A BELEZA E A EFICÁCIA DO CANTO CONGREGACIONAL

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LEITURA DO TEXTO

Psalm 149:1 NAA
Aleluia! Cantem ao Senhor um cântico novo; cantem o seu louvor na assembleia dos santos.

INTRODUÇÃO

Se um grupo de seres extraterrestres viesse ao nosso planeta para investigar fatos curiosos sobre a humanidade, com certeza descobririam um fato extraordinário: existe apenas um único grupo de pessoas em toda a face da Terra que se reúne ao menos uma vez a cada sete dias da semana para fazer uma coisa muito peculiar: CANTAR.
Obviamente eles perceberiam que outros grupos costumam se reunir para isso, mas de uma maneira muito esporádica e movida por um desejo de se entreter, como num show de música ou num estádio de futebol; mas esse grupo tão singular chamado de CRISTÃOS faz isso regularmente e não por uma mentalidade focada no próprio entretenimento, mas num desejo maior que é exaltar ao Deus de Israel que tudo criou e que realizou uma enorme salvação através de seu Filho Jesus Cristo.
Estamos falando de um grupo muito específico se reunindo voluntária e espontaneamente — sem pagar ingresso, mas também sem querer se satisfazer com nenhuma diversão que atenda alguma individualidade — e este grupo entrega louvores cantados a esse Deus e mais: eles compreendem que não conseguem fazer isso sem que esse mesmo Deus pelo Espírito Santo os capacite e os enche de fé e alegria. Essa é a realidade de uma igreja local saudável que não possui uma cultura de entretenimento gospel, mas sim uma cultura de adoração comunitária — este é o culto racional do povo de Deus que foi lavado pelo sangue de Cristo Jesus.
Romanos 11.33–36 “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos! “Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu alguma coisa a Deus para que isso lhe seja restituído?” Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém!”
Romanos 12.1–2 “Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Os textos em sequência nos mostram que a Igreja, diante do maravilhamento com a salvação que Cristo realizou por sua morte e estabeleceu por sua ressurreição, demonstra sua alegria e gratidão ao se reunir de maneira solene todos os domingos do ano para cantar em louvor e exaltação ao Deus Triúno que é tão misericordioso, tão fiel e bondoso que esse seu caráter santo possui total dignidade de receber toda honra e glória.
A igreja local, a assembleia dos santos é convidada pela Escritura a cantar — e esse canto carrega consigo beleza e poder do próprio Deus sobre a própria congregação. Existe um benefício espiritual glorioso no canto congregacional e é sobre isso que vamos meditar nesta noite.

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

Salmo 149.1 “Aleluia! Cantem ao Senhor um cântico novo; cantem o seu louvor na assembleia dos santos.”
Começamos com a expressão “Aleluia” que é uma palavra hebraica chamada “halal” que tem a ideia de “admirar”, “elogiar” ou “louvar”.
Pense em alguém que você admira. Só de lembrar dessa pessoa o seu olho brilha! Alguém que fez algo maravilhoso por você. Sua mãe, talvez? Ou seu pai? Ou alguém com quem você hoje partilha um compromisso afetivo, que pode ser tanto namoro quanto noivado ou casamento. Ao pensar nessa pessoa, você lembra suas virtudes, sua beleza, as suas atitudes… você diz: ele ou ela é incrível! Uma pessoa sem igual!
Quando lemos “Aleluia” no penúltimo Salmo do livro dos Salmos — justamente um dos Salmos escritos após a libertação de Judá do cativeiro babilônico, temos que imaginar que o coração do salmista está olhando para o Eterno com um olhar ainda mais profundo de admiração e louvor.
Portanto, “Aleluia” significa “Louvado seja o Senhor”. Nós admiramos, elogiamos e louvamos o Senhor que nos criou e formou, que teve tamanha misericóridia de nós e nos deu o seu melhor que é o Seu Filho Jesus, este que se entregou por amor a nós numa cruz maldita e sofreu por nós quando ainda éramos pecadores inimigos de Deus e a ira santa de Deus contra o nosso pecado caiu toda sobre Ele — essa é a graça maravilhosa — e a nossa culpa foi toda coberta com o seu sangue. E nós ainda louvamos e exaltamos a esse Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo porque Jesus, o nosso Rei, foi cruficado e morto, mas ao terceiro dia ressuscitou dos mortos e assim garantiu o nosso perdão e a nossa libertação do maior cativeiro que nos oprimia e humilhava — o cativeiro do pecado e da morte.
