Aula 3 — A volta de Cristo
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Aula 3 — A volta de Cristo
Aula 3 — A volta de Cristo
Série: Introdução à Escatologia Bíblica Base bibliográfica: Anthony Hoekema, A Bíblia e o Futuro, capítulos 10 a 13 Âncora confessional: Catecismo Menor de Westminster, Pergunta 28 Formato: aula expositiva Público: novos convertidos e membros em nível iniciante Duração estimada: 45 a 60 minutos
Objetivo da aula
Objetivo da aula
Que o aluno entenda que Cristo voltará de forma pessoal, visível e gloriosa, aprenda a ler os "sinais dos tempos" sem cair em sensacionalismo nem em marcação de datas, e passe a viver na expectativa vigilante e alegre dessa volta.
Textos-base
Textos-base
Atos 1.11; Tito 2.11-13; Marcos 13.32-37; Apocalipse 22.20
Versículo para memorizar
Versículo para memorizar
"Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2.13).
Introdução
Introdução
Nas duas aulas anteriores aprendemos que vivemos entre o "já" e o "ainda não", e que, mesmo quando um cristão morre, ele apenas parte para estar com Cristo, à espera de algo maior. Hoje chegamos a esse algo maior, o acontecimento que amarra toda a nossa esperança: a volta de Cristo.
Comece situando a turma:
Cristo veio uma vez, há dois mil anos, para começar o seu Reino. Mas a história não acabou ali. Ele prometeu voltar, e é essa volta que dá sentido a tudo o que esperamos. Só que, quando o assunto é a volta de Jesus, muita gente ou perde o interesse, ou cai no exagero de tentar adivinhar a data e apontar o anticristo no jornal. A Bíblia nos ensina um caminho melhor: esperar com seriedade, sem medo e sem sensacionalismo.
Vamos ver três coisas: por que esperamos essa volta, como devemos ler os sinais que a cercam, e como ela será de fato.
1. Esperamos a volta de Cristo
1. Esperamos a volta de Cristo
A volta de Cristo, chamada no Novo Testamento de Segunda Vinda, está no centro da esperança cristã. Cristo veio na primeira vez para inaugurar o seu Reino; ele volta para levar esse Reino à sua forma final. É o "já e ainda não" chegando ao seu ponto de chegada.
Essa expectativa domina o Novo Testamento inteiro. Quando Jesus subiu ao céu, os anjos disseram aos discípulos: "Esse Jesus, que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o vistes subir" (Atos 1.11). Paulo chama os cristãos de gente que está "aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2.13). E o Novo Testamento quase se encerra com um clamor: "Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22.20).
Repare no tom dessas passagens. Não é medo, é esperança. A volta de Cristo é chamada de "bendita esperança", e a resposta certa a ela não é encolher os ombros de susto, mas erguer a cabeça. Foi o que o próprio Jesus disse: "ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima" (Lucas 21.28).
É por isso que perder essa expectativa é sinal de doença espiritual. Jesus contou a parábola do servo que diz no coração "meu senhor tarda em vir" (Lucas 12.45) e por isso relaxa e se corrompe. Uma igreja que parou de esperar a volta de Cristo, seja porque se afundou nas coisas materiais, seja porque empurrou esse dia para um futuro tão distante que ele deixou de importar, é uma igreja que perdeu algo essencial. A nossa fé olha para trás, para a cruz, com gratidão, e olha para frente, para a volta, com esperança.
2. Como ler os "sinais dos tempos"
2. Como ler os "sinais dos tempos"
Aqui está o ponto onde mais se erra, e por isso o que exige mais cuidado. Muita gente fala nos "sinais dos tempos" como quem monta um quebra-cabeça para descobrir a data da volta de Jesus. Guerras, terremotos, pandemias, política, tudo vira pista para calcular o fim. A Bíblia nos chama a uma postura bem diferente. Vou corrigir três erros comuns.
