velha vida.
Essa realidade não é exclusiva de alguns, mas se aplica a todos os que participam da nova natureza em Cristo.
Assim, em vez de buscarmos tornar o nosso próprio nome conhecido, precisamos entender que fomos chamados a nos desprender do passado e a evidenciar, diante de todos, a transformação que Cristo operou em nós.
Pense, por exemplo, na ceia do Senhor: você não celebra a sua própria morte, mas recorda a morte de Cristo, que se torna sua pela fé.
Você morreu com Ele para a antiga vida e ressuscitou para a nova vida que Ele lhe concedeu por meio da cruz.
Essa nova vida altera quem você é. Por isso, não é correto alguém dizer: “Mas eu sempre fui assim”. Isso pertence ao passado — ao tempo em que você ainda era estranho a Deus.
Agora, o Espírito Santo habita em você. Portanto, a sua forma de se enxergar precisa ser transformada. Se isso não acontece, você está pecando contra o Senhor que o resgatou.
Deus deve ser visto em todas as áreas da nossa vida — isso faz parte da nossa vocação. Lembre-se de 1Coríntios 10.31: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.”
Glorificar a Deus é exatamente viver dessa maneira.
Conclusão:
Deus nos chama para uma batalha — uma luta travada, antes de tudo, contra o pecado que nos assedia e tenta retomar o seu espaço em nós.
Saber disso deve acender um alerta em nossas mentes e corações. Não podemos baixar a guarda nem aceitar uma masculinidade moldada pelo mundo — baseada em vícios, imoralidade e desejos desordenados.
Deus nos libertou dessa escravidão para vivermos na bênção da nova vida em Cristo.
Que a vigilância e a oração sejam armas sempre prontas em nós, até o dia da vitória final. A noite já vai passando, e o dia logo vem — e esse dia será eterno.
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