Nós, que respondemos a este santo e poderoso evangelho com abandono de pecados (arrependimento) e confiança em Jesus para vivermos uma nova vida para a glória de Deus (fé) agora nos alegramos e somos gratos pelo privilégio e pela honra de nos reunir solenemente para — ainda dependentes e dirigidos pelo Espírito Santo e pela autoridade da Escritura — cantar e entoar louvores e ações de graças ao Deus que é digno.
Este texto de Salmo 149.1 é ecoado com outras passagens das Escrituras:
Apocalipse 5.9 “e cantavam um cântico novo, dizendo: “Digno és de pegar o livro e de quebrar os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”
Há uma alusão ainda em Apocalipse 14.3 “Entoavam um cântico novo diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém podia aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.”
Outros textos:
Salmo 33.3 “Cantem-lhe um cântico novo, toquem com arte e com júbilo.”
Isaías 42.10 “Cantem ao Senhor um cântico novo! Que ele seja louvado desde os confins da terra pelos que navegam no mar, por todas as criaturas que vivem nele, e pelas terras do mar e os seus moradores.”
Salmo 111.1 “Aleluia! De todo o coração louvarei o Senhor, na companhia dos justos e na assembleia.”
A Escritura retrata continuamente que o Senhor é louvado de maneira especial e gloriosa na congregação dos fieis.
O CANTO NÃO É INDIVIDUAL
Falando do canto mais propriamente dito, um dos grandes problemas em muitas igrejas hoje é que muitos crentes acham que 1) ou o canto é uma coisa de menor valor num culto público, de modo que alguns até chegam atrasado porque não se importam em não cantar e julgam que a pregação é o momento mais “importante” ou 2) o canto é tão valioso que, se esse crente não consegue mergulhar dominicalmente num êxtase espiritual a cada momento de cânticos de louvor, então o melhor é procurar outra igreja.
Apesar de parecerem problemas de origens opostas, não é o caso. O problema é de uma única origem: os crentes que pensam assim pensam equivocadamente que o canto é uma experiência individual e focada na satisfação própria. É aquela mentalidade bastante forte nos tempos atuais ou contemporâneos que nós chamamos de “individualismo”.
Esse fenômeno sociológico é tão perigoso e tão prejudicial que muita gente já não vê mais valor em pertencer de maneira permamente em uma comunidade. Figuras como “autoridade” e “comunidade” são estranhas para a mentalidade pós-moderna deste tempo. E agora, com o advento de igrejas praticamente a cada esquina em nossa cidade, fica muito mais fácil emular o pensamento consumista que simplesmente troca de igreja quando as coisas não estão devidamente do jeito que “eu” acho que deveriam estar e isso se aplica também ao modo que uma igreja local cultua debaixo da liderança e supervisão do pastor titular.
Muitos pensam que o canto congregacional é ir a uma loja de fast food: “eu canto a música que EU julgo ser bíblica e adequada para o culto e não canto essas músicas velhas ou novas”. Tanto o jovem que despreza os hinos históricos e clássicos quanto o mais velho que menospreza os cânticos novos possuem o mesmo problema: não entenderem que o propósito de uma igreja bíblica e saudável é fazer algo mais do que agradar gostos pessoais; uma igreja bíblica e saudável quer exaltar a Deus e edificar o corpo de Cristo ao cantar a Palavra — e o que menos importa num culto público é a data da composição do hino. Ele pode ser um hino do século retrasado ou escrito pelo pastor titular no dia 10/06 deste ano. Se é a Palavra cantada, é o que a igreja saudável e fiel ao evangelho desejará cantar para glória de Deus Pai.
Salmo 107.32 “Que o exaltem na assembleia do povo e o glorifiquem no conselho dos anciãos.”
Salmo 22.22 “A meus irmãos declararei o teu nome; no meio da congregação eu te louvarei.”