O primeiro erro é achar que os sinais só valem para o pouquinho de tempo antes da volta de Cristo. Não é assim. Os sinais descritos no Novo Testamento marcam todo o período entre a primeira e a segunda vinda, cada década dele, inclusive a nossa. Eles não são um alarme que dispara só no último minuto; são um chamado à vigilância constante, do primeiro século até hoje. Aliás, a única vez que Jesus usa a expressão "sinais dos tempos", ele repreende os líderes religiosos por não perceberem o que Deus já estava fazendo ali, na frente deles, no presente (Mateus 16.3).
O segundo erro é imaginar que os sinais são sempre acontecimentos espetaculares e catastróficos, dessas coisas que aparecem na manchete. O próprio Jesus advertiu contra isso: "não vem o Reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está!" (Lucas 17.20-21). E há um alerta ainda mais sério: sinais espetaculares são justamente a especialidade do engano. A Bíblia diz que o homem da iniquidade virá "com todo poder, e sinais e prodígios da mentira" (2Tessalonicenses 2.9). Ou seja, correr atrás do espetacular pode te levar direto para o engano, não para Cristo. Deus costuma agir na história também pelos caminhos comuns, sem fogos de artifício.
O terceiro erro é o mais perigoso: usar os sinais para marcar a data da volta. Isso já foi tentado inúmeras vezes na história, e sempre deu errado, porque contraria uma palavra direta de Jesus: "a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai" (Marcos 13.32). Pare nessa frase com a turma. Se nem o próprio Filho, na sua vida terrena, sabia a data, quem somos nós para calcular? Todo pregador que marcou dia para o fim do mundo foi desmentido pelo relógio. Os sinais nos dão a certeza de que Cristo volta, não a data em que ele volta.
Então qual é a postura certa? Não é calcular, é vigiar. Jesus resume assim: "Vigiai, pois não sabeis quando virá o senhor da casa... para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo" (Marcos 13.35-36). Vigiar não é ficar de olho no calendário; é viver todo dia pronto, fiel, como quem pode receber o Senhor a qualquer hora.
3. Como será a volta
3. Como será a volta
Se não sabemos quando, o que a Bíblia nos diz com clareza é como será. Quatro traços.
Será uma volta pessoal. É o próprio Jesus quem volta, não uma força, uma energia ou um sentimento. "Assim virá do modo como o vistes subir", disseram os anjos (Atos 1.11). Paulo confirma: "aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Filipenses 3.20). É a mesma pessoa que andou na Galileia, morreu na cruz e ressuscitou.
Será uma volta visível. Não será um evento secreto que só alguns percebem. "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá" (Apocalipse 1.7). Todo olho. Por isso mesmo, desconfie de qualquer ensino que diga que Cristo já teria voltado de modo escondido, ou que fale de uma retirada secreta e invisível da igreja separada da volta gloriosa. A Bíblia apresenta uma só volta, aberta e visível a todos.
Será uma volta gloriosa. A primeira vinda foi em humilhação. O profeta já tinha dito que ele "não tinha aparência nem formosura" e seria "o mais rejeitado entre os homens" (Isaías 53.2-3), e Paulo lembra que ele "a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo" (Filipenses 2.7). A segunda vinda será o oposto. "Verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24.30). Ele voltará como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19.16). Aquele que foi desprezado voltará em triunfo, e todos o verão como ele é.
Será uma volta súbita. Ela virá quando menos se espera, "como ladrão de noite" (1Tessalonicenses 5.2). Não porque Deus queira nos pegar desprevenidos, mas porque essa incerteza é exatamente o que nos mantém acordados e fiéis todos os dias.
Nossa própria confissão de fé junta a volta ao restante da obra de Cristo. O Catecismo Menor de Westminster, na Pergunta 28, ensina que a exaltação de Cristo consiste "em ressuscitar ele ao terceiro dia, em subir ao céu, em assentar-se à mão direita de Deus Pai e em vir para julgar o mundo no último dia". A mesma verdade que confessamos toda vez que dizemos, no Credo, que ele "há de vir a julgar os vivos e os mortos".
