A Visão Reformada da Santa Ceia
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Textos-Base Principais: 1Coríntios 11.23-29; 1Coríntios 10.16-17; Mateus 26.26-29.
Introdução: O que é um Sacramento?
Introdução: O que é um Sacramento?
Antes de entender a Ceia, a classe precisa entender o conceito de sacramento.
Santo Agostinho: "Um sacramento é um sinal visível de uma graça invisível".
Enquanto a Pregação é a Palavra audível que entra pelos nossos ouvidos, os Sacramentos são a Palavra visível, tátil e palatável que entra pelos nossos sentidos físicos.
1. Por que Deus instituiu a Santa Ceia?
1. Por que Deus instituiu a Santa Ceia?
Deus não precisava nos dar pão e vinho; Ele poderia apenas nos dar a Bíblia. Por que Ele nos deu uma refeição?
O Princípio da Acomodação: Calvino ensinava que Deus se "acomoda" à nossa fraqueza. Nós somos criaturas físicas, presas ao tempo e ao espaço, com uma fé que frequentemente vacila.
A Ceia foi dada porque a nossa fé é fraca e precisa de "muletas". Deus sabe que somos desconfiados.
O nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o sacramento da Santa Ceia a fim de alimentar e sustentar aqueles que Ele já fez nascer de novo.
Por isso, Ele não apenas diz "Eu te perdoo e te sustento"; Ele coloca o pão na sua boca e diz: "Sinta o gosto disso. Assim como este pão é real para o seu estômago, a minha graça é real para a sua alma".
A Ceia não acrescenta nada de novo ao Evangelho; ela sela e confirma o Evangelho que já ouvimos.
Assim como o pão comum mantém a vida corporal e terrestre, Cristo é o pão vivo que mantém a vida espiritual e celestial dos crentes.
2. As Quatro Visões: Onde está Cristo na Ceia?
2. As Quatro Visões: Onde está Cristo na Ceia?
Historicamente, a igreja debateu intensamente como entender as palavras de Jesus: "Isto é o meu corpo".
Tradição
Tradição
Católica Romana.
A teologia romana oficial (Concílio de Trento) não ensina que Jesus é morto ou crucificado novamente a cada missa.
O que eles ensinam é que a missa é uma reapresentação ou atualização do sacrifício único da cruz. Para Roma, a eternidade invade o tempo e aquele único sacrifício do Calvário é tornado presente novamente sobre o altar, mas sem derramamento de sangue, aplicando seus méritos aos participantes vivos e mortos.
Nome Teológico
Nome Teológico
Transubstanciação
Onde está o corpo de Cristo?
Onde está o corpo de Cristo?
O pão e o vinho se convertem materialmente na substância da carne e sangue de Jesus.
Dinâmica Principal
Dinâmica Principal
O sacrifício de Cristo é reapresentado no altar de forma incruenta (sem sangue).
Tradição
Tradição
Luterana
Nome Teológico
Nome Teológico
Consubstanciação é um nome que eles recusam, preferem chamar de presença Real (União Sacramental).
Eles argumentam que não há uma "mistura" de substâncias (pão e corpo formando uma terceira coisa), mas sim uma União Sacramental ou simplesmente Presença Real. O pão continua sendo pão, mas o corpo de Cristo está verdadeira, real e substancialmente presente em, com e sob o pão.
Onde está o corpo de Cristo?
Onde está o corpo de Cristo?
Cristo está física e espiritualmente "em, com e sob" os elementos (como fogo no ferro quente).
Dinâmica Principal
Dinâmica Principal
Deus distribui o perdão prometido aos crentes através dos elementos, que contêm verdadeira e fisicamente o corpo e sangue de Cristo.
Tradição
Tradição
Zwingliana.
Ulrico Zwinglio é frequentemente lembrado como o pai do "Memorialismo" (a ideia de que a Ceia é apenas uma lembrança e um rito de compromisso da igreja).