Agora vamos a três pontos e, após estes pontos, caminheremos para o final do sermão. Os pontos são estes:
1- Por que é tão vital o canto congregacional?
2- O que uma congregação deve cantar?
3- Como podemos ser mais encorajados a cantar?
Então vamos ao ponto 1.
POR QUE É TÃO VITAL O CANTO CONGREGACIONAL?
Eu responderei esta pergunta trazendo mais três pontos aqui.
Em primeiro lugar, o canto congregacional é vital porque exalta a Deus. Deus não planejou chamar indivíduos mas um povo para si. Deus recebe a glória por mim e por você em contextos privados? Sim, mas não somente. Deus recebe de maneira mais significativa a glória quando damos glórias a Ele juntos. Deus é glorificado ao redimir pecadores e fazer deles uma família — a igreja, o corpo de Cristo, o templo do Espírito Santo.
Efésios 2.19–22 “Assim, vocês não são mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular. Nele, todo o edifício, bem-ajustado, cresce para ser um santuário dedicado ao Senhor. Nele também vocês estão sendo edificados, junto com os outros, para serem morada de Deus no Espírito.”
Deus é exaltado com pessoas, que eram antes inimigas dele e inimigas de outras pessoas, agora cantam a Ele em uma só voz! Isso demonstra o louvor e a glória da sua graça, quando ele une gentios e judeus, homens e mulheres, ricos e pobres… todos cantam a esse Deus que os salvou.
1Pedro 2.9–10 “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia.”
Pedro diz assim: agora vocês são povo de Deus e, juntos, nós proclamamos a suas virtudes.
Então essa é a primeira razão pela qual o canto congregacional é tão vital: o canto congregacional exalta a Deus.
Em segundo lugar, o canto congregacional é vital porque edifica a igreja. Cantar é um ato de amor. Nós lemos hoje Efésios 5.18-20
Ephesians 5:18–20 NAA
E não se embriaguem com vinho, pois isso leva à devassidão, mas deixem-se encher do Espírito, falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando com o coração ao Senhor, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
Veja o versículo 19. “Falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais”. Logo, temos dois ouvintes do nosso canto: Deus e uns aos outros. Um capítulo antes nesta carta aos Efésios, Paulo vai dizer em Efésios 4.15
Ephesians 4:15 NAA
Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
E agora, no capítulo 5, ele demonstra que uma das maneira que nos edificamos ao falar a verdade em amor é através do canto — e todos assim deixamo-nos encher do Espírito Santo ao falarmos entre nós a verdade em amor por meio dos salmos, hinos e cânticos espirituais.
Então, todos nós exercemos um ministério de extrema importância na igreja de Deus: o ministério com cânticos. Paulo não diz que somente o ministro de música é quem deve cantar, ou a equipe de louvor, mas toda a congregração. Em outras palavras, quando você se une à igreja de Cristo, você se matricula num coral. Sobre você está a mordomia ou a administração da saúde espiritual da igreja! E parte do cumprimento desta mordomia acontece quando você abre a sua boca e canta com o povo de Deus.
Aquele pecador que entra com o coração pesado e entristecido com a vergonha do que viveu nos últimos dias precisa ouvir você cantar!
A gente canta hinos como o que cantamos hoje, o 85 do Cantor Cristão (ler o hino abaixo)
Oh, vinde, crentes e entoai
Louvores a Jesus,
Que, para a nossa salvação,
Foi morto numa cruz,
Seu sangue derramou, de tudo me lavou,
Mais alvo do que a neve me tornou!
Refrão
O sangue de Jesus me lavou, me lavou;
O sangue de Jesus me lavou, me lavou;
Alegre cantarei louvores a meu Rei,
A meu Senhor Jesus que me salvou.
O nosso coração pesado muitas vezes deseja ardentemente ouvir o evangelho cantado ao vivo e com muitas vozes ao nosso redor. E isso é uma experiência muito distinta daquela de ouvir boa música cristã nos fones de ouvido. Tudo certo com isso, mas o canto congregacional é melhor!
Nós ouvimos as vozes de pessoas reais da nossa igreja.
