O Amor que se Torna Visível
A vida na presença de Deus • Sermon • Submitted • Presented
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· 10 viewsEm 1João 4.19–21, compreendemos que o amor verdadeiro tem origem no próprio caráter de Deus, que tomou a iniciativa de nos resgatar em Cristo. Portanto, a afirmação de amar a Deus é validada exclusivamente pela nossa disposição prática em amar o próximo. Os mandamentos horizontais revelam que o amor invisível ao Senhor torna-se visível em nossas ações e obediência diária na comunidade cristã, transformando sentimentos em decisões firmes de cuidado mútuo.
Notes
Transcript
1João 4.19–21 “Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, esse é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E o mandamento que dele temos é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão.”
Introdução
Introdução
Dando continuidade à nossa série de pregações “A vida na presença de Deus”, chegamos ao ponto os 10 mandamentos tratam do amor ao próximo.
Enquanto os primeiros quatro mandamentos tratam da nossa relação com Deus (que chamaremos de “mandamentos verticais”), os últimos seis falam da nossas relação uns com os outros (que chamaremos de “mandamentos horizontais”).
Os quatro primeiros mandamentos nos ensinam a amar a Deus. Os seis últimos nos mostram como esse amor se torna visível.
E assim como fizemos com os mandamentos verticais, também dedicaremos um sermão para apresentar esse bloco de ordenanças, de maneira que fique mais fácil compreender o propósito maior de Deus em cada uma de suas instruções.
E por que é importante entender os mandamentos horizontais primeiro?
Outro dia, vi uma postagem de uma pessoa crítica aos evangélicos. A pessoa disse que “amava Deus, mas não o Seu ‘fã clube’”, ou seja, amar a Deus é ok, mas amar os crentes não. Falas assim costumam vir acompanhadas de afirmações sobre conduta ruins de pessoas que se identificam como evangélicas. Às vezes essas críticas são justas. Às vezes são generalizações injustas. Muitas vezes são queixas contra posições legítimas dos crentes.
Independente das críticas serem justas ou não, a questão é que a pessoa julgava ser perfeitamente válido amar a Deus sem amar ao próximo.
Mas veremos hoje que quando somos amados por Deus, nós também O amaremos e, inevitavelmente, esse amor transbordará para as pessoas ao nosso alcance.
Contudo, um pouco de contexto. João estava falando do amor. Veja bem: não confunda com “amor romântico” ou coisa similar, mas o amor em sua essência ou sua forma mais simples e pura. Já em 1Jo 3.16-18, o apóstolo havia dito que o amor está mais relacionado com o que nós fazemos pelas pessoas (entregar a vida, partilhar bens, socorrer quem precisa, amar além das palavras). Então, o amor não fica só em sentimento: o verdadeiro amor vira ação. [1]
A partir de 1Jo 4.7, há um mandamento de amar o próximo, e ele passa grande parte do capítulo mostrando que o Senhor Deus toma a iniciativa de nos amar e que a consequência do amor de Deus por nós é que Ele nos salvou através de Jesus (v.9-11), nós passamos a amar e servir a Deus (v.12-16) e que esse amor dele é o motivo da nossa esperança de um dia estarmos com Ele (v.17-18).
Daí chegamos ao nosso texto. E João começa dizendo:
Exposição
Exposição
v.19 - Nós amamos porque ele nos amou primeiro.
v.19 - Nós amamos porque ele nos amou primeiro.
[Desenho: A Luz que Gera Amor. Conceito Visual: Um sol grande brilhando sobre uma flor. A flor tem pétalas em formato de coração. Significado: Assim como a flor precisa da luz do sol para crescer, nós precisamos do amor de Deus para amar.]
O mundo normalmente entende o amor começando no homem: em seus sentimentos, suas escolhas ou seus interesses. João começa em outro lugar: o amor começa em Deus.
Ainda no v.8, João havia dito uma das frases bíblicas mais conhecidas: “Deus é amor”, ou seja, o apóstolo estava aqui mostrando que o amor é uma característica do próprio Deus, um traço de seu caráter, como a santidade, a justiça e a sabedoria. É por isso que esse amor não é dependente daquilo que nós fazemos para Deus. Ele ama “primeiro” (πρῶτος), porque Ele é a origem de todo amor verdadeiro.
Já vimos nessa série que Deus tomou a iniciativa de salvar os israelitas da escravidão no Egito. Deus os escolheu antes que eles O servissem. Deus os amou, antes de ser amado por eles. Deus os amou porque amor é parte de quem Deus é.
Dessa forma, a origem de todo verdadeiro amor humano está no fato sermos imagem e semelhança de Deus, de sermos criados com características que Deus tem. Contudo o pecado nos impede de manifestar esse amor de forma real (incondicional).