No entanto, em seus escritos mais maduros, Zwinglio passou a enfatizar mais a comunhão espiritual com Cristo, embora continuasse rejeitando a ideia de uma presença objetiva de Cristo nos elementos.
O memorialismo estrito acabou predominando entre muitos reformadores radicais e, posteriormente, tornou-se a posição mais comum entre batistas, congregacionais e boa parte do evangelicalismo moderno.
Nome Teológico
Nome Teológico
Memorialismo
Onde está o corpo de Cristo?
Onde está o corpo de Cristo?
Cristo está no céu. O pão é apenas um símbolo, um quadro didático para a mente.
Dinâmica Principal
Dinâmica Principal
É um memorial de obediência e uma proclamação da fé da igreja. Eles não negam a presença de Cristo no crente durante a ceia (pela fé), eles apenas negam a presença de Cristo nos elementos.
Tradição
Tradição
Reformada seguida por todas as igrejas de tradição Reformada.
Nome Teológico
Nome Teológico
Presença Espiritual Real.
Onde está o corpo de Cristo?
Onde está o corpo de Cristo?
Cristo está no céu, mas o Espírito Santo une o crente na terra ao Cristo no céu.
Dinâmica Principal
Dinâmica Principal
Nutrição real; nós realmente nos alimentamos de Cristo pela fé.
Para Calvino, Zwinglio esvaziou a Ceia (virou só lembrança) e Roma idolatrou a Ceia (adorando o pão).
A visão reformada ensina que pão não desce do céu, nem Cristo desce fisicamente ao pão. É o Espírito Santo que eleva os nossos corações aos lugares celestiais para termos comunhão real com Ele.
2.1 Ilustração
2.1 Ilustração
Ilustração: A Aliança de Casamento
Ilustração: A Aliança de Casamento
"Olhem para a aliança vocês que namoram ou são casados. Se eu disser: 'esta aliança é o meu casamento', todos entenderão que estou falando figuradamente. A aliança não é a pessoa, nem é o ato de casar. Ela é um objeto de ouro, feito de matéria física.
Porém, se alguém dissesse: 'já que é só um objeto de metal, é apenas um símbolo, nada mais', essa pessoa estaria completamente enganada.
Por que ela não é vazia? Por três motivos que nos ajudam a entender a Santa Ceia:
Ela é uma promessa visível: A aliança não apenas me lembra da promessa; ela sela a promessa. Ela é uma garantia legal que diz: 'este compromisso é real'.
Deus não nos dá apenas um livro de promessas (Bíblia), Ele nos dá um selo (Ceia) para garantir que as promessas do livro são para nós.
Ela sela um compromisso real: Quando coloco esta aliança no dedo, eu estou 'selando' um compromisso de aliança. A aliança não cria o casamento, mas ela garante e confirma que o casamento existe e que eu pertenço àquela pessoa. Do mesmo modo, a Santa Ceia não cria a salvação, mas Deus a usa para 'selar e confirmar' em nossos corações que a promessa do Evangelho é verdadeira e que pertencemos a Ele.
Ela cria uma união mística: Quando estou longe da minha esposa e olho para a aliança, meu coração se eleva a ela. Ela é um meio de comunhão.
Na Santa Ceia, o pão e o vinho cumprem um papel semelhante: pelo poder do Espírito Santo, eles são meios pelos quais o crente é unido a Cristo no céu, nutrindo-se dele. Eles não são a própria pessoa de Cristo (da mesma forma que a aliança não é minha esposa), mas são o instrumento que Deus escolheu para nos dar um 'gosto e sabor' da comunhão real que já temos com Ele."
3. Os Benefícios da Ceia
3. Os Benefícios da Ceia
O que realmente acontece quando participamos com fé?
Nutrição Espiritual: Assim como o pão sustenta a vida do corpo, o corpo de Cristo (acessado pela fé) nutre, fortalece e revigora a vida da alma.