Vamos cantar:
Oh oh Alfa, Ômega
Cristo, Filho
Ó vem, ó vem, ó vem Senhor Jesus
O canto congregacional tanto expressa a nossa unidade quanto coopera para promover e firmar a nossa unidade. Então essa é a segunda razão pela qual o canto congregacional é tão vital: o canto congregacional edifica a igreja.
E em terceiro lugar, o canto congregacional auxilia na evangelização das nações. Em 1Coríntios 14 Paulo fala sobre o culto público e ele menciona os salmos e hinos que são entoados. E ele vai dizer que um descrente pode entrar nessa reunião solene da igreja e se esse descrente vê a igreja edificando um ao outro, ele terá ouvido a boa notícia do evangelho — e isso acontece quando cantamos o evangelho uns aos outros!
1Coríntios 14.24–25 “Porém, se todos profetizarem, e entrar ali um não crente ou não instruído, ele será convencido por todos e julgado por todos. Os segredos que ele tem no coração se tornarão manifestos, e, assim, prostrando-se com o rosto em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vocês.”
Então o nosso canto é parte do nosso testemunho.
Nós anunciamos um Deus poderoso para salvar também por meio das nossas canções.
E descrentes são provocados a especularem sobre a nossa alegria ao cantarmos juntos para exaltação de Deus e para a nossa edificação mútua.
E não deveríamos nos surpreender com a beleza e o poder do canto congregacional porque o canto da igreja é som do céu! Quando o povo de Deus se reúne e começa a cantar, estamos todos experimentando uma prévia do que viveremos plenamente nos novos céus e na nova terra.
Você quer ouvir as canções da eternidade? Então volte aqui domingo que vem.
Portanto, por que o canto congregacional é tão vital? Resposta: 1) porque exalta a Deus; 2) porque edifica a igreja e 3) auxilia na evangelização.
Agora vamos ao ponto de número 2.
O QUE A NOSSA CONGREGAÇÃO DEVE CANTAR?
E agora eu trago 4 pequenas respostas.
1- Temos que cantar músicas recheadas de verdades bíblicas.
Colossenses 3.16 “Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração.”
Cantar é a maneira da gente ensinar uns aos outros. Eu acredito que a interpretação mais segura deste vercísulo em relação a “salmos, hinos e cânticos espirituais” não é uma tentativa de Paulo classificar níveis de canções, mas expressar que nós cantamos músicas que são compostas dentro do crivo da Escritura que é inspirada pelo Espírito Santo de Deus. Em outras palavras, nós cantamos essencialmente a Palavra de Deus.
Os Salmos aqui me parecem ser os Salmos da Bíblia em nosso idioma e metrificados adequadamente para cantarmos. Os hinos aqui, a palavra grega hynos traz a ideia de música religiosa ou sacra e a expressão cânticos espirituais vem com a ideia de músicas que o Espírito Santo iluminou pessoas a compor e que estão respaldadas na Escritura e que promovem o canto congregacional e não individual de quem canta. Paulo está se dirigindo à igreja e o seu pedido inicial neste verso é “que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus...”. Veja que o louvor cumpre função tanto pedagógica quanto função discipular.
O que podemos destacar também com essas três expressões é que, se elas estão sendo citadas em conjunto, isso deve apontar para uma variedade de canções e todas elas devem resumir e celebrar a palavra de Cristo que é a mensagem do evangelho.
Isso significa que cantar é parte do ministério da Palavra.
Quando a gente declara verdades bíblicas através do canto, o Espírito Santo manifesta a espada de dois gumes. Logo, enquanto cantamos, de uma maneira sublme a igreja também assume a forma de um seminário e todos nos tornamos professores e alunos deste seminário. Por exemplo, a gente ensina uns aos outros que Deus é triúno, ou seja, que Deus é um só mas subsiste em três pessoas, como nós cantamos hoje (cantar):
Deus triúno e bendito
Exaltado nos céus
Te adoramos por tudo o que és
Tu és santo, bondoso
De imenso poder
Glória damos ao Rei de Israel
Para sempre exaltado
Altíssimo Deus
Que criou este universo
Tributamos a honra, a vida e louvor
Ao Senhor nosso Salvador
É com base nessa responsabilidade pedagógica que eu acredito que os pastores devem supervisionar o canto congregacional da igreja. O pastor deve participar ativamente da escolha dessa lista e acompanhar o que é cantado, como é cantado e se o canto está harmonizado com a ordem de culto.