Esse amor só pode ser vivido por nós novamente, quando Ele (Deus) toma a iniciativa de nos amar. E Deus tomou a iniciativa através da vida, morte e ressurreição de Cristo por nós. E Cristo não nos salva apenas para restaurar um relacionamento individual com Ele. Ele nos salva para formar um povo que reflita seu caráter.
Antes disso, amamos, mas de maneira condicional. Mesmo quando fazemos o bem, muitas vezes esperamos alguma recompensa: sentir-nos melhores, aliviar a consciência ou sermos reconhecidos. Mas o amor de Cristo foi diferente. Na cruz, Ele não buscou benefício para si; entregou-se pelo bem de quem nada podia lhe oferecer.
E quando nós somos o alvo desse amor, quando nós somos amados assim, esse amor nos move a amar da mesma forma.
Mas note num detalhe: Ele não diz “nós amamos o próximo porque...” ou “nós amamos a Deus porque...”. João diz “Nós amamos porque...”. Note que tanto amor a Deus, quanto aos homens são duas faces da mesma moeda; são inseparáveis. E nós somente conseguimos amar a Deus e ao próximo, quando estamos debaixo do amor salvador de Jesus Cristo.
Até aqui João respondeu de onde nasce o amor.
Agora ele fará uma afirmação muito desconfortável.
v.20 - Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, esse é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
v.20 - Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, esse é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
[Desenho: O Coração Disfarçado. Conceito Visual: Um boneco de palito bravo segura na frente do rosto uma máscara sorridente com um coração desenhado nela. O boneco está em cima de uma pequena pilha de lixo rabiscado com moscas voando em volta. Significado: Mostra a hipocrisia: fingir amor por fora (máscara), mas guardar coisas ruins e "sujas" (o lixo) como o ódio no coração por dentro.]
Então, João expõe a gravidade e a hipocrisia da ideia “amo a Deus, mas não o seu ‘fã clube’”.
Gravidade, porque o contrário de amar, não é “não amar”, mas odiar. Costumamos pensar que odiar é desejar o mal de alguém. Por isso, imaginamos que a indiferença é um estado neutro.
Mas João não admite essa ideia. Para ele, deixar de amar já é odiar ou “fechar o coração” (1Jo 3.16-18). O pecado não está apenas na agressão, mas também na omissão. Deixar de manifestar amor é o mesmo que odiar.
E este é justamente o pensamento de João: não amar o irmão é odiar o irmão.
E além de grave, dizer que ama a Deus sem amar o irmão é uma hipocrisia. João diz que a pessoa está mentindo deliberadamente: Não ama a Deus coisa nenhuma. Ama a si mesmo, ama coisas, mas não ama nem o próximo, nem a Deus.
Não é que seja incoerente ou inadequado. É simplesmente impossível (οὐ δύναται) amar a Deus sem amar o próximo. É como alguém que não possui olhos dizer que vê as cores.
E o argumento prossegue de maneira interessante: se o amor deve ser visto em ações concretas pela pessoa, como medir o amor por Deus que não pode ser visto? A resposta é que o amor invisível por Deus é visto no amor visível pelas pessoas.
Esta ideia acompanha muito de perto a fala de Tiago, o irmão do Senhor, que, depois de falar que a fé não tem proveito sem obras de misericórdia pelo próximo, disse:
Tiago 2.18 Mas alguém dirá: “Você tem fé, e eu tenho obras.” Mostre-me essa sua fé sem as obras, e eu, com as obras, lhe mostrarei a minha fé.
O amor a Deus, assim como a fé nele, deve se manifestar visivelmente em ações pelas pessoas.
Mas João ainda não terminou.
v.21 - E o mandamento que dele temos é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão.
v.21 - E o mandamento que dele temos é este: quem ama a Deus, que ame também o seu irmão.
[Desenho: A Corrente dos Corações. Conceito Visual: Uma cruz vertical simples no centro. Dois corações grandes, um de cada lado, estão ligados entre si por elos de uma corrente que passa firmemente ao redor da base da cruz. Significado: O mandamento de Cristo nos une de forma indissociável. Se estamos ligados à cruz de Cristo, estamos acorrentados uns aos outros em amor prático.]
Por isso, a consequência lógica é que aquele que experimenta o verdadeiro amor, o amor que emana de Deus, não tem somente a capacidade de amar, como tem o dever de amar.
Quanta diferença entre o amor pregado pelo mundo e o amor verdadeiro!
A cultura, as filosofias, as religiões e o mundo pregam um amor menor, baseado nos sentimentos internos da pessoa, que hoje podem ser maravilhosos, mas amanhã podem mudar.