União com Cristo: A Ceia fortalece nossa união mística com Jesus. Não somos apenas perdoados; somos feitos "osso dos seus ossos".
União com a Igreja: (Ler 1Coríntios 10.17). Há apenas um pão. Quando comemos dele, afirmamos que somos um só corpo. A Ceia destrói o individualismo. Você não toma a Ceia sozinho; é uma refeição de família.
4. Quem pode e quem não pode participar? (As Cercas da Mesa)
4. Quem pode e quem não pode participar? (As Cercas da Mesa)
A Ceia é uma refeição da Aliança, logo, é exclusiva para os membros da Aliança.
Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. É por isso que há entre vocês muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.
Quem deve participar: Cristãos batizados, que professam publicamente a sua fé, que compreendem o evangelho e que estão vivendo em arrependimento.
Quem não deve participar:
Não-crentes e não-batizados (pois não faz sentido sentar à mesa de uma família da qual você não faz parte).
Crianças que ainda não têm discernimento para fazer o autoexame (na visão presbiteriana tradicional).
Cristãos que estão vivendo em pecado grave, deliberado e não confessado, ou que estão sob disciplina eclesiástica (1Co 5.11).
5. O Autoexame: Como saber se estou apto?
5. O Autoexame: Como saber se estou apto?
(Ler 1Coríntios 11.27-29).
O Mito da Perfeição: O autoexame não é uma checagem de perfeição moral. Se você precisasse ser perfeito para tomar a Ceia, a mesa estaria sempre vazia.
Calvino dizia que a Ceia "é remédio para os doentes, não prêmio para os perfeitos".
Mas, o autoexame também é um teste de discernimento comunitário. Paulo diz "sem discernir o corpo" (1Co 11:29). Isso significa reconhecer que você está comendo com o Corpo de Cristo (a Igreja). Se você não consegue perdoar o irmão que está sentado ao seu lado, você não está "discernindo o corpo" e, portanto, não está apto para a mesa.
O que é participar indignamente? É tratar a mesa como algo normal, comum ou apenas uma rotina. É tomar a Ceia vivendo em pecado consciente sem querer abandoná-lo. É tomar a Ceia guardando ódio ou falta de perdão contra um irmão (não discernir o corpo).
O Filtro Correto: O autoexame busca duas coisas:
Fé (eu confio apenas em Cristo para me salvar?) e
Arrependimento (eu odeio o meu pecado e quero lutar contra ele?).
Se a resposta for sim, a mesa é para você. Você se sente indigno? Exatamente por isso você deve correr para a Ceia.
6. A Frequência da Santa Ceia
6. A Frequência da Santa Ceia
Com que regularidade a igreja deveria celebrar?
O Padrão Bíblico e Histórico: Atos 2.42 mostra a igreja perseverando no "partir do pão" com muita frequência. Calvino desejava que a Ceia fosse celebrada todos os domingos, pois ele via a Ceia como parte integral do culto (Palavra + Sacramento).
A Prática Atual: Por questões logísticas e históricas (herança dos puritanos e do temor de banalização), muitas igrejas reformadas hoje celebram mensalmente.
Os puritanos (especialmente na Inglaterra e Escócia) foram os grandes responsáveis pela "ceia infrequente" (trimestral ou semestral), muitas vezes por um senso de reverência excessiva que beirava a superstição (o medo de profanar a mesa). É um excelente ponto para você pontuar na aula: como uma busca genuína por reverência acabou gerando, historicamente, um distanciamento do banquete que o próprio Cristo ordenou.
A Aplicação Pessoal: Seja semanal ou mensal, o ponto de que precisamos da Ceia frequentemente. Se a sua alma trava uma guerra diária contra o pecado e o diabo, por que você recusaria o alimento que Deus oferece para fortalecer você na batalha? Ausentar-se da Ceia por bobeira é subnutrir a própria alma.