Paulo quando traz as qualificações do pastor em 1Timóteo 3, ele estalelece duas qualificações que não podem ser encontradas em todos os membros da igreja: não ser novo convertido e ser apto para ensinar. A igreja precisa reconhecer um pastor a partir de todas as qualificações de 1Timóteo 3.1-7, mas principalmente por essas duas. Nem todos são maduros na fé e nem todos são aptos para ensinar a igreja — logo, os pastores devem assumir essa responsabilidade e liderar a igreja também a partir do que ela realiza no culto público, o que inclui os hinos que são entoados.
Música ensina. E músicas carregam sempre ideias — verdadeiras ou falsas. Então eu já assumi muito mais efetivamente desde fevereiro a responsabilidade sobre as músicas que cantamos e tenho procurado estabelecer uma harmonia cada vez maior entre as canções e o texto do sermão. Eu procuro a cada semana uma unidade cada vez maior entre os textos que lemos, as orações que fazemos, o sermão que é pregado e as canções que cantamos porque acredito que o culto público — porque entre outras coisas edifica a igreja e trabalha na evangelização de descrentes — precisa acompanhar a narrativa daquilo que Deus vai falar mais diretamente a todos os presentes na exposição bíblica que o pregador fará.
Minha ideia é ver cada parte do culto meio que “pregando pontos do sermão” antes mesmo do sermão iniciar.
Portanto, nós devemos cantar músicas cheias, repletas de verdades bíblicas.
2- Temos que cantar músicas cheias de beleza.
Cantar não deve ser um ato apenas da razão, mas também da emoção. Esse equilíbrio é fundamental para um culto edificante e que glorifica a Deus.
Precisamos de canções com palavras adequadas para o entendimento dos que cantam e ouvem o canto e com beleza sonora e melódica. As boas músicas congregacionais possuem belas poesias na letra e belas melodias.
E o ideal é que as melodias sejam fácieis e que todos não encontrem muita dificuldade para participar do canto.
3- Temos que cantar tanto músicas novas quanto antigas.
Algumas música passaram pelo teste do tempo e se comprovaram muito relevantes e maravilhosas. Quando nós cantamos clássicos como “Santo” (Hino 09 do Cantor Cristão), nós estamos mostrando a nossa unidade com a igreja universal ao longo dos séculos. E isso serve bem para nos humilhar num bom sentido da palavra, porque, se a gente ignora essas canções antigas, a gente corre o risco de cair num erro que C. S. Lewis chamou de “esnobismo cronológico”.
Por outro lado, a beleza da graça de Deus deve ser expressa por meio de novas canções. Hoje nós citamos o Salmo 96.1 “Cantem ao Senhor um cântico novo, cantem ao Senhor, todas as terras.”. O Salmo 98.1 “Cantem ao Senhor um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua mão direita e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória.”. Apesar de termos cantado hoje um hino dos anos 70 ou 80 que foi composto com base no Salmo 96, podemos e devemos cantar canções novas e até mesmo autorais, como também cantamos hoje.
Então, músicas antigas ajuda a dar raiz para a igreja, e músicas novas podem se tornar mais acessíveis às pessoas que estão chegando à igreja. Ambas possuem valor.
4- Temos que cantar sobre cada aspecto da vida cristã.