O amor é muito mais que sentimentos bons, pois mesmo um assassino (como Lázaro Barbosa, de Ceilândia/DF) e ditadores sanguinários (como Stálin, Hitler e Mussolini) tinham muito afeto por suas próprias famílias, enquanto eram impiedosos com outras pessoas. [2]
Mas o amor verdadeiro faz parte do caráter de Deus, e quando Ele toca alguém com esse amor, a pessoa muda, podendo amar de maneira parecida com Cristo, de maneira doadora, buscando o bem do outro.
Então, se o amor é uma ação pelo bem alheio, ele é também um dever diante de Deus.
O cristão não tem escolha. Se Deus é amor, amar se torna a própria identidade do crente:
Mateus 5.43–48 “— Vocês ouviram o que foi dito: “Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.” Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus.”
Mas se é assim, por que é necessário um mandamento?
Porque nosso pecado diminui a vontade de fazer o bem aos outros. Também porque os pecados dos outros nos dão as desculpas que procuramos para desobedecer o mandamento.
A boa notícia é que Deus não mandou primeiro que nós amássemos. Primeiro Ele nos amou. Depois nos transformou. Então nos ordenou amar.
Porque quando somos amados por Deus, nós também O amaremos e, inevitavelmente, esse amor transbordará para as pessoas ao nosso alcance.
Aplicações
Aplicações
Amar a Deus, exige amar as pessoas
Amar a Deus, exige amar as pessoas
O amor a Deus nos leva a amar as pessoas. Não existe isso de “amo a Deus, mas não preciso da Igreja” ou “Amo a Deus e ninguém pode questionar”.
A única forma de ver que alguém ama a Deus é através do amor dessa pessoa pelas pessoas. Não perdoar, apenas buscar as pessoas por interesse próprio, ajudar só quando se sente bem com isso são atos contra os outros, mas que gritam falta de amor a Deus.
Amar as pessoas, é reflexo do amor a Deus
Amar as pessoas, é reflexo do amor a Deus
O verdadeiro amor nunca contradiz Deus.
Mentir para não magoar, tolerar o ensino errado da palavra em nome da unidade, fechar os olhos para para comportamentos errados e vícios por “não julgar”, encobrir pecados, não corrigir os filhos em nome do amor, não prega o evangelho para não ofender…
Amar é uma decisão, não uma emoção
Amar é uma decisão, não uma emoção
Amar quase nunca é natural, por isso, amar ou não amar é questão de obediência.
Ao longo da história, cristãos sofreram perseguições e injustiças e, ainda assim, decidiram amar quem os fez sofrer. Se você foi ferido por alguém, dizer “eu não consigo amar, fulano” poderá aliviar a sua consciência, mas não muda o fato de que amar, inclusive quem nos faz mal, é nosso dever.
Deus conhece seus sofrimentos e, acredite, Ele fará justiça. Mas não permita que o pecado dos outros controle suas decisões.
Amar é um ato de identidade, não de afinidade
Amar é um ato de identidade, não de afinidade
João escreveu para uma igreja cheia de conflitos. Havia gente difícil, divisões e pecados. Mesmo assim, ele não diz: "amem quando a igreja melhorar". Ele diz: "amem". Por quê? Porque a razão do amor nunca foi a perfeição do irmão, mas a graça recebida de Cristo. Nós não amamos porque encontramos pessoas agradáveis; amamos porque nos tornamos um novo povo. Nossa identidade mudou antes que nossas afinidades mudassem.
É por isso que a igreja pode amar pessoas muito diferentes umas das outras.
Conclusão
Conclusão
Até aqui, estudamos como Deus deseja ser amado. Agora começaremos a estudar como esse amor se torna visível.
Deus nunca quis apenas indivíduos religiosos. Deus está formando um povo, uma nova humanidade.
Uma comunidade onde pais são honrados. A vida é protegida. O casamento é preservado. Os bens são respeitados. A reputação é guardada. O coração aprende a vencer a cobiça.
É por isso que os seis mandamentos seguintes existem. Eles não definem apenas regras de convivência. Eles descrevem a aparência do amor quando o evangelho transforma uma comunidade.
A primeira metade do Decálogo nos mostra como amar o Deus invisível. A segunda metade nos mostrará como tornar esse amor visível.
[1] No livro “O monge e o Executivo” (James Hunter), o monge “Simeão” diz que “o amor é o que o amor faz”, frase que captura parte importante do sentido Joanino de amor.
[2] Era fevereiro de 2026. Um pai publica nas redes sociais um vídeo com os filhos, declarando seu amor por eles. Horas depois, esse mesmo pai tira a vida dos filhos que dizia amar (Caso Thales Machado, Itumbiara/GO).