O que isso muda na sua vida
O que isso muda na sua vida
Vigilância, não cálculo. A energia que muita gente gasta tentando adivinhar datas e identificar o anticristo, a Bíblia manda gastar em viver pronto. A pergunta certa não é "quando ele vem?", mas "ele me encontrará fiel?". Vigiar é uma questão de como você vive hoje, não de quanto você sabe sobre o futuro.
Esperança, não medo. Para quem é de Cristo, a volta dele não é ameaça, é a "bendita esperança" (Tito 2.13). É o dia em que tudo se acerta, em que ele enxuga as lágrimas e completa a nossa salvação. Você não espera o seu juiz com pavor; espera o seu Salvador com alegria.
Firmeza diante do sensacionalismo. Você vai ouvir muita gente, na internet e até em púlpitos, marcando datas, ligando cada notícia ao fim do mundo, vendendo susto. Agora você tem como discernir. Quem marca data contraria Jesus. Quem só enxerga o espetacular esquece a advertência dele. Uma fé madura não se agita a cada manchete.
Perseverança no comum de cada dia. Como não sabemos o dia, cada dia importa. Isso dá valor às coisas simples: trabalhar com honestidade, cuidar da família, servir na igreja, anunciar o evangelho. Viver esperando a volta de Cristo não é ficar olhando para o céu de braços cruzados; é ser encontrado ocupado no que ele mandou.
Conclusão
Conclusão
Cristo voltará. Não sabemos quando, e a Bíblia deixa isso de propósito no escuro, para que vivamos acordados. Mas sabemos como: em pessoa, visível a todos, em glória. Aquele que subiu ao céu diante dos discípulos voltará do mesmo modo, e todo olho o verá.
Por isso a resposta certa não é fazer contas nem sentir medo, mas somar a nossa voz ao clamor com que a Bíblia quase se encerra: "Vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22.20). Que a sua vida, do jeito que ela é hoje, seja uma vida pronta para esse encontro.
Perguntas de fixação
Perguntas de fixação
Use ao final para revisar o que foi ensinado.
Por que dizemos que a volta de Cristo está no centro da esperança cristã? O que ela completa?
Cite os três erros na leitura dos "sinais dos tempos" que a aula apontou.
Segundo Marcos 13.32, quem sabe o dia e a hora da volta de Cristo? O que isso ensina sobre marcar datas?
Quais são os quatro traços de como será a volta de Cristo?
Se ninguém sabe o dia, qual deve ser a nossa postura no dia a dia? Por quê?
Notas para o preparo do professor
Notas para o preparo do professor
Num ambiente saturado de sensacionalismo escatológico, ensinar a turma a não marcar datas e a não correr atrás do espetacular vale mais, na prática, do que qualquer detalhe sobre o futuro. Se faltar tempo, encurte o ponto 3, nunca o ponto 2.O ponto 2 é o coração pastoral da aula.
Esta aula não entra em amilenismo, pós ou pré-milenismo, nem no arrebatamento em dois estágios. Isso é assunto de classe mais avançada. No ponto 3, ao afirmar que a volta é uma só e visível, o objetivo é ensino positivo, não abrir debate. Se um aluno perguntar sobre "arrebatamento" ou "milênio", responda com honestidade que a igreja tem posições diferentes nesses detalhes, que os Padrões de Westminster não fecham a questão do milênio, e que isso será tratado adiante, sem transformar a aula nesse debate.Escopo deliberado: fora as correntes sobre o milênio.
É quase certo que alguém queira identificar o anticristo em alguma figura atual. Redirecione com firmeza e bom humor: a Bíblia usa esses sinais para nos manter vigilantes, não para nos transformar em detetives do noticiário.Cuidado com o "anticristo".
Esta aula fala da volta, mas ainda não do que acontece nela: a ressurreição dos mortos, o juízo final e a nova terra. Anuncie isso, para que a turma perceba que falta o desfecho.Gancho para a Aula 4.