Temos que cantar músicas que expressam a nossa alegria e celebração ao nosso Deus. E temos que cantar músicas que expressam a nossa gratidão a Deus. Temos também que cantar músicas de lamento, de confissão de pecados, músicas relacionadas ao luto, à angústia de alma. Temos ainda que cantar músicas que expressam nossa fé de que Deus pode operar um milagre. Temos que cantar músicas que demonstram a nossa confiança e esperança em Deus. Músicas clamando por cura. Músicas para quem pensa em desistir da fé. Temos que cantar orações: de petição, de gratidão, de louvor e adoração, de arrependimento. Temos que cantar canções que expressam a nossa unidade e comunhão uns aos outros! Temos que cantar canções que falam do perdão de Deus sobre nós, mas também do nosso perdão aos nossos irmãos. Canções que falam sobre Missões. E, principalmente, temos que cantar o evangelho: músicas que retratam Deus como criador, músicas que abordam o pecado da humanidade, músicas que apresentam Cristo Jesus, sua vida perfeita, sua morte expiatória e sua gloriosa ressurreição, sua ascenção, a descida do Espírito Santo sobre a igreja e o triunfal retorno de Cristo. Cantar o evangelho também é cantar sobre a obra do Espírito e declarar o seu caráter e tudo o que Ele realiza em nossas vidas.
Cantamos a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito e cantamos considerando cada espectro da realidade da vida cristã.
Martinho Lutero entendeu isso. Ele viu que a igreja precisava de uma reforma não apenas na doutrina, mas também no hinário. Então ele fez opção por estabelecer um hinário mais curto, apenas com as melhores canções. Menos quantidade e mais qualidade.
Então, o que a igreja deve cantar? 1) músicas repletas de verdades bíblicas, 2) músicas cheias de beleza, 3) tanto músicas antigas quanto músicas modernas ou contemporâneas e 4) canções que expressam toda a vida cristã.
Vamos ao último ponto.
UM ENCORAJAMENTO PARA O CANTO CONGREGACIONAL
Como pastor desta igreja local, eu quero que você membro da igreja perceba o quanto eu valorizo o canto da igreja. Alguns pontos que você talvez ainda não percebeu:
1- Eu não posso nem devo chegar no meio do culto.
2- Eu estou proibido de ficar de olho nas anotações do sermão durante o canto congregacional.
3- É importante que você me veja cantando!
4- O nosso culto desde fevereiro intencionalmente conta com 6 a 8 hinos. Cantamos 6 hinos JUNTOS e ficamos em silêncio ouvindo 2 hinos que são o prelúdio e o poslúdio.
O silêncio no culto cristão é muito importante. Estamos numa era extremamente ansiosa, e passamos a semana inteira ouvindo muitas vozes em nosso fone de ouvido ou na TV, ou no trabalho, na rua, etc.
Quando estamos na presença do Eterno que é Altíssimo e Santo, temos que, antes de tudo, fazer silêncio. O que viemos fazer aqui? Espectar, assistir? Absolutamente não. Viemos adorar e servir… mas servir a quem? Ao que não tem necessidade alguma. Ao Deus que não precisa de nós para nada. Ao Senhor que é Deus a gente crendo ou não. Ao Eterno que é digno de louvor mesmo que você não esteja consciente disso. Então, adorar a Ele em comunidade é um privilégio. É um grande privilégio!
Existem pessoas salvas por Jesus que não conseguem fazer silêncio porque estão em áreas em guerra civil ou militar. Bombas, tiros e muitas explosões e destruição à volta. Tem gente que não pode gritar de alegria porque congrega em cavernas escondidos da perseguição do Estado comunista. Tem gente que adora a esse Deus nas matas fechadas correndo risco de morte por predadores ou animais nocivos e venenosos. Tem gente que daria a vida para ter a chance de sair de casa e chegar num prédio como esse para cantar livremente e bastante alto sem ter a preocupação de que ninguém vai querer atrapalhar ou impedir o canto.
E o silêncio entra como um momento do culto público onde preparamos a nossa alma para cantar. É a hora de nos afastar de pensamentos e sentimentos que podem comprometer a nossa adoração corporativa. O silêncio auxilia no aumento da consciência da presença de Deus (Coram Deo), e consequentemente o aumento do nosso temor e da nossa alegria. Muita gente não tem prazer no que faz porque não faz com plenitude, mas uma oração silenciosa durante um prelúdio pode fazer toda a diferença e outra oração silenciosa ao final no poslúdio nos lembra que saímos da igreja para continuarmos cultuando a Deus porque o culto transcende o domingo — o culto acontece durante toda a vida.
5- Quero encorajar a congregação a cantar através de um cuidado da equipe de música de não se sobressair tanto ao som das vozes da igreja.
Os instrumentos sendo tocados num volume mais baixo oportuniza a igreja de perceber o som da própria voz e, assim, cantar ainda mais alto. Estamos intencionalmente parando o som dos instrumentos na última estrofe e refrão dos hinos para que todos percebam que todos devem participar da adoração a Deus com música. Os músicos e cantores não devem ser performáticos. Igreja não é casa de show. Num show musical, todos são convidados a, acima de tudo, apreciar o talento e a qualidade técnica dos músicos e cantores. Mas na igreja local não deve ser assim: aqui a performance é da congregação. Quem tem maior destaque é o povo, e isso inclui os músicos e cantores! Porém, o que deve sobressair é o canto da assembleia dos santos.

CONCLUSÃO

A Igreja reflete a imagem de Deus em Cristo Jesus. E Deus tem prazer na música feita para o seu louvor e no canto do seu povo redimido.
Sofonias 3.9–20 ““Então darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor e o sirvam de comum acordo. Dalém dos rios da Etiópia, os meus adoradores, que constituem a filha da minha dispersão, me trarão sacrifícios. Naquele dia, você não terá de se envergonhar de nenhuma das suas rebeliões contra mim, porque tirarei do meio de você, Jerusalém, os que exultam no seu orgulho, e você nunca mais se orgulhará no meu santo monte. Mas deixarei no meio de você um povo modesto e humilde, que confia no nome do Senhor. O remanescente de Israel não cometerá injustiça. Eles não proferirão mentira, e da sua boca não sairão palavras enganosas, porque serão apascentados, se deitarão, e não haverá quem os atemorize.” Cante, ó filha de Sião! Grite de alegria, ó Israel! Alegre-se e exulte de todo o coração, ó filha de Jerusalém. O Senhor retirou as sentenças que eram contra você e afastou os seus inimigos. O Rei de Israel, o Senhor, está no meio de você; você não precisa mais temer nenhum mal. Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não tenha medo, ó Sião, não desfaleçam as suas mãos.” O Senhor, seu Deus, está no meio de você, poderoso para salvar. Ele ficará muito contente com você. Ele a renovará no seu amor, e se encherá de júbilo por causa de você. “Congregarei os que estão entristecidos por se acharem afastados das festas solenes, estes que são do seu meio e sobre os quais pesam afrontas. Eis que, naquele tempo, agirei contra todos os que a afligem. Salvarei os que coxeiam e recolherei os que foram expulsos. Farei deles um louvor e um nome em toda a terra em que foram envergonhados. Naquele tempo, farei com que vocês voltem e os recolherei. Certamente farei de vocês um nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando eu restaurar a sorte de vocês diante dos seus próprios olhos”, diz o Senhor.”
Deus quer brilhar o brilho de sua glória sobre nós e quando nós cantamos, essa glória é devolvida para Ele — e isso alegra o Seu coração. O canto congregacional é um canto escatológico que está apontando e olhando para o Dia final. Um dia, todos nós, de todas as nações da terra, seremos congregados por Deus e juntos cantaremos e nos alegraremos nele para sempre.
Apocalipse 7.9–12 “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestes brancas, com ramos de palmeira nas mãos. E clamavam com voz forte, dizendo: “Ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.” Todos os anjos estavam em pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e diante do trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: “Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, as ações de graças, a honra, o poder e a força sejam ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém!””
Um dia, todos os cristãos de todas as gerações, os que passaram por fortes perseguições e não podiam cantar alto e os que viveram plena liberdade como nós ainda vivemos hoje, todos juntos cantaremos forte e alto a Jesus, o Cordeiro de Deus — e ninguém vai segurar o canto porque TODOS NÓS VEREMOS A SUA BENDITA FACE. Como eu anseio por esse Dia! E cada domingo é uma oportunidade ímpar de viver um antegozo do que viveremos na eternidade. Um dia a nossa salvação será completada com a nossa glorificação todos conheceremos plenamente a beleza e o poder do canto congregacional — e todos poderemos cantar:
“Então min’alma canta a Ti, Senhor. Grandioso és Tu, grandioso és Tu. Então min’alma canta a Ti, Senhor. Grandioso és Tu, grandioso és Tu”.
Amém. Vamos orar.
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